(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

Abby Jimenez · English text · 88,077 words

Back to the book introduction

SINOPSE

SINOPSE

Vanessa vive a vida em seus próprios termos - um dia de cada vez, todos os dias em sua plenitude.

Ela não está disposta a perder um momento ou perder uma experiência quando não tem ideia se compartilha da mesma condição genética fatal de sua mãe.

Além disso, ela tem muito a fazer, viajando pelo mundo e mostrando aos seus milhões de seguidores no YouTube a alegria de aproveitar cada dia.

Mas depois que sua meia-irmã de repente deixa Vanessa com a custódia de sua filha pequena, ela fica presa em casa, cumprindo as obrigações de mãe e se sentindo totalmente fora de seu ambiente.

A última pessoa que ela espera que apareça oferecendo ajuda é o advogado incrivelmente gostoso que mora ao lado, Adrian Copeland. Afinal, ela mal o conhece.

Mas à medida que eles se aproximam, Vanessa percebe que seu jeito despreocupado e sua necessidade de um plano estruturado nunca poderiam ser compatíveis a longo prazo.

Então, novamente, ela deveria saber melhor do que ninguém que a vida é muito curta para ter medo de correr o maior risco de todos...

CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 1

OUVI CHORO DA PORTA AO LADO,

O QUE EU ACHEI FOI CHOCANTE!

Adrian

Chorando.

Banshee1, bebê-demônio, chorando do apartamento ao lado do meu pela milionésima hora direto. Fiquei deitado na cama, olhando para o teto no escuro.

Rachel gemeu ao meu lado. — Você tem que fazer alguma coisa. Vá até lá.

Eu zombei. — Eu não vou lá. Eu não a conheço.

Acho que já vi minha vizinha no saguão recebendo sua correspondência uma vez, mas ela estava ao telefone e não fez contato visual comigo, então não disse oi. Agora eu gostaria de ter pelo menos chegado a conhecê-la bem o suficiente para ser capaz de enviar uma mensagem de texto e pedir-lhe que por favor se mudasse para um quarto que não compartilhasse uma parede com o meu.

Rachel soltou um suspiro de frustração, rolei e a abracei de volta no meu peito.

Ela ficou tensa. Ela estava tensa desde que chegou aqui, três dias atrás, na verdade.

— O que há de errado?

Ela falou por cima do ombro para mim. — Nada. Eu só estou cansada. Estou a dois segundos de conseguir um quarto de hotel para poder dormir. Sem você — ela brincou.

Eu ri de cansaço. Ela sabia como me cutucar, com certeza.

Só tenho um fim de semana por mês com minha namorada. Perder a última noite com ela para um hotel antes da sua volta para Seattle era um preço que eu não estava disposto a pagar por minha vizinha ou seu bebê.

Porra.

A contragosto, pulei da cama, coloquei uma camiseta e chinelos e saí para o corredor do meu prédio.

Não tenho ideia se ela atenderia a porta. Eram 4:00 da manhã e eu era um estranho. Rachel provavelmente teria chamado a polícia se tivesse visto um homem que ela não conhecia batendo em seu apartamento no meio da noite.

— Quem está aí? — uma voz de mulher chamou por cima do lamento.

— Seu vizinho.

A corrente passou do outro lado e a porta se abriu.

Sim, a mulher da caixa de correio. Ela estava horrível. Camiseta preta desbotada larga com um buraco na costura no ombro e uma calça de moletom com cordão e manchas. Círculos escuros sob os olhos, cabelo crespo selvagem.

— O quê? — disse ela, olhando para mim por cima do pacote minúsculo e barulhento que pressionou contra o peito.

Eu nunca tinha visto um bebê tão pequeno. Eu tinha tijolos de queijo na minha geladeira maiores do que essa criança. Nem parecia real.

Mas parecia real.

Ela me olhou com impaciência. — Sim?

— Tenho um depoimento em quatro horas. Existe alguma maneira de você...

— Fazer o quê? — Ela olhou para mim.

— Alguma maneira de você se mudar para o outro lado do apartamento? Então posso conseguir dormir?

— Não há nenhum outro lado do apartamento. É um estúdio.

Certo. Eu sabia. — OK... bem, você pode-

— Eu posso o quê? Fazê-la parar? — Ela inclinou a cabeça. — Talvez colocá-la em um armário? Porque eu estaria mentindo se dissesse que não havia pensado nisso.

— Eu...

— Não é um trompete que estou tocando aqui. Não é uma TV que liguei muito alto. É um pequeno ser humano. Não pode ser fundamentado e não está respondendo às tentativas de negociação, então não sei o que dizer a você. — Ela saltou a bebê aos gritos que continuou a chorar. — Ela está alimentada, limpa e seca. Ela não está com febre. Ela é muito jovem para a dentição. Eu dei a ela Tylenol e gotas para cólicas. Eu a sacudi e balancei e estou chegando à conclusão de que ela está simplesmente representando uma retribuição baseada no carma cósmico por crimes que cometi em uma vida passada porque não consigo entender o que estou fazendo de errado. — Seu queixo começou a tremer. — Então não, eu não posso fazer isso parar. Não posso ajudá-lo, nem a mim nem a ela, e realmente sinto muito se meu próprio inferno pessoal for inconveniente para você. Pegue tampões de ouvido.

Ela bateu a porta na minha cara.

Eu fiquei lá, piscando em seu olho mágico.

Excelente. Agora eu era o idiota.

Arrastei a mão pela barba, soltei um suspiro longo e cansado e bati de novo. Eu sabia que ela estava espiando pelo olho mágico porque o choro estava pressionado direto para a porta. Ela a abriu. — O quê? — Ela tinha lágrimas escorrendo pelo rosto.

Fiz um movimento de dar aqui com a mão. — Dê-me a bebê.

Ela me encarou.

— Vá tomar um banho. Eu a segurarei.

Ela piscou para mim. — Você está brincando comigo?

— Não, eu não estou. Você obviamente precisa de uma pausa. Talvez ajude.

Continuar a fazer a mesma coisa produziria os mesmos resultados. O que ela estava fazendo não estava funcionando e estava claro que essa situação não se resolveria sem intervenção externa.

Ela olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido. — Eu não vou te dar meu bebê.

— Por quê? Você tem medo de que eu possa irritá-la? — Como se ela pretendesse ilustrar meu ponto, os lamentos subiram uma oitava. — Eu vou segurá-la até que você termine. Se nenhum de nós está dormindo, não faz sentido ambos estarmos sofrendo. E você tem vômito no cabelo.

Ela olhou para o cabelo preso em seu ombro e viu a gosma branca. Ela revirou os olhos como se isso não a surpreendesse e voltou para mim. — Olha, eu aprecio o que você está tentando fazer, mas isso não é problema seu.

Esfreguei minha testa com cansaço. — Bem, eu discordo. Enquanto estivermos compartilhando uma parede, estaremos juntos nisso. Às vezes, uma mudança de circunstâncias pode mudar o comportamento. Alguém novo para segurá-la enquanto você vai e diminui sua ansiedade pode fazer a diferença.

Ela saltou a bebê inutilmente e ela continuou chorando. Eu podia ver a frustração em torno dos olhos da mulher. Ela parecia exausta. — Eu não te conheço — ela disse.

— Meu nome é Adrian Copeland. Eu moro no apartamento 307, ao lado do seu, e sou o proprietário deste prédio. Tenho trinta e dois anos, sem antecedentes criminais, sou sócio da Beaker and Copeland em St. Paul. Sou inofensivo e estou parado aqui no corredor às — olhei para o relógio — 4h07 da manhã, tentando ajudá-la. Deixe-me entrar e deixe-me segurá-la.

Observei a deliberação em seu rosto. Ela iria quebrar. Eu podia ler as pessoas. Ela era aquela jurada em um beco sem saída que iria desistir - e ela o fez.

Ela abriu a porta e me deixou entrar. Eu entrei.

Porra, seu apartamento era um desastre.

Parecia que o lugar costumava ser bom. Tinha aquela coisa da Pottery Barn acontecendo. Mas o estúdio era pequeno e completamente entulhado com parafernália de bebê. Uma cadeirinha de carro, um berço ao lado da cama king-size nos fundos do apartamento, um balanço. As mamadeiras estavam empilhadas nas bancadas da cozinha e o lugar cheirava levemente a merda. Merda real. Merda de fralda suja.

Ela me olhou. — Só para você saber, eu tenho minha coisinha pontiaguda, então não tente nada estúpido.

Eu arqueei uma sobrancelha. — Sua coisa pontiaguda?

Ela ergueu o queixo. — Sim. Você sabe, a coisa do chaveiro? Eu também tenho câmeras. Toneladas delas. E uma arma — ela acrescentou. — Eu também tenho uma arma.

Eu cruzei meus braços. — OK. E você sabe como usar essa arma que você tem?

— Não — disse ela com naturalidade. — O que me torna mais perigosa.

Eu bufei.

Ela ficou lá, ainda segurando a bebê como se tivesse decidido me deixar entrar, mas ainda não tinha se comprometido a realmente me deixar ajudá-la. Eu estiquei minhas mãos, mas ela balançou a cabeça. — Você precisa lavar as mãos primeiro.

Certo. Eu já tinha ouvido isso antes. Os bebês têm sistema imunológico mais fraco. Fui até a cozinha dela e lavei as mãos sobre a pilha de pratos sujos. — Você não estava grávida — falei por cima do ombro, levantando minha voz para que ela pudesse me ouvir acima dos gritos. — Onde você a arranjou?

— Target2 — ela brincou. — Ela estava à venda e você sabe como nunca se sai com apenas uma coisa — ela murmurou.

Os cantos dos meus lábios se curvaram.

O rolo de papel toalha estava vazio e com base no estado do resto do lugar, não confiei na toalha pendurada no fogão. Havia um guardanapo desonesto ao lado de uma fruteira vazia, então sequei as mãos com ele. Ele se desintegrou em cusparadas e eu o joguei na lata de lixo que transbordava.

— Eu estou cuidando dela — disse ela sobre o choro, respondendo à minha pergunta. Ela me olhou enquanto eu diminuía o espaço entre nós e estendi minhas mãos novamente para pegar a bebê. Ela virou seu corpo de lado para longe de mim. — Você já segurou um bebê antes?

— Não. Mas não consigo imaginar que haja muito nisso.

— Você tem que apoiar o pescoço dela. Dessa forma. — Ela me mostrou a mão na parte de trás da cabecinha que parecia um kiwi.

— OK. Entendi.

— E você precisa balançar ela. Ela gosta disso.

— Como evidenciado pelo lamento de estilhaçar a terra — eu disse secamente.

Ela estreitou seus olhos castanhos para mim.

— Estou brincando. Eu sou muito capaz, eu prometo a você.

Ela ainda não se moveu. Eu esperei pacientemente.

Ela finalmente acenou com a cabeça. — OK. — Ela se aproximou para entregar a bebê. Perto o suficiente para que eu pudesse sentir o cheiro de seu cabelo quando ela se inclinou para colocar a bebê em meus braços. Baunilha - e um toque de leite estragado.

Eu embalei o pequeno pacote com raiva. Ela estava com o rosto vermelho e furioso. Ela não podia ter mais do que quatro, cinco quilos, no máximo.

— Você tem certeza disso? — ela perguntou, olhando para mim.

— Vai. Eu cuido dela. E não tenha pressa.

Ela parou por outro momento. — Eu estarei do outro lado da porta se você precisar de alguma coisa.

— OK.

— Essa é a Grace. Meu nome é Vanessa.

— Prazer em conhecê-la, Vanessa. Agora vá. Tomar. Um banho.

Ela aguentou mais alguns instantes, então finalmente se virou e remexeu nas roupas da cômoda e foi para o banheiro. Ela fechou a porta lentamente, olhando para mim pela fresta.

Um grito agudo veio do cobertor rosa balançando em meus braços. Eu olhei para baixo novamente para a bebê.

Não muito me deixava nervoso. Na verdade, além de voar, nada me deixava nervoso. Eu era um advogado de defesa criminal. Eu parecia pura maldade nos olhos diariamente. Mas fiquei surpreso quando uma sensação repentina de - não sei o que, ansiedade? – me dominou olhando para aquela pequena pessoa. Ela era tão frágil. O corpo mais fino que o antebraço em que se aninhou.

Parecia mais seguro me sentar do que ficar em pé, então me mudei para o sofá.

Os gritos continuaram enquanto a água do chuveiro era ligada. Era incrível quanto tempo algo tão pequeno conseguia chorar.

— O que você tem? — eu murmurei.

Tentei pensar no que poderia estar causando essa angústia. Havia um número finito de questões que poderiam estar incomodando alguém que ainda não sabia sobre coisas como impostos e pavor existencial.

Vanessa disse que a alimentou, então não estava com fome. Ela estava seca. Sem gases, sem dor. Ela devia estar cansada, mas algo a impedia de dormir.

O que me impediu de dormir?

E então eu tive uma ideia.

Eu a deitei na almofada do sofá, abri o cobertor e comecei a tatear seu pequeno pijama de futebol. Corri meus dedos ao longo das costuras e no meio da barriga eu encontrei. Um prendedor de etiqueta de plástico em forma de T transparente, ainda preso à roupa. Totalmente invisível.

— Não admira que você esteja chateada. Eu também ficaria chateado — falei. Procurei uma tesoura. Não vi nenhuma. Então me inclinei e arranquei a coisa com meus dentes. Eu abri o zíper de seu pequeno pijama e tirei o resto do objeto ofensivo e esfreguei a mancha vermelha em sua barriga com um nó do dedo. — Shhhhhh...

Ela parou de chorar quase imediatamente.

CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 2

CARA GOSTOSO AMANSA MEU BEBÊ!

Vanessa

Não fui totalmente sincera quando disse que não o conhecia. Adrian Copeland era o cara mais gostoso do meu prédio, então é claro que eu o conhecia. Ou melhor, eu sabia sobre ele. Todo mundo sabe. Ele é uma espécie de lenda do solteiro por aqui.

Ele provavelmente não me conhecia. E quando eu finalmente o conheci, eram 4:00 da manhã, minhas pobres habilidades parentais o acordaram, e tinha vômito no meu cabelo - porque é claro que sim.

Honestamente, eu estava cansada demais para me importar. Esta tinha sido a pior noite das piores duas semanas de todo o meu ano. Eu fui empurrada para a maternidade instantânea, entrei em uma grande briga com minha irmã e agora Grace estava tendo algum tipo de colapso épico que eu não conseguia descobrir.

Eu simplesmente não entendia. Grace era uma bebê miticamente boa. Tipo, ridiculamente boa. Se eu quisesse que uma bebê surpresa caísse na minha porta, não poderia ter pedido uma mais fácil. Ela não era uma chorona, ela dormia bem, tínhamos diminuído nossa rotina nas últimas duas semanas - e então, de repente, logo após o banho, ela perdeu sua merda de sempre amorosa.

Eu tentei de tudo. Até fiz uma videochamada com o pediatra dela, que parecia totalmente despreocupado e sugeriu que eu a levasse amanhã se ela ainda estivesse agitada.

A oferta de Adrian era boa demais para recusar.

Um, seu raciocínio fazia sentido. O que eu estava fazendo - ou não - não estava funcionando. E eu estava extremamente aberta a sugestões neste momento. Eu teria tentado um exorcismo se a pessoa que bateu fosse um padre em vez de um advogado de destaque.

Dois, o homem tinha muito a perder para fazer algo estúpido.

Esse era um cara que chegava ao Star Tribune pelo menos uma vez por mês por suas proezas jurídicas. Eu sabia disso porque todas as vezes que ele o fez, Yoga Lady do 303 me enviou um link junto com vinte emojis de corações nos olhos. Acho que ela tinha um Alerta do Google configurado. Ela era praticamente sua perseguidora.

Adrian era como eu. Ele tinha uma reputação e uma pessoa pública a proteger. Assassinar Grace e eu seria totalmente fora do personagem e muito ruim para os negócios. Além disso, ele pensava que estava em um apartamento cheio de câmeras - o que não era verdade, mas não sabia disso.

E por fim? Ninguém estava vindo para me resgatar. Ninguém mais estava batendo na minha porta para me ajudar no meu sétimo nível de inferno. E eu precisava daquele banho. Muito. Eu só precisava lavar o vômito e o suor e trocar as calças que não tinham xixi de bebê. E Grace precisava de alguém para segurá-la enquanto eu fazia isso. Cada vez que eu tentava colocá-la no berço, ela começava a chorar tanto que parecia que ia explodir.

Tudo que eu precisava era de cinco minutos. Apenas cinco minutos. Talvez ajudasse - e se não ajudasse, pelo menos eu estaria em um espaço melhor para continuar lidando com os gritos, porque daquele jeito, eu estava a dois segundos de um colapso mental completo.

Eu me despi e me lavei como se estivesse sendo cronometrado para velocidade. Aproximadamente quatro minutos depois de entrar no chuveiro - que foi de longe o melhor, senão o mais curto, da minha vida - desliguei a água para sair e fui recebida por um silêncio assustador e frio.

Meu coração despencou.

Oh, meu Deus.

Algo estava errado.

Enrolei uma toalha em volta de mim tão rápido que quase escorreguei no azulejo.

O que eu estava pensando? Eu não conhecia esse homem. Quer dizer, eu conhecia, mas não conhecia. E se ele a sequestrou? Deixou-a cair da varanda? E se ele fosse um cara perfeitamente normal que esteve à beira de um surto psicótico e o choro o levou ao limite e agora ele a sacudiu até a morte? Eu fui tão estúpida!

Abri a porta do banheiro, preparei-me para Deus sabe o que e congelei.

Adrian estava deitado no sofá da minha sala de estar escura, a cabeça em uma almofada e um dedo pressionado nos lábios. Grace estava aninhada na curva do braço dele deitada de costas, e estava dormindo.

Eu apenas fiquei lá olhando para ele. Eu não conseguia nem acreditar. Eu tive que ir na ponta dos pés até eles, ensopada, para ver de perto.

O que foi essa feitiçaria? Como ele fez isso? O homem era como um encantador de bebê ou algo assim. Grace arrulhou baixinho em seu sono, e eu tive que apertar a mão sobre o coração.

Deve haver um interruptor interno primário que muda quando você vê um homem cuidando de uma criança, porque eu juro que me apaixonei um pouco bem ali. Quer dizer, o cara era lindo sem essa feitiçaria, mas agora? Puta merda.

Eu estava ensopada, apenas olhando para ele. Quando não me movi para ir, ele piscou para mim e fez um pequeno movimento de enxotar. Corei, obrigando-me a voltar ao banheiro para me vestir.

Ao retornar, prendendo meu cabelo em uma trança úmida, Grace não tinha se movido. Eu fiquei ao lado do sofá torcendo um elástico em volta do meu cabelo.

— Tudo feito? — ele sussurrou.

Eu balancei a cabeça e me inclinei para pegá-la.

Deus, ele cheirava bem. Algo sonolento, quente e masculino saiu dele. Limpo com uma mistura de algodão e testosterona.

Eu levantei Grace em meus braços e rezei para que ela não acordasse e começasse a chorar novamente quando eu a colocasse em seu berço.

Ela não fez.

Quando me virei para agradecer a Adrian, ele já estava caminhando para a porta. Ele parou e lutou com meu lixo da lata de lixo da cozinha, carregou-o com ele e, sem outra palavra, ele se foi.

Eu empurrei a franja da minha testa com a palma da mão. Oh. Meu. Deus.

Eu precisava fazer um vídeo. Agora.

As últimas duas semanas foram um deserto de conteúdo. Meu canal no YouTube ficou completamente escuro. Eu tive que despedir toda a minha equipe de produção para este hiato. Apenas meu câmera, Malcolm, ainda estava na folha de pagamento. Eu não estava apenas deixando de ganhar dinheiro, mas também decepcionando meus assinantes. Mas eu não tinha nada para falar.

Ser uma mãe que fica em casa não é exatamente emocionante. Eu tive um bate-papo por vídeo com Malcolm ontem para discutir segmentos que eu poderia fazer de casa. Eles eram todos muito idiotas. Principalmente tutoriais de beleza. Eu tentando máscaras de lama malucas e tingindo meu cabelo de cores aleatórias. Um vlog meu abrindo e-mails de fãs. Entediante.

Mas isso…

Peguei meu laptop e fui na ponta dos pés até o banheiro. Sentei-me no assento do vaso sanitário e intitulei o vídeo Hot Guy Tames My Baby3. Eu não me preocupei em soprar meu cabelo ou fazer minha maquiagem. Eu gosto que meu conteúdo seja autêntico. Eu respirei fundo e apertei o registro.

— Olá a todos! Olha, estou viva! — Acenei para a tela. — Bem, foram duas semanas interessantes aqui. Tenho recebido seus e-mails preocupados. Obrigada por se preocuparem comigo, pessoal. E sim, eu desisti da conferência de Los Angeles na semana passada. Eu sei que muitos de vocês ficaram desapontados e eu sinto muito. Se você comprou uma passagem para me ver, envie uma foto dela e seu endereço para Malcolm no e-mail aqui. — Eu coloquei meu dedo acima da minha cabeça, onde Malcolm faria um endereço de e-mail aparecer. — E vou pedir para ele enviar a você uma foto minha autografada. Sei que não é tão bom quanto a coisa real, mas garanto que tive um bom motivo.

— Tenho certeza de que todos vocês estão se perguntando para onde eu fui. Como podem ver pelo título do vídeo, tenho um bebê! Surpresa! Vocês estão surpresos? Porque eu sei que fiquei. — Inclinei minha cabeça e dei à câmera olhos loucos.

— Alguém de quem eu gosto estava grávida. Três semanas atrás, ela teve uma menina saudável. Então, duas semanas atrás, ela deixou a bebê comigo para que pudesse correr para a loja para alguma coisa, e nunca mais voltou.

— A mãe de Grace infelizmente não está no melhor lugar agora. O pai de Grace não está na foto, então agora sou a guardiã temporária de uma recém-nascida da qual não tenho ideia de como cuidar. Desnecessário dizer que a viagem que planejei para o México para meu segmento de Natal em três semanas foi cancelada e, em vez disso, estaremos todos explorando os emocionantes duzentos metros quadrados do meu apartamento por um tempo.

Eu fiquei sentada por um segundo antes de continuar para deixar tudo se estabelecer.

— Agora, tenho certeza de que todos vocês estão se perguntando como o cara gostoso entra nisso. Então, é um pouco depois das quatro da manhã aqui e eu estava com meu anjinho. Estávamos em cerca de um milhão de horas direto de choro integral. Nós duas — acrescentei. — E meu vizinho bateu na minha porta para perguntar se eu precisava de ajuda.

— Deixe-me contar um pouco sobre meu vizinho. Este é o cara mais quente do meu prédio. Talvez o cara mais gostoso do meu quarteirão. Ele é tão atraente que se ele rolasse em cima de mim em um beco em uma van branca sem janelas, usando luvas de borracha e acenando fita adesiva, alegando que ele tem doces - eu entraria. Ele não é apenas um profissional solteiro e proeminente, mas ele também ostenta uma barba realmente magnífica. Quando me mudei para cá em setembro, ele fazia todas essas corridas sem camisa e o homem tem o abdômen de Jesus. Na verdade, é assim que vamos chamá-lo. Jesus’s Abs4.

— Então ele chega como uma espécie de cavaleiro em calças de pijama brilhantes. Tenho vômito no cabelo, e não de uma forma divertida, tipo muitas tequilas em Cancún. Do tipo minúscula-humana-vomita-no-meu-cabelo. Ele se oferece para segurar a bebê enquanto vou tomar um banho. E eu deixei. Por favor, não me julguem. Foi um banho muito rápido. E quando eu saio, ele tem uma bebê dormindo. Os dois estão deitados no meu sofá juntos. Honestamente, foi a coisa mais sexy que já vi na minha vida. Ele parecia uma daquelas fotos encenadas que os modelos do Instagram postam de si mesmos fazendo coisas casuais pela casa enquanto parecem sexy sem esforço. Ninguém parece tão bem descansando na vida real. Sério.

— Como vocês sabem, eu adoro homens barbudos gostosos. É minha fraqueza. Mas, honestamente, depois desta última semana? Estou começando a achar o corpo de pai atraente. Tipo, eu estou no ponto em que vejo um homem na Target com uma barriga de cerveja, um couro cabeludo recuando e um garoto amarrado a ele em um BabyBjörn5, e já olho para ele pensando ‘aposto que aquele cara poderia trocar fraldas toda noite’. Então, vendo este homem com meu bebê mal-humorado em seu peito, talvez eu me tenha apaixonado um pouco.

— ‘Você está pronta para o amor?’ você pergunta. — Eu inclinei minha cabeça para o lado e deixei minha trança cair sobre meu ombro. — Não. Minha posição sobre namoro não mudou, apesar de Jesus's Abs. Portanto, não fiquem animados. Além disso, mesmo que a atração fosse mútua e este fosse um cara disposto a ignorar minhas muitas e principais deficiências - ah, e isso. — Eu me levantei, abri a porta do banheiro e virei a câmera para examinar o desastre que era meu apartamento. Fechei a porta e voltei para mim. — Sim, essas são fraldas de verdade cheias de dejetos humanos, na minha mesa de centro. Isso é o que parecia quando ele veio. Como ele poderia não se apaixonar, certo? De qualquer forma, ainda não estou no mercado no futuro previsível, por motivos já discutidos com frequência. Mas uma garota ainda pode olhar as vitrines.

Eu bocejei nas costas da minha mão. — Hora de dormir. Algumas coisas antes de eu ir. Se você gostou desse vídeo, certifique-se de se inscrever no meu canal. E, como sempre, quaisquer doações para minha instituição de caridade favorita são profundamente apreciadas. Juntos podemos encontrar uma cura.

Terminei o vídeo e enviei para Malcolm. Ele inseria links, adicionava hashtags e, nas próximas duas horas, carregava o vídeo no meu canal do YouTube, onde meus inscritos, que provavelmente pensaram que eu estava morta depois de não postar nada por quase duas semanas, provavelmente cairiam nele como ursos raivosos.

A partir daí, tive apenas uma ideia aproximada de como tudo isso iria funcionar. Eu era uma vlogger de viagens. Meus vídeos quase sempre eram filmados no local. Nunca tinha feito um vídeo de dentro do meu apartamento. Isso estava muito longe da minha norma, e eu poderia até perder assinantes por causa disso. Eu honestamente não sabia.

Eu tinha fãs leais que iriam ficar comigo, não importa o quê. Mas a maior parte da Internet teve períodos de atenção muito curtos. Se eu não estivesse consistentemente dando a eles algo divertido, eles iriam embora.

Se eu perdesse minha capacidade de ganhar dinheiro...

Tentei não pensar nisso.

Quer dizer, eu meio que sabia o que aconteceria com o vídeo. Todas as coisas usuais iriam cair nos comentários. Algumas pessoas me apoiariam, outras não, e as que me apoiariam atacariam aqueles que me odiavam. Provavelmente, mais do que alguns iriam insistir em meu julgamento por deixar um estranho segurar meu bebê. Alguns outros falariam merda sobre o estado do meu espaço de vida. Haveria os comentários padrão de ódio sobre minha aparência.

A maior parte iria rolar pelas minhas costas. Depois de ser o foco desse tipo de atenção por mais de dois anos, nada poderia me machucar. Além disso, tinha uma coisinha chamada perspectiva, em doses mais altas do que a maioria das pessoas, e não me preocupava com pequenas coisas.

Nunca.

E a maioria das coisas eram, no grande esquema das coisas, muito, muito pequenas...

Especialmente quando você só tem mais um ano de vida.

CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3

TRAIDORA FOI PEGA!

Adrian

Levei o lixo da Vanessa para a lixeira. Quando voltei para o meu apartamento, a luz do meu quarto estava acesa. Rachel estava fora da cama e girando ao redor do quarto, jogando coisas em sua bagagem de mão.

Fiquei piscando para ela na porta. — O que você está fazendo?

— Embalando.

Eu franzi minhas sobrancelhas. — O quê? Você está indo? Achei que seu voo só fosse às três. Nós deveríamos almoçar.

Ela não me respondeu. Ela foi para o banheiro e eu podia ouvi-la se movendo, as gavetas abrindo e fechando, o clique do armário de remédios. Ela voltou e colocou a bolsa de maquiagem na bagagem e fechou o zíper, esticando a alça.

— Rachel…

— Vou pegar o voo às sete e quinze — ela disse sem fazer contato visual. — Estamos treinando um novo recruta e preciso estar presente.

— Você precisa estar lá? Você acabou de decidir isso às quatro da manhã?

Ela parou por um momento, olhando para o chão antes de seus olhos pousarem nos meus. — Adrian, acho que precisamos fazer uma pausa.

Eu congelei onde estava. — O quê? Por quê?

Ela olhou para mim do outro lado da sala e seu queixo tremeu. — Eu não deveria estar aqui. Tenho responsabilidades e compromissos, e não deveria estar na metade do país...

Eu concordei. — OK. Você está certa, não deveria ser sempre você vindo aqui. Deixe-me ir até você por um tempo. Vou sair de carro, tirar uma semana de folga.

Ela balançou a cabeça. — Não. Isso não está funcionando para mim. Não foi para isso que me inscrevi. Eu não esperava que as coisas entre nós ficassem tão sérias. Eu não posso me permitir ir mais longe nisso, não com minhas circunstâncias...

Eu balancei minha cabeça para ela. — Quais circunstâncias?

— Adrian, eu sou casada.

As palavras me atingiram como um tapa. — O quê? — Eu respirei.

Seu queixo estremeceu. — Eu sou casada — ela disse novamente.

Eu fiquei lá olhando para ela por sólidos trinta segundos.

— Eu não queria te machucar — ela sussurrou. — Eu planejava deixá-lo, e então não o fiz e... isso deveria ser uma coisa de uma noite com você e simplesmente... não foi. E eu não estava pronta para o que sentiria por você e...

Eu arrastei a mão pela minha boca e me sentei na beirada da cama em estado de choque.

Passei por um ataque de emoções rápidas. Surpresa, traição, mágoa, confusão. Estávamos juntos há oito meses. Oito malditos meses. E ela era casada???

Soltei um suspiro para me acalmar e olhei para ela, parada perto da porta.

Ela limpou as bochechas. — Eu sinto muito. Eu nem sei mais o que dizer.

Ela pendurou a bolsa do laptop no ombro e fez uma longa pausa. — Vou sentir sua falta.

Ela me deu mais um olhar de desculpas e depois saiu.

Dez horas depois, minha assistente jurídica deixou cair um arquivo na minha mesa, eu me recostei na cadeira e esfreguei os olhos.

— Qual é o seu problema hoje? — Becky perguntou sem cerimônia.

Ela estava mascando chiclete. Ruidosamente. Novamente.

Gostava da minha assistente jurídica. Ela fazia um bom trabalho. Ela era motivada e competente. Ela começou como estagiária e fez um trabalho tão bom que eu a contratei em tempo integral. Mas, por mais que eu gostasse dela, às vezes era um pouco como ter uma colegial trabalhando para mim em vez de uma profissional paga. Becky tinha filtro zero. Ela não dava a mínima. Ela não apenas me diria que eu tinha café na gravata, como também que achava a gravata feia.

— Tire o chiclete por favor, — eu murmurei, abrindo o arquivo. — Eu não dormi muito.

Ela arrancou o chiclete da boca e ficou ali segurando-o, enquanto eu folheava as páginas. — Sim, você é, tipo, mais emo do que o normal hoje.

Eu respirei fundo. — Acho que posso sair mais cedo.

Ela piscou para mim. — OK, você não vai, tipo, ir para casa e começar a escrever haicais6 deprimentes, vai? Porque seria muito injusto eu ter que ler essas coisas.

Eu zombei. — Não, não vou para casa começar a escrever haicais.

— Bom. Embora você deva saber que seu horóscopo hoje disse que sua vida está prestes a mudar drasticamente.

Eu arqueei uma sobrancelha para ela. — Você leu meu horóscopo?

— Somos ambos capricornianos? — ela disse impacientemente, como se isso fosse algo que eu deveria saber.

Ela colocou a mão no quadril. — Você nunca vai para casa mais cedo. Você está muito desligado há dois meses. Você não tem ido à academia...

— Como você sabe que não tenho ido à academia? — murmurei, falando com o arquivo que estava folheando.

— Porque meu namorado vai àquela Life Time Fitness e disse que você ia todos os dias e agora não vai mais. Você mal termina seus almoços, está todo d:primido. Qual é o seu problema?

Eu inchei minhas bochechas e desviei o olhar da papelada na minha frente. — Não sei. Não estou tendo o melhor ano. E Rachel e eu terminamos.

— Bom, eu a odiava.

Eu zombei, olhando para ela. — Desculpe?

Ela encolheu os ombros sem se desculpar. — Nunca gostei dela. E o Instagram dela parece uma conta de fantoche de meia.

Eu enruguei minha testa. — Um o quê?

Ela fez um barulho frustrado. — Oh, meu Deus, você é um boomer! Uma meia. Fantoche. Conta? — ela disse mais devagar, como se isso de alguma forma transmitisse o significado. — Um falso?

Pressionei meus lábios com um aceno de cabeça apertado. — Bem, isso faz sentido — falei. — E teria sido bom se você tivesse apontado isso antes. — Fechei meu arquivo. — Eu só preciso tirar um dia para assunto pessoal hoje.

Becky fez um barulho resignado. — Bem. Vou limpar sua agenda. Mas eu juro por Deus, Adrian, é melhor você sair desse pavor. Por que você não adota um cachorro ou algo assim?

Minha mãe disse a mesma coisa algumas semanas atrás. Aparentemente, os cães são a resposta para todos os problemas da vida.

— Não pegue um gato — ela continuou. — Vai andar por aí empurrando suas bebidas para fora da mesa de centro. Você não é emocionalmente forte o suficiente para isso.

Eu bufei. — Obrigado pela dica. Vou manter isso em mente.

— Tenho um amigo que faz resgate de animais. Eles precisam de pessoas para cuidar de cães. Quer que eu pegue um para você? Se você gostar, pode adotá-lo e, se não gostar, outra pessoa o fará.

Um cachorro não era uma ideia horrível. Poderia levar para o escritório ou algo assim. Fazer Becky passear com ele enquanto estivesse no tribunal. Eu sentia falta de saber que tinha um propósito.

Passei muito tempo com mamãe e vovó, mas elas se mudaram para Nebraska com o novo marido de mamãe em outubro.

Esse foi o evento que me colocou na espiral descendente que Becky estava percebendo. Eu ficaria sozinho nas férias.

Eu fui convidado para me juntar a eles, mas não me gostava do marido da mamãe, Richard. Eu não tinha ido ao casamento deles em agosto e me recusei a me juntar a eles no Dia de Ação de Graças e no Natal.

As visitas de Rachel eram a única coisa que eu esperava.

O repentino buraco negro em minha vida pessoal foi o prego no caixão do meu humor.

Nosso sócio júnior, Lenny, enfiou a cabeça no escritório e olhou ao redor de Becky, que ainda estava parada na frente da minha mesa em seu telefone. — Ei, Becky acabou de me mandar uma mensagem e disse que você e Rachel terminaram. É uma merda, cara.

— Sim, obrigado. — Coloquei os arquivos que estava levando para casa na minha pasta.

Ele se inclinou na minha porta com os braços cruzados. — Ei, quer almoçar esta semana? Você tem tempo?

— Ele tem tempo — disse Becky sem tirar os olhos do telefone.

Eu lancei um olhar para ela antes de responder a Lenny: — Só me diga quando.

Ele bateu a junta na moldura da porta, me deu armas de dedo e saiu.

Becky ainda estava na frente da minha mesa, enviando mensagens de texto em seu telefone. Ela colocou o chiclete de volta na boca.

Eu me sentei lá, esperando que ela percebesse que estava olhando para ela. — Becky... — falei olhando para ela, irritado.

Ela estourou uma bolha. — Acho que encontrei um cachorro para você.

— Excelente. Maravilhoso. Continue a encontrá-lo em sua própria mesa. E evite contar a outra pessoa meus assuntos pessoais no seu caminho para lá.

Ela sorriu, imperturbável como sempre, e se virou para a saída.

Cinco minutos depois, Marcus entrou. — Ei, amigo.

Marcus Beaker era o fundador da minha empresa e meu homólogo. Ele tinha cinquenta e dois anos, era careca, estava um pouco acima do peso e era muito esperto. Casado, e não feliz, com uma esposa médica que mal conseguia suportá-lo e gostava de passar longas férias sem ele.

Formamos uma boa equipe. Eu era um bom homem de frente para casos de destaque, raramente pego desprevenido e um dos favoritos da mídia. Marcus tinha a reputação de ser um buldogue e foi a única pessoa que conheci que poderia se igualar à minha ética de trabalho.

Ele se deixou cair na cadeira em frente à minha mesa. — Ouvi dizer que você está saindo mais cedo — disse ele.

Eu sabia por que ele estava aqui. Minha ida para casa antes das 5:00 era equivalente a uma sirene de emergência soando no escritório. Um valioso cavalo de corrida mancando pela pista.

Ele não tinha nada com que se preocupar. Eu canalizava meu estresse e infelicidade para o trabalho. Eu sempre o fiz. Mesmo no colégio. Quanto mais merda eu lidava, mais produtivo me tornava. É por isso que me formei cedo, entre os primeiros da classe, e ganhei bolsas de estudos para a faculdade. Minha deprimente vida pessoal estava atualmente colocando esta empresa entre as cinco primeiras em Minnesota. Eu não culpava Marcus por me checar, no entanto. Eu gostava que ele fosse astuto.

— Eu tenho que tratar de dois casos de ex na quarta-feira — falei. — Eu posso cuidar da papelada de casa. Acho que estou ficando com enxaqueca — menti.

Dizer a ele meu verdadeiro motivo só aumentaria sua preocupação.

— Eu sempre poderia colocar outra pessoa no caso Keller — disse ele, falando com sua gravata enquanto a alisava.

Eu mantive minha expressão neutra.

Ele fez isso para me cutucar. Ele estava me informando que qualquer que fosse o meu problema, ele esperava que eu resolvesse tudo rapidamente e voltasse ao meu trabalho.

Novamente, gostava de como ele era astuto.

Não ergui os olhos ao digitar um e-mail para Becky. — Eu não acho que ninguém mais poderia lidar com o que está acontecendo. — Eu apertei para enviar com um toque final e nivelei meus olhos nele.

Marcus se recostou na cadeira, os dedos enfiados na barriga. — Keller e Garcia? O que esses dois idiotas fizeram agora?

— Garcia violou sua ordem de custódia e levou sua filha além das fronteiras estaduais para visitar sua mãe na semana passada. Eles estão pedindo a perda total de seus direitos parentais até a conclusão do julgamento.

Ele balançou a cabeça. — O cara está sendo indiciado por sonegação de impostos. Não é um crime violento. Eles não vão conceder.

— Eu sei. Talvez uma punição leve.

— E Keller?

Eu zombei. — A ex-mulher dele o pegou se masturbando do lado de fora da janela dela às duas da manhã, violando sua ordem de restrição.

— Ai — ele riu.

— Ela também está pedindo a perda da custódia.

Ele olhou para o relógio. — E ela vai conseguir. Esse cara não pode manter o pau dentro das calças. Isso não vai ajudar em seu caso de agressão.

— Não, não vai. — E eu não confiaria em ninguém além de mim para lidar com isso - e nem ele.

Marcus acenou com a cabeça por um momento. — Bem, tenha uma boa noite, então. — Ele se levantou e parou com a mão nas costas da cadeira. — Ei, por que você não vem para a cabana conosco no Natal no próximo mês? Jessica acabou de colocar uma banheira de hidromassagem no deck.

Eu balancei minha cabeça. — Acho que devo ir para Nebraska. Mamãe está me pedindo para ver o trabalho que eles fizeram na casa.

Outra mentira.

Eu não gostava de passar o Natal sozinho, mas passá-lo com Marcus, estar com sua esposa mal-humorada e assistir seu casamento sem amor, era minha ideia do inferno. A carreira de Marcus era um monumento ao trabalho árduo e dedicação, mas sua vida pessoal era um conto de advertência.

Encerrei as coisas no escritório e saí por volta das 3:00.

Mamãe ligou enquanto eu estava dirigindo para casa.

Eu olhei para a notificação no Bluetooth do meu carro. Eu não estava no momento certo para ela, mas não gostaria de mandá-la para o correio de voz no caso de algo estar errado - o que era muito provável, dadas as circunstâncias dela.

Soltei um longo suspiro e apertei o botão para atender a chamada, reunindo mais entusiasmo do que eu sentia. — Ei, mãe.

— Adrian. Só estou ligando para saber como foi seu Dia de Ação de Graças.

Claro.

Ela estava ligando para me intimidar para ir para o Natal. Esperando que tivesse aprendido minha lição depois de passar o Dia de Ação de Graças sozinho e agora estivesse pronto para jogar bem.

— O Dia de Ação de Graças foi bom — eu disse categoricamente.

Não foi bom. Eu passei o dia sozinho comendo comida chinesa e lendo transcrições.

Ela soltou um suspiro. — Não tem que ser assim, sabe. Nós queremos você aqui. Por favor, venha para o Natal.

Minha mandíbula apertou. — Não.

Eu quase podia senti-la me prendendo com seu olhar de desaprovação. — Sabe, você não está apenas prejudicando Richard com esse boicote. Você está me machucando e está machucando sua avó. Ela não entende por que você não está aqui. Ela fica mais confusa a cada dia, e não sei quanto mais tempo você terá com ela. Você está realmente disposto a sacrificar isso por essa... essa discordância mesquinha?

Eu soltei uma risada incrédula. — Discordância mesquinha? Isso é uma piada?

Eu podia imaginá-la levantando as mãos. — Ele cometeu um erro. E não importa o que você sinta sobre isso, Richard é meu marido agora e ele quer conhecê-lo.

— Não tenho absolutamente nenhum desejo de permitir que ele faça tal coisa. Ele não é bom o suficiente para você. Você nunca deveria ter se casado com ele depois do que ele fez.

Ela fez uma longa pausa.

— Talvez um dia você precise de perdão, Adrian. E alguém vai dar para você.

Ficamos em silêncio.

Ela estava chorando. Eu podia ouvi-la fungando do outro lado da linha. Eu parei na minha vaga na garagem do meu prédio e estacionei o carro.

Eu era próximo da minha mãe antes disso. Antes dele. Eu cuidei dela - sempre cuidei dela. Eu fazia isso desde os quinze anos de idade quando meu pai de merda nos abandonou. Normalmente, eu ia lá todos os domingos para jantar com ela e vovó. Paguei o conserto da casa, levei a vovó ao médico.

Então mamãe teve seu romance turbulento.

Isso já era ruim o suficiente, mas então ele os mudou para a porra do Nebraska.

A situação estava piorando progressivamente e, como não parecia que Richard estava desistindo ou mamãe se preparando para deixá-lo, aparentemente eu tinha que ser flexível. Ou isso ou eu poderia dar um beijo de adeus na minha família. Essas eram as escolhas.

E elas eram impossíveis.

Ela assoou o nariz.

Eu fechei meus olhos com força. — Podemos apenas conversar sobre outra coisa?

— Adrian, eu sei que isso tem sido difícil. Talvez você devesse ver alguém...

— Não. Gastar duzentos dólares por hora com um terapeuta não vai me fazer sentir diferente sobre isso.

Ela fungou. — Bem então. Acho que não temos mais nada para discutir. Você me liga quando decidir o que é importante para você.

Ela desligou na minha cara.

Fiquei sentado no carro, beliscando a ponta do meu nariz por um minuto antes de me arrastar para fora.

Quando voltei para meu prédio, peguei minha correspondência no saguão e subi as escadas. Eu estava a uma escada do meu andar quando ouvi os gritos.

Uma mulher.

Fiz uma pausa no patamar, tentando determinar se vinha de cima ou de baixo.

De cima.

Meu andar.

Subi os degraus de dois em dois e segui para o corredor.

Um jovem de aparência entediada com casaco e cachecol estava olhando seu telefone ao lado de uma mulher loira baixa em um moletom cinza. Um segundo homem estava preso no meio do caminho para o apartamento de Vanessa.

— Solte! — Vanessa gritou, de dentro. — Estou chamando a polícia!

— Ei! — eu gritei.

Todo mundo congelou. Eu andei propositalmente em direção a eles, e o homem soltou a maçaneta e deu um passo para trás. Ele era mais velho. Provavelmente cinquenta. Cabelo branco grisalho, sobrancelhas grossas, suéter argyle sob um blazer.

A mulher estava chapada. Pupilas do tamanho de bolas de gude.

Vanessa olhou para o corredor pela fresta da porta. Seu lábio estava sangrando.

Minha mandíbula flexionou. — Há algo em que eu possa ajudá-lo? — eu perguntei, olhando carrancudo para o homem mais velho.

Ele me olhou de cima a baixo. — Isso não é da sua conta, policial chique. Não precisamos de sua ajuda. Fica fora disso. — Ele olhou de volta para Vanessa. — Temos todo o direito de vê-la! — falou, apontando um dedo para ela.

Vanessa ergueu o queixo. — Uh, não. Você realmente não sabe. Recebi a tutela temporária. Se Annabel quiser ver sua filha, traga-a de volta quando ela estiver limpa.

O homem mais jovem soltou um bufo impaciente. — Tudo bem, Vanessa? Só estou aqui por causa daquela mochila Gucci que você me prometeu? Se você a passar pela porta, posso ser uma pessoa a menos neste corredor.

— Cai fora, Brent!

Seu queixo caiu. — Por que você está com raiva de mim? Eu só vim com eles para passear!

— Você não deveria ter deixado eles virem! — Vanessa retrucou.

Ele cruzou os braços. — Você está chateada porque não estou ajudando com o bebê? É isso? Tenho um reflexo de vômito muito sensível, Vanessa, não posso ver cocô em fraldas. Lembra daquela vez que você pediu aquela salada grega no Nico's e o queijo feta me fez vomitar naquele plantador?

Vanessa deu a ele olhos malucos. — Brent, leve-os. Para. Casa.

— Ele não fará tal coisa! Não até vermos Grace! — o homem mais velho latiu. — Isso é sequestro!

Brent zombou. — Hum, mas na verdade, não é? — Ele cruzou os braços. — Podemos apenas ir? Isso não é tão digno.

O homem mais velho parecia que estava prestes a voltar para a porta. Eu dei mais um passo para me colocar entre ele e Vanessa, e ele se encolheu para longe de mim. Eu estava de terno e gravata, mas ainda tinha 1,88 de altura e sabia como poderia parecer intimidante se não sorrisse. — Se você for um pai que não detém a custódia, qualquer visita deve ser agendada com o tribunal.

O homem mais velho estufou o peito. — Não vamos até ver o bebê, ponto final! — falou, olhando furioso para mim.

— OK. Vamos chamar a polícia aqui para resolver isso. — Eu balancei a cabeça para a mulher. — Ela está claramente sob influência. E vou me certificar de mencionar que vi você tentando forçar o caminho para entrar no apartamento. Vanessa está sangrando, então presumo que tenha ocorrido um assalto e agressão, momento em que a aconselharia a dar queixa e obter uma ordem de restrição. E ela vai conseguir. Então, sua visitação, que provavelmente não será concedida, será supervisionada e terá que ocorrer na delegacia do xerife. — Eu olhei para ele severamente. — Algo me diz que vocês dois não se dariam bem na delegacia de um xerife.

Ele ficou lá olhando para mim desafiadoramente, e a loira parecia que nem estava processando o que estava acontecendo.

Brent estava sorrindo para mim como se tivesse reconhecido plenamente que eu estava aqui. Ele colocou a mão no canto da boca. — Você está vendo isso? Quão quente isso é? — ele sussurrou para Vanessa, que ainda estava espiando pela porta. — E esse é um terno Armani muito caro.

Eu o ignorei.

O homem mais velho se endireitou e puxou a barra da jaqueta com indignação. — Bem. — Ele lançou um olhar para Vanessa. — Nós sabemos onde não somos desejados.

Ele não me olhou nos olhos enquanto descia o corredor arrastando a mulher loira pela manga. Brent parou por um momento antes de segui-los. — Amei a gravata.

Então ele se foi também.

Eu me virei para Vanessa. Ela piscou para mim com os olhos arregalados por um segundo - então bateu a porta na minha cara.

Eu ainda estava parado olhando para o número do apartamento dela quando ela abriu a porta. — Obrigada — falou rapidamente.

E então ela a bateu novamente.

OK…

Eu esperei alguns momentos para ter certeza de que aquelas pessoas não voltariam.

Eles não o fizeram.

Eram quase 5:00 e eu estava sentado no bar da cozinha, examinando o caso, quando alguém bateu na minha porta. Eu abri para encontrar Becky.

Com um cachorro.

— Liguei para você umas sete milhões de vezes — disse ela. — Eu pensei que você estava morto. Você sempre atende ao telefone.

— Podemos não falar sobre eu estar morto? — perguntei, de pé na porta. — O que diabos é isso?

— É o seu cachorro? — Ela pegou sua pata e acenou para mim. — Aquele que eu disse que estava pegando para você?

Eu balancei minha cabeça. — Esse não é meu cachorro.

Era um... não sei o que era. Um chihuahua, talvez? Mas era antigo. Ele tinha pelo curto e castanho com uma careca aleatória no peito, olhos nublados, salientes e lacrimejantes, e uma língua que pendia alguns centímetros para fora da lateral da boca. Parecia uma caricatura de si mesmo.

— Uh, sim. Ele é o seu cão — falou, batendo seu chiclete.

Eu cruzei meus braços. — Não, meu cachorro é um cachorro que posso levar para correr. Meu cachorro é um cachorro grande demais para eu carregá-lo.

Ela zombou. — Você é um eremita agora, lembra? Eu trago um Weimaraner ou algo assim, você não o leva para sair e ele destrói seu apartamento. Então você vai mais fundo na sua toca do coelho e eu tenho que visitá-lo na ala psiquiátrica e contrabandear um telefone celular em minha calcinha para que você possa continuar trabalhando, porque os céus me proíbem de tirar um dia de saúde mental. — Ela estourou uma bolha. — Este cachorro combina com seu estilo de vida.

Eu estreitei meus olhos para ela.

— Você é meticuloso com o gerenciamento do tempo e da rotina, ele toma três medicamentos por dia. Você quer ficar em casa, ele também. Você tem um apartamento luxuoso, ele não é destrutivo. Ele não derrama, seu cocô é do tamanho de um Tootsie Roll. Ele usa protetores de xixi para que você nem precise levá-lo para passear se não tiver vontade de sair de casa. Ele é perfeito. Se você não o amar, leve-o para trabalhar amanhã e eu o aceitarei de volta ou algo assim.

Soltei um longo suspiro e olhei para a pequena coisa. — Ele ao menos tem dentes?

— Não. O que é bom porque ele morde.

Eu bufei.

Ela pegou sua bolsa do chão. — Deixe-me entrar para que eu possa mostrar as coisas dele. — Ela passou por mim e fechei a porta atrás dela. — Segura ele. — Ela estendeu o cachorro trêmulo. Quando eu não o peguei, ela me lançou um olhar louco e o empurrou suavemente em meu peito.

Ele rosnou.

Ela mergulhou as mãos na bolsa que trazia consigo. — OK, então ele tem artrite e alergia e uma infecção de pele, então ele toma um desses todas as manhãs e este último à noite também. — Ela balançou três garrafas. — Coloque-os no cream cheese. Ele simplesmente vai engolir. Ele não pode comer comida seca por causa da coisa sem dentes, então ele tem comida úmida aqui. Ele precisa de um banho medicamentoso uma vez por semana para a pele seca. Aqui estão as fraldas dele...

— Fraldas? — falei. — É incontinente?

Ela fez uma pausa com as mãos na bolsa e fez uma careta para mim. — Ele tem quatorze anos. Isso é como um milhão de anos se comparado com pessoas. Além disso, ele tem vermes.

— O quê?

Ela revirou os olhos. — Eles já o trataram por isso. Ele só vai fazer cocô com eles ou algo assim, então não surte se vir uma tênia lá dentro. Só surte se estiver se movendo. Então você precisa levá-lo de volta ao veterinário.

— Jesus Cristo, Becky. — Eu belisquei a ponta do meu nariz. — Você está me pedindo para ser um maldito enfermeiro canino.

— Sim. — Ela se levantou e me entregou a sacola.

Soltei uma lufada de ar resignada. — Qual o nome dele? — murmurei, olhando relutantemente para ele.

— Harry Puppins.

— Oh, Deus.

— Você vai ficar bem.

— Mesmo que meu horóscopo hoje diga que minha vida está prestes a mudar drasticamente?

Ela encolheu os ombros. — Bem, a meu ver, isso só pode mudar para melhor.

Ela estourou o chiclete mais uma vez e saiu.

CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4

ESTE VÍDEO ASSUSTADOR TERA VOCÊ COBRINDO SEUS OLHOS

Vanessa

Eu estava enxugando Carmex na ferida em meu lábio quando ouvi uma conversa no corredor. Inclinei-me nas pontas dos dedos para espiar pelo olho mágico. Adrian, com uma garota que estava segurando um Chihuahua.

Eu mal conseguia vê-lo daquele ângulo, mas tinha uma visão completa dela.

Ela era bonita, o que eu acho que não era surpreendente. O homem era um dez. Ele provavelmente poderia namorar supermodelos se quisesse.

Adrian se aproximou dela para olhar o cachorro, e ele mudou para minha linha de visão. Ele ainda estava com o terno de antes, só que havia perdido o paletó e a gravata. Os dois primeiros botões de sua camisa de trabalho azul-claro estavam abertos e as mangas enroladas até o cotovelo.

Deus, ele era sexy. Você poderia fazer um calendário com os muitos looks de Adrian Copeland e arrecadar dinheiro suficiente para financiar a cura do câncer. Adrian, correndo sem camisa. Adrian de terno. Adrian, com minha sobrinha mal-humorada em seu peito.

Ele parecia irritado. Ele estava com os braços cruzados. Eu realmente não conseguia ouvir o que eles estavam falando.

Meu laptop vibrou com uma chamada via Skype.

Drake.

Saí do meu posto, sentei-me e respondi.

O rosto bronzeado de Drake Lawless apareceu na minha tela. A julgar pelas palmeiras atrás dele, ele estava em algum lugar tropical. Eu já estava com ciúme.

Ele estava com seu colar de dente de tubarão, sem camisa como sempre, e seu cabelo loiro estava desgrenhado. Eu podia praticamente sentir o cheiro do protetor solar de coco e do oceano através do meu computador.

— E aí, linda. — Ele me deu um de seus sorrisos deslumbrantes. — Entããão... abdômen de Jesus?

Eu bufei. — Você não tem ideia. O homem é um presente de Deus para todos nós — falei, procurando em minha mesa por uma lixa de unha. — Foi como se o abdômen de Jesus assumisse o controle aqui.

É uma pena que provavelmente nunca o verei de novo, a menos que olhe por um olho mágico.

Drake não teve a chance de responder porque Laird andou nu na parte de trás da tela.

— Laird! — gritei, virando-me com força para a esquerda. Ambos os homens riram do meu laptop.

— Ei, Nessa — Laird chamou.

Eu bufei indignada olhando para o chão. — Laird, ainda não estou falando com você.

— Oh, vamos lá. — Eu podia ouvir o sorriso em sua voz. — Ele me fez uma oferta que não pude recusar.

Eu olhei para a tela. Laird ficou sorrindo para mim por cima do ombro de Drake, uma visão direta de sua virilha misericordiosamente coberta pelo corpo de Drake.

Eu cruzei meus braços. — Primeiro você me deixa por Drake e me faz lutar para encontrar um novo câmera, e agora você me fez ver suas bolas. Bem quando eu pensei que minha semana não poderia piorar.

Ambos os homens riram novamente e Laird saiu da tela, balançando o pênis. Eu olhei de volta para Drake. — Por favor, compre algumas calças para o seu funcionário, ou dê a ele uma folha de figueira ou uma tanga ou algo assim?

Ele riu bem-humorado.

Drake típico. Decoro zero. Camp Lawless era como uma comuna hippie. Ioga nua e falando sobre chakras. Eu não ficaria surpresa se uma cabra usando um colar havaiano com uma galinha montada nas costas passeasse a seguir.

Drake inclinou a cabeça. — Você precisa de alguma coisa, borboleta? Como vai a maternidade?

— Bem. Excelente. É incrível o quanto isso muda você. Eu me pego dizendo coisas como, ‘é só fazer xixi de bebê’. Como se estivesse tudo bem, como se fosse superior ao tipo normal, então eu deveria estar bem por estar no meu edredom de penas de ganso.

Ele riu.

Soltei um longo suspiro. — Não tenho ideia de como vou continuar expandindo o conteúdo dessa situação.

— Nenhuma mudança com Annabel? Você tem alguma ideia de onde ela está?

Eu zombei. — Eu sei exatamente onde ela está. Ela está com meu pai. E por falar em papai, ele apareceu aqui com ela exigindo que eu os deixasse ver Grace. Ela estava completamente chapada. E então papai acidentalmente empurrou a porta na minha boca. — Eu coloquei minha língua na crosta. — Jesus's Abs voltou para casa e os expulsou - porque não era o suficiente eu parecer louca na frente dele apenas uma vez.

Ele conseguiu parecer preocupado e divertido ao mesmo tempo. — Como ela estava?

Eu desviei o olhar dele. — Não estava bem. Talvez o pior que eu já vi — eu admiti.

Drake estava bem ciente dos meus problemas familiares. Eu não precisava agradá-lo com os detalhes. Ele sabia tudo sobre o dia em que Annabel deixou Grace e nunca mais voltou.

Ela usou meu banheiro antes de sair. Roubou uma garrafa inteira de hidrocodona e bebeu todo meu remédio para tosse com codeína, depois encheu a garrafa com água para que eu não percebesse - eu percebi.

— Estou tentando levá-la para a reabilitação, mas ela não vai — eu disse.

— Você pode falar com seu pai?

Eu bufei. — Sim. Papai não consegue evitar — eu disse amargamente. Eu esfreguei minha testa. Seus olhos seguiram minha mão e focaram na cinta que eu usava. Pela primeira vez, de verdade, vi o humor sumir e uma carranca tocar os cantos de sua boca. Drake sempre sorria. Eu o vi sorrir sendo carregado em uma maca com queimaduras de terceiro grau. O homem feliz não tinha um botão de desligar.

Eu coloquei meu braço fora da câmera. — É só para digitar — menti.

Ele ficou quieto por um momento. — Você vai mandar ver? — ele perguntou, sua voz baixa.

Eu pressionei meus lábios em uma linha. — Não adianta passar meses no hospital sendo cutucada e cutucada por um diagnóstico que não mudará o resultado. Não estou vivendo minha vida como o Ciclope, desistindo de um olho para saber o futuro de como e quando morrerei. Minha avó tinha. Minha irmã Melanie tinha. Minha tia Linda tinha. Minha mãe também tinha. Todas mulheres, todas mortas aos trinta. Há cinquenta por cento de chance de eu herdar o gene e, com base na linha feminina, diria que é maior do que isso. Quero ser completamente ignorante até que seja dolorosamente óbvio como isso termina. Esta é minha escolha. Eu tenho que viver com isso, como as escolhas de merda de todo mundo com as quais eu também tenho que viver.

Não pude nem fazer teste genético para ver se era portadora. Os médicos não conseguiram identificar o gene mutante que existia na minha família. Se eu era nascida com ele, eu não saberia até que ele começasse a me matar.

Ele me estudou em silêncio. — Existem novos ensaios clínicos? Não custa tentar.

Eu balancei minha cabeça. Drake sabia minha posição sobre isso também.

Melanie tinha seguido o caminho da Ave Maria quando adoeceu. Tentou tudo. Eu prometi a mim mesma que se algum dia adoecesse, não iria me colocar nessa situação. Não fazia sentido.

— Provavelmente não é nada. Eu ficarei bem. E hey, poderia ser pior — falei. — Eu poderia ter o gene que faz o coentro ter gosto de sabonete.

Isso desenhou um sorriso torto.

Vendo que eu não iria aprofundar a discussão, Drake teve misericórdia de mim e mudou de assunto. — Se você está procurando por conteúdo, você e eu sempre podemos voltar a ficar juntos.

Eu revirei meus olhos. — Oh, haha.

Ele sorriu. — Éramos ótimos juntos, borboleta. Eu sinto sua falta. E se você viesse aqui, eu lhe daria Laird de volta.

— Mantenha-o. Já vi o suficiente dele para a vida toda.

Ele deu uma risadinha.

— De qualquer forma, não posso tirar o bebê do país. Estou presa em meu apartamento, lidando com Serviços de Proteção à Criança e obtendo uma liminar de emergência para a tutela de uma criança abandonada porque mais uma vez minha família jogou suas responsabilidades sobre mim.

— Quer que eu envie a você meu fitoterapeuta?

Eu ri um pouco. — Não, estou bem. Eu me viro. Eu sempre faço.

Bem, faria contanto que eu pudesse. Até que eu não estivesse mais por perto para fazer isso.

E esse dia poderia chegar mais cedo do que eu pensava.

CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5

O HOMEM RESGATA O CACHORRO, MAS ESPERE

ATÉ VER O QUE ELE FEZ AO

SEU APARTAMENTO!

Adrian

O cachorro estava cagando por toda parte.

Eu estava com a coisa há menos de três horas e já estava contando os segundos até poder devolvê-lo a Becky.

As fraldas enrolaram em sua barriga e impediam apenas que a urina chegasse a todos os lugares - pelo que acho que deveria estar grato. Mas não ajudou em nada as fezes parecidas com pudim que ele estava cagando no meu apartamento. Felizmente, ele fez isso apenas na madeira, então a limpeza foi mínima, mas estava longe de ser agradável.

Eu liguei para Becky sobre isso e ela disse que provavelmente era apenas o vermífugo incomodando seu estômago e que iria passar.

Eu não sabia nada sobre cães. Nunca os tivemos enquanto crescia. Minha introdução até agora não estava indo bem.

Além da bagunça, eu tinha certeza de que o cachorro não era apenas surdo, mas também cego. Ele bateu nas paredes e nas pernas das cadeiras. Ele rosnava toda vez que eu o pegava, mas principalmente porque não me via chegando e acho que o estava assustando.

Decidi tentar a sorte fazendo com que ele saísse, mas no tempo gélido do final de novembro, ele ficou parado na calçada, tremendo e parecendo miserável, até que tive pena dele e o coloquei no meu casaco para voltar lá para cima.

Eu estava andando pelo corredor, pegando minhas chaves, quando olhei para a porta do apartamento de Vanessa enquanto passava.

Eu parei.

E se aquele cara tivesse voltado depois que entrei?

Eu deveria ver como ela está.

Eu bati.

Quando Vanessa abriu a porta, ela estava em uma forma consideravelmente melhor do que antes. Seu lábio partido estava quase invisível agora que o sangue tinha sumido. Seu cabelo comprido estava em uma trança elegante sobre um ombro e sem vômito - e a blusa rosa que ela estava usando estava limpa e exibia uma bela figura que eu não tinha notado antes.

— Ei, meu herói. — Ela me deu um sorriso.

Eu mexi nas minhas chaves. — Eu só queria ter certeza de que você está bem, e ver se você precisava que seu lixo fosse eliminado. Eu imagino que provavelmente seja difícil tirar com o bebê.

— Sim. Eu adoraria esse serviço, obrigada. — Ela inclinou a cabeça. — Uau, você nunca para de dar, não é?

— Eu acho que suas baratas são minhas baratas — eu murmurei, olhando para longe dela no corredor e de volta para ela.

Ela sorriu. — Eu não sabia que você tinha um cachorro.

Eu olhei para a cabeça de Harry saindo da minha jaqueta. Sua língua estava para fora e ele tremia. — Eu não. Estou cuidando dele.

— Oh. Então, nós dois estamos acolhendo. Legal. Pode ser muito gratificante, você sabe.

Eu grunhi evasivamente. — Bem, agora está apenas cagando em toda parte.

Ela riu. — Sim, a minha também.

— Ei, provavelmente deveríamos trocar números — falei. — Então saberemos como entrar em contato caso seja necessário. — Eu levantei a mão. — Não estou dando em cima de você — acrescentei.

Ela zombou. — Bem, graças a Deus por isso, porque você é horrível.

Eu bufei.

Ela se apoiou no batente da porta. — Ei, eu estava prestes a pedir uma pizza. Quer juntar-se a mim? Você pode trazer seu cachorro. E só para você saber, também não estou dando em cima de você — disse ela. — Eu não namoro. Isso é puramente no espírito de dizer obrigada e querer estar com alguém com idade suficiente para dirigir.

Parei por um momento, debatendo sua oferta. Eu não queria ser social - embora soubesse que provavelmente deveria. Ficar sentado sentindo pena de mim mesmo não era bom para mim. Eu praticamente podia ouvir a voz da mamãe na minha cabeça me dizendo para sair e fazer algo.

Eu ouvi a voz de Becky também. Era mais irritante, mas dizendo a mesma coisa.

— Vamos? — Vanessa inclinou a cabeça.

— Sim. Certo. — Por que não. — Mas sem pizza. É comida de fome. Vou pegar algo para nós.

Seus olhos ficaram grandes. — Como o quê? Gosta de comida de verdade? De um restaurante? Um que não faz DoorDash7?

— É isso que estou pensando.

Ela colocou a mão no peito. — Oh, meu Deus. Não tenho nada emocionante para comer há semanas.

Eu sorri um pouco. — Você gosta do Muffoletto?

— Sim — ela respirou. — Frango marsala e... e um cannoli. Espere, não. Tiramisu. E espaguete com almôndegas e...

Eu ri secamente e peguei meu telefone. — Aqui, me dê seu número. Em seguida, basta me enviar uma mensagem com o que você quiser. Eu poderia estar de volta em quarenta e cinco, se estiver tudo bem?

— Está tudo bem. E eu vou te pagar de volta — ela adicionou rapidamente.

— Não, está bem. Será meu prazer. Acho que talvez você tenha tido um dia pior do que o meu. — Se isso fosse possível.

Ela me deu seu número e me enviou seu pedido. Ela não pediu o cannoli, mas eu comprei mesmo assim. Então eu vaguei pela delicatessen e peguei algumas de suas refeições preparadas para ela. Piccata de frango, uma lasanha e outra marsala de frango.

Parei, olhando para a fileira de vinho.

Eu gostava de um bom vinho branco com comida italiana, mas pareceria um pouco como um encontro se levasse vinho.

Eh, dane-se. Nós dois deixamos bem claro que não era isso. E eu poderia usar a bebida. Peguei um chardonnay de que gostava e voltei para o apartamento dela com cinco minutos de antecedência.

Ela abriu a porta e me deixou entrar. Ela tinha vestido um suéter verde escuro com cinto. Aberto na frente. E ela colocou um pouco de maquiagem. Ela estava bonita.

Vanessa era uma mulher bonita. Ela me lembrou daquela atriz - qual era o nome dela? Jennifer Lawrence. Ironia à parte, ela tinha aquela coisa de garota da porta ao lado.

Ela segurou a porta enquanto eu entrava com as sacolas. — Ta-da! Limpo! — ela declarou, estendendo a mão com orgulho para me mostrar o apartamento. — É muito mais fácil de fazer quando você não tem que segurar um bebê gritando.

O estúdio estava impecável. Nem parecia o mesmo espaço.

— Graças a Deus — falei, colocando as sacolas na mesinha ao lado da cozinha. — Eu estava preocupado que teríamos que limpar as fraldas para usar a mesa.

Ela riu.

Grace estava dormindo em um pequeno balanço ao lado do sofá, balançando para frente e para trás, uma chupeta verde na boca.

Eu tinha deixado Harry Puppins no meu apartamento, trancado no banheiro com almofadas para xixi. Achei que deixá-lo cagar na casa de Vanessa provavelmente não seria a melhor maneira de ser um bom hóspede.

Ele me mordeu antes de eu sair.

Comecei a tirar a comida. — Eu tenho algumas refeições extras para você. Tudo bem se eu as colocar no freezer? — Fiz isso sem esperar pela resposta dela. — Eu trouxe um cannoli para você também.

Ela me olhou com desconfiança. — Tem certeza de que não está dando em cima de mim? — ela perguntou, cruzando os braços. — Porque eu tenho que ser honesta, eu poderia estar nisso. — Ela viu a garrafa de vinho e engasgou, pegando-a. — Oh, eu adoro este! Já se passaram meses desde que tive um chardonnay Chateau Montelena.

Eu levantei uma sobrancelha enquanto fechava o freezer. — Você conhece seus vinhos.

— Eu adoro vinho. Uma vez bebi uma garrafa inteira de Château Margaux Margaux no telhado do meu hotel em Paris. — Ela pegou um abridor de vinho da gaveta. — Jamais esquecerei a ressaca no dia seguinte, mas valeu muito a pena.

— Garrafa cara. — Cerca de mil e duzentos. Mais se o hotel o vendesse. Ela deve ganhar um montante decente.

— Você só vive uma vez — ela cantou. — Deus, eu sei que só estou fazendo essa coisa de bebê há algumas semanas, mas parece uma vida inteira. Você não deve levar recém-nascidos a muitos lugares porque o sistema imunológico deles ainda não é forte o suficiente, então me sinto como uma prisioneira. — Ela me entregou o abridor de garrafa. — Você se importaria?

Grace tinha acordado e ela nos observava agora com grandes olhos azuis, como se ela estivesse acompanhando a conversa. Uma bebê fofa.

Abri a garrafa de vinho e a entreguei a Vanessa. — Por que você decidiu adotar?

Ela serviu dois copos para nós. — Eu meio que não fiz. Ela é a bebê da minha irmã. A garota do corredor de antes. Annabel.

Ela colocou minha taça de vinho na frente de uma das cadeiras da mesa e pegou alguns pratos do armário. — Ela tem dezenove. Não faço ideia de quem é o pai. Deu à luz e cerca de uma semana depois veio, deixou Grace para fazer uma tarefa e nunca mais voltou. — Ela fez uma pausa. — Ela luta com alguns problemas de vício.

— Lamento ouvir isso — falei, sentando-me em uma das cadeiras.

Ela colocou guardanapos e talheres. — Felizmente ela não usou enquanto estava grávida. Ela estava indo muito bem. Ela estava em recuperação há quase dois anos antes dessa recaída.

Eles nos deram manteiga para o pão, mas Vanessa pegou dois pratos e derramou azeite neles. Em seguida, regou-os com vinagre balsâmico, moeu pimenta fresca por cima, rasgou dois pacotes de parmesão e espalhou-os por cima.

Eu remexi nossos recipientes para viagem na sacola, servi seu marsala em seu prato e coloquei-o na frente de seu assento. — Então, quem eram os outros dois?

— Meu meio-irmão, Brent. E meu pai.

Eu parei e olhei para ela. — Aquele era o seu pai?

Ela encolheu os ombros. — Ele quer ver a neta. Eu realmente não o culpo, mas não vou deixar Annabel entrar aqui quando estiver chapada. Ele não queria bater no meu lábio, aliás. Ele meio que caiu na porta e bateu na minha boca. De qualquer forma, não tenho ideia do que estou fazendo com esse bebê. Metade do tempo eu acho que estou apenas bagunçando tudo. — Ela se sentou e se acomodou em sua cadeira.

— Bem, você deve saber que o motivo pelo qual ela estava chorando esta manhã foi porque havia um prendedor de plástico preso em seu pijama. Não teve nada a ver com você ou sua falta de habilidades parentais.

Ela me encarou. — Você está falando sério?

Abri a tampa do meu ravióli e servi no meu prato. — Eu nunca minto sobre os prendedores de etiqueta.

Vanessa caiu na gargalhada. Um sorriso brilhante iluminou seu rosto. — Oh, meu Deus. — Ela balançou a cabeça. — Pobre Grace.

— Só pensei em olhar porque não suporto etiquetas nas minhas roupas. Achei que poderia ser isso. Foi fácil deixar passar.

— Bem, estou grata por você ter aparecido. — Ela pairou o garfo sobre a comida. — Sabe, você é uma espécie de lenda por aqui.

Cortei um ravióli ao meio. — Mesmo. Por que isso?

— Você é o cara solteiro sexy neste edifício. E você é taciturno e indiferente. Você tem toda aquela coisa de macho alfa latente acontecendo. Você veio aqui tipo ‘dê-me o bebê’ — disse ela com uma expressão dura em uma falsa voz masculina.

Eu bufei. Eu não era indiferente nem taciturno. Pelo menos eu não acho que sim. Mas então, pensando sobre isso, realmente não falava com ninguém neste prédio. Não porque eu quisesse ser rude. Saía cedo e chegava tarde em casa e geralmente estava com pressa.

Fiz uma promessa silenciosa de sorrir mais nos corredores.

Ela deu uma mordida no cogumelo, mastigou e engoliu. — Elas não vão acreditar que estou realmente passando um tempo com você.

— Quem são elas? — perguntei, pegando minha taça de vinho.

— As garotas.

Eu levantei uma sobrancelha. — As garotas?

— Sim. A garota da ioga do 303. A garota que corre muito cedo pela manhã do 309. E as duas lésbicas do 302 - que, a propósito, querem ver se podem ter um pouco do seu esperma.

Eu comecei a engasgar.

— Elas estão no planejamento familiar — ela disse, continuando. — Elas me pediram para perguntar se você estaria aberto a isso se eu conhecesse você, já que somos vizinhos de porta e tudo. Mas não se preocupe, disse a elas que era um tiro no escuro. Quero dizer, você não pode simplesmente indagar a um completo estranho ‘posso ter um pouco de esperma?’. Eu falei algo como ‘vamos, gente, pelo menos paguem o jantar para o homem primeiro’ — ela falou com o canto da boca.

Eu tossi em meu punho, meus olhos lacrimejando. — Obrigado?

— De nada. Quer dizer, eu não as culpo. Se eu estivesse procurando esperma, provavelmente gostaria de perguntar a você também. Você é obviamente inteligente. Boa estrutura óssea e os olhos verdes são muito bonitos.

Limpei a garganta e tomei um grande gole de vinho. Bem, pelo menos eu tinha isso a meu favor.

Ela sorriu. — Então, me fale sobre você. Você é o cara solteiro sexy deste prédio? Ou você está namorando alguém? Devíamos acabar com esse boato.

Limpei minha boca com um guardanapo. — Eu tinha uma namorada. Rachel.

— Tinha? O que aconteceu?

Normalmente eu não revelaria os detalhes da minha vida amorosa. Principalmente para uma estranha. Mas não sei o que era, simplesmente não queria filtrar. Talvez porque Vanessa não parecia ter vontade de filtrar.

— Nós nos conhecemos em um aplicativo de namoro há oito meses. Ela mora em Seattle. Ela também é casada. Eu descobri esta manhã.

Ela sugou o ar por entre os dentes. — Ai. Isso é péssimo. — Ela parecia genuinamente triste por ouvir essa notícia. — Então era sério?

— Foi o relacionamento mais sério que tive em um tempo — falei honestamente.

— Você vai voltar lá? Abrir o aplicativo de namoro?

Eu ri secamente. — Não. Eu oficialmente não penso em namorar em um futuro próximo.

Eu tive o suficiente. Pelo menos por enquanto. Eu estava completo e totalmente esgotado. Eu não diria que estava com o coração partido - não estávamos juntos há tempo suficiente para isso. Mas eu estava magoado e desapontado e questionando seriamente minha capacidade de confiar nas pessoas. Dizer que eu estava emocionalmente indisponível neste momento seria um eufemismo.

Ela mudou de assunto. — Então você é o dono do prédio?

— Eu sou. Uma empresa de gestão administra isso para mim. Eu não lido com nenhum dos inquilinos. Na verdade, ofereci seu apartamento para minha assistente, Becky, antes de você alugá-lo.

— Foi aquela mulher que trouxe o cachorro para você?

— Você a viu? — perguntei.

— Eu ouvi as vozes. Eu olhei pelo olho mágico. Ela é linda. Vocês já namoraram?

Eu balancei minha cabeça. — Não, somos apenas colegas.

— Por quê? Ela tem namorado ou algo assim?

Eu zombei. — Às vezes.

— Ela nunca quis namorar você?

— Não que eu saiba. E o sentimento é mútuo.

— Bem, ela deve ter algum autocontrole hercúleo. — Ela acenou com o garfo sobre meu peito. — Quero dizer, você não é exatamente difícil de vender. Com este corpo parece que você acabou de sair da prisão.

Eu bufei. Ela acabou de dizer o que quer que tenha surgido em sua cabeça, não é?

— E você? — perguntei. — Você disse que não namora.

Ela suspirou dramaticamente. — Bem, as mulheres da minha família têm a tendência de morrer jovens. Acho que não é justo fazer alguém me enterrar, mesmo como solteiro.

Eu arqueei uma sobrancelha. — Você gostaria de elaborar sobre isso?

Ela balançou a cabeça. — Não, não realmente.

— OK. Então, o que você faz?

— Sou uma YouTuber.

Eu franzi minhas sobrancelhas. — Uma o quê?

— Uma blogueira de vídeo? Eu tenho um canal de viagens. Basicamente, vou a lugares e faço vídeos sobre isso.

Ela começou a cortar o frango. Percebi que ela estava tendo problemas com a faca. Sua mão direita não parecia estar segurando corretamente. Ela estava terminando o trabalho, então eu não perguntei se precisava de ajuda.

— E como você é paga por isso? — indaguei, desviando o olhar, não querendo ser rude. — Patrocinadores?

— Sim. Isso e as pessoas pagam para veicular anúncios durante meus vídeos. Eu também faço aparições e outras coisas. Recebo uma porcentagem dos produtos que vendo no meu Instagram e muitos resorts me convidam para me hospedar gratuitamente em troca de um vlog sobre minha experiência.

— Huh. Então, onde você esteve?

Ela encolheu os ombros. — Em todos os lugares. Eu viajei pelo mundo. Eu estive em um safári em Uganda e em uma gôndola em Veneza. Já escalei vulcões e montei um burro em uma montanha na Grécia. Você escolhe, eu fiz isso. — Ela espetou o frango e deu uma mordida.

— Uau. Como você entrou nisso?

Ela mastigou e engoliu. — Bem, minha irmã Melanie adoeceu quando tinha vinte e sete anos. Ela morreu menos de dois anos depois. Depois, decidi que, a partir do meu vigésimo sexto aniversário, iria viajar o mundo como se tivesse um bom ano restante para fazer isso. Então, comecei um GoFundMe, liquidei meu parco plano de previdência e me preparei para começar. E um pouco antes de sair, fiz um vídeo sobre o que planejava fazer e se tornou viral. O resto é história.

— Posso verificar o seu canal? — perguntei.

— Claro. Chama-se Social Butterfly.

Nunca tinha ouvido falar disso. Mas também não conseguia me lembrar da última vez que estive no YouTube.

— E o que você fazia antes disso?

Ela balançou a cabeça. — Eu não digo isso a ninguém.

Eu arqueei uma sobrancelha. — E por que isso?

— Eu faço as pessoas merecerem. — Ela sorriu. — É bom demais para doar.

— Vou ter que manter isso em mente. — Eu cutuquei minha comida. — Você deve gostar de seu trabalho atual. Sempre quis viajar mais.

Ela encolheu os ombros. — Faça. O que está parando você?

Eu ri sem alegria. — Bem, eu não voo, para começar. E a vida.

— A vida não é desculpa — disse ela. — Você deve sempre ter uma aventura alinhada. Ter algo pelo qual ansiar é equivalente à felicidade.

Cortei outro ravióli ao meio. — Oh, sim?

Ela me olhou com naturalidade. — Sim. Mesmo se você não tiver tempo ou dinheiro ou se o clima estiver ruim, você ainda pode viver uma vida emocionante se tentar.

— Tudo bem — falei. — Como? Dê-me um exemplo.

Ela pousou o garfo. — Tudo bem. Hoje, por exemplo. O clima está ruim, então brinque de esconde-esconde neste prédio. Ou fuce em todos os seus cantos e recantos.

Eu dei a ela um olhar divertido.

— O quê? Estou falando sério. Este prédio é tão legal. Quer dizer, eu sei que você o possui, mas você realmente já o explorou?

— Claro. Era uma empresa de farinha no final do século XIX. Havia uma doca de carga para o trem onde fica o saguão agora. É uma das coisas que adorei nesta propriedade. Eles colocaram piso sobre os trilhos da ferrovia nas áreas públicas, mas se você for para a sala da caldeira, ele ainda está lá.

Ela sorriu. — Eu amo este edifício. Você sabia que o armário de vassouras no saguão perto das caixas de correio tem tijolos originais onde os trabalhadores da fábrica grafitaram seus nomes?

Eu não sabia disso...

— Você pode escolher um nome e procurá-lo no Google. Veja como ele viveu. — Ela voltou a comer. — Você sempre pode descobrir uma maneira de se divertir. Mesmo se você não puder ir a lugar nenhum.

Huh.

Aposto que ela era boa em seu trabalho. Ela tinha essa coisa de energia sem fundo sobre ela. Algo alegre e brilhante, o que os âncoras fingem ter no ar.

— Então é por isso que eu realmente não a vejo por aí — comentei. — Você sai muito.

— Oh, estou por perto. — Ela me deu um sorriso irônico. — Você provavelmente não estava olhando.

Grace começou a fazer barulho em seu balanço. Vanessa se levantou e pegou uma mamadeira da lava-louças. Eu a observei enquanto ela estava de costas para mim. Ela tinha uma bela bunda. Um bom tudo, na verdade.

Eu desviei meus olhos de Vanessa encostada no balcão para pegar leite em um armário. — Quantos anos você tem? — perguntei, procurando algo para conversar.

— Vinte e oito. — Ela mediu a fórmula com uma colher. — Quão alto você é?

— Um e oitenta e oito.

— Tão alto — ela disse, enchendo a mamadeira com água. Ela torceu os lábios em um sorriso. — Se eu precisar de algo de um armário alto, posso enviar uma mensagem para você vir pegar para mim? Ou isso seria abusar dos meus novos privilégios com seu número de telefone?

Eu ri. — Claro.

— E eu tenho dificuldade em abrir tampas de pote. Mãos fracas. — Ela mexeu os dedos. — Posso contar com você para isso também?

— Por que não?

— Doceeeee — disse ela, colocando a fórmula na mamadeira. — Eu vou fazer isso, você sabe.

Limpei minha boca com o guardanapo e acenei para o balanço. — Eu vou alimentá-la. Você come.

Ela balançou a mamadeira com o dedo sobre o bico. — Mesmo?

— Sim. — Levantei-me para lavar as mãos e me juntei a ela perto da pia. — Você só precisa me mostrar como fazer.

— Você nunca alimentou um bebê? — ela perguntou, olhando para mim.

Sequei minhas mãos em uma toalha de papel. — Eu nunca fiz nada com um bebê. Este é o primeiro bebê que eu já segurei.

— Mesmo? Bem, você é natural.

Fui até o balanço, inclinei-me, peguei Grace do jeito que Vanessa havia me mostrado esta manhã e me sentei à mesa.

Vanessa se agachou ao meu lado. — É muito fácil. — Ela colocou a mamadeira na boca de Grace e a bebê a chupou com fome, fazendo pequenos ruídos de arrulho. — Basta mantê-la inclinada assim para que ela não fique com bolhas de ar no estômago.

A cabeça de Vanessa estava a poucos centímetros do meu nariz quando ela se inclinou sobre Grace com a mamadeira e novamente pensei em como seu cabelo cheirava bem. Era melhor sem o vômito.

Peguei a mamadeira e Vanessa voltou a sentar-se para comer.

— Ei, você quer assistir um filme? — ela perguntou. — Aqui? Depois de comermos? Eu me sinto em confinamento solitário. Estou entediada fora da minha mente, e eu só quero estar com alguém.

Agora que eu tinha rasgado o Band-Aid e vindo, percebi que não me importaria de ficar. Oficialmente tinha feito tudo que eu poderia sobre as transcrições de Keller por um dia. E, francamente, não adorei a ideia de voltar para o meu apartamento vazio em alguns minutos para ficar pensando na situação de Rachel/Mãe/Richard até me cansar o suficiente para dormir. Por que não.

— Claro — respondi, olhando para Grace, mas falando com Vanessa.

— Yay! Então, o que você quer assistir?

— O que escolher vai ser bom — falei, sorrindo para Grace. Ela estava adormecendo enquanto comia, cochilando com o leite se acumulando nas laterais de sua boquinha.

Ela era tão pequena. Confiável.

Nunca tive certeza de que queria filhos. Eu sempre estive preocupado em estragar tudo. Que de alguma forma eu falharia com eles. Eu realmente não tive uma boa infância. Meus pais tiveram um casamento tumultuado. Então papai foi embora e eu praticamente amadureci daquele ponto em diante. Não me foi mostrado exatamente um bom exemplo.

Esfreguei a minúscula bochecha rosada de Grace com os nós dos dedos.

Mas talvez ser pai fosse assim. Apenas estar lá e fazer o que precisava ser feito, uma pequena tarefa por vez, até que o resultado fosse bom.

Talvez se você começasse do início e continuasse...

Vanessa pegou o controle remoto. — Eu sei exatamente o que devemos assistir. Você não pode errar com “The Office”, embora provavelmente já o tenha visto um milhão de vezes.

— Eu nunca vi isso — eu disse.

Ela empalideceu. — Você nunca... você está falando sério? — Ela me olhou como se eu fosse louco. — Onde você esteve? Como você entende os memes?

— Os memes não são realmente uma grande parte das minhas operações do dia a dia.

Ela piscou para mim. — Oh, meu Deus. Isso é... você sabe o quê? — Ela acenou com a mão. — Nós vamos consertar isso. Vamos começar agora para que a partir de amanhã você não tenha que andar por aí e dizer às pessoas que você nunca viu “The Office” como uma espécie de lunático.

Eu ri. Novamente.

Três horas depois, eu me levantei para me alongar. A TV nos perguntando se ainda estávamos assistindo, e eu esperava que estivéssemos. Eu gostei do show - e Vanessa era fácil de se conviver. Ela era uma daquelas pessoas que simplesmente enrolava as coisas. Do tipo que você não tem que trabalhar para estar junto.

Grace cuspiu sua chupeta e eu me inclinei sobre seu balanço e a coloquei de volta em sua boca.

Eu troquei minha primeira fralda hoje. Eu estava aqui, poderia muito bem ajudar a dar um tempo a Vanessa. Ela me mostrou como fazer e assumi a troca seguinte.

Vanessa estava segurando Harry Puppins.

Após cerca de uma hora de show, minha consciência levou a melhor sobre mim e fui buscá-lo. Achei que, enquanto alguém o estivesse segurando, ele não teria nenhum acidente. Vanessa ficou mais do que feliz em fazer isso. Aparentemente, ela amava cachorros.

Ele a mordeu quando ela o pegou.

Ele não tinha dentes. Não doeu, mas era o pensamento que contava. Eu estava preocupado que isso a desencorajasse, mas ela não conseguia parar de rir. Ela disse que ele era como uma batata raivosa com pernas.

— Então, este é o seu quarto? — ela perguntou, apontando para a parede na cabeceira da cama.

— Sim.

A cabeceira da minha cama estava encostada na mesma parede. Estávamos separados à noite por apenas trinta centímetros de tijolos e gesso. Era um pouco estranho pensar nisso.

Tive uma pontada retroativa de alívio por Vanessa não ter me ouvido fazendo sexo com Rachel através da parede. Eu não sabia que elas eram tão finas.

Vanessa estava alugando esta unidade somente há três meses. Quando Rachel veio em setembro e outubro, ficamos no hotel em que sua empresa a hospedou. E nessa viagem ela estava menstruada e não quis fazer sexo. Essa era a preferência dela, não minha. Eu não poderia me importar menos que época do mês era. Mas agora eu me pergunto se ela foi honesta sobre essa desculpa. Provavelmente não. Ela devia ter vindo aqui sabendo que queria terminar comigo e estava tentando abrir algum espaço entre nós.

Não tínhamos feito nada desde o início de outubro. Era quase dezembro.

Eu deveria saber que algo estava errado.

Eu não conseguia parar de procurar por todos os sinais. Vasculhando os últimos meses em busca de bandeiras vermelhas ou coisas que eu deveria ter percebido. Nós dois estávamos ocupados. Ela era engenheira de software e, assim como eu, trabalhava dias longos e horários irregulares, então não ser capaz de contatá-la não era exatamente motivo para desconfiar. Mas era difícil não ficar com raiva de mim mesmo por não perceber que algo não estava certo.

Eu tinha que me livrar disso e tentar me concentrar em outra coisa antes de deixar meu humor piorar.

Olhei em volta do estúdio de Vanessa. Ela tinha uma parede de arte. — É uma bela fotografia — falei, acenando para uma foto emoldurada. Era um cachorro cor de cobre na margem de um lago. Parecia no Norte.

Ela fechou o espaço entre nós para ficar ao meu lado. — Não é uma fotografia. É uma pintura.

Eu levantei minhas sobrancelhas. — Mesmo.

— Sim. Eu consegui isso em uma arrecadação de fundos MADD. Tive que prometer uma fortuna por isso. É um Sloan Monroe.

— Oh, esposa de Jaxon Waters. Eu a conheço — contei, observando-a.

— Você a conhece? — ela disse ao lado do meu rosto. — Como? 

— Meu primo Josh é casado com a melhor amiga dela. Ele mora ao lado deles em Ely. E eu fui a um encontro com ela uma vez.

— Besteira.

Eu olhei para ela e seus olhos estavam arregalados. Peguei meu celular e fui para o Instagram. Encontrei a página privada de Sloan e entreguei-lhe o telefone.

— Oh, meu Deus — ela respirou, percorrendo as fotos de Sloan e Jaxon, meu primo e sua família misturados na alimentação, sentados ao redor de uma fogueira, à mesa de Ação de Graças, brincando com os filhos um do outro.

— Isso é tão legal! Você ficou mais legal por associação — ela disse, sorrindo para mim. — Eu sou uma fangirl total. Eu a amo - ela é tão talentosa. Há uma lista de espera de três anos para um desses.

— Eu posso ver o porquê — falei, olhando de volta para a obra de arte. Isso não poderia ter sido barato. Ela deve ganhar muito dinheiro fazendo essa coisa de vlogger para comprar vinhos finos e um Sloan Monroe.

Avancei para olhar a próxima peça. Era feita de asas de borboleta reais, dispostas em um design colorido e intrincado. — Elas são todas tão diferentes.

— Eu me cerco de coisas que me fazem feliz. É uma espécie de regra que tenho. Consegui aquele na Costa Rica.

— E este? — Apontei para um desenho a lápis preto e branco de uma mulher seminua envolta em um lençol. Sua cabeça estava inclinada e seu cabelo cobria um olho.

— Um artista na Sicília. A propósito, sou eu.

Eu arqueei uma sobrancelha para ela.

Ela riu. — Antonio tem cerca de setenta e cinco anos e é muito profissional. Eu queria que alguém me pintasse como uma das garotas francesas de Jack antes de morrer.

Eu olhei de volta para o desenho. Foi feito com bom gosto. Mas ela estava nua do umbigo para cima. — Você poderia ter causado um ataque cardíaco no velho.

Ela riu de novo. — Ele pintou Sophia Loren de topless. Meus seios não tiveram chance de acabar com ele.

Eu implorei para discordar sobre isso.

Ela o pendurou, então ela deve estar bem com as pessoas olhando para ele, mas eu não estava realmente apreciando a arte - eu estava apreciando a vista, e isso não era a mesma coisa. Passei para o próximo, só para não ficar olhando para ela nua.

Era uma foto de uma parede de tijolos grafitada com uma mulher vestida como a Estátua da Liberdade pintada segurando um globo. — Por que isso parece familiar?

— Aquele é um Banksy — disse ela.

Eu estreitei meus olhos para o rosto da mulher. — É você também? — Eu olhei para ela.

Ela encolheu os ombros. — Sim. Eu o conheci em um parque aquático em Xangai.

— Você conheceu Banksy, o famoso artista de rua anônimo, em um parque aquático em Xangai — eu disse impassível.

Ela encolheu os ombros novamente. — Quer dizer, eu não sabia que era ele. Conversamos por uns vinte minutos perto da piscina infantil. E então, uns dois dias depois, essa foto foi entregue no meu quarto de hotel - o que foi super estranho porque eu não contei a ele onde estava hospedada. Ele escreveu no verso ‘Do cara com quem você conversou perto da piscina infantil - Banksy’.

Eu pisquei para ela.

— Ele autenticou em seu site. É suposto representar a unidade global por meio de viagens e abraçar outras culturas ou algo assim? Não sei, é meio confuso. Eles vendem impressões disso.

Eu balancei minha cabeça. — Como ele era?

— Não sei. Um cara normal? Não tão bonito quanto você.

Eu bufei.

Ela olhou para mim. — Então, em qual área do direito você atua, Adrian?

— Sou um advogado criminal.

— Huh. Por quê? — Ela inclinou a cabeça.

Eu olhei de volta para o Banksy. — Eu gosto do desafio disso.

— Muitos de seus clientes são culpados?

Eu zombei. — A maioria dos meus clientes é culpada.

— E isso não te incomoda, tentar livrar as pessoas quando sabe que elas merecem ir para a prisão?

— Todo mundo merece uma defesa — eu disse.

Ela ficou quieta ao meu lado por um momento. — Sabe, alguém como você poderia realmente mudar o mundo se quisesse.

Eu me virei para ela. — E fazer o que?

— Lute por algo que precisa lutar. Como os direitos das pessoas com deficiência.

— Direitos das pessoas com deficiência. Isso é específico.

— Minha irmã era cadeirante antes de morrer. Você não acreditaria como é para os deficientes. — Ela marcou em seus dedos. — Discriminação, falta de recursos, falta de acessibilidade básica. Quer dizer, morar sozinho. Você sabe como é difícil encontrar moradia acessível para pessoas com deficiência? É por isso que tantas pessoas com deficiência acabam em instituições ou vivendo em condições de vida precárias ou inseguras.

Eu cruzei meus braços sobre meu peito. — E você acha que a causa poderia precisar de outro bom advogado?

— Oh, sim. — Seus lábios se torceram em um sorriso. — Especialmente quem gosta de desafios.

Eu dei a ela um pequeno sorriso e olhei para o meu relógio. — Eu provavelmente deveria deixar você dormir. É quase meia-noite.

Eu não tinha certeza, mas pensei ter visto uma centelha de decepção em seu rosto. Ela me entregou Harry. — Obrigada por vir.

— Obrigado por me receber.

Meia hora depois, eu estava deitado na cama e Vanessa bateu na parede do meu quarto por cima da minha cabeceira.

Eu sorri e bati de volta.

CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6

SE VOCÊ TIVER ESTE SINTOMA, PODE ESTAR MORRENDO!

Vanessa

A dormência estava de volta na minha mão direita.

Eu acordei esta manhã e me atrapalhei com meu telefone com dedos que pareciam mortos.

Eram 6h34 da manhã de sábado. Eu estava sentada no escuro em meu quarto enrolada em um cobertor, minhas pernas cruzadas na minha cama, tentando fazer a respiração pelo nariz e pela boca que a Senhora da Yoga me ensinou para me acalmar. Mas o terror passou por mim como ondas. Ficava cada vez maior até explodir dos meus lábios em um soluço asfixiante.

Eu não queria acordar Grace, então fui cambaleando até o banheiro com a mão na boca. Fechei a tampa do vaso sanitário para me sentar e abri meu telefone para ler o artigo sobre WebMD novamente, apertando minha mão direita em um punho, com a certeza de que tinha perdido a força de preensão.

ELA8 pode começar com algo tão simples como uma sensação de fraqueza nas mãos ou nos pés. É uma doença que ataca as células cerebrais que controlam grande parte dos movimentos musculares.

Associação ELA:

A fraqueza muscular progressiva de início gradual, geralmente indolor, é o sintoma inicial mais comum na ELA. Outros sintomas iniciais variam, mas podem incluir tropeçar, deixar cair coisas, fadiga anormal dos braços e/ou pernas, fala arrastada, cãibras e espasmos musculares.

Clínica Mayo:

Fraqueza nas mãos ou falta de jeito...

Não sei por que precisava continuar lendo isso. Eu sabia exatamente como era essa doença.

Mordi o interior da minha bochecha com tanta força que senti o gosto de sangue.

No início, eu esperava que fosse apenas o túnel do carpo. Mas fui fazer o teste e deu negativo. Eles queriam me enviar para mais estudos e eu recusei.

Não havia teste para ELA. Eles a diagnosticavam excluindo outras doenças que a imitavam e monitorando a progressão de sua deterioração. Poderia levar até um ano de procedimentos invasivos e cutucadas e cutucadas antes de determinarem como ELA o que está acontecendo comigo - e então, não haveria nada a ser feito de qualquer maneira. Era 100% fatal.

E agora talvez a contagem regressiva finalmente tivesse começado.

Minha vida pode oficialmente estar passando de viva para morta.

Uma expectativa de vida de três anos em média desde o início dos sintomas - menos se meu histórico familiar fosse uma indicação. Melanie viveu apenas dezenove meses depois que sua voz começou a ficar embargada e ela tomou os medicamentos - o que eu não faria.

Achei que tinha cerca de um ano. Meus músculos continuariam a definhar, um pouco de cada vez. Então eu não seria capaz de andar, me alimentar, me mover. Eu morreria incapaz de engolir, incapaz de falar, como Melanie tinha morrido. Enterrada na prisão do meu próprio corpo, totalmente consciente, até que meus pulmões paralisassem e eu sufocasse até a morte.

Coloquei meu telefone virado para baixo na pia do banheiro e chorei em minhas mãos.

CAPÍTULO 7

CAPÍTULO 7

COISAS QUE VOCÊ PODE FAZER PARA SE FAZER FELIZ (VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR NO NÚMERO 4!)

Adrian

Acordei com uma batida na minha porta. Eu olhei para o meu telefone. Eram 7h03 da manhã. Era sábado, então eu não precisava trabalhar e estava planejando dormir até tarde. Droga. Provavelmente era Becky.

Ela me mandou mensagens algumas vezes na noite passada para checar o cachorro, e eu não enviei uma mensagem de volta. Ela provavelmente estava aqui em seu turno de suicídio.

Harry Puppins rosnou do travesseiro ao lado do meu quando eu tirei as cobertas e coloquei os chinelos. Eu comecei a deixá-lo dormir na cama. Eu não suportava o jeito frágil e confuso com que ele me olhava quando eu o colocava na lavanderia à noite.

Ele ainda me mordia a cada chance que tinha.

Abri a porta esperando minha assistente, mas era Vanessa parada lá. Ela tinha Grace amarrada à frente em um canguru de bebê. — Ei. — Ela sorriu para mim.

Eu não a via desde segunda-feira, cinco dias atrás, quando jantamos e vimos “The Office” na casa dela. Trabalhei até tarde todas as noites esta semana e não tinha batido na porta para levar o lixo para fora de novo porque não queria acordá-la ao chegar em casa.

Ela estava me enviando memes de Office aleatoriamente. Era como um pequeno sorriso que aparecia no meu telefone de vez em quando para me surpreender. Eu gostei - embora estivesse muito ocupado para responder na maior parte do tempo.

Eu sorri pra ela. — Ei. Bom Dia.

Seus olhos estavam um pouco vermelhos. Talvez ela não tivesse dormido bem na noite passada.

Ela balançou a bebê. — Desculpe, eu não mandei mensagem. Esta é uma visita por impulso. Eu estava dando uma volta pelo prédio. Eu fico louca lá dentro. Passei pela sua porta e a próxima coisa que percebi era que estava batendo.

Ela estava muito animada para as 7:00 da manhã. Senti meu sorriso alcançar meus olhos.

Ela estava de pijama. Calça de lã com o Grinch nela. Eu não conseguia ver a camisa cinza sob a tipoia de bebê, mas era folgada. Seu cabelo estava preso em um coque bagunçado no topo da cabeça e ela usava chinelos de unicórnio. Ela era uma bagunça quente e era estranhamente atraente.

Eu me perguntei qual era o verdadeiro motivo de ela não ter namorado. Ela certamente era namorável. Bonita, inteligente, divertida de se estar. Inerentemente simpática. Eu realmente gostei de estar com ela na outra noite.

Eu não tive a chance de verificar seu canal ainda. Eu fiquei ocupado com o trabalho. Eu estava no meio de um julgamento com júri. Mas agora gostaria de ter tirado alguns minutos para dar uma olhada nele.

Ela aninhou o traseiro de Grace no canguru. — De qualquer forma, eu estava me perguntando se você gostaria de... — Ela franziu a testa e olhou além de mim. — São essas fotos de cena do crime?

Eu olhei por cima do ombro. — Oh, sim. Eu estava trabalhando em casa ontem à noite.

Ela passou por mim sem ser convidada a entrar e foi até a mesa da minha sala de jantar. Ela examinou as fotos de costas para mim. — Sabe, sem a coisa do advogado para contextualizar, isso faz você parecer um assassino em série. Como se você também pudesse ter um colar feito de dentes ou algo assim.

Eu ri. — E ainda assim você não tem medo de ficar sozinha aqui comigo?

Ela olhou para mim e balançou a cabeça. — Não é assim que eu morro. Acredite em mim, eu sei.

Ela estava usando uma cinta na mão direita. Eu balancei a cabeça para ela. — Você se machucou? — perguntei.

— Não. Túnel do carpo9. — Ela inclinou a cabeça. — A sua vacina antitetânica está em dia?

Eu enruguei minha testa para ela. — O quê?

— Há uma coisa que achei que você gostaria de fazer comigo. Tem tempo?

Eu sorri. Na verdade, tinha tempo.

Os fins de semana eram difíceis hoje em dia. É quando minha vida pessoal, ou a falta dela, realmente brilhava. Não havia mais jantar aos domingos com mamãe e vovó. Eu tinha Rachel para esperar ansiosamente a cada poucas semanas, mas agora isso tinha terminado. Eu não estava treinando para nada no momento, nenhuma maratona ou corrida divertida, e era inverno, minha época do ano que menos gostava de estar ao ar livre. Se Vanessa não tivesse aparecido, acho que teria aberto meus olhos para uma escuridão instantânea. Apreciei a distração.

— Eu tenho tempo — eu disse. — Qual é o problema?

— Você vai ver. Podemos fazer na minha casa, ou aqui, desde que você tenha espaço. — Ela olhou em volta com as mãos na cintura. — Por que seu apartamento é tão grande? Eu sinto que o meu costumava ser uma sala de arquivos ou algo assim.

— Isso costumava ser duas unidades. Peguei os dois e derrubei a parede. Coloquei uma cozinha maior.

— Você cozinha?

— Na verdade, não. As cozinhas agregam valor na revenda — eu disse, cruzando os braços.

— OK. Mas você obviamente faz café — disse ela, apontando para a máquina de café expresso de U$2.000 que eu tinha no balcão. — Essa coisa é vulgar.

Eu olhei para a cozinha. — Eu gosto de um bom café. Eu compro os grãos torrados localmente. — Eu olhei para ela. — Você quer um?

— Bem, eu não vou dizer não a isso. Mas preciso comer antes da cafeína. Vou comer cereal bem rápido e volto em dez minutos?

— Eu poderia fazer ovos para nós — ofereci.

Ela sorriu. — Eu pensei que você disse que não cozinhava?

— Eu sou perfeitamente capaz de fazer ovos — assegurei a ela.

— Tudo bem. Se você diz. Eu preciso ir buscar o que vamos fazer, entretanto, então eu volto já. Você pode segurar Grace?

Eu segurei a bebê enquanto Vanessa fazia duas viagens de volta para sua casa. Uma para pegar o balanço de Grace e uma sacola de fraldas, e a outra para a atividade misteriosa que ela havia planejado. No intervalo, escovei os dentes e lavei o rosto o melhor que pude enquanto segurava um bebê. Eu não me troquei. Eu estava de chinelos, uma camiseta branca e calças de pijama cinza.

Eu geralmente não me vestia assim na frente de ninguém. Mas, como Vanessa não estava mais com a tipoia no peito, vi que ela não só vestia uma camisa da Schrute Farms com a imagem de uma beterraba na frente - uma referência do Office que agora entendi - como também não usava sutiã. Mudar de roupa poderia deixá-la desconfortável, como se ela estivesse malvestida.

E eu gostei. Eu gostava que ela não sentia a necessidade de impressionar-me e eu não sentia a necessidade de impressioná-la. Havia algo reconfortante sobre isso, sobre ser você mesmo em qualquer estado em que por acaso se encontrasse.

Vanessa voltou carregando uma enorme bolsa de lona atrás dela. O saco estava tão cheio que emperrou na porta e tive que colocar Grace no balanço e correr para ajudá-la.

— O que diabos está aqui? — indaguei, colocando-a no meio do chão da sala.

Ela estava ofegante com o esforço, inclinando-se para frente com as mãos nos quadris para recuperar o fôlego. — Aventura e emoção. Correspondências de fãs - com certeza será emocionante e horripilante em medidas iguais.

— Você recebe tanto correio? — perguntei, olhando para o saco.

Ela encolheu os ombros. — Claro. Vem de todo o mundo, então... — Ela se agachou e agarrou o fundo da sacola, então a ergueu e derramou o conteúdo no carpete. Cartas se espalharam e caixas caíram.

— Jesus, equivale a quantos meses?

— Cerca de duas semanas — disse ela, ajoelhando-se e examinando o quadro.

Eu empalideci. — Duas semanas... quantas pessoas te seguem?

Ela encolheu os ombros novamente. — Muitas.

Fiz cappuccinos enquanto Vanessa separava os envelopes e caixas em pilhas. Depois fui até a geladeira e comecei a vasculhar. Eu não tinha muito. Fazia a maior parte das minhas refeições fora. Mas entre alguns queijos, o molho de um cacciatore de frango que eu trouxe para casa alguns dias antes e um pouco de crème fraîche, sobras de pão italiano e um recipiente de guacamole que Vanessa correu para pegar em seu apartamento, consegui fazer algo para nós, omeletes espanhóis bastante decentes.

Sentamo-nos no chão da sala de estar para comê-los no colo para que pudéssemos começar a abrir a correspondência.

— Isso tem um gosto incrível — disse ela, lambendo um pouco de molho de seu polegar. — Você subestimou seriamente suas habilidades de fazer ovos.

Grace estava cochilando em seu balanço ao nosso lado e Harry estava aninhado contra a coxa de Vanessa, dormindo. Ela colocou a mão na cabeça dele.

Ele rosnou.

Ela colocou o prato sobre os joelhos. — OK, isenção de responsabilidade quanto às correspondências de fãs.

Tomei um gole do meu café e coloquei a caneca de volta no tapete. — Manda.

— Tudo bem. Não sei o que nos espera nesta pilha. A maioria dos meus fãs são perfeitamente normais e legais. Mas é a Internet. Não estou dizendo que há uma orelha decepada aqui, mas pode haver uma orelha decepada. Regra geral, se estiver pingando, cheirando mal ou vibrando, eu não abro.

Coloquei meu prato no colo e espalhei o creme sobre minha omelete. — Por quê? Porque pode ser uma bomba?

— Não, porque provavelmente é um vibrador.

Quase me engasguei com minha risada. Jesus, ela me fez gargalhar.

— Vai ter nudes. Esperançosamente, para o seu bem, você só abre as femininas.

Eu ainda estava rindo. — Mulheres mandam nudes para você?

Ela me olhou bem nos olhos. — Todo. O. Tempo. E eu não como nada que alguém me mande.

— Mesmo que não seja adulterado?

— Sim. Alguém pode ter esfregado as bolas nele ou algo assim. Não entra na minha boca. Além disso, não toco em nada de Monett, Missouri. Precisamos colocar fogo nisso. Não pergunte.

Ela enfiou a mão na sacola de fraldas que trouxe para Grace e puxou desinfetante para as mãos e lenços umedecidos e os colocou entre nós. — Nós vamos precisar disso. Você está pronto?

— Pronto — falei.

Ela me lançou um olhar sério e fingido. — Você é um homem corajoso por fazer isso, Adrian Copeland. Mais corajoso do que a maioria.

Eu sorri enquanto agarrava a primeira caixa e rasgava a fita dela.

Uma hora depois, estávamos sentados em uma pilha de envelopes vazios e papelão, usando uma variedade de parafernálias das correspondências de fãs. Nós dois estávamos cobertos por bastões luminosos. Vanessa usava um colar com Froot Loops. Ela me fez colocar uma camisa extragrande de um fã em Maryland que dizia EU TENHO CARANGUEJOS nela, e nós dois tínhamos adesivos em nossos braços.

Isso era ridículo. Normalmente eu nunca faria algo tão infantil, mas tinha que admitir que estava me divertindo.

Vanessa cuidava de todos as cartas e eu de todos os pacotes, pois ela tinha dificuldade com a mão. Isso significava que ela conseguiu a maioria das fotos de pau.

— Nós temos outra — ela anunciou, colocando uma foto de cabeça para baixo na pilha de fotos de pau.

Eu balancei minha cabeça com um sorriso. — Quanto trabalho você tem aqui.

Vanessa zombou. — Eu simplesmente não entendo por que os homens pensam que queremos ver isso. Parece um cotovelo enrugado ou algo assim. Não é bonito. Envie-me uma foto de um cachorro ou biscoitos ou algo assim. — Ela rasgou um envelope. — Se algum cara me mandasse a foto de um bolo às duas da manhã, tipo, ‘Ei, garota, você acordou?’, eu diria ‘Claro que estou acordada, venha’.

Eu bufei. — É realmente tão comum? As mulheres recebem fotos de paus de homens estranhos com frequência?

Ela rasgou um envelope rosa. — A maior parte de ser mulher é passar por uma luva cheia de pênis — ela murmurou. — Espero que você não os envie.

Peguei a próxima caixa. — Eu nunca enviei uma foto de pau. Prefiro o choque e o espanto de deixá-las ver pessoalmente.

Ela praticamente gargalhou e eu sorri com a vitória de fazê-la rir tanto. — Só para constar — disse ela — nããão acredito em você.

Eu dei a ela um olhar divertido. — Você não acredita que eu não envio fotos de pau?

Ela balançou a cabeça, ainda rindo. — Não. Homens como você sempre mandam fotos de pau.

Eu sorri, olhando para o conteúdo da minha caixa. Um emoji de cocô grande e fofo. — Homens como eu, hein? E que tipo de homem exatamente é esse? — Eu segurei a espiral marrom e Vanessa acenou para a pilha de doações.

— O tipo de macho alfa superconfiante, autoconfiante e taciturno.

Eu ri. — Bem, odeio desapontá-la, mas, pelo que sei, meu pênis nunca foi fotografado.

Ela estendeu a mão. — Deixe-me ver seu telefone.

Eu apertei os olhos para ela. — O quê?

Ela olhou para mim, muito séria. — Deixe-me ver. Você não tem nenhuma foto de pau. Qual é o problema?

Eu sorri. — OK. Deixa-me ver o seu.

Ela encolheu os ombros. — Bem. Tanto faz. Mas não exclua nada primeiro. Nós os entregamos e o que quer que esteja dentro. Sem filtro.

— OK. — Eu o desbloqueei e entreguei a ela.

Ela o agarrou com entusiasmo. Mas então ela congelou e apertou-o contra o peito. — Espere, por que você não está nervoso?

Eu levantei uma sobrancelha. — Porque não há nada aí que você não possa ver.

Ela estreitou os olhos. — Isso parece suspeito. Este é o seu telefone extra?

Eu ri. — Não. Que tipo de cara você namora para achar que eu precisaria de um telefone extra?

— Eu te disse, eu não namoro. Eu só acho muito estranho que você não esteja suando nas bolas agora.

— Porque não há nenhuma foto de pau aí. Como eu disse. — Eu estiquei minha mão para pegar seu telefone.

Ela me lançou um olhar longo, duro e brincalhão e, em seguida, colocou o celular na minha palma.

Nós dois ficamos quietos olhando para os telefones um do outro.

O celular de Vanessa era como a versão digital dela. Nada além de diversão. Estava enfeitado com strass rosa com um PopSocket brilhante nas costas. Sua tela inicial era uma foto de Grace usando um pequeno gorro com orelhas de urso de pelúcia.

O meu era o oposto. Preto, funcional e com tela de bloqueio de estoque. E eu quis dizer o que disse. Não havia nada lá que ela não pudesse ver.

Sua tela inicial tinha aplicativo de música, Uber, Lyft, Tripadvisor, Audible, Instagram, iFunny e alguns jogos.

Toquei em seu ícone de foto e comecei a navegar. Tudo em sua galeria era emoção e cor. Fotos de resorts. A cama no quarto do hotel, um elefante feito de toalhas no edredom. Uma pequena cidade cheia de neve com uma enorme cordilheira ao fundo. Ela rindo de biquíni em um bar molhado na piscina. Havia fotos dela segurando uma sangria em uma rua de paralelepípedos. Um navio de cruzeiro em águas azuis em algum lugar.

Minha galeria era chata em comparação. Quase senti pena dela ter pegado a ponta curta do bastão. Eram principalmente documentos legais e várias dezenas de fotos da placa no estacionamento do centro perto do tribunal, então eu me lembraria de onde estacionei. A foto de uma lâmpada que eu precisava pegar na loja, o tíquete de reclamação de um pedido de lavagem a seco.

— Uau — disse ela, olhando para a minha tela. — Você com certeza estaciona muito.

Eu ri e continuei rolando. Havia uma foto de Vanessa vestida com algum tipo de fantasia de leiteira sob uma grande tenda. Ela tinha uma enorme caneca de cerveja, maior do que ela. Virei o telefone para ela. — Onde foi isso?

Ela ergueu os olhos do meu telefone. — Oktoberfest. Alemanha. Onde estão suas fotos de Rachel?

— Acho que não tenho nenhuma — admiti.

Ela riu. — Então você tinha uma namorada, mas ela não estuda na mesma escola?

Eu sorri. — Você acha que não tinha namorada?

Ela encolheu os ombros. — Estou só perguntando.

Eu balancei a cabeça para o meu telefone. — Procure por ela no Instagram. A conta dela é privada, mas se você pesquisar no meu telefone, poderá ver. O nome dela é Rachel Dunham.

Eu a observei apertar o ícone e rolar pelo meu telefone e meu sorriso caiu um pouco. Eu provavelmente deveria deixar de seguir Rachel e sua conta falsa. Fiz uma nota mental para fazer isso assim que recebesse meu celular de volta. Eu olhei de volta para a foto de Vanessa, tentando me distrair.

Na foto da Oktoberfest, o peito dela estava empurrado quase até o queixo por algum tipo de corpete. Seu cabelo estava em uma trança intrincada que envolvia sua cabeça e ela estava sorrindo. Ela estava linda nela.

Seu celular vibrou na minha mão e um número apareceu no topo da tela. Era o meu.

— O que você está enviando para o seu telefone? — perguntei.

Ela não ergueu os olhos. — Fotos suas. Eu te disse, as garotas não vão acreditar que estou passando um tempo com você. Vou precisar de provas.

Toquei na mensagem e uma mensagem de texto do meu telefone preencheu a tela. Ela enviou a si mesma três fotos minhas da minha galeria. Uma na qual estava com mamãe e vovó no aniversário de mamãe em junho. Outra era uma foto minha apertando a mão de Marcus, em uma arrecadação de fundos. E a última foto era minha ao finalizar a última maratona que corri, seis meses atrás.

— Sabe, só porque você tem fotos minhas não prova nada — falei. — As mulheres podem dizer que você acabou de tirá-las do meu Instagram.

Ela estreitou os olhos. — Bom ponto, advogado. Eu sou uma perseguidora cibernética conhecida. O que você tem em mente?

— Podemos tirar uma selfie — sugeri.

Ela se iluminou. — Boa ideia! Vamos colocar a bebê e o cachorro nela para marcar o momento.

Ela pegou Grace e a entregou para mim. Então ela agarrou o cachorro e rastejou pela pilha de lixo entre nós, se aproximou e se inclinou para mim, seu ombro pressionando meu bíceps.

O contato enviou uma onda quente através de mim. Isso me surpreendeu, me deu um impulso de virar a cabeça para ela.

Eu mantive meu rosto sério.

Ela mudou o ângulo do meu telefone, nós sorrimos e ela tirou a foto. Então ela pegou Grace de mim e voltou para o seu lado da pilha com a bebê no colo.

O local que Vanessa tocou parecia vazio.

Passamos mais alguns minutos mexendo nos telefones um do outro. Nós dois tocamos a primeira música na playlist favorita de cada um.

A dela era “Redemption” de Lola Simone. A minha era “Back Down” de Bob Moses. Eu gostava de correr com isso.

— Então — ela disse, devolvendo meu telefone. — Diga-me, Adrian, quanto tempo você passa na academia? Por que você está tão cinzelado?

Eu ri. — Cinzelado?

— Sim. — Ela embalou Grace e beijou sua bochecha. — Eu li muitos livros de romance e definitivamente você ostenta essa coisa do cinzelado.

— Tento ficar em forma. Eu faço triatlos às vezes.

Ela empalideceu. — Para se divertir?

Eu tirei a fita de uma caixa. — O quê, você não acha que correr, andar de bicicleta e nadar são divertidos?

— Acho que caminhadas na praia, passeios de bicicleta e flutuação são divertidos. Eu não corro a menos que esteja sendo perseguida. Então, você bebe outra coisa que não seja vinho?

— Bourbon às vezes. Você?

— Gin, socialmente. Quais são os seus vícios?

Eu enruguei minha testa. — Eu dirijo muito rápido. E gosto de bons restaurantes. Eu gasto muito dinheiro com comida.

— Eu também! A coisa do restaurante, não a coisa de dirigir. Qual é o seu restaurante favorito?

— Oh, essa é difícil. — Puxei um globo de neve embrulhado em lenço de papel da caixa que estava abrindo, mergulhei de forma que a neve voasse e o mostrei a ela. Ela acenou com a cabeça para a pilha de manter. — Não posso dizer que tenho um restaurante favorito. Apenas pratos favoritos.

Ela olhou para um cartão postal com um desenho de giz de cera nele. — Melhor ainda. Quais?

— Bem, vamos ver. Eu gosto do cavatelli com coelho assado do Lucrezia's.

Ela estava balançando a cabeça. — O nhoque deles está no meu top dez.

— Sim. E para bifes eu gosto de Cl...

— Clove e Cleaver — ela disse, terminando minha frase sem olhar para cima.

Eu sorri. — Eu amo seus poppers de galinha-jalapeno.

— E os tomates verdes fritos.

Eu ri. — Sim.

Ela colocou o cartão-postal na pilha de guardar. — Eu sou uma grande foodie. Quase desmaiei uma vez em Roma, depois que um assistente social quis comer no McDonald's. Se alguém me convida para almoçar e me leva ao Taco Bell ou algo assim, não é mais um passeio, é um sequestro. Pequenos negócios, sempre - exceto Chipotle — acrescentou ela. — Eu gosto de Chipotle10.

Eu ri, porque eu era do mesmo jeito. Cada vez que levava mamãe para comer e ela queria ir para um Perkins11, morria um pouco por dentro. Eu também preferia apoiar pequenas empresas. E por que você compraria algo produzido em massa quando poderia experimentar um lugar único? Há uma quantidade finita de refeições nesta vida e desperdiçar uma em algo mundano quando você tem os meios para comer algo diferente é uma farsa.

— Você já esteve em Badger Den? — Vanessa perguntou. — Em Los Angeles?

Eu tive que olhar para ela por um segundo. — Você sabe sobre Badger Den?

Ela olhou para a frente de um envelope, segurando Grace contra o peito. — Estou na lista de espera há dois anos.

Eu pisquei para ela. Eu não podia acreditar que estava sentado aqui conversando com alguém que sabia o que era Badger Den. Em Los Angeles, com certeza. Mas em Minnesota? O jantar pop-up exclusivo, apenas para convidados e em local secreto estava na minha lista de desejos desde que eu conseguia me lembrar. — Também estou na lista de espera, mas ainda não entrei.

Ela sorriu. — Que tal fazermos um pacto. Se um de nós conseguir entrar em Badger Den, consideraremos o outro como nosso acompanhante.

— Você tem um acordo — eu disse, um pouco rápido demais.

— Claro, você terá que voar para lá. Eles só te avisam com alguns dias de antecedência.

— Eu dirijo muito, muito rápido.

Ela riu, colocando Grace de volta em seu balanço. Em seguida, ela pegou um envelope de papel manilha amarelo e tirou um pacote de esponjas. Ela gritou: — Simmm! Sim Sim Sim!

Eu levantei uma sobrancelha. — Esponjas?

Ela sorriu para elas em sua mão. — Eu fiz este segmento sobre pequenas coisas que você pode fazer para te deixar feliz. Lençóis limpos, toalhas quentes fora da secadora, flores frescas em seu quarto. Uma nova esponja. — Ela olhou para mim. — É incrível como uma nova esponja é restauradora. — Ela se levantou. — Estou te dando uma.

— Uma esponja? — perguntei, torcendo para vê-la caminhar até a cozinha.

— Sim. Isso vai mudar sua vida. — Ela a desembrulhou e colocou na pia, jogando fora a antiga. — É como uma limpeza espiritual. Um reset cósmico.

— Uma esponja... — falei impassível, dando a ela um olhar divertido.

Ela parecia prestes a responder, mas alguém começou a bater com força na porta do corredor. Vanessa olhou além de mim em direção ao barulho. — Isso soa como a minha porta, não é? — Ela saiu da cozinha, abriu a fechadura e colocou a cabeça para fora. Então ela olhou para mim, seu rosto gravado em preocupação.

— Eu tenho que ir. A polícia está aqui.

CAPÍTULO 8

CAPÍTULO 8

A POLÍCIA APARECEU E O QUE ACONTECEU A SEGUIR VAI EXPLODIR SUA MENTE!

Vanessa

— Posso ajudar? — perguntei, inclinando-me para fora do apartamento de Adrian.

O oficial olhou para mim. — Estou procurando uma Vanessa Price.

— Eu sou Vanessa.

Ele olhou para uma prancheta. — Você tem um Kia Rio 2018 branco?

Merda.

Meu coração disparou rapidamente. — Sim, está tudo bem? — engoli.

Adrian veio atrás de mim e olhou para o corredor. — Oficial Sanchez — disse ele, por cima do meu ombro. — Como você está?

O reconhecimento cruzou o rosto do policial e ele abriu um sorriso. — Copeland! Você vive aqui?

— Há cinco anos — Adrian disse. — Como está a esposa?

Ele riu. — Grávida de novo. Não tenho te visto na academia ultimamente.

— Estive ocupado. No meio de um julgamento com júri. O que parece ser o problema?

O policial Sanchez olhou para mim, ainda sorrindo. — Sim, encontramos seu carro enrolado em uma árvore perto do parque de diversões esta manhã, Sra. Price. Ninguém nele. Você sabe alguma coisa sobre isso?

Sua postura tinha ficado casual no momento em que Adrian apareceu. Não havia nada de acusatório na pergunta. Mas eu podia sentir meu pulso latejando na garganta de qualquer maneira. — Não — respondi, esperando soar normal.

— Você deu o veículo para alguém dirigir?

Adrian apertou meu cotovelo discretamente por trás. — Parece que foi roubado. Provavelmente um passeio de alegria — disse ele.

O policial Sanchez olhou por cima da minha cabeça para Adrian. — As chaves estavam nele. Não foi conectado por conexão direta.

A respiração de Adrian fez cócegas em minha orelha enquanto ele falava comigo. — Você não disse que perdeu suas chaves, Vanessa?

Ele estava me orientando. E estava tããão perto. Ridiculamente perto. Era de propósito. Ele queria que o oficial pensasse que estávamos juntos.

Ele estava me emprestando sua credibilidade.

Ele me conhecia há menos de uma semana, não sabia nada sobre o que estava acontecendo e estava intervindo para me defender, dando-me o benefício da dúvida e me protegendo de quaisquer repercussões que isso pudesse ter. Eu não sabia por que ele estava fazendo isso, mas não poderia estar mais grata. Eu estava pirando.

Eu concordei. — Sim, na verdade. Perdi as chaves há algumas semanas — menti. — Tenho usado a sobressalente.

O policial Sanchez assentiu, mas seus olhos pareciam que estavam me estudando de repente. — Onde você estava ontem à noite por volta das três da manhã?

Adrian riu. — Onde você acha que ela estava?

O policial Sanchez olhou para trás e para frente entre nós. Então ele riu um pouco. — Tudo bem, amigo. Vou escrever como um veículo roubado. — Ele olhou para mim. — Está no confisco. Aqui está a informação. — Ele me entregou um cartão.

Eu limpei minha garganta. — Desculpe-me, hum... tinha sangue ou algo assim? Você acha que alguém se machucou?

O oficial Sanchez balançou a cabeça. — Difícil dizer. O airbag disparou, mas vasculhamos a área imediata. Ninguém morto em uma vala. Acho que fugiram com os próprios pés. — Ele acenou com a cabeça para Adrian. — Ei, você precisa voltar para a academia para me acompanhar nos exercícios.

A risada de Adrian praticamente retumbou nas minhas costas. — Eu vou. Tenha um bom dia. E diga a Karla que eu disse oi.

Assim que voltamos para dentro do apartamento e a porta se fechou atrás de mim, corri para o meu telefone.

Liguei para papai. Foi direto para o correio de voz. Então Annabel. Correio de voz também. Brent teria respondido, mas me bloqueou depois que eu disse que ele poderia ficar com minha mochila Gucci quando conseguisse um emprego. Arg!

— Merda. Merda, merda, merda, merda. Eu tenho que ir.

Comecei a pegar coisas, enfiei lenços umedecidos e desinfetante para as mãos na sacola de fraldas, correndo para a cozinha para pegar a mamadeira que deixei secando em sua pia. Eu tive que pegar Grace e seu canguru. Minha correspondência de fã estava espalhada pelo chão. Eu estava tão em pânico e nervosa que não conseguia me organizar.

Adrian cruzou os braços, me observando girar em círculos ao redor de seu apartamento. — Quem estava dirigindo o carro? — ele perguntou.

O hospital. Eu precisava ligar para hospitais.

— Meu pai. Comprei um carro para ele usar. Ele está em liberdade condicional, provavelmente ficou com medo.

— Condicional pelo quê? — ele perguntou.

— Violações do código de saúde. Coisas no quintal. — Parei no meio da sala, ofegante, a bolsa de fraldas balançando no meu cotovelo. — Você acha que seu amigo sabia que você estava mentindo?

Ele encolheu os ombros. — Não importa. Não houve feridos, nenhum dano à propriedade. A menos que ele tenha um vídeo, ele não pode provar nada e sabe disso. Não vale a pena seu tempo. Eu isentei você de qualquer responsabilidade e a salvei da papelada e uma viagem para a casa do seu pai. E eu sabia que não era você. Eu podia ouvir você com a bebê às três da manhã.

Eu balancei a cabeça, muito assustada para me sentir mal por Adrian estar acordado conosco no meio da noite, e pulei passando por ele para pegar o BabyBjörn de Grace de sua mesa.

— Ei. — Ele colocou as mãos nos meus ombros para me impedir enquanto eu passava zunindo por ele. — Respire por um segundo. — Ele abaixou a cabeça e olhou para mim com aqueles olhos verdes profundos. — O que você precisa?

Engoli. — Eu preciso... preciso que você cuide de Grace — falei rapidamente.

Saiu antes mesmo que eu tivesse tempo para pensar sobre isso. Mas eu fiz. Eu não poderia levá-la em minha caça ao tesouro em hospitais e celas de prisão. E eu definitivamente não poderia levá-la para a casa do meu pai.

Adrian assentiu e tirou a sacola de fraldas do meu braço. — Claro. Eu entendi. Vá fazer o que você precisa fazer.

— Tem certeza? — perguntei sem fôlego. — Você pode lidar com isso?

Ele me olhou nos olhos. — Tenho muita certeza. Vai. Ela vai ficar bem comigo.

Ele tinha essa coisa forte, firme e de controle sobre ele. O ar de quem costumava ser confiável. Ele era tão capaz e eu me perguntei imediatamente se era assim que os pais de outras pessoas eram.

Eu balancei a cabeça para ele e praticamente tropecei nos meus pés ao sair do apartamento. Corri para casa para me trocar, mas depois de chegar quase todo o caminho até o elevador, percebi que não estava com a bolsa ou as chaves do carro, e estava de chinelos de unicórnio e um colar Froot Loops.

Dirigi vinte minutos até Eagan. Liguei para todos os hospitais locais no caminho. Papai não estava em nenhum deles. Ele também não estava no sistema carcerário do condado de Ramsey. Eu perguntei sobre Annabel também, apenas no caso de ela estar com ele durante o acidente e se machucar, mas o nome dela também não pingou.

No momento em que bati na porta de papai, meu pânico se transformou em raiva.

Quer dizer, que porra é essa? Ele bate o carro e acha que não vou descobrir? Ele não se preocupa em me ligar e me avisar, dizer que está bem?

Quando ele atendeu, os cheiros de mofo e lixo podre saíram da casa na minha direção.

— Pai — falei secamente enquanto ele estava lá, de olhos vermelhos e desgrenhado. Ele não parecia alguém que tinha sofrido um acidente de carro, mas quem sabe.

Ele semicerrou os olhos para mim. — Melanie?

Isso me atingiu como um soco no estômago. Eu tive que tomar um momento para me recompor e responder. — Pai, sou a Vanessa.

Ele piscou para mim e a luz sumiu um pouco de seus olhos. Ele abriu a porta e me deixou entrar, caminhando tenso de volta para o sofá, onde se deitou com uma careta.

Fechei a porta atrás de mim.

Deus, o lugar era nojento. Papai sempre foi um rato de carga, mas isso era ruim, mesmo para ele.

Franzi o nariz para um saco de lixo podre perto da porta da frente que alguém puxou da cozinha, mas nunca chegou ao meio-fio. Estava vazando do fundo e estava em uma poça marrom pútrida. Como de costume, havia pilhas de coisas aleatórias por toda parte. Merda que ele viu na calçada destinada ao lixão e que trouxera para casa com o grandioso plano de consertá-la ou usá-la de alguma forma. Isso era ridículo.

Normalmente eu tirava meus sapatos quando entrava em uma casa, mas eu não estava entrando descalça aqui. — Então, vejo que você está buscando um novo recorde pessoal — eu disse, pisando em uma cama de cachorro suja e rasgada - o que era interessante porque papai não tinha animais de estimação.

Ele falou do sofá como se estivesse com dor. — Vanessa, estou com um desconforto excepcional. Sua irmã me dispensou de todo o meu Percocet e minhas costas estão me matando. Eu não preguei o olho ontem à noite. Se você vai me dificultar, agradeço se você sair.

Ele machucou as costas na semana passada tropeçando em algo na casa. Eu disse a ele para trancar os comprimidos, o que é claro que ele não fez. Eu também disse a ele para limpar este lugar, e ele também não fez isso.

Fui até o sofá e fiquei ao lado dele com os braços cruzados. — Você está se perguntando por que estou aqui hoje? — indaguei. Quando ele não se preocupou em abrir os olhos ou responder, continuei: — A polícia parou no meu apartamento. Aparentemente, eles encontraram seu carro enrolado em uma árvore esta manhã? Vazio? Você sabe alguma coisa sobre isso?

Ele gemeu e colocou o braço sobre o rosto.

— Você está ferido? — perguntei, irritada. — Eu preciso te levar ao hospital?

— Ajustado como um violino — ele murmurou.

— Então você o quê? Apenas travou e saiu correndo?

Ele não me respondeu e eu chutei o estribo do sofá. — Pai!

Ele se sentou lentamente, estremecendo. — Tudo bem, tudo bem. Você tem minha atenção. Feliz?

Eu olhei para ele.

— Não fui eu — disse ele. — Foi Annabel. Eu nem estava lá.

Eu deixei cair meus braços. — Você emprestou o carro a ela? — Eu fiquei lá, minha boca aberta. — Por que diabos você daria a ela? Ela provavelmente estava chapada! E a licença dela está suspensa!

— Você não precisa dessa bobagem emitida pelo governo para dirigir — disse ele, acenando para mim. — Essa é apenas a maneira do Big Brother de ganhar dinheiro conosco para algo que uma criança de dez anos poderia fazer. Qual é o próximo? Rastreadores GPS obrigatórios em nossos cérebros pelos quais teremos o privilégio de pagar taxas anuais? Códigos de barras humanos? Não, obrigado.

Eu o encarei. — Por favor, me diga que você está brincando.

— Por que eu estaria brincando? E eu não dei o carro a ela — disse ele, esfregando a parte inferior das costas. — Ela o pegou.

— Sem permissão?

Ele semicerrou os olhos para mim. — Ela é uma mulher adulta, Vanessa. Ela dificilmente precisa da minha permissão para sair de casa...

Eu fiquei boquiaberta com ele. — Uau. Apenas Uau —. Eu balancei minha cabeça, incrédula. — Você sabe o que? Eu estou feita. Você está se recompondo, Brent está conseguindo um emprego e ela está indo para a reabilitação e não vai mais morar aqui até que faça isso, você me entende? — Eu apontei o polegar em meu peito. — Eu pago esta hipoteca. Eu pago o carro que ela acabou de bater. Está registrado em meu nome. Eu pago o seguro e a manutenção e agora os reparos. E eu faço isso para que você possa organizar sua vida e talvez Brent possa encontrar uma maneira de conseguir um emprego se ele decidir conseguir um, não para que Annabel possa usar isso para colocar em perigo o público em geral. Se vocês três pensam que vou permitir isso... essa merda, continuando a financiá-la, vocês perderam a cabeça.

Comecei a pegar garrafas vazias de refrigerante da mesa de centro e apertar contra o estômago. — Ela poderia ter matado alguém — falei, furiosa, garrafas tilintando umas contra as outras. — Você tem sorte que tudo o que ela fez foi batê-lo em uma árvore. — Eu parei e olhei para ele. — Ela pegou dinheiro? E não minta para mim.

Ele parecia indignado. — Você a cortou. De que outra forma ela deveria comer?

— Quanto? — eu exigi.

Ele acenou com a mão desdenhosa. — Talvez uns vinte. E meu telefone — acrescentou. Ele balançou a cabeça. — E…

Eu esperei.

— A aliança de casamento da sua mãe.

Porra, UGH!

Eu joguei meu braço e fui para a cozinha. Eu queria destruir algo. Quebrar um prato. Soltar um taco de beisebol nessa porra de casa nojenta.

Ele me seguiu enquanto eu jogava as garrafas no lixo. — Sabe, não faria mal nenhum ter um pouco de compaixão por sua irmã — ele disse às minhas costas. — O vício é uma doença. E uma mãe merece ver seu filho.

Eu me virei para ele. — Eu tenho compaixão. É por isso que estou fazendo tudo ao meu alcance para colocá-la em tratamento. E se você a amasse, você estaria ajudando. Ela precisa de limites, pai. Tem que haver consequências. E se você não dá a ela, então você é parte do problema.

Ele aperta sua mandíbula.

Dei minhas costas para ele e comecei a lavar a louça com raiva. — Você sabe, apenas uma vez eu quero ser a única a desmoronar. Estou tão cansada de limpar a bagunça de todo mundo.

A porta da garagem da cozinha se abriu. Brent entrou.

Ele morava com seu namorado, Joel, e sua família na casa do outro lado da rua. Ele provavelmente viu meu carro na garagem e precisava de algo, como de costume. Deus sabe que nenhum de nós jamais veio a este inferno só porque quis.

— Então, a princesa voltou — ele brincou.

Eu olhei para ele. — Você está no gelo fino, Brent. Não me teste. E você tem muita coragem me bloqueando de um telefone que eu pago, a propósito.

Ele fez uma careta ao redor da cozinha e passou a mão coberta pelo suéter sobre o nariz. — Ugh, este lugar cheira tão mal. Enfim, eu queria falar com você...

Eu zombei. — Claro que sim. Para qual esquema de pirâmide você quer dinheiro desta vez?

Ele soltou um bufo indignado. — Primeiro de tudo, não é um esquema de pirâmide. É um negócio real e posso ser meu próprio patrão. Só preciso de um investimento inicial para construir meu estoque.

— Excelente. Outro MLM12. Ainda melhor. — Eu bati um prato no escorredor. — Eu não vou te dar um centavo, Brent. Você tem um diploma em administração. Obtenha. UM TRABALHO. De verdade.

— Não fui feito para a força de trabalho tradicional, Vanessa, você sabe disso! Odeio todo mundo, o serviço de alimentação é nojento e não fui feito para o trabalho manual — lamentou.

Papai estava em algum lugar atrás de mim. — Seu irmão é um empresário iniciante e tudo o que ele está pedindo é um pouco de dinheiro inicial.

— Oh, sim? Então você dá a ele.

— Esta família cuida uns dos outros — disse papai, sem se incomodar. — É o que fazemos. Cuidei de você e de sua irmã quando sua mãe morreu. Annabel e você cuidaram de Melanie, e agora você está cuidando de nós. É o jeito dos Price. Se não temos um ao outro, o que mais temos?

— Você cuidou de nós? — Eu ri indignada. — É assim que você chama?

— Olhe para você. Você ficou ótima! — ele gritou atrás de mim.

Eu bati outro prato com raiva no escorredor. — Como você ousa chamar sua paternidade de ‘defender-se’ de outra coisa senão o que era. Sem dinheiro, nossas roupas cheiravam a mofo, então éramos maltratadas na escola, nada além de comida vencida na despensa. Você trazendo para casa um sofá mofado que encontrou no meio-fio, então tivemos percevejos em casa e passamos a Páscoa na casa dos pais de Joel enquanto você fumigava...

Brent olhou para suas unhas. — Aquele sofá era muito nojento...

— Isso foi há quase quinze anos — disse papai. — Por quanto tempo vocês dois vão falar daquele sofá - que era um lindo vitoriano que só precisava de um pequeno estofamento, se você quiser saber. E as datas de validade são mitos. Eles só querem que você compre comida de que não precisa.

— Quem são eles? Supermercado grande? — Brent disse sarcasticamente.

Eu bufei.

— Eu te ensinei desenvoltura — papai continuou. — É uma habilidade indispensável para a vida, e você é bem-vinda por isso, aliás. Você deve tudo o que tem à maneira como eu a criei e você me vê dirigindo um Kia usado. É um insulto. E, francamente, isso faz você ficar mal. O pai de uma personalidade famosa da Internet deve estar em algo distinto. Talvez um Lexus. Ou aquele novo Classe C...

Eu zombei. — O carro já era. Você pode usar o Uber para onde precisar ir de agora em diante. E você limpa esta casa e muda as fechaduras, ou eu paro de pagar as contas. Você pode descobrir por conta própria.

E então meu queixo começou a tremer, porque como diabos essa família iria continuar quando eu tivesse partido?

Eu era a fita adesiva. A única coisa que mantinha essa unidade de merda unida.

Se eu partisse, papai teria que se levantar e cuidar de Grace, e eu tinha apenas a mínima fé de que ele sobreviveria por aquela bebê. Eu nem mesmo a traria aqui para visitar, muito menos viver. Ele estava uma bagunça que provavelmente morreria sob uma avalanche de lixo na cova, e eles não encontrariam seu corpo até que os vizinhos reclamassem do cheiro. Annabel acabaria tendo uma overdose tentando persegui-la do alto, e ela nunca voltaria por Grace, e Brent gastaria sua herança em algum esquema para enriquecimento rápido e estaria quebrado e morrendo de fome antes que meu corpo esfriasse.

Achei que tinha cerca de um ano. Mais um ano se minha mão significasse o que eu pensava que significava. E então estaria morta e enterrada, e esse show de merda continuaria sem mim, sem ninguém para contê-lo e todos eles sofreriam horrivelmente até o dia em que morressem.

Um soluço explodiu de minha boca e me virei e deslizei para baixo na máquina de lavar louça até que estava sentada no chão imundo, chorando em minhas mãos. E o pior de tudo é que eu não conseguia sentir as pontas dos meus dedos enquanto fazia isso.

Eu podia ouvir papai vindo me consolar porque o linóleo estava tão pegajoso que seus sapatos faziam ruídos de fita adesiva quando ele pisava, e isso só me fez chorar mais.

Era como se toda a família Price estivesse caminhando para a extinção. Genes defeituosos, condições predispostas e a porra da Lei de Murphy.

E pobre Grace. Uma mãe viciada, um avô narcisista, um tio iludido e uma guardiã moribunda.

Eu chorei, perdendo completamente o controle, e papai colocou um braço em volta de mim. — Por que você está chorando, docinho? A vida é boa! Annabel vai ficar bem, e Grace tem você para cuidar dela.

Eu chorei mais alto.

Eu não poderia contar a ele sobre minha mão. Eu não poderia contar a nenhum deles. Papai iria se desmanchar completamente - nem que fosse apenas para fazer isso sobre si mesmo. Brent entraria em modo dramático e quem sabe o que isso faria com minha irmã.

Deus. Alguém deveria simplesmente adotar Grace. Fechar a adoção e fugir com ela. Um belo casal que iria estragá-la, colocá-la em divertidos acampamentos sleepaway, e comprar-lhe um pônei, e ela ia crescer sem nunca saber do lixo de família da qual surgiu porque nada disso nunca vai mudar.

Brent sussurrou de onde ainda estava perto da porta da garagem. — OK, então, tipo, você sabe que eu quero te confortar, certo? Mas eu não estou me sentando nesse chão.

Eu ri e chorei.

Limpei os olhos na manga da minha camisa, respirando fundo, estremecendo, desejando me acalmar. Como de costume, eu não podia me dar ao luxo de um colapso adequado.

Eu provavelmente me beneficiaria com alguma terapia. Talvez outro grupo de suporte online, pelo menos. Mas de que adiantava tentar me consertar quando provavelmente nem existiria em doze meses?

— Então, onde você acha que ela está? — murmurei, colocando minhas palmas nas minhas pálpebras.

— Ela me mandou uma mensagem esta manhã — disse Brent como se isso o irritasse. — Ela está bem.

— Você conhece Annabel — papai disse com desdém. — Ela sempre cai em pé.

Brent zombou. — Ela se parece mais com uma barata do que com um gato — murmurou.

Senti papai se virar para olhar para ele. — Essa é sua irmã, meu jovem.

— O quê? Eu não estou sendo mau! Só estou dizendo que ela é indestrutível. Uma bomba nuclear poderia explodir e lá estaria Annabel, correndo pelas ruínas ilesa, ainda usando o lenço Burberry que ela roubou de mim, enquanto insistia que ela não o viu. — Ele cruzou os braços. — Estou com saudade daquele lenço — acrescentou.

Soltei um suspiro longo e cansado. — Eu denunciei o carro roubado. Para minha sorte, estava com um advogado de defesa criminal quando os policiais apareceram. — Limpei meus olhos com a palma da mão. — Sabe, essas coisas são de domínio público, pai. Isso pode prejudicar minha imagem. Você tem que ter mais cuidado.

— O cara gostoso do corredor? — perguntou Brent.

Eu balancei a cabeça com cansaço.

— Um cara bonito — disse papai. — Bom trabalho também. Os advogados ganham dinheiro — acrescentou. — Seria bom ter um advogado na família.

Eu bufei baixinho. Quão conveniente.

Papai e eu não tínhamos o tipo de relacionamento em que a opinião dele sobre os homens com quem namorei importasse um grama para mim. Não que eu estivesse namorando Adrian ou viesse a namorar. Esse homem não queria nada com a minha bagunça quente. E isso só me deu vontade de chorar também.

Eu gostava dele. Ele era tããão meu tipo. Se as coisas fossem diferentes, se ele estivesse mesmo remotamente interessado e eu não estivesse olhando para a minha data de validade, eu pularia naquele corpo como um trampolim.

A própria ideia do que Adrian provavelmente pensava de tudo isso me fez estremecer. Era como se todos os dias algo humilhante tivesse que acontecer comigo na frente dele, só porque o universo precisava de uma boa risada. Eu dei outra risada sufocada e chorei e coloquei minha testa nos joelhos.

Eu precisava tornar essa família independente. Eu tinha que fazer. Eu não podia mais permitir essa irresponsabilidade. Logo eu não estaria aqui para ajudá-los a limpar. Mas eu não sabia o que fazer. Eu não poderia ajudar Annabel a menos que ela quisesse se ajudar. Brent estava decidido a perseguir arco-íris. E papai…

Eu esperava que a intervenção da cidade tivesse sido um alerta. Ele foi multado e colocado em liberdade condicional de seis meses pelo estado desordenado do quintal. Eu sei que ele se sentiu humilhado por isso. Mas ele não parava de colecionar coisas. Tinha mudado de algum tipo de frugalidade profunda para outra coisa. Ele estava acumulando lixo. Algumas das coisas em que ele se agarrou eram literalmente lixo. E ele estava trazendo mais rápido do que eu poderia tirar.

Eu funguei e coloquei minha testa em minha mão. — Vá tomar um banho. Estamos indo para uma reunião do Nar-Anon13. Brent, você também.

Eles não discutiram. Provavelmente porque eles sabiam que se quisessem que eu continuasse pagando pelas coisas, eles teriam que pelo menos parecer estar cooperando.

Segui papai até a sala e dei a ele dois Aleve14 da minha bolsa. Teríamos que conseguir outra receita - e um cofre para colocá-la. Ele também precisaria de um novo telefone.

Quando a água do chuveiro começou, fiz uma rápida limpeza na casa. Fiz Brent usar o aspirador enquanto eu arrumava. Joguei uma carga de roupa na máquina de lavar. Não era nem um centésimo do que precisava ser feito, mas era um começo.

Meia hora depois, papai saiu do chuveiro e desceu o corredor vestido e limpo enquanto eu ligava a máquina de lavar louça.

— Podemos ir almoçar no Perkins? — ele perguntou, levantando as mangas do suéter.

Suspirei. Papai era um homem bonito. Ele usava uma camisa de botão branca sob o colete com decote em V e tinha feito a barba. Ele estava de óculos. Ele parecia o tipo de cara que ficava sentado em uma cadeira de couro perto do fogo, folheando um romance. Ele parecia um cavalheiro educado e sofisticado que era ridiculamente inteligente e charmoso demais para seu próprio bem - o que, na verdade, ele era.

Às vezes eu pensava que a inteligência de papai era o motivo de ele ser assim. Ele era muito inteligente para ser completamente ignorante, hiper consciente de tudo ao seu redor, absorvendo o mundo como uma esponja. Ele poderia ter sido qualquer coisa. Um médico. Um cientista. Contador, como costumava ser.

Em vez disso, ele era isso.

Eu não conseguia pensar em nenhum lugar onde eu preferisse comer menos do que um Perkins.

E eu o levei lá de qualquer maneira.

Eu estive fora por quase cinco horas. Eram 2:00 quando voltei. Eu verifiquei Grace meia dúzia de vezes enquanto estava fora. Adrian continuou me garantindo que ela estava bem e não tinha pressa. Quando finalmente voltei ao apartamento dele, bati na porta e Adrian me chamou de dentro.

Ele estava na pia da cozinha, abrindo a torneira. Ele estava com a pasta aberta na mesa da cozinha e alguns papéis espalhados como se ele estivesse tentando fazer algum trabalho. Eu me sentia ainda pior agora por roubar metade do seu dia de folga com minhas besteiras. Ele provavelmente tinha coisas para fazer.

— Ei — falei, fechando a porta atrás de mim. — Como ela ficou? — Eu olhei para o balanço de Grace, mas estava vazio.

— Bem, até cerca de vinte minutos atrás — respondeu, olhando para o que quer que estivesse lavando. — Ela tinha uma fralda muito ruim.

Dei a volta no balcão da cozinha e vi que ele tinha Grace na pia.

Ele estava dando banho nela.

Meu coração derreteu.

Ele tinha uma toalha enrolada na pia para apoiá-la e uma toalha molhada estava enrolada no balcão. Ele a estava enxaguando com uma xícara. Ele tirou o xampu de bebê para viagem da bolsa de fraldas e estava meio vazio.

Ele enxugou a testa com as costas da mão. — Foi direto nas costas dela. Estava até em seu cabelo. Eu não sabia que eles podiam fazer isso. Quase joguei o bebê inteiro fora e comecei de novo.

Uma risada explodiu de minha boca e a cobri com a mão. — Sinto muito, não é engraçado. Eu não deveria estar rindo.

Ele sorriu por cima da pia. — Tudo bem. Você me prometeu aventura e emoção hoje. — Ele acenou com a cabeça para um saco de lixo no chão. — Seu pijama sujo está aí. Eu ia lavá-lo.

Eu me movi ao lado dele e arregacei minhas mangas. — Deixe-me ajudá-lo. Ela pode ser muito escorregadia quando está molhada. — Meu braço pressionou o dele enquanto me inclinei sobre a pia com ele.

Ele cheirava bem. Muito bom.

Pensei em como ele ficou tão perto de mim antes na frente do policial Sanchez e meu coração acelerou um pouco.

Já fazia muito tempo que eu não fazia sexo. Eu não namorava, mas não me opus a uma aventura ocasional de uma noite. Mas, à medida que ficava mais famosa, isso ficava mais difícil de fazer. Eu conhecia homens e eles sabiam quem eu era e então isso só tornava as coisas estranhas. Eu tinha medo de que eles contassem alguma história de sexo tórrida sobre mim online ou tirassem fotos minhas enquanto eu estava dormindo e as vendessem. Nada suga o romance de uma situação como um NDA.

Minha fama foi me isolando. Era quase tão isolador quanto minhas próprias razões para estar sozinha.

E então me ocorreu que a última vez que fiz sexo pode ter sido a minha última vez.

Soltei uma lufada de ar quando essa percepção tomou conta de mim. Se eu estivesse realmente doente, muitas das coisas que fazia, talvez estivesse fazendo pela última vez. Talvez eu tivesse acabado de ter meu último Dia de Ação de Graças. Este seria meu último Natal. Depois, meu último Ano Novo. Esta pode até ser a última vez ombro a ombro com um homem atraente.

Obriguei-me a parar de pensar nisso. Para fazer o que sempre fiz - encontrar gratidão no que consegui, em vez de ficar pensando no que perdi.

Adrian me distraiu e me ajudou quando precisei. Ele me deu aquele vídeo, conteúdo para meu canal, para que eu pudesse continuar ganhando dinheiro com pesquisas sobre ELA. E agora tive a chance de conhecê-lo, algo que nunca imaginei que faria. Alguns dias atrás éramos estranhos. Todas as coisas pelas quais eu poderia ser grata.

Mas eu me senti afundando ainda mais.

Talvez fosse tudo me atingindo de uma vez e eu simplesmente não conseguia me recuperar como sempre fazia. Minha mão se manifestando e o que provavelmente significava. Pai, Brent, Annabel. Exaustão, o anel da mamãe.

Havia algo de assustador em pensar que poderia estar perdendo minha resiliência. Que eu poderia finalmente estar atingindo meu limite de quanta tragédia e desespero eu poderia suportar.

A recuperação rápida era meu mecanismo de enfrentamento. Eu me recuperei em tempo recorde da devastação. Eu era uma otimista com o copo meio cheio. Uma pessoa inerentemente positiva. Era coisa minha. Eu vivi a vida ao máximo, vivi cada dia como se fosse o último.

Mas hoje? Hoje tirou algo de mim. E o estranho é que acho que tem mais a ver com Adrian do que qualquer outra coisa.

Eu estava acostumada com a instabilidade de Annabel e as besteiras de papai e Brent. Eu estava até acostumada com a ideia de que estaria morta aos trinta. Mas eu não estava acostumada com isso.

Ele.

Adrian foi um daqueles marcos que eu nunca alcançaria. Talvez não exatamente ele. Ele estava desinteressado e indisponível. Mas a ideia dele. Um homem por quem eu poderia me apaixonar.

Eu nunca teria marido. Eu nunca teria minha própria família. Inferno, eu nunca mais teria um namorado de novo.

ELA tirou isso de mim, como tinha tirado tantas outras coisas. Era mais do que apenas um ladrão de vidas. Isso roubou a esperança. Dignidade. Sonhos. E demoraria até que não houvesse mais nada.

Nem mesmo eu.

Minha respiração saiu instável. — Para alguém que nunca lavou um bebê antes, você fez certo — falei, tentando afastar a sensação sombria que sentia por estar tão perto dele.

— Eu tive que ligar para minha mãe. Eu nem sabia por onde começar.

Eu ri de novo, mas não atingiu meus olhos.

Ele derramou um último copo d'água sobre os ombros de Grace e eu a levantei com a toalha.

Ele puxou o plugue do ralo enquanto eu aconchegava meu bebê molhado, beijando sua bochecha. Uma onda de proteção tomou conta de mim. Porque para todos os efeitos, agora ela realmente era meu bebê.

Crianças nunca estiveram em meu plano. Eu tive meus tubos amarrados alguns anos atrás. Como eles não sabiam qual gene causava a ELA em minha família, eu não poderia fazer fertilização in vitro seletiva para descartá-la. E enquanto eu estava muito feliz por ter nascido, mesmo com meus riscos, e muitas pessoas na minha situação optaram por ter filhos de qualquer maneira, eu me recusei a jogar roleta russa genética com meus próprios filhos por princípio.

Eu não daria a ELA mais uma vítima. Já havia custado o suficiente da família Price. Eu não precisava colocar outro possível sacrifício a seus pés.

Havia outras opções. Uma doadora de óvulos ou adoção. Mas nunca considerei isso porque não tinha certeza de que estaria lá para criar um filho. E essa era a mesma situação que eu estava enfrentando agora. Eu também não poderia criar Grace.

Mesmo se eu quisesse.

Eu queria acreditar que tudo ficaria bem. Que Annabel ficaria limpa, como ela ficou limpa antes. Que ela voltaria por sua filha. Mas não tinha tempo para ter fé. Não mais. Não podia apostar nisso e perder.

Eu precisava de um plano de longo prazo para essa garotinha e precisava executá-lo agora, enquanto ainda podia.

— Você conhece um bom advogado especializado em adoções? — perguntei.

Adrian se apoiou no balcão da cozinha, secando as mãos em uma toalha. — Eu conheço alguém. Você está pensando em adotá-la?

Não podia contar a verdade a ele. Ele não precisava saber disso. Eu nem queria saber disso, que eu teria que desistir dela, encontrar uma família diferente para ela. A dor em meu coração borbulhou e eu a engoli. — Eu só acho que ela precisa de estabilidade, sabe?

— Sua irmã vai assinar os direitos dela?

Eu balancei minha cabeça. — Não sei.

Adrian largou a toalha no balcão. — Se ela não renunciar a seus direitos, você sempre pode jogar dinheiro nisso. Ofereça a ela um incentivo. Isso geralmente funciona. — Ele cruzou os braços. — Você acertou tudo com sua família?

Soltei um longo suspiro. — Tipo isso. Annabel bateu com o carro. Roubou, então uma boa notícia, você não cometeu perjúrio para a polícia. Ela roubou o telefone e o dinheiro do meu pai e a aliança do casamento da minha mãe... — eu engasguei com a última palavra. Eu não pude evitar. Eu não esperava e não pude conter. Mordi meu lábio e me virei para a sala de estar. — Sinto muito — consegui dizer. — Ainda está se instalando.

Eu tinha uma regra. Eu não me demorava nas coisas. Não era permitido, não importava o que fosse. A vida era muito curta. Mas isto doeu.

O anel da mamãe era uma das poucas heranças de família com que me importava. Eu tinha tão pouco da minha mãe.

E agora isso também se foi.

— Você registrou um boletim de ocorrência? — ele perguntou atrás de mim.

Assenti, deitando Grace no sofá para colocar uma fralda nela. Engoli em seco antes de falar. Eu não queria chorar na frente dele. — Sim, mas o diamante é pequeno. A coisa toda chega a menos de mil dólares. Eles não se esforçarão muito. Tem uma inscrição kismet, então acho que não é totalmente impossível, mas eles provavelmente nunca vão encontrar. — Eu funguei. — É o que é. Está bem. Era apenas sentimental, só isso.

Ele veio por trás de mim e me entregou a pequena roupa que havia escolhido para Grace. Peguei sem olhar para ele.

— Você perdeu sua mãe?

Eu concordei. — Sim. Quando eu tinha seis anos. Acidente de carro. — Eu coloquei o pijama pela cabeça de Grace.

— Sua irmã é nove anos mais nova que você. Meia-irmã?

— Com a segunda esposa do meu pai. Essa é a mãe de Brent também.

— E onde ela está?

Terminei de abotoar a roupa e peguei Grace. — O humanamente mais distante possível de nós. E eu nem mesmo a culpo — eu murmurei. Eu me virei para ele e enxuguei meus olhos. — Desculpe-me por ter tirado tanto do seu dia. Obrigada por cuidar dela. Eu estarei fora daqui em um minuto.

— Você quer se juntar a mim para jantar?

A pergunta me pegou tão de surpresa que tive que parar e olhar para ele. Ele estava sentado em uma cadeira. Ele estava com os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos cruzadas, olhando para mim.

— Você quer jantar comigo? — perguntei, piscando para ele.

— Sim.

— Você não está cansado da minha merda ainda? Ou a merda dela? — Eu balancei a cabeça para Grace.

Ele deu uma risadinha. — Não, não estou.

Ele não estava dando em cima de mim. Isso era totalmente platônico. Mas eu gostava dele e me permitir passar mais tempo com alguém por quem pudesse desenvolver sentimentos não era do meu interesse - ou dele. Ele não tinha ideia no que estava se metendo. Minha vida era como um depósito com um daqueles sinais de ESTES MUITOS DIAS DESDE O ÚLTIMO ACIDENTE, e o número estava sempre em zero.

Lambi meus lábios. — Aproximar-se de alguém agora não é uma boa ideia para mim.

— Por quê? — ele perguntou.

Soltei um suspiro. — Adrian, minha vida está uma bagunça. É uma bagunça. Você não tem ideia. Meu mundo inteiro é como uma colina lamacenta de merda, e se você chegar muito perto, vai deslizar para baixo comigo.

— Porque você tem problemas de família? Não existe família perfeita. Existem famílias que fazem melhor RP do que a sua.

O canto do meu lábio se contraiu.

— Gosto de estar com você — disse ele. — E eu preciso assistir mais de “The Office”. Ainda não estou dando em cima de você, se é isso que a preocupa.

Bem, pelo menos havia isso. Deus.

Minha merda de vida. Imagine o cara gostoso, inteligente e incrível que não está dando em cima de você como o cenário preferido.

— Vou fazer pernil de cordeiro — disse ele.

Eu enruguei minha testa. — Eu pensei que você disse que não cozinha.

— Eu posso ter falado um pouco errado. Não gosto de cozinhar só para mim. Não vale a pena. Mas eu gosto muito de cozinhar para outra pessoa. Especialmente alguém que vai gostar.

Eu mordi meu lábio. — Não sei. Tenho que lavar roupa e, se comer com você, só vou fazer isso esta noite. A lavanderia fica lotada depois das oito.

Ele encolheu os ombros. — Faça aqui. Eu tenho uma lavadora e secadora.

Eu arqueei uma sobrancelha. — Você tem? Mesmo?

— Meu apartamento é muito maior que o seu, lembra? Faça quantas cargas você quiser.

— Tem certeza?

— Tenho certeza.

Eu sorri. — Você está tornando muito difícil de dizer não.

— Isso é o que ela disse.

Eu bufei. — Ha! Humor de escritório. Eu já mudei você para melhor. Tudo bem. Deixe-me ir tomar um banho. Acabei de limpar uma casa que deveria ter sido condenada — eu disse, olhando para minhas roupas.

Ele se levantou e estendeu a mão para Grace. — Vou segurá-la.

Eu inclinei minha cabeça. — Mesmo?

Ele sorriu para Grace de uma forma que fez meu coração doer. — Sim, eu não me importo. Vou deixar a porta destrancada. Volte quando estiver pronta.

Eu me arrumei. Eu me arrumei mais do que ele já me viu. Não porque esse fosse um encontro, obviamente, mas porque ter um lugar para ir e me vestir era um luxo que eu não tinha há semanas. Eu geralmente era apenas versões diferentes de rolar para fora da cama nos dias de hoje. Além disso, minha apresentação pessoal tinha que ser igual ao prato. O homem estava fazendo pernil de cordeiro.

Vesti um suéter rosa desleixado e jeans, enrolei o cabelo e fiz minha maquiagem. Quando entrei em seu apartamento uma hora depois, música clássica estava tocando. Harry Puppins estava enrolado em sua fralda, dormindo em sua cama de cachorro perto do sofá. Grace estava sentada em seu balanço na entrada da cozinha, onde Adrian podia vê-la.

Adrian acendeu o fogo e ficou na cozinha com uma espátula sobre uma frigideira de cobre, um pano de prato preto pendurado no ombro. Ele estava vestindo jeans, um avental branco e um suéter cor de vinho com as mangas arregaçadas. A coisa toda parecia uma página de um maldito catálogo Williams-Sonoma.

Deve haver um desequilíbrio no universo. Algum pobre coitado provavelmente foi vendido para que Adrian Copeland pudesse obter sua parcela desproporcional de boa aparência.

— Ei — falei, trazendo um cesto de roupa suja e uma garrafa de vinho.

Toda a minha correspondência de fãs estava na porta, cuidadosamente organizada e em caixas de banco.

— Pedi a Becky que levasse as doações para o Exército de Salvação por você — disse Adrian por cima do ombro. — Espero que você esteja com fome.

— Morrendo de fome.

O lugar tinha um cheiro incrível.

Ele acenou com a cabeça para o corredor. — A lavanderia é a segunda porta à esquerda.

— Obrigada — eu disse. — Posso te ajudar com alguma coisa primeiro?

Ele olhou para mim pela primeira vez desde que entrei e parei um segundo. — Não. Eu tenho isso. — Seus olhos demoraram mais um momento e então ele voltou para sua cozinha.

Eu sorri para mim mesma. Ele acabou de me verificar.

Era bom saber que talvez a atração não fosse unilateral. Não para fins práticos, é claro. Nada iria acontecer entre nós. Mas fez maravilhas para minha autoestima.

Eu parei e verifiquei Grace. Ela estava assistindo Adrian cozinhar com a chupeta na boca, os olhos arregalados. Enrolei seu cobertor em torno dela, peguei minha cesta e vaguei pelo corredor.

O apartamento tinha três quartos. O principal estava à direita da sala, onde compartilhava minha parede. Essa porta estava fechada.

Em seguida, havia a cozinha, uma bela sala de jantar aberta no meio com uma mesa para seis pessoas, e o corredor que eu estava vagando para a esquerda. Eu espiei os cômodos enquanto entrava.

Um quarto vago era um escritório com aparência de advogado, com uma estante de cerejeira do chão ao teto atrás da mesa. Ele transformou o outro quarto em uma impressionante academia doméstica. Havia um banheiro completo entre eles e, finalmente, uma lavanderia de tamanho decente.

Todo o apartamento estava imaculado. Nada estava fora do lugar. Ele era meticuloso. Até a lavanderia era organizada e impecável. Todos os seus detergentes e amaciante estavam alinhados em uma fileira perfeita em cima da máquina de lavar.

As paredes do apartamento eram cinzas frias com acabamento branco. Ele tinha pisos de madeira escura, exceto no banheiro. Era uma espécie de pedra tipo ardósia. Era tudo muito frio e masculino.

Ele precisava de plantas e velas.

Comecei a carregar e voltei para a cozinha. — Deus, seu apartamento é palaciano.

Espiei por cima do braço para ver o que ele estava cozinhando. Ele estava refogando batatas com um pouco de alecrim em uma frigideira. O cheiro era tão bom que meu estômago roncou.

— Por que não compra uma unidade maior? — ele perguntou. — Parece que você pode pagar. Obviamente, você tem muito sucesso.

Eu coloquei minhas costas no balcão ao lado do fogão e me inclinei. — Eu doo a maior parte do meu dinheiro. É por isso que vivo com pouco. Eu guardo apenas o que preciso – mais um pouco para que eu possa me divertir. E para o vinho — acrescentei.

Ele derramou um pouco de Merlot na frigideira com um chiado. — Certo, eu li isso na sua Wikipedia. Você doa para a pesquisa de ELA.

Então ele estava pesquisando sobre mim.

O que significava que ele sabia.

Ele poderia assistir a qualquer um dos meus vídeos e obter uma ideia geral do que eu fazia. Falei abertamente sobre tudo isso: minha chance de 50 por cento de ter os genes mutantes que causam a ELA. Minha incapacidade de testá-los. Meu desejo de não procurar tratamento se estivesse doente. Estava tudo lá. Talvez não despejado em um único episódio, mas espalhado generosamente ao redor. Sem mencionar todos os artigos sobre mim e minha página da Wikipedia. Se ele fizesse o mínimo de diligência jurídica, o que parece que ele fez, ele teria uma imagem cristalina de como era a minha vida.

E agora eu podia ver para onde essa conversa estava indo, e eu precisava parar. Eu não queria entrar em uma discussão casual sobre meu possível diagnóstico terminal. Eu queria aproveitar esse jantar.

Eu queria esquecer a morte rastejando em minhas mãos.

Coloquei meu cabelo atrás da orelha. — Posso te pedir um favor?

Ele olhou para mim. Olhos verdes lindos e quentes.

— Eu não quero falar sobre... nada que você aprendeu no meu canal. Nunca. É só... estar perto de você parece uma pausa. Tipo, você não é minha família maluca e não faz parte do mundo YouTuber ou do lado ELA da minha vida, e eu gosto disso.

Ele segurou meus olhos por um momento. — Claro — falou. — Isso tem sido um pouco como uma fuga da realidade para mim também. Entendo. — Ele deu uma virada impressionante de suas batatas. — Então, que vinho você trouxe? — ele perguntou.

Eu sorri e peguei a garrafa e estendi para ele ver.

— Legal — ele disse, sorrindo para o rótulo. — Você o estava guardando? É um ótimo ano.

— Eu nunca guardo nada — eu disse, agarrando o abridor de garrafa no balcão. — Eu gosto das coisas o mais rápido possível. Eu queimo a vela cara, uso o sabonete chique em forma de rosa e bebo o vinho, mesmo que a única coisa que esteja comemorando seja o fato de ser terça-feira.

Ele desligou o queimador. — Bem, estou feliz por você fazer isso. Eu definitivamente aprecio isso. Aqui, deixe-me. — Ele pegou o abridor de garrafa de mim, que eu estava mexendo, e abriu o vinho. Então ele pegou dois copos de um armário, serviu e entregou-me um.

— Obrigada. — Eu agitei o líquido e coloquei meu nariz no copo e respirei fundo. — Se você gosta tanto de vinho, deveria visitar a Toscana. Você já esteve lá? — Olhei em volta de seu apartamento em busca de quadros. — Onde estão suas fotos de férias? Elas estão no seu laptop ou algo assim? — Eu coloquei o polegar por cima do ombro. — Porque se você tem um álbum de fotos de backup, vou precisar vê-lo para procurar as fotos do pau.

Ele bufou. — Eu não tenho um álbum de backup. Eu não tiro férias.

Eu pisquei para ele. — Nunca?

— Eu dirigi para LA por uma semana há alguns anos, mas estava lá para uma conferência de trabalho.

— Então isso é tudo que você faz? Trabalhos?

— Bastante.

Eu o encarei por um momento. — Por quê? 

Ele deu de ombros, encostado no balcão. — Não é fácil tirar uma folga. A firma precisa de mim. Eu sou um parceiro. E não me importo com o trabalho. O dinheiro é bom.

— Você precisa disso? — perguntei.

— O quê?

— O dinheiro. Você precisa disso. Tipo, há algum objetivo para o qual você está trabalhando? Pagar seus empréstimos estudantis, sair das dívidas? Economizando para algo grande?

Ele balançou sua cabeça. — Não. Eu não tenho nenhum empréstimo. Mamãe pagou minha faculdade. E a renda desse prédio é decente. Eu só trabalho para ter um trabalho mesmo, eu acho.

Havia algo um pouco tenso na maneira como ele disse isso.

— O quê? — indaguei.

Ele desviou o olhar de mim. — Não sei…

— O quê? Diga-me.

Seus olhos voltaram para os meus. — Eu gosto do que faço. É gratificante. É gratificante. Só não é... — Ele balançou a cabeça e pressionou os lábios em uma linha. — Eu simplesmente não consigo evitar a sensação de que algo está faltando. Talvez porque eu acabei de terminar com alguém. — Ele esfregou a testa. — Provavelmente é isso.

Eu derrubei minha taça de vinho para ele. — Você sofre da Síndrome de Um Dia.

Ele franziu as sobrancelhas. — O que?

— Síndrome de um dia. Você vive sua vida como se sempre houvesse um dia para fazer todas as coisas que você adiou. Um dia você fará a viagem. Um dia você terá a família. Um dia você tentará a coisa. Você só trabalha e não se diverte o suficiente. O dinheiro não pode te fazer feliz a menos que você saiba o que quer, Adrian. Então o que você quer?

Ele balançou a cabeça para mim como se nunca tivesse considerado a pergunta antes. — Não sei.

— Você deveria tentar descobrir isso. Sabe, você tem muita sorte. A maioria das pessoas não tem como viver de maneira diferente ou fazer mudanças drásticas em seu estilo de vida, fazer as malas e tirar seis meses de folga do trabalho e ainda conseguir pagar suas contas. Mas você pode. — Dei de ombros. — Então faça.

Ele parecia divertido. — Apenas faça? Basta fazer as malas e ir embora.

— Ou fique. Mas reserve tempo para outras coisas que não funcionam. Encontre o equilíbrio. Encontre alegria. Você é o tipo de homem que não consegue ver as formas nas nuvens. E não é porque lhe falta imaginação. É porque você está muito ocupado para olhar para cima.

Ele piscou para mim por um momento. Algo que não consegui ler passou por seu rosto. Então ele limpou a garganta e se empurrou para fora do balcão. — Bem, a Itália pode ser um exagero — disse ele, pegando as batatas. — Eu não voo, lembra?

Grace começou a se agitar e eu a soltei do balanço e a peguei. — Você está falando sério sobre essa coisa de não voar, hein? — falei, embalando-a.

Ele deslizou o conteúdo da frigideira para um prato à espera. — Eu tenho ataques de pânico.

Eu fiz uma careta. — Bem, isso é uma merda. Você já experimentou o Xanax?

Ele colocou a panela na pia e jogou água sobre ela com um chiado. — Eu tentei de tudo.

— Terapia?

Ele balançou sua cabeça. — Eu recebo bastante psicanálise da minha mãe. Ela acha que é porque não estou no controle da situação. Eu provavelmente ficaria bem se fosse eu quem pilotasse o avião. — Ele tirou a toalha do ombro e enxugou as mãos. — Ela diz que tenho problemas de abandono. — Ele parecia divertido. — Meu pai nos deixou quando eu era jovem. Ela diz que isso se tornou uma necessidade profunda de estar sempre no controle.

— Huh. Sua mãe é psicóloga?

Ele deu uma risadinha. — Não. Embora ela provavelmente já tenha estado em um número suficiente deles para saber.

— Então, como seus problemas de abandono atrapalham seus relacionamentos? — perguntei, colocando a chupeta de Grace em sua boca.

Ele abriu o forno e espiou dentro. — O que você quer dizer?

— Os danos de sua infância sempre atrapalham seus relacionamentos. Eu acho que é uma regra.

Eu conhecia essa regra porque estava totalmente sujeita a ela. E no meu caso, isso significava que eu não tinha relacionamentos.

Aprendi desde cedo que o amor sempre era carente. Era uma responsabilidade. Uma obrigação. O amor sangra você e tira vantagem de você. Pede dinheiro, bate seu carro, deixa um bebê cair na sua porta.

Ele te abandona.

Ele morre.

Eu não queria fazer isso com mais ninguém. Eu não queria que ninguém se apaixonasse por mim apenas para me ver definhar e depois deixá-lo para trás. E de qualquer maneira, eu não valia tudo isso. Não neste momento. O pagamento era muito pequeno. Eu provavelmente tinha muito pouco tempo sobrando.

Ele baixou a temperatura do forno. — Além de tornar difícil ir a Seattle para vê-la, não acho que meus problemas tenham qualquer relação com Rachel.

— Então, você teve algum relacionamento sério antes dela? — perguntei.

Adrian dobrou o pano de prato em um quadrado perfeito e o colocou no balcão. — Uns poucos. Eu namorei alguém na faculdade por alguns anos. Algumas namoradas entrando e saindo. Meu trabalho torna difícil arranjar tempo. Ela foi a primeira namorada que tive em... três anos?

Eu puxei meu rosto para trás. — Uau. Ela deve ter sido muito especial.

Ele soltou um suspiro, mas não respondeu.

Eu senti meu rosto amolecer. — Você está bem? Descobrir que alguém é casado é uma maneira realmente ruim de terminar.

Ele assentiu. — Estou bem. Ou eu estarei. Eventualmente. Ter alguém com quem passar um tempo ajuda.

Eu sorri e beijei o topo da cabeça de Grace. — Devíamos brindar. — Peguei minha taça de vinho e a levantei. — Apenas amigos.

Ele me deu um sorriso torto. — Apenas amigos.

Nós batemos nossos copos.

CAPÍTULO 9

CAPÍTULO 9

HOMEM PRESO EM UMA AVALANCHE HORRÍVEL! VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR NO QUE O ENTERROU!

Adrian

Acordei pensando na Vanessa.

Era incrível para mim não a ter conhecido antes disso. Que não sabia que alguém tão vibrante morava na casa ao lado. Parecia o tipo de coisa que seria evidente. Um calor que sentiria através da parede.

Na noite anterior, ela trouxe um cabernet Far Niente 2013. Foi primoroso. Jantamos e começamos a assistir “The Office”, mas acabamos conversando tanto que paramos e nunca mais voltamos a ver.

Eu fiz algumas pesquisas sobre ela enquanto estava lidando com seu pai e seu veículo roubado. Pesquisei Vanessa Price e cliquei no vídeo com mais visualizações. Foi com outro YouTuber chamado Willow Shea e o vídeo era os dois comendo pimenta fantasma. Foi hilário.

Então eu verifiquei sua Wikipedia. Era breve. Ela era uma defensora ferrenha dos direitos das pessoas com deficiência e tinha uma instituição de caridade comprometida em arrecadar fundos para a cura da ELA - e ela era famosa, um fato que descobri com a quantidade de cartas de fãs que ela tinha e os cinco milhões de visualizações da pimenta fantasma no vídeo que eu assisti.

Eu esperava ver como costumava ser seu antigo emprego, mas a página da Wikipedia era esparsa.

Ela disse que não namorava porque as mulheres de sua família morriam jovens.

Sua mãe morreu em um acidente de carro e sua irmã morreu de ELA. Eu fiz uma pesquisa rápida no Google sobre isso. Era uma doença neurodegenerativa progressiva que afetava as células nervosas do cérebro e da medula espinhal. Causava atrofia muscular e, eventualmente, levava à morte. Levantar dinheiro para ELA gerou o Desafio do Balde de Gelo alguns anos atrás. Stephen Hawking teve uma versão que avançou lentamente.

Era muito horrível e muito raro. Noventa e cinco por cento de todos os casos eram aleatórios, o que significava que provavelmente não era hereditário para ela. Seu pai estava vivo e bem e, embora sua mãe tivesse morrido quando Vanessa era jovem, não foi ELA que a matou. A Wikipedia não listou nenhum outro parente dela que o tivesse. Merda de sorte que sua irmã a desenvolveu, mas não parecia nada com que Vanessa tivesse que se preocupar.

Com duas mortes prematuras na mesma família e uma irmã decidida a se autodestruir, Vanessa provavelmente pensou que estava vivendo algum filme do “Destino Final” na vida real.

Claro, isso era ridículo e algo que acho que ela acabaria por superar. Algo que eu esperava que superasse. Ela era incrível demais para ficar sozinha para sempre.

E ela estava certa. Eu subestimei a natureza restauradora de uma nova esponja de pia.

Eu estava na cozinha fazendo um cappuccino. Eram apenas 8h15. Eu não tinha planos para hoje e estava pensando em entrar na esteira quando meu telefone tocou.

O telefone da casa de Richard.

Meu bom humor evaporou imediatamente.

Quando liguei para mamãe ontem para perguntar como limpar Grace após o fiasco das fraldas, ela pensou que eu estava ligando para dizer que iria para o Natal. Ela ficou surpresa por eu estar cuidando do bebê de alguém. Ela ficou menos surpresa por eu ainda continuar firme e me recusar a estar em qualquer lugar na presença de Richard.

Atendi, pensando que seria outro telefonema de culpa dela.

Era pior. Era a vovó.

— Adrian? — ela disse, em sua voz pequena e frágil. — A que horas você vai me levar para almoçar hoje?

Eu puxei minhas sobrancelhas para baixo. — Vovó, não vou ver você hoje.

— Mas é terça-feira! Você sempre me leva para o Perkins na terça-feira.

Não era terça-feira. Era domingo. E eu nunca a levei para almoçar. O jantar era nossa tradição.

Ela estava confusa novamente.

Esfreguei minha testa com cansaço. — Vovó, você está em Nebraska agora, lembra?

Ela ficou quieta e eu soube que ela estava fazendo aquilo que fazia quando sua mente dava volta, puxando suas sobrancelhas finas e procurando o chão com os olhos.

Era mais difícil se conectar com ela ao telefone. Ela estava menos desorientada pessoalmente. Eu realmente não tinha falado com ela desde a mudança. Toda vez que eu ligava, ela perdia a linha de pensamento ou esquecia com quem estava falando, desligava o telefone e ia embora.

Isso me deixou muito mais irritado porque minha mãe a afastou de tudo que era familiar, e meu ódio por Richard subiu um nível.

Eu ouvi alguém ao fundo. — Com quem você está falando? — Ruído, e então mamãe pegou o telefone. — Quem é?

— Mãe, sou eu — falei, cansado.

— Adrian? Não ouvi o telefone tocar.

— Ela me ligou.

Agora ela ficou quieta comigo também.

— Ela tem perguntado sobre você — ela disse depois de um momento.

Eu apertei minhas têmporas.

— Ela não entende por que você não está aqui — disse ela. — E eu não posso explicar para ela.

— Bem, talvez você não devesse tê-la movido para fora do estado — falei, meu tom mais cortante do que eu pretendia.

— Eu tenho uma vida, Adrian. Mesmo se você não quiser fazer parte disso.

Qualquer trégua com a qual tivéssemos nos comprometido no telefone ontem, quando liguei para perguntar como lavar Grace, estava oficialmente encerrada.

— Estou devolvendo o telefone para Adrian para que você possa se despedir — disse ela secamente, obviamente cansada de mim.

Houve mais confusão e então a vovó voltou à chamada. — Adrian?

— Vó, eu te amo. Eu tenho que ir, OK? — Minha voz estava ficando grossa.

— OK. Você fica fora de problemas. Eu te vejo em breve. Tchau, tchau.

Desliguei e fechei os olhos com força, soltando um longo suspiro.

Eu estava claramente no meio de uma batalha pela custódia e a única maneira de conseguir visitação era concordando em fazer as pazes com Richard e ir até lá - o que eu nunca faria.

Eu me senti instantaneamente exausto e como se estivesse sendo punido por ter princípios.

Voltei a fazer meu café. O telefone tocou novamente e eu olhei para ele, meio que esperando que fosse a vovó. Desta vez era Vanessa. Sorri para a tela e pressionei o botão para atender chamada. — Ei.

— Adrian, preciso de ajuda. Isto é uma emergência.

Larguei minha xícara de café e imediatamente me dirigi para a porta. — O que está acontecendo?

— Eu preciso que você vá comigo para a casa do meu pai.

Parei com a mão na maçaneta da porta. — Do seu pai?

— Tipo, não é uma coisa de chamar a polícia, mas é definitivamente urgente, e eu preciso de alguém forte para me ajudar. Minha mão está muito fraca, ninguém está na casa de Brent e não conheço mais ninguém.

— OK. Deixe-me me vestir — falei, indo direto para o meu quarto.

— Não use nada que você ficará triste em molhar na gasolina e incendiar mais tarde.

Vanessa deixou Grace com Senhorita Yoga - cujo nome verdadeiro era Dawn. Eu dirigi.

— O que aconteceu? — perguntei, entrando na rodovia.

Ela estava torcendo as mãos. — Algumas coisas caíram e ele ficou encurralado.

Eu me sacudi para olhar para ela. — Encurralado? Como embaixo?

Ela acenou com a cabeça. — Sim, mas são apenas suas pernas. Ele foi capaz de me ligar. Ele não está em perigo imediato. Eu não acho que ele está ferido nem nada. Ele simplesmente não consegue sair sozinho.

Eu balancei minha cabeça. — E você não queria ligar para o 911? Eles teriam chegado lá mais rápido.

— Não posso chamar a polícia para aquela casa. Eles vão marcá-la com uma etiqueta vermelha.

Eu puxei minhas sobrancelhas para baixo. — Etiqueta vermelha? O que há de errado com ela?

Ela soltou um longo suspiro. — Lembra que eu te contei sobre a colina lamacenta de merda ontem? E você foi todo arrogante e quis ser meu amigo de qualquer maneira?

Eu mudei de faixa. — Sim…

— Bem, este é o deslizamento.

Quinze minutos depois, paramos em uma casa de dois andares em Eagan. Vanessa saltou, correu pela passarela e entrou sem esperar por mim. Quando cheguei atrás dela, parei na porta.

O cheiro me atingiu como uma parede.

Entrei lentamente respirando em meu cotovelo. Eu nunca tinha visto nada parecido. Não na vida real.

Pilhas do chão ao teto, até onde a vista alcançava. Merda literalmente em todo lugar. Cada superfície plana tinha uma pilha.

A poltrona na sala de estar estava completamente coberta com algum tipo de coleção de revistas/jornais empilhada tão alto que bloqueava a luz da janela. Havia um liquidificador quebrado no aparador cheio de tampas de garrafa ao lado de uma cabaça apodrecida com moscas de fruta zumbindo ao redor. Caixas por toda parte, forrando as paredes com Deus sabe o quê, a borda de um pneu, uma caixa cheia de molduras quebradas, uma daquelas cestas de vime brancas usadas para flores em casamentos na década de 1980 com um tanque de hélio rosa amassado dentro.

Havia um método caótico para algumas das loucuras. Certas coisas pareciam estar agrupadas. Uma pilha de jogos de tabuleiro empilhados em uma cadeira, uma coleção de CDs. Mas ao redor havia lixo e comida em decomposição. Bijuterias e aparelhos quebrados e inúteis.

Vanessa me chamou de algum lugar mais profundo na casa e eu escolhi meu caminho por cima da desordem no chão até um corredor que estava tão cheio de coisas que eu tive que virar de lado para me espremer por ele. Vanessa estava em uma sala no final, tentando levantar um armário caído de uma pilha de roupas.

— Entendi — falei, levantando-o e encostando-o na parede. Só depois de movê-lo é que percebi que havia um homem embaixo dele.

Vanessa já estava tirando o pai de dentro de camisas e calças. — Pai, você está bem? — ela perguntou, puxando-o de pé.

Ele escovou o suéter, uma meia ainda pendurada no ombro. — Tudo bem, tudo bem, abóbora. Coloquei um pouco de roupa suja em uma gaveta aberta e deve ter pesado demais. Desabou em mim. Mas tinha uma pequena almofada bonita para o outono.

Vanessa olhou para mim com uma expressão cansada no rosto. — Obrigada por ajudar.

O pai dela me deu um largo sorriso de vendedor de carros usados. — Não fomos apresentados formalmente — disse ele, estendendo a mão. — Gerald Price.

Eu estava me sentindo enjoado. Meus olhos começaram a lacrimejar. — Adrian Copeland — eu consegui dizer, cumprimentando-o.

Gerald colocou as mãos nos bolsos e balançou-se jovialmente sobre os calcanhares. — Então, Vanessa me disse que você é advogado.

Ele sorriu para mim como se nada estivesse errado. Como se eu não tivesse acabado de tirar uma cômoda dele e estivéssemos correndo um para o outro em uma Panera15 ou algo assim.

Eu não poderia ter uma conversa fiada com ele aqui, parado nesta pilha de lixo. Eu estava tendo dificuldade para respirar. Não apenas por causa do cheiro, mas porque a sala estava tão cheia de lixo que estava me deixando ansioso. O chão sob meus pés era irregular. Eu estava de pé sobre cobertores e meias enroladas e minha cabeça estava muito perto do teto. Eu me senti claustrofóbico.

— Desculpem-me, Desculpem-me. Eu preciso sair.

Eu os deixei parados lá. Não parei de me mover até estar do lado de fora novamente na varanda, respirando ar fresco.

Como diabos Vanessa cresceu nisso? Eu não diria que minha própria infância foi sem traumas, mas isso me deu vontade de ligar para minha mãe e agradecê-la.

Três minutos depois, eu ainda estava na varanda da frente quando Vanessa saiu e se sentou ao meu lado no banco desgastado que eu havia recuado perto da porta de tela.

Eu balancei minha cabeça. — Uau.

Ela zombou. — Eu prefiro uma palavra de quatro letras, mas com certeza.

Eu olhei para ela. — Desculpe-me, eu não quis ser rude lá atrás. Eu só precisava tomar um pouco de ar.

Ela suspirou. — É opressor, eu sei. Especialmente quando você não está acostumado.

— Você está acostumada com isso?

— Estou acostumada a muita merda. — Ela riu um pouco sem alegria. — Eu encontrei um guaxinim morando em um dos armários uma vez. Quando você percebe que está a uma janela aberta e um banheiro lotado de viver com os pandas do lixo, toda a segunda metade da sua vida começa.

Eu ri, embora não tenha sido engraçado.

Ela cutucou meu braço. — Então, você ainda acredita naquela coisa de ‘outras famílias apenas fazem melhor RP’?

Eu bufei e balancei minha cabeça para o quintal. — Ele sempre foi assim?

Ela respirou fundo e soprou no ar frio. — Bastante. Mas, honestamente, isso é o pior que já existiu — ela admitiu. — Fica pior a cada vez que algo grande acontece. Mãe, Melanie. Annabel. Acho que é a maneira dele de lidar com isso.

Ela enfiou a mão na gola da camisa e tirou um tubo amarelo de Carmex16.

Eu apertei os olhos para ela. — Você acabou de tirar isso do sutiã? — perguntei, observando ela colocá-lo.

— Sim. Leggings não têm bolsos. Além disso, ele fica frio e não sai do tubo, a menos que eu o mantenha em algum lugar quente. Eu chamo isso de meu pau no peito. — Ela estalou os lábios. — Quer um pouco? — Ela o estendeu.

— Não. Eu não curto o gosto dessas coisas.

— Sim, é meio nojento. Mas isso deixa seus lábios super macios. — Ela apertou os lábios novamente e colocou o tubo de volta no sutiã.

Baixei meus olhos para sua boca por um segundo. Seus lábios eram macios de olhar...

Eu desviei o olhar dela.

Um carro parou na garagem da casa do outro lado da rua.

— Oh, então agora ele está em casa — ela murmurou.

— Quem?

Ela esfregou as mãos nos braços. — Brent. Ele mora lá com o namorado, Joel.

— Quantos anos tem o seu irmão?

— Vinte e um. Joel também. Eles são namorados de escola. Ele mora lá desde os quinze anos.

Eu arqueei uma sobrancelha. — Seu pai deixou?

Ela encolheu os ombros. — Ele estava lá o tempo todo de qualquer maneira. Era do outro lado da rua. E papai ainda o fazia voltar para casa para jantar todas as noites e feriados. Era uma espécie de ganha-ganha. Brent saiu desta casa, e papai teve que colocar merda no quarto. — Ela riu secamente. — A família de Joel é legal. Brent está em um bom lugar ali. Ele tem o maior potencial de todos nós para acabar um pouco ileso por esta família fodida — ela murmurou.

Vimos Brent sair do lado do passageiro. Ele parou e olhou para nós por um segundo antes de acenar. Em seguida, foi até o porta-malas, pegou algumas sacolas de supermercado e entrou em casa com outro jovem.

— Então, o que ele faz para viver? — perguntei.

Ela zombou. — Perde dinheiro? Ele era um estudante. Ele foi para a faculdade para negócios, mas se formou na primavera passada. Recusa-se absolutamente a conseguir um emprego. Ele sempre tem um lado desastroso no qual ele é muito aficionado.

— Como o quê?

— Oh, Deus, suplementos de ervas, produtos para a pele - você escolhe. Para ser justa, eu gostei das leggings embora. — Ela soprou em suas mãos. — No momento, ele está tentando me fazer investir em algum negócio que deseja abrir. Não estou interessada.

— Por que ele simplesmente não vai ao banco? Obter um empréstimo?

Ela apertou os lábios em uma linha. — Não pode. Seu crédito está fodido. Todo o nosso crédito está ferrado. Quando Melanie adoeceu, quase perdemos tudo. As contas médicas eram astronômicas e o seguro não cobria nem a metade delas. Papai teve que pedir falência. Estávamos vivendo com cartões de crédito no final.

Ela se levantou. — Você quer me esperar no carro? É dia de lixo depois de amanhã. Já que pago pelo serviço, acho que posso encher o lixo. Eu percebo que é um esforço inútil neste momento, mas pelo menos é alguma coisa.

Eu empurrei meus joelhos. — Vou te ajudar.

Ela parou na porta. — Tem certeza disso? Provavelmente há pelo menos uma das hepatites aí.

— Se você está pegando uma das heps, eu vou pegar também — murmurei.

Ela riu e isso fez seus olhos piscarem e eu me senti instantaneamente feliz por ter oferecido.

Eu não queria voltar lá, mas ela também não. E eu queria ajudá-la. Mesmo que o que estivéssemos fazendo fosse inútil, fazê-la se sentir menos sozinha não era.

Gerald estava de pé na cozinha quando voltamos para dentro, soprando uma caneca de sopa. — Ele retornou — ele murmurou.

Vanessa olhou para ele enquanto tirava alguns sacos de lixo de debaixo da pia. Ela empurrou um em seu peito. — Ajude.

Ele olhou para ela. — Ajudar com o quê? O que, por favor, diga, você acha que está jogando fora, filha?

— Lixo — disse ela. — E você também.

— Não há lixo aqui. Tudo nesta casa tem um propósito.

Ela pegou um vaso quebrado. — Oh, sim? E qual é o propósito disso? — Ela o sacudiu.

— Assim que eu encontrar os cacos que faltam, vou colá-los de volta — disse ele, completamente sério.

Ela soltou um suspiro lento e paciente e colocou o vaso no balcão com um tilintar. — Pai? Sério, esta casa não está bem. Eu entendo que isso é difícil, mas preciso que você trabalhe comigo. Temos três sacos. Esses sacos vão ser enchidos e retirados. Você consegue fazer isso.

Ele franziu a testa. Então ele se virou para mim. — Quais são suas intenções com minha filha?

— Pai! Foco! — Vanessa retrucou.

Eu levantei minhas mãos. — Estou aqui apenas para ajudar.

Ele estreitou os olhos para mim e Vanessa bufou. — Três sacos. Você faz o andar de cima — ela disse, empurrando o saco de lixo em seu peito novamente.

Gerald me lançou um último olhar estreito e baixou sua caneca. Então ele agarrou a sacola e subiu a escada, resmungando para si mesmo.

Vanessa o observou ir embora e se virou para mim, soprando ar pelos lábios franzidos. — Então, você quer ver uma coisa? — Ela sorriu.

Dei de ombros. — Certo.

Ela me levou de volta pelo corredor estreito e abriu uma porta. A sala estava cheia de bicicletas. Cheia. Elas estavam empilhadas uma em cima da outra em uma espécie de cemitério macabro de bicicletas. Bicicletas de montanha com aros tortos, bicicletas de pneus largos com rasteiras, bicicletas de crianças enferrujadas com as rodinhas ainda presas.

— Este era o meu quarto — disse ela. — Eu costumava dormir ali embaixo daquela com as borlas e a cesta. Antes das bicicletas — acrescentou.

Ela não disse isso com qualquer tipo de arrependimento em seu tom. Ela estava apenas me mostrando. Como se ela pudesse separar o que era agora do que costumava ser, sem ficar triste.

Acho que isso foi uma das coisas mais impressionantes sobre ela. Especialmente agora que vi o outro lado disso. Ela não deixou que nada a derrubasse. Ela levou as coisas como um golpe em um saco de pancadas. Ela foi empurrada para trás, mas então ela se levantou novamente. Tão resistente.

Eu não era assim. Eu não conseguia deixar as coisas passarem.

Eu cruzei meus braços e me inclinei na porta. — O Serviço de Proteção à Criança alguma vez esteve envolvido?

Vanessa balançou a cabeça, apoiando as costas no batente da porta. — Quer dizer, eles foram chamados. Mas nas poucas vezes, ele fez uma defesa na última hora, deixou a casa habitável novamente e nós conseguimos ficar. Era a única coisa que realmente vi o atingir. — Ela olhou para mim. — Papai bagunçou um monte de coisas, mas sempre conseguiu manter a família unida. A família é o mais importante para ele. Mesmo que ele tenha uma maneira estranha de mostrar isso — ela murmurou.

Eu olhei de volta para a quarto. Eu estava ficando imune para o cheiro da casa, graças a Deus.

Ainda havia coisas dela nas paredes, meio cobertas pelo monte crescente de bicicletas. Provas de uma vida abandonada. Cartazes das Pussycat Dolls, o espelho de uma penteadeira com fotos coladas, uma fita azul de primeiro lugar.

Eu me perguntei como deve ter sido crescer em um lugar como este. Não deve ter sido fácil. Vanessa deve ter ressuscitado das cinzas como uma fênix.

— Devemos começar — disse ela. Ela voltou para a cozinha e eu a segui. Ela começou a jogar lixo no caminho. — Só para você saber, ele vai lutar contra mim em cada coisa. Ele vai vasculhar os sacos, então certifique-se de que seu lixo é legítimo.

— Lixo legítimo. Entendi. — Peguei um saco de batatas fritas amassado e um contêiner de comida chinesa engordurado. — Há alguma correspondência aqui — eu disse, acenando com a cabeça na mesa final. — Devemos fazer uma pilha? Parece que isso é para sua irmã.

Ela estava olhando para uma torradeira com um fio puído. — Sim. Obrigada. — Ela a enfiou no saco.

A torradeira era preocupante. Este lugar era um enorme risco de incêndio. As saídas estavam bloqueadas, o fogão estava todo sujo. Aposto que os alarmes de fumaça não funcionavam, e não havia como ele encontrar um extintor nesta bagunça. Isso era perigoso. Não gostei da ideia de Grace estar aqui. De jeito nenhum.

— Annabel morava aqui com a bebê?

Vanessa balançou a cabeça. — Não, nunca com a bebê. Ela tinha alguns colegas de quarto em uma casa em Hopkins. Quando ela começou a usar novamente, eles a expulsaram e ela ficou aqui por algumas semanas. Não tenho ideia de onde ela dormiu. Seu antigo quarto está cheio de peças de carro.

Eu vaguei pela sala de estar, deixando coisas tão obviamente lixo que me fez estremecer. Encontrei mais correspondência e adicionei à pilha. Então mais. E mais. Parecia que ele a pegava da caixa de correio e depois a colocava em algum lugar da sala de estar e esquecia. — Há muito correio aqui. Você disse que paga as contas, certo?

— Sim. Eu recebo todas as coisas importantes, são enviadas para o meu apartamento. — Ela fez uma careta para um aquário de plástico com um tomate podre dentro. Ela olhou para mim por cima. — Aposto que quando você acordou hoje de manhã não conseguia imaginar quantas vezes estaria murmurando ‘Que porra é essa?’ por volta das dez.

Eu bufei.

Ela examinou a sala de estar e suspirou. — Sabe, geralmente não sou humilhada com tanta frequência na frente da mesma pessoa. Este é um novo recorde pessoal para mim.

— Você não deveria ter vergonha disso. Não é sua culpa — falei.

— Onde está a pilha de correspondência? — Vanessa perguntou, acenando com um envelope branco. — Encontrei outra.

Eu balancei a cabeça para a mesa final perto do sofá e ela caminhou até ela. Ela parou em cima da pilha que eu já havia começado e pegou a primeira. Os cantos de seus lábios caíram. Então ela a abriu e ficou lá lendo, sua carranca se aprofundando.

— O que é? — perguntei.

Ela balançou a cabeça e olhou da página para a pilha de cartas. — Oh, meu Deus... — ela respirou. — É muito pior do que eu pensava.

Eu coloquei meu saco de lixo no chão. — O quê? — Limpei o espaço entre nós e peguei o papel da mão dela.

Era uma conta para Annabel de uma visita ao pronto-socorro.

Olhei para a pilha, peguei metade dos envelopes e os folheei. Devia haver vinte, vinte e cinco contas diferentes aqui. Clínicas, cuidados urgentes, hospitais.

Vanessa olhou para mim com o rosto branco. — Ela estava procurando drogas. Fingindo ferimentos para conseguir medicamentos prescritos. — Ela fez uma pausa. — E ela estava fazendo isso enquanto estava grávida.

Vanessa ficou quieta durante todo o caminho para casa. Quando entramos na garagem e desliguei o motor, ela ficou sentada por um momento, olhando direto pelo para-brisa.

— Olha — falei. — Houve apenas uma consulta clínica durante a gravidez. E não sabemos se ela tomou os comprimidos que lhe receitaram.

Ela balançou a cabeça. — Não entendo como um médico pode dar um narcótico a uma mulher grávida.

— Responsabilidade. Os médicos não podem provar ou refutar a dor. Se eles negarem seu controle da dor, eles podem ser processados.

Ela respirou fundo e girou para me encarar no assento. — Você quer ir para Duluth hoje?

Eu enruguei minha testa. — O quê?

— Duluth. Você sabe, duas horas para o Norte? Poderíamos ir ver as luzes de Natal em Bentleyville e fazer uma caminhada no lago.

Eu suguei o ar pelos meus dentes. — Não sei…

— O quê?

— Por que não ficamos aqui? Posso fazer o almoço para nós.

Ela sorriu. — Oh, eu vejo. Você quer estar comigo, mas você não faz espontaneidade.

— Eu posso ser espontâneo — eu disse defensivamente.

Ela sorriu. — Oh, sim? Quando foi a última vez que você fez algo que não foi totalmente planejado? E as coisas dentro do seu prédio não contam. Esse ainda é o seu espaço seguro.

— Bem, salvei um homem de uma avalanche hoje.

Ela riu. Foi bom ver o humor voltar ao seu rosto.

— Não conta — disse ela, ainda sorrindo. — Você é um consertador, então a emergência de hoje foi totalmente em sua casa do leme. Estou falando de uma coisa divertidamente genuína, repentina e espontânea.

Eu não tinha nada.

Como essa mulher conseguiu me ler tão bem?

Quando eu não respondi, ela inclinou a cabeça. — Isso foi o que eu pensei. Você prospera na previsibilidade. — Ela estreitou os olhos. — Aposto que é por isso que você gosta do trabalho que tem.

— O que você quer dizer?

— Você gosta de estar no controle. E que melhor maneira de se sentir o mestre do destino do que vencer todas as adversidades com tudo contra você? Transforme os culpados em homens inocentes.

Eu refleti sobre isso. — Nunca pensei nisso dessa forma.

— Você não é tão difícil de descobrir, Adrian Copeland. Até seus hobbies são planejados. Você participa de corridas para as quais treina por meses, trabalha, trabalha, trabalha - você é uma criatura de hábitos. Um maníaco por controle total. Sua maldita gaveta de lixo está organizada.

Eu arqueei uma sobrancelha. — Você olhou na minha gaveta de lixo?

— Procurava uma colher para o meu café. Eu não estava preparada para ver isso. Seus clipes de papel eram todos coordenados por cores, e você tinha um pequeno caddie para as baterias soltas... — Ela estremeceu. — Eu nem posso falar sobre isso. Isso realmente me assustou.

Eu bufei.

— Eu prometo a você, você não vai implodir se fizer algo que não planejou hoje. — Ela sorriu para mim. — Venha comigo. Vai ser uma aventura. E tem um restaurante italiano no Lago Superior e juro por Deus, é a melhor comida italiana em Minnesota.

Vindo dela, este era um grande elogio.

— Não consigo me lembrar da última vez que fui para o Norte — eu disse um tanto distante. — Papai costumava me levar, mas eu não faço isso há muito tempo.

— Você está perdendo. O North Shore é ridiculamente lindo. Então. Duluth. Nós vamos?

Ela esperou que eu respondesse como um cachorrinho abanando o rabo.

— OK. Mas estou dirigindo.

Ela bateu palmas com entusiasmo. — Yay!

Eu sorri. Percebi que fazer o que ela queria me deixava um pouco excitado. Ela era uma espécie de impulsionador do humor para mim - mesmo quando tudo o que estávamos fazendo era catar o lixo em uma casa acumulada.

Eu gostava dela.

E isso me deixou um pouco alto também.

CAPÍTULO 10

CAPÍTULO 10

COMO ENCONTRAR O QUE VOCÊ ESTÁ PERDENDO USANDO ESTE TRUQUE ESQUISITO!

Adrian

Entrei em meu escritório na manhã de segunda-feira, depois de uma visita ao tribunal, sentindo como se meu fim de semana de dois dias tivesse sido um período de férias de seis meses. Apesar da quantidade de merda real que agora lidava a cada hora, eu estava sorrindo.

Eu passei o fim de semana inteiro com Vanessa. Não tínhamos voltado de Duluth até quase meia-noite ontem.

Tínhamos embrulhado a bebê e caminhado através das luzes de Natal em Bentleyville, uma vila ao ar livre completamente enfeitada para o feriado. Comprado chocolate quente e jantado no Lago Superior - e Vanessa estava certa. Era a melhor comida italiana em Minnesota.

Eu tive um bom tempo. Um ótimo momento. Eu não conseguia me lembrar de quando tinha gostado tanto de um encontro - não que tivesse sido um encontro. Não foi, claro. Mas não pude deixar de reconhecer que não me divertia tanto com alguém há anos.

Vanessa me fez rir. Ela me fez esquecer. De tudo, exceto o que estávamos fazendo naquele momento. Parecia um descanso para minha alma. Eu estava vivendo sob a pressão constante do trabalho, de mamãe e Richard e agora esse rompimento com Rachel, e de repente eu estava distraído e me divertindo e todos aqueles estressores foram desligados. Agora eles estavam mais maçantes de alguma forma. Eles importavam menos. E eu me perguntei se isso é o que Vanessa quis dizer sobre sempre ter algo pelo qual ansiar. Apenas, a única coisa que eu parecia estar ansiando era ela.

Não de forma inadequada. Eu só queria ver o que ela faria a seguir. Era como se eu tivesse encontrado um novo restaurante legal e o menu nunca mais fosse o mesmo e eu quisesse continuar voltando para ver o que eles estavam servindo.

Becky ficou parada na porta do meu escritório esperando por mim como fazia todas as manhãs, segurando meu café e com aquele olhar inquiridor que ela me dava ultimamente, tentando discernir meu humor.

— Você, tipo, foi se bronzear ou algo assim? — disse ela, entregando-me meu cappuccino. — Você parece mais brilhante.

Dei a volta na minha mesa, me sentei e abri minha pasta para puxar o arquivo Keller. — Não — falei, ignorando seus olhos estreitos. — O que está em minha programação para o dia?

— Você tem uma consulta às dez, almoço com Marcus às onze e quinze para revisar o caso Keller e o resto do seu dia é livre. — Ela olhou em volta. — Hum, onde está o cachorro? Você se lembra que tem um, certo?

— Com toda a merda que ele faz? Como eu poderia esquecer. — Eu loguei na minha área de trabalho.

— Você apenas o deixou em casa? Ele não pode ficar no apartamento o dia todo sozinho, ele vai se sentir solitário.

— Ele tem o demônio com que está possuído para lhe fazer companhia.

Ela fez uma careta para mim.

Tentei não a deixar ver meu sorriso. — Ele está com um amigo. Vou mantê-lo até que ele seja adotado. — Eu não olhei para cima para ver o sorriso triunfante que sabia que ela estava me dando.

Vanessa gostava de Harry. Ela pediu para cuidar dele enquanto eu estava no trabalho e eu concordei alegremente.

Eu entrei no meu e-mail. — Eu preciso que você ligue para Sonja Duggar para ver se ela está disponível. Posso ter um trabalho de tempo integral para ela. E não coloque nada na minha agenda depois do almoço. Estou saindo cedo de novo. Vou terminar de ouvir as fitas do Buller em casa.

Becky não falou para me dar sua opinião sobre isso como normalmente faria. A silenciosa Becky era motivo de preocupação, e fui forçado a olhar para cima para ter certeza de que ela não tinha morrido onde estava.

Ela me encarou, boquiaberta. — Você vai para casa mais cedo? Novamente? 

Meu celular deu um ping e eu o peguei. Era um vídeo da Vanessa. Harry de fralda, rosnando para a perna de uma cadeira. Eu ri.

Quando ela pegou meu telefone outro dia, ela mudou minha tela de bloqueio para uma selfie de nós. Só percebi algumas horas depois.

Eu não tinha mudado de volta.

Ela estava usando aquele colar de cereal idiota e eu estava com aquela camisa de caranguejo Maryland e uma pulseira de bastão luminoso. Seu braço estava salpicado de adesivos. O bebê estava sorrindo e o cachorro estava com a língua de fora. Foi um tapa colorido e divertido de felicidade bem no meio do meu telefone preto e sério - e isso me fazia sorrir cada vez que olhava para ele.

— O que está acontecendo? — Becky exigiu. — Você está nas drogas?

Eu apertei os olhos para ela. — Não, eu não estou drogado. — Eu olhei de volta para o meu computador. — Tive um bom fim de semana.

— É uma garota? — Ela engasgou em suas mãos. — Oh, meu Deus, se for uma garota, é sério. Seu horóscopo hoje disse que sua alma gêmea está em seu meio!

Eu zombei. Tínhamos o mesmo signo, e o idiota que Becky estava namorando definitivamente não era a alma gêmea de ninguém, muito menos a dela.

Esperei um momento antes de responder, apenas para torturá-la.

Becky estava praticamente girando.

— Ela é uma vizinha — falei. — O nome dela é Vanessa e somos apenas amigos.

Ela gritou, obviamente ignorando a parte de apenas amigos. — Oh, meu Deus! OK, conte-me tudo. O que ela faz? Ela é bonita? — Então ela parou de pular e ficou séria. — Você não está agindo todo sombrio e tipo “Entrevista com o Vampiro” perto dela, certo?

Eu dei a ela uma olhada quando meu celular tocou. Era meu PI retornando minha mensagem.

— Ela é uma YouTuber. Ela é linda. E, novamente, somos apenas amigos — eu disse, apertando para atender a chamada e colocando o telefone no meu ouvido. — Aqui é Adrian.

— Tom Hillbrand aqui. Recebi sua mensagem.

Girei minha cadeira para dar as costas a Becky. — Obrigado por retornar minha ligação tão rapidamente. O anel foi roubado na sexta-feira. Um boletim de ocorrência foi apresentado ao departamento de polícia de Eagan por Vanessa Price. Você pode ter acesso a isso?

O vento veio através do telefone como se ele estivesse do lado de fora. — Não deve ser um problema. Algum recurso de identificação?

— Ela disse que tem uma inscrição dentro. ‘Kismet’.

— Bom. Facilita saber o que procuro. Quão forte você quer conseguir isso? Posso levar meus caras às lojas de penhores com bastante facilidade, mas se não estiver lá, caçar essa coisa pode ficar caro.

Eu alisei minha gravata. — O que for preciso. Tem valor sentimental. Apenas encontre.

— Tudo bem. Vou mantê-lo informado.

Eu encerrei a ligação.

Não contei a Vanessa o que estava tentando fazer. Eu não queria deixá-la esperançosa. Mas se alguém conseguiria encontrar essa coisa, seria Tom.

Virei de volta para encontrar Becky parada ali como uma estátua de mármore. Seu rosto ficou branco. — Você é o Jesus’s Abs — ela respirou.

Inclinei-me sobre minha mesa para pegar uma caneta. — O quê?

— Jesus's Abs — ela sussurrou. — Cara da van branca sem janelas. Eu não posso acreditar que isso está acontecendo...

— Você não pode acreditar no que está acontecendo? — perguntei, clicando na caneta.

— Este é o melhor dia da minha vida. Estou na presença de um herói.

Eu pairava sobre um bloco de notas. — Becky, vou lhe dar cinco segundos para me explicar do que está falando e depois vou precisar que você vá embora — eu disse.

— A garota com quem está saindo é Vanessa Price? Ela fala sobre você. Em seus vídeos. Seu abdômen é famoso!

Eu congelei. — O quê?

Ela já estava puxando o celular e digitando freneticamente na tela. Ela segurou seu telefone na minha frente. — VEJA.

O vídeo era Vanessa, sentada em seu banheiro, na manhã em que a conheci pelo traje que ela estava usando.

Eu assisti com olhos arregalados.

E então ela estava falando sobre mim.

CAPÍTULO 11

CAPÍTULO 11

FAÇA ESTE TESTE PARA VER

QUAL PERSONAGEM DE ESCRITÓRIO VOCÊ É!

Vanessa

Eram 2:30 da segunda-feira. Harry Puppins estava dormindo de fralda em sua cama de cachorro no meu banheiro. Eu estava com o carrinho de Grace e ia pegar minhas chaves para correr até a loja quando alguém bateu na minha porta. Abri para Adrian parado ali com uma sobrancelha erguida, apoiando um braço no batente da porta em seu terno, sua gravata afrouxada. — Jesus's Abs? — Ele sorriu.

Ele estava assistindo mais dos meus vídeos.

Eu sorri para ele e coloquei minhas mãos em um encolher de ombros. — Eu sou uma contadora de verdades.

Ele riu. Ele estava muito divertido com isso. Graças a Deus.

Mesmo que eu não tenha dado informações reveladoras sobre ele, eu não sabia se ser alimento para o meu canal poderia incomodá-lo. Claramente não.

E foi uma coisa boa que ele não ficou estranho por eu falar sobre ele, porque meus telespectadores o amavam.

Sem ser visto e mencionado uma vez, Adrian era, de longe, o tópico mais solicitado que eu já tive, exceto meu breve romance com Drake Lawless. Eles estavam implorando por atualizações.

Eu teria que fazer outro vlog, e logo.

Ele olhou além de mim para Grace em sua cadeirinha. — Você estava saindo?

Olhei por cima do ombro e voltei para ele. — Sim. Eu estava indo comprar uma árvore de Natal. — Eu pausei. — Bem, mais ou menos. Eu não posso arrastar uma árvore inteira aqui sozinha, então eu estava indo ao Whole Foods para ver se eles tinham uma pequena em um vaso ou algo assim. — Eu inclinei minha cabeça. — Por que você não tem uma árvore? É dezembro.

— Eu não preciso de uma árvore. Sou só eu.

Eu ri. — Então? É Natal. — Eu puxei a ponta de sua gravata. — Quer vir comigo?

Ele olhou para o corredor e voltou com um sorriso que alcançou seus olhos. — Bem, eu ia trocar o óleo da van branca sem janelas hoje, mas acho que poderia encaixar isso.

Eu bufei. — É melhor você não deixar essa coisa subir à sua cabeça. Tenho que falar sobre minha vida em meus vídeos, e você é ridiculamente atraente. Eu não sei o que você quer que eu faça sobre isso.

Ele sorriu e empurrou a porta. — Dê-me cinco minutos para me trocar.

Adrian insistiu que ele dirigisse novamente. Seu carro era um coupé BMW azul ardósia. Não cabia a cadeirinha do carro atrás, muito menos uma árvore de Natal. Nem mesmo um em um vaso. Então pegamos meu GMC Acádia.

Apesar de seus avisos de que dirigia muito rápido, ele estava sendo muito cuidadoso e atencioso com a bebê no carro.

Ele cheirava muito bem. Sua colônia ou o que quer que ele usasse era super fresca e ficou no carro. Eu estava respirando pelo nariz de propósito.

— Você sempre sai do trabalho tão cedo? — perguntei, enquanto parávamos em um sinal vermelho. — Você saiu no início da semana passada também.

— Não — disse ele, olhando para a estrada. — Eu geralmente trabalho até tarde. Eu não chego em casa antes da meia-noite às vezes. Saía mais cedo quando precisava levar minha avó ao médico, mas só isso.

— Você vai com sua avó ao médico?

— Eu costumava. Até outubro, quando ela ainda morava aqui.

Gah.

Este homem era incrível. Tipo, em todos os sentidos. A menos que ele tivesse um micropênis que o deixasse constrangido, eu não conseguia entender por que ele não estava no Tinder deixando as mulheres subirem nele como uma escada. Eu escalaria este homem, não importava o que ele tivesse em suas calças.

Talvez ele tenha um micropênis...

Talvez seja por isso que ele não enviou fotos de pau...

Talvez seja isso que ele quis dizer com choque e pavor...

Eu engasguei baixinho e deslizei meus olhos para seu colo.

— Minha assistente está obcecada por você — disse ele, interrompendo meus pensamentos.

Eu lancei meu olhar longe de sua virilha. — Ela não é de Monett, Missouri, é?

Ele riu.

Ele estava diferente esta tarde. Mais leve de alguma forma. Mais Mr. Bingley e menos Mr. Darcy.

— Você quase não está meditando hoje — eu disse. — Não sei o que fazer com isso.

Ele sorriu para a estrada. — Acho que é a esponja.

Puxei minhas pernas para cima e as cruzei sob mim no assento. — Sabe, tenho muitas ideias boas.

Ele entrou no estacionamento do Whole Foods. — Como o quê?

— Tipo, eu acho que você precisa de algumas almofadas, um cobertor de lã e uma planta na sua sala de estar. Seu apartamento é um pouco “Psicopata Americano”. Sempre que estou lá, sinto que você vai começar a falar comigo sobre Phil Collins.

— “Toque Invisível foi a obra-prima indiscutível do grupo” — citou, dando-me uma fala do filme.

Eu ri tanto que comecei a engasgar com minha saliva.

Ele entrou em uma vaga de estacionamento com um sorriso. — Não vou deixar você decorar meu apartamento.

Limpei meus olhos. — Não estou tentando decorar o seu apartamento — falei, colocando os dedos entre aspas. — Estou tentando melhorar sua qualidade de vida. Os arredores afetam o seu humor. — Eu balancei a cabeça através do para-brisa. — Há um Pottery Barn bem ali. Eu digo que devemos ir.

Ele riu, parando o carro. — OK. Vou fazer um acordo com você. Vou deixar você melhorar minha qualidade de vida com utensílios domésticos, desde que me diga o que costumava fazer antes de ser YouTuber.

Eu girei em meu assento para olhar para ele de frente. — Quatro almofadas, duas mantas, uma árvore de Natal e eu escolho uma peça central para a mesa da sala de jantar.

Algo como um advogado cintilou em seu rosto. — Duas almofadas, uma manta, uma poinsétia17 e concordamos com a peça central.

Eu estreitei meus olhos. — Não. Não está bom o suficiente. — Eu soltei o cinto e saí do carro.

— Essa é uma oferta extremamente generosa que meu cliente está lhe fazendo — disse ele, enquanto nós dois nos inclinávamos no banco de trás para agarrar Grace ao mesmo tempo. Eu o deixei levá-la e, em vez disso, peguei a bolsa de fraldas.

Nós nos encontramos nos fundos enquanto eu puxava o carrinho do porta-malas no ar frio do inverno. — O que eu costumava fazer para viver é epicamente irônico. Você vai adorar. Não estou desperdiçando em alguma tentativa estúpida de me acalmar. — Peguei o carrinho e ele prendeu a cadeirinha do carro nele. Comecei a empurrar Grace em direção às lojas.

— Acalmando você? — ele disse, acionando o alarme do carro e correndo ao meu lado com um sorriso.

— Poinsétias são venenosas. Você tem um cachorro e um bebê ao que parece — argumentei.

— Vou pegar uma falsa.

Eu empalideci e ele riu.

— Uma falsa - esse não é o objetivo deste exercício. Meu Deus, você é o Scrooge18 — falei, seguindo na calçada. — Eu preciso que você sinta o cheiro de pinho quando voltar para casa. É parte da coisa.

Ele abriu a porta da Pottery Barn para mim com uma lufada de ar quente com cheiro de canela. Entrei e me virei para encará-lo. — Aceito duas almofadas e uma manta — eu disse. — Mas eu escolho a peça central e você ganha uma árvore de Natal. Uma viva.

Ele colocou a mão no queixo como se estivesse pensando sobre isso. Ele fez uma pausa em sua reflexão falsa. — Você vai jantar comigo na minha casa esta noite? Porque não estou configurando nada disso sozinho. Você vem e ajuda ou não temos um acordo.

Eu zombei. — Quero dizer, sim, totalmente. Claro que estou indo. Que tipo de pergunta é essa? — Eu não o deixei ver, mas eu realmente gostei que perguntou isso.

Eu estava oficialmente em território de esmagamento. Não havia mais como negar. Eu gostava dele. Um monte.

Não pude fazer nada a respeito. Minhas regras de namoro eram minhas regras. Além disso, meus dias bons provavelmente estavam contados agora - e o número era baixo - e não era como se ele estivesse disponível de qualquer maneira. Ele não pensava em namoro, então provavelmente não teria feito nenhuma diferença, mesmo se eu pudesse tê-lo perseguido. Mas eu estava apaixonada por ele da mesma forma.

Ele sorriu. — OK. Nós temos um acordo.

Eu sorri, andando pela loja.

— Estou esperando — disse ele atrás de mim.

Parei em uma poltrona reclinável de couro e peguei uma almofada com Rudolph na frente que eu sabia que ele odiaria. Ele tinha um sino vermelho para o nariz. — Eu gosto desta — eu disse, balançando-a de forma que tilintasse. — O que você acha?

Ele a pegou da minha mão e a colocou de volta na cadeira onde estava. — Sua parte no acordo primeiro. — Ele cruzou os braços.

Eu torci meus lábios e sorri. — Eu era recepcionista de uma empresa de papel.

Seus braços caíram. — Oh, vamos lá. Como Pam Beesly do “The Office”? Aqui estava eu, pronto para comprar uma maldita árvore de Natal.

Eu olhei nos olhos dele. — Estou falando sério. Eu era.

Ele se afastou de mim em direção a utensílios de mesa.

Eu o segui, empurrando o carrinho. — Eu não estou inventando isso — eu disse às suas costas.

— O acordo está cancelado — disse ele por cima do ombro.

— Eu tenho a provaaaaa — cantei.

Ele parou em uma mesa com uma ceia de Natal arrumada e fingiu olhar para um anel de guardanapo, mas eu poderia dizer que ele estava esperando por mim. Eu apertei meu telefone e então acenei para ele. Ele olhou para cima e arqueou uma sobrancelha brincalhona para mim.

— Eles costumavam me chamar de Van Beesly — contei.

Ele bufou. — Excelente. Vou entreter momentaneamente esta farsa. — Ele estendeu a mão.

Eu bati meu telefone em sua palma. — Essa sou eu, três anos atrás. — Eu puxei o álbum chamado Work Christmas Party. — Chama-se Paper Waits Cards. Vendíamos cartões, convites, envelopes e papel artesanal. Eu trabalhava em seu escritório em Edina.

Ele passou pelas minhas fotos onde vestia roupa de trabalho casual. Em seguida, ergueu os olhos para os meus. — Van Beesly?

— Sim. E é melhor você não me chamar assim se quiser que eu responda.

Ele parecia não acreditar em mim.

— OK, você precisa de mais provas. Bem. — Peguei meu telefone dele. — Vou ligar para um velho colega de trabalho. Estou disposta a fazer o maior sacrifício porque acho que você precisa de uma árvore de Natal em sua vida e eu sou uma doadora. Eu dou. É o que eu faço. — Procurei em meus contatos, encontrei o número, apertei para ligar e coloquei a chamada no viva-voz. Segurei o telefone entre nós enquanto tocava, olhando para o rosto de Adrian. Alguém atendeu e uma voz masculina veio através da linha. — Van Beesly!

Eu desliguei. — Aí. Agora você acredita em mim?

Adrian acenou com a cabeça para o telefone. — Quem era esse?

— Não meu Jim Halpert, vou te dizer isso. — O telefone tocou na minha mão quando ele me ligou de volta. — Ele ficou obcecado por mim o tempo todo em que trabalhei lá e ele simplesmente parou de tentar deslizar para os meus DMs há seis meses. Eu apenas balancei o ninho de vespas. Para você. Você vê o quanto estou comprometida com este projeto?

Ele riu. — OK. Quais almofadas você quer?

Eu sorri triunfantemente.

Eu não o torturei muito. Eu escolhi duas almofadas de Natal sofisticadas e de muito bom gosto que diziam FELIZ NATAL e BOAS FESTAS e uma manta de lã vermelha com acabamento em pele sintética. Nós concordamos em uma peça central de pinho e bagas. E ele me deixou escolher uma coroa para o lado de dentro de sua porta. Mas só porque eu estava cuidando do cachorro de graça, disse ele.

Acho que secretamente gostou disso.

Pegamos para ele alguns enfeites, uma estrela, alguns fios de luz e uma saia de árvore.

Compramos tudo, abaixamos a terceira fileira do meu carro, arrumamos as coisas e depois fomos até a Whole Foods comprar mantimentos.

— Então, o que você quer para o jantar? — ele perguntou quando entramos pelas portas automáticas.

— Sopa — eu disse, empurrando o carrinho. — Podemos jogar tudo em uma panela para cozinhar enquanto montamos sua árvore.

— Sopa, então — falou, pegando um carrinho. — Que tipo?

— Hum... frango e arroz selvagem? É suficiente para o jantar.

Ele sorriu. — Concordo. Vamos pegar algumas tigelas de pão para colocá-la.

Eu saltei. — Vamos comprar uma casa de pão de gengibre para a sobremesa! Podemos decorá-la e depois comer o telhado.

Ele sorriu, entrando na seção de produtos hortifrutigranjeiros. — Alguém já te disse não?

Eu fingi pensar sobre isso. — Nunca.

— Ah, esqueci de contar — disse ele, parando perto das laranjas para tirar um cartão de visita da jaqueta. — Achei que você pudesse se interessar por isso pelo seu pai. — Ele entregou para mim. — O nome dela é Sonja Duggar. Ela é uma companheira sóbria e treinadora de vida.

— Uma o quê? — perguntei, pegando o papel.

— Uma companheira sóbria e treinadora de vida. Nós a usamos para manter os clientes longe de problemas durante o julgamento. Ela é particularmente boa em casos em que o cliente precisa parecer reformado na frente do juiz em sua próxima apresentação. Ela é boa. Ele vai gostar dela.

Eu olhei para ele. — O que ela faz exatamente?

— Tudo o que precisa ser feito. Se o problema for álcool ou dependência, ela deixará o cliente limpo e sóbrio e o manterá lá. Ela os leva a reuniões de AA e sessões de terapia e supervisiona as visitas. Certifica-se de que eles não estão em violação de sua ordem judicial. Garante que os medicamentos sejam tomados, que eles fiquem no trabalho e compareçam ao tribunal na hora certa. Ela costumava ser uma terapeuta. Ela está aposentada agora e ela faz isso paralelamente.

Eu zombei. — Uma babá. E é triste porque ele realmente precisa de uma — eu murmurei.

Começamos a caminhar em direção às cebolas. — Ela vai ser cara — disse ele. — O seguro não vai cobrir. Mas isso vai te libertar para que você não se preocupe com ele quando não estiver lá. Ela cuidará da casa e o ajudará a lidar com as razões subjacentes que o levaram até lá.

Oh, Deus, isso seria incrível. Não havia o suficiente de mim para todos. Eu estava muito magra do jeito que estava.

Eu sorri para ele. — Isso é incrível. Eu nem sabia que isso era uma coisa.

— É uma coisa. Pode ser difícil colocá-lo a bordo. As apostas são mais altas para meus clientes, então não é tão difícil de vender quando eu a defendo.

Eu bufei. — Oh, as apostas são altas aqui também. Se ele não se ajeitar, vou cortá-lo.

Ele sorriu e pegou um saco para as cebolas. — Ela vai até morar lá se ele tiver um quarto vago e não se importar com o gato dela - embora custe mais.

Eu não me importava com o custo. Eu precisava de resultados. E papai sempre foi tão solitário que provavelmente adoraria ficar com alguém que não fosse tão fodido quanto ele.

Falando em Annabel...

Minha irmã não tinha aparecido desde o acidente de carro. Ela ainda estava postando suas fotos de arte digital no Instagram, então eu sabia que ela estava viva. Provavelmente caindo no sofá de alguém se eu tivesse que adivinhar, completamente alheia ao caos que causou, como de costume. Eu estava além de chateada com ela. Entre destruir o carro e descobrir que ela talvez estivesse usando enquanto estava grávida, eu estava acabada. Eu oficialmente era inflexível nas minhas decisões. Eu já tinha cortado o dinheiro e ela não tinha permissão para voltar para a casa do papai. Mas ontem eu desliguei o celular dela também. Eu não estava contribuindo com nenhum centavo para permitir essa besteira. Deixe-a atingir o fundo do poço mais rápido.

— Vou ligar para Sonja hoje — eu disse. — Obrigada por isso.

Ele sorriu para mim. — Tudo bem.

Escolher as compras com Adrian foi uma das coisas mais divertidas que fiz durante todo o ano. Ele era exatamente como eu quando se tratava de produzir. Ele inspecionou tudo, escolheu os melhores ingredientes. Ele optou por ervas frescas em vez de secas, creme de leite orgânico e caldo de galinha para a base, manteiga de Plugrá para o roux.

Então enlouquecemos e compramos dezessete queijos diferentes. As pessoas estavam olhando para nós. Éramos perigosos juntos. Eu nem conseguia nos imaginar na França. Iríamos falir sozinhos com o vinho.

Em algum lugar ao longo do caminho, apareceu o jantar para amanhã e de repente estávamos comprando também: frango cordon bleu, com purê de batata e cenoura glaceada. Mas para minha casa desta vez.

Quando chegou a hora de ir até a barraca das árvores no estacionamento, Adrian parou com o carrinho de compras nas portas de correr.

— O quê? — perguntei.

Ele tinha uma expressão estranha no rosto, como se não tivesse certeza se deveria dizer o que estava pensando. — E se nós fôssemos cortar uma?

Meu rosto se iluminou. — Como em uma fazenda de árvores ou algo assim? — Eu comecei a pular. — Você vai usar uma flanela? Você vai ter um machado?

Ele bufou. — Não tenho flanela. E se a memória não falha, eles dão um serrote.

Mordi meu lábio e gritei animadamente.

Ele sorriu. — Meu pai costumava nos levar a uma fazenda de árvores todos os anos. Ele cortava uma. Era uma tradição.

Ahhh. Agora eu entendi a hesitação. E a razão pela qual ele nunca teve uma árvore.

Meu rosto suavizou e olhei para ele. — Foi a última vez que você ganhou uma árvore de Natal, quando seu pai estava por perto?

Ele parou por um momento. — Sim.

— Então, quando seu pai foi embora, foi o fim da sua infância — eu disse.

Ele deu um longo suspiro. — Acho que é uma maneira de ver as coisas.

Eu sorri para ele. — Mas olhe! Agora você é o adulto e corta uma árvore para o primeiro Natal de Grace e dá essa experiência a ela como alguém deu a você uma vez.

Seus olhos ficaram suaves e ele olhou para Grace em seu carrinho. — Eu não tinha pensado nisso assim. Embora ela provavelmente seja muito pequena para se lembrar.

Eu balancei minha cabeça. — Você não sabe do que ela vai se lembrar. Há coisas que acontecerão com ela enquanto ela for bebê que formarão quem ela é para o resto de sua vida. Ela pode ter cem anos e ainda sentir uma sensação de calma quando cheirar alguém que cheira como você.

Ele franziu a testa para mim. — O quê?

— Sim. Você não percebe? Como ela se acalma mais rápido quando você a pega no colo? Ela já associa você com o sentimento de segurança porque você a salvou naquela noite. Ela está imprinting, agora. Pequenas sinapses estão conectando e dizendo a ela que você é bom. Ela pode se sentir atraída por homens barbudos com olhos verdes gentis e se casar com um, um dia, só porque ela o conheceu uma vez. E ela nunca vai saber por quê.

Ele piscou para mim e algo que eu não consegui ler passou por seu rosto.

— De qualquer forma — falei, empurrando o carrinho de bebê em direção à saída — acho que fizemos um progresso real aqui hoje. Mesmo que não haja machado e flanela.

Ele sorriu e empurrou o carrinho, me seguindo até o estacionamento.

Meia hora depois, entramos no estacionamento para a árvore. Uma mulher com um casaco de inverno pesado e um chapéu de Papai Noel se aproximou do carro e nos deu um mapa do local e uma serra. A serra cheirava a pinho.

— Você está sentindo esse cheiro? — Eu sorri. Ele fechou a janela enquanto seguíamos pela estrada de neve em direção aos diferentes terrenos.

Ele sorriu de volta. — Eu estou.

Eu olhei para o mapa. — Então, que tipo de árvore você quer?

— Bálsamo de abeto — disse ele sem perder o ritmo.

— Resposta correta. — Eu balancei a cabeça para um lote à esquerda. — Essas são bálsamos.

Ele estacionou em uma vaga e saímos. Tirei Grace de sua cadeirinha e fiz uma troca rápida de fralda. Então eu a embrulhei e partimos entre as fileiras de pinheiros.

Era um belo dia. Ensolarado e cerca de trinta graus - uma onda de calor em Minnesota para dezembro. Atravessamos a neve, olhando para a seleção.

— Não é melhor do que estar no trabalho? — perguntei, fechando meus olhos e respirando o ar fresco.

— Tenho que admitir que isso supera os depoimentos — disse ele, segurando a serra.

— Então você é um sócio, certo? — indaguei, olhando para ele. — O que isso significa exatamente? Você é o chefe?

— Eu sou um dos chefes, sim.

— Mas não o chefão?

— O chefão é Marcus. Ele é o proprietário e fundador da empresa.

— E como ele é?

Ele balançou a cabeça. — Sério. Astuto.

— Então, como isso funciona exatamente? Ele é o dono e você o quê? Por exemplo, se este fosse um ambiente de varejo, que posição você teria?

Ele parou para olhar uma árvore de cima a baixo. — Bem, acho que se fosse no varejo, eu seria o gerente da loja. Marcus e eu concordamos sobre quais casos aceitamos e quem contratamos. Eu o consulto se necessário, mas ele segue meu julgamento para a maioria das coisas.

— E quantos advogados existem?

— Temos nove agora. Mais três paralegais e dois assistentes administrativos.

Um vento suave soprou e eu coloquei o cobertor de Grace em volta de seu rosto, beijando sua testa quente. — Então você consegue os melhores clientes?

Continuamos andando. — Tecnicamente os clientes pertencem à empresa. Qualquer um de nós pode comparecer para representá-los. Mas normalmente eu chefio os casos maiores.

— Ahhh. Entendo. E você gosta de Marcus?

— Eu respeito Marcus. Gostar dele não é realmente necessário.

Parei em uma grande árvore. — Que tal esta? — Eu balancei a cabeça para ela.

Adrian a examinou. — Para mim ou para você?

— Você. Vou precisar de algo um pouco menor. Eu não tenho tanto espaço quanto você.

Ele assentiu. — Isso funciona para mim.

Ele desceu na neve, enfiou-se sob os galhos da árvore e começou a serrar.

— Então, como é Annabel? — ele perguntou, a árvore balançando para frente e para trás.

— Nervosa.

Ele parou de serrar e colocou a cabeça para fora para olhar para mim. — Nervosa?

— Nervosa. Como uma colegial irritada, com os pés no chão e petulante.

— Por quê? — Ele voltou para baixo.

Eu zombei. — Por que não?

Annabel estava com raiva do mundo. Louca porque Mel morreu. Louca por sua mãe ter ido embora. Louca porque uma camisinha estourou e ela engravidou de cara aleatório em Punta Cana na viagem de graduação – a qual eu paguei, aliás. Achei que a presentear com meu amor por viagens a ajudaria a amar um pouco mais sua vida.

O tiro saiu pela culatra.

Pelo menos ela nunca teria que se preocupar em morrer de ELA. Ela e Brent tinham uma mãe diferente de Melanie e eu - o que significava que Grace estava segura também. Só isso já devia ser o suficiente para ser grata. Mas Annabel realmente não agradecia.

A árvore balançou mais uma vez e caiu de lado com um pequeno estalo.

Adrian se levantou e limpou a neve de sua jaqueta e eu sorri para ele. — Você fez isso. Você completou o círculo.

Ele olhou para baixo com um sorriso. — Vamos pegar a sua.

Três horas depois, estávamos de volta ao apartamento dele. Ambas as árvores foram erguidas em suas respectivas salas de estar. Eu decoraria a minha mais tarde. A dele era o que era crítico.

A lareira estava acesa, a música de Natal estava tocando, sua árvore estava decorada e estávamos tomando sopa em tigelas de pão em seu sofá. Ele fez toddys quentes, e eu estava com sua nova manta no meu colo com Harry Puppins aninhado ao meu lado. Ele rosnou em seu sono.

Eu amava aquele cachorrinho insano. Ele era como um velho mesquinho, expulsando as pessoas de seu gramado. Quando voltamos com a árvore, Harry atacou a perna da calça de Adrian. Adrian estava tentando colocar a árvore no suporte então suas mãos estavam ocupadas e ele não podia tirar Harry de cima dele. Eu estava rindo tanto que não pude me controlar. Quase fiz xixi nas calças.

— Você não gostaria de ter comprado duas mantas agora? — perguntei, cutucando a coxa de Adrian com meu joelho. — Estou tão confortável e você está aí todo frio e grudado no couro.

Ele riu, raspando a colher na lateral da tigela de pão. — Eu sou quente.

Eu sorri, olhando ao redor de seu apartamento. Estava realmente aconchegante agora. — Diga-me que você não se sente melhor — falei, olhando para ele.

Ele sorriu. — Eu me sinto melhor. Você estava certa.

Coloquei minha caneca no chão. — Sabe, acho que foi o destino que o fez me conhecer. Você definitivamente precisava de mim em sua vida.

Ele deslizou sua tigela de pão na mesa de centro. — Embora eu esteja muito feliz por ter conhecido você, não acredito no destino.

Eu balancei minha cabeça para ele. — Como você pode não acreditar no destino?

— Não acho que as coisas sejam predeterminadas ou escritas nas estrelas. Acredito que fazemos nosso próprio destino.

— Ah, falado como um verdadeiro maníaco por controle. — Eu estiquei minha palma. — Dê-me sua mão.

Ele me olhou com desconfiança.

— Dê para mim — falei, esperando.

Ele sorriu e a colocou na frente dele. No segundo em que a peguei, uma eletricidade quente passou por mim.

Deus, aposto que este homem sabe o que fazer com as mãos...

Adrian realmente não me parecia o tipo de pessoa para sexo meio idiota. Ele não falhava. Em nada. Aposto que ele poderia dar uma aula magistral sobre dar orgasmos às mulheres.

Gostava de homens com um pouco de experiência, pois não tinha tempo para praticar.

Eu limpei minha garganta. — Vou ler a sua palma — disse, virando a mão dele.

Ele parecia divertido. — Onde você aprendeu a fazer isso?

— Uma cartomante em uma pequena vila na Espanha.

— Não admira que Becky goste de você.

Corri um dedo ao longo de sua linha de amor e sorri. — Por quê?

— Ela gosta de astrologia — disse ele, inclinando-se sobre mim para observar o que eu estava fazendo. Seu rosto estava um pouco perto do meu. Isso fez meu coração palpitar. — Ela está sempre lendo meu horóscopo — disse ele.

— E você nunca sente que há verdade nisso? — perguntei, estudando os vincos em sua palma.

— Não. Então, o que minha palma está dizendo a você?

Eu sorri um pouco. — Você vê isso? — Arrastei uma linha na base de seus dedos. — Esta é a sua linha do amor. Você tem uma quebra na linha do coração, bem aqui. Isso significa que algo traumático aconteceu com você. Provavelmente é o que aconteceu com o seu pai indo embora. Mas olhe. Veja como é longa e firme depois disso. O resto da sua vida é uma linha sólida e feliz.

Eu sorri para sua palma. Ele tinha vincos semelhantes a penas no início de sua linha. Apaixonado. E parou bem antes de seu dedo indicador, o que era bom. Isso significava que ele poderia ter uma vida amorosa saudável.

Eu inclinei sua mão em direção a ele. — Você vê como a linha do seu coração se bifurca no final? Abaixa um pouco? Isso significa que você está disposto a sacrificar tudo por amor. Você é um romântico.

Quando olhei para ele, ele não estava olhando para sua mão. Ele estava olhando para mim.

— E a sua? — ele perguntou, segurando meus olhos. Ele virou sua mão e então a minha, segurando-a entre nós. — O que a sua diz?

Do jeito que estávamos encostados um no outro, eu podia sentir sua respiração fazendo cócegas no meu rosto. Estava tão perto.

— Hum... é muito parecida com a sua, na verdade. Apenas a forma da minha mão é um sinal de fogo. Eu tenho uma palma longa e dedos mais curtos. Isso significa...

— Deixe-me adivinhar. — Ele me deu um pequeno sorriso. — Energética. Entusiasmada. Extrovertida.

Eu estava tendo dificuldade para respirar normalmente enquanto ele estava me tocando assim. — Praticamente — consegui dizer. — O seu é o ar. Isso significa que você é um intelecto e lógico. Um bom comunicador.

Ele correu o polegar pela minha palma. — Fogo e ar. — Ele olhou de volta para mim. — E quanto ao resto? Você terá uma vida longa?

Meu sorriso caiu e eu puxei minha mão, fingindo que precisava pegar minha bebida de repente. Sentei-me no meu canto do sofá, colocando o oceano de volta entre nós. — Linhas da vida mostram bem-estar — falei. — Mudanças de vida. Elas não dizem por quanto tempo você vai viver.

Era a dormência em meus dedos que geralmente fazia isso.

CAPÍTULO 12

CAPÍTULO 12

ESTE HOMEM CORTOU AS HORAS DE TRABALHO PELA METADE E OS RESULTADOS SÃO ESPANTOSOS!

Adrian

Becky e eu nos sentamos na sala de conferências trabalhando. Era meio-dia de sexta-feira e estávamos atolados até a cintura em uma papelada acumulada. O julgamento do Bueller estava chegando e eu não estava preparado.

Eu não tinha visto a filmagem da câmera corporal ou o relatório de toxicologia ainda, e Marcus estava me olhando de soslaio porque eu perdi um prazo de arquivamento na semana passada depois de sair mais cedo para levar Grace ao pediatra com Vanessa.

Eu não tinha planejado ir ao médico com ela. Vanessa nem me convidou. Mas eu mencionei a consulta da bebê para Lenny e ele disse que seus filhos choraram tanto quando tomaram as vacinas que ficaram inconsoláveis. Então ele disse que Vanessa deveria ter dado Tylenol a Grace antes de chegar lá, o que eu não tinha certeza se ela tinha dado. Eu mandei uma mensagem para ela, mas ela não respondeu.

Eu me sentei lá em uma chamada de conferência, saltando meu pé e checando meu telefone, até que finalmente disse foda-se e saí e dirigi para o consultório médico.

Vanessa não poderia acalmar Grace daquele tipo de aborrecimento como eu. Vanessa estava certa quando disse que Grace estava mais calma comigo. Ela gostava quando eu a segurava quando estava agitada - ela realmente me preferia a Vanessa quando ela estava muito agitada. Seria melhor se eu a segurasse enquanto ela tomava suas injeções - e de qualquer maneira, eu queria conhecer esse médico. Fazer uma verificação de antecedentes por negligência e, no mínimo, verificar suas classificações no WebMD.

As enfermeiras ficavam me chamando de pai. Vanessa ria toda vez que elas faziam isso.

Eu estive fora por apenas uma hora, mas a perturbação estragou todo o meu dia. Eu havia me distanciado do processo e estava dez minutos atrasado para uma consulta. Lenny tinha feito anotações para mim pelo resto da teleconferência, mas eu perdi minha oportunidade de fazer perguntas enquanto todos estavam no telefone, então tive que enviar e-mails para me atualizar.

Além dessa greve do meio-dia, eu não fazia mais do que um turno de oito horas em quase duas semanas. O tempo que eu normalmente dedicava aos meus casos, agora estava dando a Vanessa.

Eu comecei a delegar.

Eu nunca desistia do trabalho. Nunca. Sempre fiz tudo sozinho. Havia menos erros dessa forma. Mas eu dei a Lenny o caso Garcia porque sabia que, se não o fizesse, teria que sacrificar a qualidade da minha representação ou teria que sacrificar Vanessa. E pela primeira vez na minha vida, o trabalho não era minha prioridade. Hoje em dia, quando dava 5:00, eu ia embora. Eu não gostava de perder o tempo com ela. Tinha chegado ao ponto em que eu odiava até o fim da noite porque eu sabia que ela iria para casa e levaria Grace com ela e deixaria meu apartamento vazio e sem vida novamente.

Eu estava atrasado em tudo. Tudo. Eu estava tentando me atualizar, então trabalhei durante o almoço. Tive que fazer, porque hoje foi um dia curto para todos. Estávamos todos saindo mais cedo para a festa anual do Children's Hospital.

Eu não estava ansioso por isso.

Gostava da gala. A comida e o entretenimento eram sempre bons, e era bom passar um tempo com o resto da equipe fora do trabalho. Mas eu só comprei um lugar porque Rachel não estava planejando vir neste fim de semana. Tentei conseguir outro ingresso para Vanessa no último minuto, mas o evento estava esgotado.

Ela não estaria lá.

De repente, uma noite comendo bife e lagosta e ouvindo uma banda ao vivo parecia a última coisa que eu queria fazer da minha noite.

Eu estive com Vanessa todos os dias por duas semanas seguidas. Jantávamos juntos todas as noites. Passei o último fim de semana nevando, vagando pelo primeiro andar do prédio, pesquisando nomes que encontramos rabiscados nas paredes, assistindo “The Office”, indo e voltando entre os apartamentos um do outro.

Nossas vidas se fundiram sem costuras. Encontrei meias de bebê nas almofadas do sofá e havia um aquecedor de mamadeiras no balcão ao lado da minha garrafa de bourbon Basil Hayden. Eu comprei meu próprio cercadinho e balanço para que não tivéssemos que ficar arrastando-os de um lado e para o outro.

Vanessa me deu uma chave reserva e eu nem trancava mais a porta quando estava em casa. Ela ia e vinha como queria. Nem batia. Entrávamos direto na conversa como se estivéssemos sempre conversando, lavamos roupa, usamos minha máquina de café expresso, levava Harry Puppins para casa com ela quando eu estava no trabalho e deixava Grace comigo enquanto ela tomava banho ou fazia tarefas. Ontem ela se sentou no meu banco de peso de pijama, conversando comigo e comendo uma fritada que fiz para ela enquanto corria seis milhas na minha esteira. Elas sempre estavam lá. Ela sempre estava lá. Eu gostava. Eu gostava dela.

Um monte.

Eu estava tendo dificuldade em saber como isso me fazia sentir, porque não havia muito que eu pudesse fazer a respeito.

Uma parte central do nosso relacionamento era não darmos em cima um do outro. Ela flertou comigo, sim. Mas isso era apenas quem ela era. Houve momentos em que ela me disse o quão quente eu era e reiterou que ela não namorava na mesma frase. Isso não significava nada. Ela havia deixado muito claro que não tinha interesse em namorar. Provavelmente é por isso que ela se sentia tão confortável passando tanto tempo comigo – porque eu não estava tentando dormir com ela.

Eu estava dolorosamente ciente de que, se tocasse no assunto, tentasse conversar com ela sobre como estava me sentindo, correria o risco de perder a amizade. Até mesmo a conversa sobre cruzar a linha estava cruzando uma linha. Depois disso, sempre haveria o conhecimento de que eu queria mais, mesmo que nunca tivéssemos agido de acordo com isso. Isso mudaria as coisas - e eu estava com medo de mudar as coisas. Eu não poderia perder isso.

Becky colocou sua pilha de papéis em uma pilha organizada e se apoiou nos cotovelos. — Então, como é sair com Vanessa? — Ela sorriu. — Vocês recebem tratamento VIP? É a coisa mais legal de todas? Ela é cercada quando vão a algum lugar e tem que ser seu guarda-costas e expulsar os homens estranhos dela?

Eu balancei minha cabeça. — Ela dá autógrafos de vez em quando. Eu realmente não vejo esse lado dela. Fazemos coisas normais. Ela é como todo mundo — contei, deslizando um clipe de papel sobre minha pilha de correções.

Becky me olhou boquiaberta do outro lado da mesa. — OK, mas ela não é totalmente. As pessoas a amam. Eles pagam dinheiro na contramão só para poder tirar, tipo, uma foto com ela, e você só consegue sair com ela quer queira quer não e não está nem pirando com isso?!

— Eu aprecio muito poder sair com ela. Quer queira quer não. — Eu circulei um erro de digitação.

Ela me olhou maluca.

Eu adorava brincar com a Becky.

Ela piscou para mim. — Você não entende isso, não é? Sua vizinha é a namoradinha da América e eu sinto que você não está valorizando isso totalmente. Ela foi uma juíza em um painel com Tom Hanks uma vez e eles chamaram-na ‘miss simpatia’. Ela fez uma participação especial naquele programa de culinária de Gordon Ramsay e ele se recusou a gritar com ela. Post Malone tem o nome dela tatuado no interior do lábio!

Eu olhei para ela. — Ela conheceu Tom Hanks?

Ela olhou para mim, horrorizada. — Por que você não sabe de nenhuma dessas coisas?!

Eu sufoquei um sorriso. Eu não sabia sobre Tom Hanks ou sobre o show de Gordon Ramsay, pensando bem. E eu também não sabia o que diabos era um Post Malone.

Eu tinha plena consciência de que Vanessa era uma celebridade. Mas para mim ela era apenas... Vanessa. Ela era pé no chão e normal. Na maioria das vezes, esquecia completamente o que ela fazia para viver - algo que acho que ela preferia. Ela não gostava de falar sobre seu canal.

Evidentemente, havia momentos quando estávamos fora que notava que ela estava sendo reconhecida. Mesmo que as pessoas não se aproximassem dela, eu poderia dizer que sabiam quem ela era.

Eu nunca poderia estar diante das câmeras assim, minha vida tão exposta, sem anonimato. Não acho que ela tenha gostado particularmente desse aspecto, mas para ela, arrecadar dinheiro para ELA superou a privacidade. Acho que se encontrou algo importante para você assim, vale a pena.

— Não preciso que você me diga como sou sortudo ou como Vanessa é incrível — falei. — Estou bem ciente.

Becky estava balançando a cabeça para mim, muda por como eu era totalmente deselegante e desinformado. Ela soltou um suspiro de decepção pela minha falta de vontade de fofocar sobre isso e voltou às intimações.

Deixando de lado as ocasionais surpresas das celebridades, ocorreu-me que oficialmente sabia mais sobre Vanessa e sua família em duas semanas do que sobre Rachel e a dela depois de oito meses.

Eu tive muito tempo para pensar sobre esse relacionamento desde que terminou, e estava chegando a conclusões que não me entusiasmaram.

Parte de mim sabia que Rachel provavelmente tinha sido propositalmente cautelosa sobre sua vida real, e é por isso que eu não a conhecia melhor ou não entendia o que ela estava fazendo. Mas a outra parte de mim estava começando a se perguntar o quanto de um papel eu desempenhei nisso. Porque a realidade era que eu não me importava o suficiente para cavar.

Não fiz nenhum esforço para encontrar seus amigos e familiares ou para visitá-la em Seattle. Se ela não me mandasse mensagem por alguns dias ou atendesse minhas ligações, eu mal percebia porque não tive tempo de falar com ela de qualquer maneira.

Eu não estava me culpando pelo que Rachel fez. Mas Vanessa estava certa sobre o que disse semanas atrás. Eu não tinha equilíbrio. Minha vida só permitia uma namorada uma vez por mês que era uma estranha para mim depois de quase um ano de namoro, porque era tudo o que eu tinha para fazer. E que eu tive que assumir o controle.

E havia algo mais. Uma voz pequena, mas mesquinha, que me disse que talvez eu gostasse assim. Que talvez Rachel fosse outra manifestação do controle de que eu parecia precisar, um sintoma de um problema maior. Que fazer do trabalho meu foco número um era uma maneira de me proteger de ficar muito perto de alguém que poderia acabar me machucando. Deixando-me, como papai fez. E o engraçado é que Rachel acabou me deixando. Porém, quanto mais eu realmente pensava sobre isso, mais percebia que não me importava.

Fiquei indignado e zangado com isso, mas, por princípio, não porque estivesse apaixonado por ela, ou mesmo perto disso. Eu a escolhi pelo estilo? Porque eu sabia em algum lugar enterrado no meu subconsciente que ela não conseguia chegar perto o suficiente do meu coração para danificá-lo?

Eu não conseguia afastar o pensamento. Eu não gostei disso. De jeito nenhum.

Vanessa disse que traumas de infância sempre atrapalham seus relacionamentos. E eu estava começando a achar que ela estava certa.

Ela estava certa sobre muitas coisas.

Vanessa me fez diferente. Melhor. Ela me fez ver o mundo através de uma nova lente - ou uma lente que eu tinha esquecido que existia.

Era como se eu fosse uma criança de novo. Brincamos como crianças. Tivemos brigas de arma de água em sua sala de estar, jogamos o chão é lava. Quando dava cinco graus negativos do lado de fora, fervíamos água e jogávamos da sacada para fazer neblina. Nós sopramos bolhas para vê-las congelar, fizemos anjos de neve no telhado, tivemos lutas de bolas de neve que me fizeram querer cair em um monte de neve em nossos casacos e beijá-la.

Eu ri até meu estômago doer, percebi a beleza ao meu redor e fiquei maravilhado com o fato de ter parado de vê-la em primeiro lugar. Eu me senti como se estivesse meio morto e nem mesmo sabia disso, caminhando pela minha vida em uma névoa sonolenta até que ela me acordou.

Vanessa havia dito uma vez que dinheiro não pode fazer você feliz a menos que você saiba o que quer. E estava ficando cada vez mais claro para mim o que era. A cada dia que passava com Vanessa e Grace, eu ficava mais seguro disso. Mas o que eu queria não podia ser comprado. Eu tinha que merecer.

Só não sabia se conseguiria.

Eu ainda estava na sala de conferências lendo o relatório policial de Bueller quando Becky fez um barulho estridente do outro lado da mesa. Becky ser dramática geralmente não era motivo para eu desviar os olhos do que estava fazendo, mas então não vi Vanessa entrar com Grace em seu carrinho até que ela pigarreou na porta.

— Você deve ser Becky? — disse ela, sorrindo para a minha assistente hipnotizada por sobre meu ombro.

Meu coração saltou com a visão inesperada dela.

Ela era bonita. Ela sempre foi linda, mas eu não estava preparado para vê-la.

Ela estava com um suéter roxo que eu nunca a tinha visto usar antes, e seu cabelo estava solto e enrolado. Senti uma pontada de orgulho por essa mulher ter acabado de passar pelo meu escritório para me ver.

Eu me levantei, sorrindo. — Ei, eu não sabia que você estava vindo.

— Já que não vou estar com você esta noite, pensei em fazer uma surpresa e trazer o almoço. — Ela ergueu um saco de papel.

Eu fiquei lá, apenas sorrindo para ela como um idiota até que Becky fez um barulho choramingando atrás de mim. — Eu vou almoçar na minha mesa — ela guinchou.

Ela agarrou uma pilha desordenada de papelada contra o peito e sorriu para Vanessa como uma lunática quando passou por ela e fechou a porta.

Vanessa sorriu para mim. — Sabe, você fica ainda mais quente no escritório.

Eu ri.

Grace sorriu para mim de seu carrinho. Ela vinha fazendo isso nos últimos dias. Cada vez que estava com sua chupeta e eu a fazia sorrir, ela a soltava e sorria para mim, toda gengiva e olhos brilhantes. E se eu fizesse cócegas nela, ela ria. Eu não conseguia o suficiente. Adorava brincar com ela.

Abaixei-me para pegá-la em meus braços e acariciá-la com meu nariz. Ela usava um minúsculo macacão de lã azul com flocos de neve e cheirava a talco de bebê e perfume de Vanessa.

Ela cheirava a casa.

Ela colocou uma mãozinha gorda para cima, e eu mordi seus dedos com os lábios e ela deu risadinhas felizes. Eu não conseguia parar de sorrir.

De repente, entendi o que é ter uma família vindo ver você no trabalho, como uma esposa e filhos. Eu nunca tive aquele choque de felicidade ao ver alguém de quem me importava quando não estava esperando por isso. Eu queria abraçar Grace enquanto caminhava com Vanessa para mostrar a ela minha mesa. Apresentá-la a Marcus. Rever Becky e apresentá-las formalmente também.

— O que vamos comer? — perguntei, olhando para Vanessa.

Ela estava me observando segurando Grace. Não consegui distinguir sua expressão, mas havia algo distante nela.

Eu balancei a cabeça para a mesa. — Venha se sentar comigo. — Mudei alguns arquivos com minha mão livre e liberei um lugar para ela.

— Trouxe comida tailandesa para nós — disse ela, pousando a sacola que trouxera. — Ah, e antes que me esqueça de contar, não posso combinar nada na segunda-feira. Acabei de descobrir. — Ela olhou para mim e fez beicinho com o lábio inferior.

Eu senti meu rosto cair. — Por que não?

— Surgiu uma questão de trabalho — falou, colocando a mão na bolsa e retirando os recipientes para viagem.

Tive de reprimir minha decepção. Já eram duas noites em que não a veria.

— Você quer que eu cuide da Grace? — perguntei, esperando que ela não pudesse ouvir a decepção em meu tom.

Ela abriu um recipiente com arroz frito e colocou-o em um prato. — Você não precisa. Eu ia perguntar à Lady Yoga.

— Eu posso fazer isso — eu disse, colocando Grace no carrinho e me sentando na cadeira ao lado de Vanessa.

Ela encolheu os ombros. — Tudo bem. Se você quiser. Eu não queria presumir. — Ela terminou de servir minha comida e deslizou para mim.

Eu olhei para ela enquanto estava fazendo seu próprio prato. Ela não estava prestando atenção.

Ela tingiu as pontas do cabelo na semana passada para um vídeo. Eles eram azuis e roxos para combinar com seu suéter. Parecia exótico. Ela tinha uma pequena covinha na bochecha que aparecia quando ela sorria. Sardas suaves ao longo da ponta do nariz, cílios longos.

Linda.

Senti aquela coisa acontecendo, aquela necessidade de continuar olhando para ela por mais tempo do que o apropriado. Era algo com o qual eu estava lidando quase constantemente na última semana ou assim.

Eu me senti como um adolescente ofegando por causa de uma garota na minha aula de educação física. Eu queria tocá-la. O tempo todo. Quando ela se sentou ao meu lado no sofá, tive vontade de abraçá-la. Eu queria segurar a mão dela no supermercado, puxá-la para o meu colo quando ela viesse ver no que eu estava trabalhando na minha mesa em casa. Era ridículo o quão forte era o impulso.

Eu sabia que provavelmente estava apenas projetando minha própria merda nesta situação, mas o espaço entre nós sempre parecia não natural. Como se nós dois estivéssemos fingindo que queríamos lá e fosse um esforço para nós dois mantê-lo.

Vanessa fez vídeos sobre mim. Eu não os assisti - não tive tempo para isso. E Becky me regalou com uma recapitulação dramática sempre que um era postado de qualquer maneira. Principalmente Vanessa falando sobre o que fizemos naquele dia e jorrando sobre o quão atraente eu era - não que nada disso importasse. Além de lisonjeiro, não mudou nada. Ainda éramos apenas amigos e era assim que as coisas permaneceriam no futuro próximo.

Eu forcei meus olhos para longe dela e de volta para minha comida.

— Então, o que devo vestir no domingo? — ela perguntou, pegando seu refrigerante.

Eu a estava levando para sair no aniversário dela. Eu tinha algo muito grande planejado.

Ela mordeu a ponta do canudo enquanto esperava minha resposta.

— Apenas vista algo bonito. Talvez o vestido de suéter cinza — eu sugeri, dando uma mordida no meu macarrão. Eu gostei daquele vestido nela.

Eu gostava de tudo nela.

— Obrigada por me levar para sair. Eu provavelmente só estaria sentada em casa se você não o fizesse.

Achei isso muito difícil de acreditar. — E quanto aos seus outros amigos? Não há mais ninguém que teria feito nada?

Ela encolheu os ombros. — Ninguém local. Eu tenho muitos amigos. Só estou com poucos ex's. Estou tão solteira que nem tenho alguém para mandar mensagens de texto bêbada — ela murmurou.

Eu sorri. — Você pode me enviar uma mensagem de texto bêbada.

Ela bufou. — Bom. É só uma questão de tempo. É bom ter permissão. Espero que goste de erros de digitação e emojis chorosos.

Eu ri.

— Sabe, você poderia ter um namorado se quisesse — falei. — Ainda não entendo por que você não namora.

Ela zombou. — Ninguém quer se envolver com o meu tipo de bagagem. Confie em mim.

— Sua bagagem não é tão ruim quanto você pensa — eu disse, limpando minha boca com um guardanapo. — Qualquer homem teria sorte de ter você.

Eu teria você...

Ela apontou o garfo para mim. — Veja, esse é exatamente o tipo de coisa que as pessoas dizem para fazer você se sentir bem, mas não é engraçado como as pessoas que insistem que você é um prêmio nunca são aquelas que realmente querem sair com você?

Havia algo cortado em seu tom.

Ela desviou o olhar de mim e afastou o cabelo da testa daquele jeito que fazia quando estava frustrada.

Eu encarei o lado de seu rosto. — O que há de errado? — perguntei.

Ela não olhou para mim.

Eu a estudei. Seu queixo estremeceu levemente. Girei minha cadeira até que nossos joelhos se tocassem e coloquei a mão em seu braço. — Ei, olhe para mim.

No segundo que seus olhos encontraram os meus, ela começou a chorar.

Inclinei-me e puxei-a para um abraço. — O que aconteceu? — Eu alisei seu cabelo para baixo. — Ei, shhhhh. Diga-me.

Ela apenas chorou. Vanessa nunca chorava - mesmo em situações em que deveria.

Um desamparo me rasgou, um impulso instantâneo para consertar o que quer que estivesse errado.

— Vanessa, o que é?

Diga-me para que eu possa melhorar.

Ela balançou a cabeça. — Às vezes eu sinto que estou girando. Como se estivesse em um tornado e não consigo parar de me mover, e a única vez que me sinto parada é quando estou com você.

O comentário me pegou tão de surpresa que não sabia o que dizer.

Ela me deixou abraçá-la por mais um momento. Então ela se afastou, fungou e enxugou as lágrimas em seu rosto. — Ei, vamos ler nossos biscoitos da sorte. Se você disser ‘enquanto está na cama’ e depois ler a sorte, é sempre engraçado. — Ela forçou um sorriso para mim.

Como um projetor trocando de bobinas, de uma cena para a outra em uma fração de segundo.

Eu balancei minha cabeça. — Não faça isso.

Seu sorriso forçado ficou maior, e ela sorriu para mim com lágrimas ainda em seus olhos. — Fazer o quê?

— Isso. Isso que você faz onde finge ser feliz. Você muda de assunto e vai fazer algo que a distraia. É normal ficar chateada às vezes. Você não tem que fingir comigo.

Ela olhou para mim e de repente ficou tão triste de novo que quase odiei ter questionado isso.

— Adrian, se eu não rir, vou passar o resto da minha vida chorando — ela sussurrou.

Meus olhos se moveram para frente e para trás entre os dela. Estendi a mão e juntei suas mãos. Nossos joelhos ainda estavam se tocando. Eu podia sentir a energia sendo transferida entre nós como se estivesse absorvendo sua tristeza, fazendo-a se acalmar. Eu queria absorver isso. Eu pegaria tudo se significasse tirar dela. — O que há de errado?

Ela olhou para mim por um longo momento, como se estivesse debatendo se deveria continuar. — Adrian, estou preocupada que minha mão não seja apenas o túnel do carpo.

Eu puxei minhas sobrancelhas para baixo. — O que você acha que é isso?

Ela puxou o rosto para trás e olhou para mim com lágrimas nos olhos. — O que você acha que eu acho que é?

Eu balancei minha cabeça para ela. — Ouça-me, você não está morrendo. OK? E é normal que você tenha medo disso. Especialmente depois de perder Melanie. Mas não é isso.

Seus olhos procuraram os meus. — E se for?

Eu olhei para ela firmemente. — Não é. E se você está tão preocupada, vamos dar uma olhada em...

Ela balançou a cabeça rapidamente.

Eu podia ver o medo em seus olhos.

Eu não conseguia imaginar como deve ter sido ver sua irmã morrer do jeito que ela morreu. Ter algo aleatório assim acontecendo com alguém que você ama deve tornar difícil para você se sentir seguro novamente. E seu aniversário era domingo. Sua irmã e sua mãe não chegaram aos trinta. Vanessa estava fazendo 29 anos. Isso devia ser assustador.

Eu apertei suas mãos com mais força. — Você apenas terá que acreditar na minha palavra, então. Você é uma jovem bonita e saudável e vai viver por muito tempo, Vanessa. — Eu coloquei a mão em sua bochecha. — Tudo vai ficar bem — eu disse gentilmente.

Seus olhos tristes percorreram meu rosto, quase como se estivessem me procurando pela verdade. Ela virou um pouco a bochecha na minha palma, como se estivesse perseguindo o calor dela, e seus lábios acidentalmente roçaram minha pele.

Eu queria beijá-la.

O desejo era tão intenso que tive que me conter fisicamente para não me inclinar.

Como seria? Inclinar-me e beijar o que quer que estivesse acontecendo naquela cabeça linda e brilhante?

Mas ela não queria que eu a beijasse. Ela não queria que ninguém a beijasse.

Pelo menos havia isso.

Ela pegou o guardanapo e pressionou-o sob os olhos, e eu deixei minha mão cair de seu rosto, desapontado porque a desculpa para tocá-la havia acabado.

— Lamento despejar tudo isso em você no trabalho. — Ela fungou. — Você não gosta de mim assim. Você gosta de mim quando sou divertida.

— Eu gosto quando você está feliz — eu disse honestamente. — Diversão é apenas um subproduto da sorte.

Ela mudou de assunto. — Você está pronto para o meu pai amanhã? — Ela enxugou os olhos. — Você não precisa ir se não quiser.

— Claro que vou.

— Tem certeza? Eu sei que a casa realmente te enojou.

Eu não estava particularmente animado para passar mais tempo na casa do pai de Vanessa - ou com o pai de Vanessa. A maçã havia caído em um pomar completamente diferente daquele. Mas eu queria verificar e ter certeza de que Sonja estava fazendo seu trabalho.

E outra coisa.

Eu não desistiria de uma noite com Vanessa. Por nada.

Ela era uma luz que eu via atrás das minhas pálpebras agora, muito depois de ter parado de olhar para ela - e eu queria continuar olhando para ela. O tempo todo. E se isso significava que eu teria que jantar em uma casa entulhada amanhã à noite, então era o que eu estava fazendo.

Vanessa olhou para mim de onde estava sentada. Ela estava mais calma agora.

Percebi que ela tinha vindo aqui hoje porque aparecer para almoçar comigo era uma de suas distrações. Uma das coisas que ela fez para manter sua mente longe do que a estava incomodando.

Eu me perguntei quantas vezes ela fez isso. Quantas vezes ela apareceu para me ver como sua maneira de se animar em vez de sucumbir a qualquer tristeza que ela estava lutando. Ela veio aqui porque eu a fazia se sentir melhor ou porque ela queria falar comigo sobre isso.

Porque ela estava girando em um tornado e a única vez que ela se sentia parada era quando estava comigo.

E então me ocorreu.

Eu era a pessoa dela. Eu.

Não consegui colocar em palavras o que isso me fazia sentir.

Não estava em seu DNA deixar outra pessoa cuidar dela. Eu sabia porque não estava no meu também. Éramos as rochas em nossa família, sempre colocando as necessidades de todos antes das nossas, então eu sabia o que significava ela me deixar estar lá para ela.

Era um privilégio que não levava a sério. Uma honra ser aquele para quem ela corria quando precisava de alguém para pegá-la. Por algum golpe aleatório da sorte, alguma coincidência geográfica, eu tive que conhecê-la e ser algo para ela.

E eu estaria mentindo se dissesse que ser algo para ela não era de repente tudo o que eu queria ser.

CAPÍTULO 13

CAPÍTULO 13

ELE RIU DO MEU CORPO QUANDO FOMOS PARA A SEGUNDA BASE!

Vanessa

Adrian olhou para mim, pura diversão em seu rosto. — E você achou que isso era aconselhável por quê?

Fiz o possível para parecer indignada, o que era difícil com minha cabeça presa do jeito que estava. — Você sabe o quê? Não preciso do seu julgamento agora. Nem todos nós somos gigantes, algumas pessoas precisam usar escadas.

— A parte da escada eu entendo. É sobre a proximidade do ventilador de teto que eu tenho dúvidas. — Ele estava rindo agora. — Que bom que você me deu uma chave.

Ele estava de smoking.

Eu pensei que Adrian tinha excedido sua capacidade de parecer atraente, mas minha imaginação falhou mais uma vez.

Ele teve aquela noite de gala. Eu liguei para ele com minha pequena emergência, esperando que eu o pegasse antes que partisse. Eu não tinha. Ele já estava no local. Quando tentei desligar, ele insistiu que eu lhe contasse o que havia de errado. Eu o fiz e ele imediatamente saiu para vir me resgatar - ou para ver por si mesmo. Foi um jogo de dados.

Ele começou a subir a escada para me ajudar, e eu me preparei para evitar a oscilação.

— O que você estava fazendo aqui? — ele perguntou.

— Alguma coisa. Eu vou te mostrar mais tarde.

A coisa eram estrelas que brilham no escuro que eu estava colando no teto. Eu estava colocando um pouco no local acima do ventilador e de alguma forma consegui prender meu cabelo em uma das lâmpadas votivas. Eu não conseguia descobrir como desfazê-lo, e uma das minhas mãos estava meio dormente, o que não estava ajudando. Eu finalmente desisti e me sentei no topo da escada para esperar Adrian chegar em casa, e felizmente foram apenas quinze minutos em meu cativeiro.

Não havia espaço nesta escada para dois adultos. Ele parou quando meus joelhos bateram em seu peito. — Eu não posso chegar lá a menos que...

A menos que eu abra minhas pernas e o deixe subir os dois últimos degraus entre elas.

Ai, meu Deus.

Eu estava prestes a entrar no chuveiro quando o cara da manutenção apareceu com a escada que eu pedi esta manhã. Ele a queria de volta antes de ir para casa passar o dia, então decidi fazer uma blitz no projeto. Então isso significava que eu estava com um robe de seda azul-escuro na altura da coxa. Sem sutiã, sem calcinha. Só eu e um pedaço de tecido fino com minha cabeça presa a uma luminária. Foda-se minha vida.

Enfiei meu robe entre as pernas e abri os joelhos, desejando que o chão se abrisse e me engolisse.

Para seu crédito, Adrian não olhou para baixo.

Ele subiu mais dois degraus e seu zíper pressionou diretamente na minha virilha. Quase caí para trás.

Ele colocou a mão entre minhas omoplatas e me segurou. — Talvez você devesse ficar comigo — disse ele. — Eu não quero você caindo.

DEUS.

Passei meus braços em volta de sua cintura e morri um pouco por dentro.

— Você está bem? — ele perguntou, seu peito praticamente retumbando contra minha bochecha.

Eu concordei.

Não, eu não estava bem. Eu não estive bem o dia todo.

Eu fui ver a advogada de adoção esta manhã.

Não estava certa de que precisaria usá-la. Annabel ainda poderia organizar sua vida. Mas saber que a adoção ainda era algo que eu tinha que considerar seriamente foi o suficiente para me lançar em uma espiral. Eu sufoquei as lágrimas durante todo o caminho até o escritório de Adrian mais cedo. Então, quando cheguei lá, desabei e estraguei sua gravata chorando nela. Depois disso, fui para casa e prendi meu cabelo em um ventilador de teto e meus estúpidos dedos formigando não conseguiram se recompor para me tirar de lá. E agora eu estava montada em Adrian, o que era parte completamente excitante e outra parte apenas triste, já que ele era perfeito e, portanto, não estava interessado em mim.

Minha posição sobre namoro mudou um pouco à luz do Sr. Copeland. Eu não achava que seria justo namorar alguém se eu estivesse doente. Mas se ele soubesse que eu poderia estar doente, como Adrian sabia, e me quisesse mesmo assim? Quem era eu para dizer ao homem o que fazer? É por isso que contei a ele sobre minha mão antes. Também é por isso que eu estrategicamente parei de mencionar que estava feliz por ele não ter me dado uma chance. Eu não consegui ir direto e dizer que gostava dele. Eu estava com muito medo de qual poderia ser sua resposta a isso. E como alguém aborda esse assunto? Ei, eu gosto de você. Eu sei que você acabou de passar por um rompimento realmente horrível, nós deveríamos ser amigos, e eu posso estar morta em um ano, mas você acha que poderia estar nisso? ECA.

Ele tolerou meu flerte desavergonhado bem o suficiente, mas ele nunca flertou de volta - o que eu acho que era de se esperar. Mas se ele fizesse um movimento sobre mim, eu me colocaria em seu terno enquanto ele ainda o estava usando. Ele teria que espalhar trufas caras no chão para me tirar de cima dele e então sair correndo porque eu nunca o deixaria ir.

Ele estendeu as mãos e as colocou sobre minha cabeça. — Como você fez isso?

Seu peito estava bem na minha cara. Tinha estado no meu rosto mais cedo, quando eu estava chorando, e assim como antes, ele cheirava bem e o calor estava saindo dele e me lembrei de que provavelmente iria para o túmulo com teias de aranha na vagina.

— Hum, eu não sei? Sabe, aposto que Sloan Monroe fica com o cabelo preso em ventiladores de teto o tempo todo.

— Oh, não. Posso garantir que Sloan nunca teve o cabelo preso em um ventilador de teto. Ela não é realmente o tipo de cabelo preso em um ventilador de teto.

— Oh, então há um tipo agora?

Ele mexeu um pouco. — Bem, se a lâmina do ventilador se encaixa...

Eu reprimi um sorriso.

Eu senti no segundo em que ele me soltou e dei um suspiro de alívio.

— Pronto — disse ele por cima de mim. — Você está livre.

Esfreguei minha cabeça e ele desceu até que seus olhos estivessem no nível dos meus. — Você sempre se mete em tantos problemas? — Ele estava sorrindo.

Seu rosto estava realmente perto, e ele ainda estava parado entre minhas pernas abertas.

Às vezes eu olhava para Adrian e sentia que não conseguia respirar.

Mais cedo, em seu escritório, quando ele estava segurando Grace, pensei em como ele seria um bom pai e como eu estava orgulhosa dele por vê-lo em seu elemento. Ele era tão inteligente e capaz, e nas últimas semanas, eu me encontrei completa e totalmente me perdendo nele... e quanto mais eu fazia, pior minha mão ficava. Era como se uma coisa estivesse conectada à outra. Como se meus sentimentos crescentes por Adrian tivessem um preço.

Coloquei meu cabelo atrás da orelha. — Você deveria ir. Você está perdendo sua festa de gala.

Ele esperou mais um momento. Quase como se ele gostasse de ficar aqui. Então ele desviou o olhar de mim, saltou e me ajudou a descer da escada.

Ele não fez nenhum movimento para sair.

Ele parou no balanço de Grace e se agachou para cumprimentá-la. Ela sorriu para ele e a chupeta saiu de sua boca. Ele fez cócegas em sua barriga e colocou a chupeta de volta. Então, em vez de sair, ele pegou Harry Puppins de sua cama de cachorro e se encostou na minha cômoda, acariciando-o e sorrindo para mim.

OK…

Enrolei meu robe mais apertado em torno de mim. — Então, acho que te vejo amanhã? — falei, sentindo que tinha que preencher o silêncio com algo. — Papai vai me envergonhar. Eu espero que você saiba disso.

Ele apenas ficou lá. — Você vai ficar bem.

Quando eu disse isso para mim mesma chamei de besteira. Quando ele disse isso, eu meio que acreditei nele. Talvez porque Adrian tinha um jeito de fazer as coisas bem. Ou me fazer esquecer se não fossem...

Papai queria que eu visse o progresso que ele estava fazendo na casa. Eu não ia lá desde a avalanche do armário.

Sonja e eu conversamos muitas vezes desde que ela começou, duas semanas atrás. Papai gostava muito dela. Ela pediu para levar um organizador profissional e uma equipe de limpeza especializada em riscos biológicos. Eu dei a ela tudo o que ela quis. Joguei dinheiro nisso com total abandono. Ou eu gastava agora e talvez colocasse papai em um lugar melhor, ou ele acabaria gastando o dinheiro em lixo depois que eu morresse – prefiro gastá-lo agora.

Ela também recomendou um terapeuta que pudesse tratar o transtorno obsessivo-compulsivo, o que ela achava que ele tinha. Papai a via duas vezes por semana.

Papai parecia muito animado com seu progresso, mas eu estava cética. Já que eu não conseguia nem jogar um saco de lixo sem que ele o remexesse, não conseguia imaginar que Sonja estava fazendo muito barulho.

De qualquer forma, o único problema agora era que eu não estava fazendo vídeos suficientes para ganhar dinheiro suficiente para continuar sustentando tudo. Não pelo que eu precisava realizar nos próximos doze meses.

Eu fiz três vlogs desde o meu Jesus's Abs. O primeiro foi eu tingindo meu cabelo e não mencionando uma palavra sobre Adrian. Eu sei que era uma loucura apenas com base no quanto todos queriam ouvir sobre ele. Mas, honestamente, eu queria que esse lado da minha vida fosse apenas o meu.

Adrian não era uma anedota para mim. Ele era real. O que eu estava sentindo por ele era real. Parecia que eu o estava barateando para convidar milhões de estranhos para se divertirem. Mas o vídeo de tingimento de cabelo despencou. Meus espectadores ficaram putos. As pessoas estavam com tanta sede de ouvir sobre Jesus's Abs que tive medo de perder assinantes se não desistisse e não poderia me dar ao luxo de não ganhar dinheiro. Então, os próximos dois vídeos foram apenas eu recapitulando meus dias com Adrian, agindo toda com os olhos de cachorrinho estrelados e apaixonados - o que para ser honesta nem mesmo era atuação. Esses tiveram algumas das melhores visualizações desde mim e Drake. Então, por menos que eu gostasse de compartilhar o lado privado da minha vida, era um mal necessário.

Eu tinha algo muito surpreendente planejado para o post de segunda-feira e não poderia vir um momento melhor. Eu precisava do dinheiro. Eu tinha o suficiente para a minha vida do dia a dia - e para a de papai e Brent. E por anos eu tenho reservado o suficiente para cobrir meus cuidados médicos no caso de ficar doente. Mas eu precisava pensar mais no futuro do que isso.

Eu queria ser capaz de fornecer à minha família uma renda modesta para viver pelo resto de suas vidas. Eu fui ao meu contador ontem para abrir um fundo para Grace, Brent, papai e Annabel - com estipulações de que ela passasse em um teste de drogas mensal para se qualificar para os fundos, e que iria para a reabilitação se não o fizesse. Não era infalível, mas pelo menos ela teria alguma responsabilidade.

Eu tinha um estipêndio19 arranjado para manter Sonja na equipe depois que eu morresse, e designei uma grande quantia para minha instituição de caridade. Certifiquei-me de que estava registrada como doadora de órgãos. Meus defeitos no DNA não excluíam meus órgãos para transplante. Eles poderiam aguentar tudo - e eu esperava que sim.

Eu ainda precisava fazer os preparativos para o meu funeral, mas ainda não estava pronta para isso. Eu pagaria tudo também. Eu não deixaria nenhum dos detalhes para ninguém mais ter que lidar quando eu morresse.

Eu estive executando essa lista deprimente de fim de vida todos os dias nas últimas duas semanas, enquanto Adrian estava no trabalho. E então, à noite, eu deixava tudo de lado. Eu jantava com ele e me esquecia tudo. Ele fez meu mundo de merda borrar ao meu redor até que não houvesse nada além dele e aqueles lindos olhos verdes e eu nem queria ir para casa à noite. Eu só queria ficar com ele e continuar sentindo o que ele me faz sentir. Eu queria ficar quieta.

Ele se afastou da cômoda e colocou Harry Puppins de volta em sua cama. — Você quer que eu dê uma mamadeira a Grace enquanto você se veste? — ele perguntou, dobrando a escada e encostando-a na parede.

Eu balancei minha cabeça. — Você tem que voltar. Você perderá...

E então eu vi.

Eu não esperava que Adrian viesse. Eu não tinha organizado minha casa ainda - o que significava que a calcinha suja estilo vovó que eu deixei cair quando troquei de roupa ainda estava largada com o lado ensolarado voltado para cima entre nós no tapete.

Eu respirei horrorizada e olhei para Adrian bem a tempo de ver que seu olhar tinha seguido o meu até o chão.

Um rubor quente e vermelho queimou meu pescoço. Eu o encarei com os olhos arregalados de mortificação por uma fração de segundo, e então mergulhei para agarrar minha calcinha. Mas quando me inclinei, pisei na manga do meu manto de mago e um seio saltou. Eu gritei e agarrei o desonesto, mas era tarde demais. Ele tinha visto isso. Ele tinha visto tudo isso.

Eu fiquei como uma estátua segurando meu manto fechado, uma mão sobre meu peito como se pudesse escapar novamente por sua própria vontade. — Não — eu respirei. — Não, não, não. Isso não está acontecendo.

— Está tudo bem — ele disse rapidamente. — Não é grande coisa. — Os cantos de seus lábios se contraíram.

Eu pisquei para ele. — Minha vida é um maldito rom-com20... — eu sussurrei. — Você está aqui de smoking e meus seios estão soltos, voando por aí.

Ele estava sorrindo agora e parecia muito divertido.

Eu balancei minha cabeça para ele. — Isso não é engraçado! Acabamos de ir para a segunda base!

Isso foi o suficiente. Ele começou a rir.

Fiz o possível para parecer indignada, mas a risada dele meio que me fazia rir. Eu cruzei meus braços sobre meu peito. — É melhor você esquecer tudo o que acabou de ver.

Ele balançou sua cabeça. — Oh, eu não acho que isso será possível.

— Adrian, eu vou te matar. Não tenho medo de ir para a prisão.

Ele estava uivando agora. — E vai me matar com o quê? A arma ou a coisa pontiaguda?

— Adrian! — Gah! — Saia!

Lutei com ele para fora da porta e pude ouvi-lo rindo por todo o corredor, de volta à sua festa de gala.

Eu provavelmente precisava de pelo menos um mês inteiro para ser capaz de enfrentá-lo novamente.

Ele me deu cerca de cinco minutos.

Alguém bateu na minha porta e quando fui olhar pelo olho mágico, havia um dedo sobre ele.

— Quem está aí? — perguntei, já suspeitando da resposta.

— Serviço de quarto — ele chamou através da porta em um falsete ridículo.

Revirei os olhos enquanto arrancava a corrente da fechadura.

Ele estava apoiado com o antebraço na moldura da minha porta, ainda de smoking.

Eu cruzei meus braços. — O quê? Se você está aqui para rir do meu seio, pode simplesmente voltar para o seu negócio.

Ele me deu um de seus sorrisos deslumbrantes. — Eu não vou voltar. Eu trouxe algo para você. Deixe-me entrar e feche seus olhos.

Eu enruguei minha testa. — O quê? Você não vai voltar?

— Feche. Seus. Olhos. 

Olhei para ele, mas abri a porta e fechei os olhos. Eu o ouvi entrar, então o som da minha porta de vidro deslizante se abrindo. — O que você está fazendo? — perguntei, sentindo uma rajada de ar frio.

— Não espie — ele disse do que parecia o lado de fora.

Eu ouvi a porta fechar e o som das minhas cortinas se fechando. Quando ele falou novamente, ele estava parado na minha frente. — OK. Você pode olhar.

Eu abri meus olhos para encontrá-lo sorrindo para mim como se ele me achasse divertida. A frente inteira de seu smoking estava molhada.

— Por que você está molhado?

— Vá se sentar no sofá.

— Para que?

Ele balançou a cabeça com um sorriso. — Continue.

Eu olhei para ele, mas fui até o sofá e me joguei em uma almofada.

Ele foi para o corredor e trouxe uma grande sacola de plástico para viagem. Ele tirou o paletó do smoking e o pendurou nas costas de uma das cadeiras da mesa da cozinha. Então ele desfez a gravata borboleta e desabotoou a camisa molhada e a tirou também. Quando ele se sentou ao meu lado no sofá, ele estava com nada além de uma camiseta e calças brancas. Ele se inclinou sobre a mesa de centro, retirando os recipientes. Então ele abriu um e ergueu uma enorme lagosta laranja e balançou-a. — Lagosta?

Eu bufei. — Você me trouxe uma lagosta?

— E caviar, camarão, baklava, petit fours - eu até trouxe a guarnição para você. Veja. — Ele mergulhou os braços na sacola e tirou uma melancia pela metade com o nome da arrecadadora de fundos esculpido nela e a segurou com orgulho.

Eu ri. — Oh, meu Deus, eles nunca vão deixar você voltar para o depósito.

Ele a colocou no meio da minha mesa de centro como uma peça central fora do lugar.

Ele ainda estava sorrindo.

— É melhor você parar — eu disse, olhando de soslaio para ele.

— O quê? Só estou pensando em algo engraçado que Lenny disse.

— Você é muito mentiroso.

Talvez eu devesse começar a fazer um Kegel21 toda vez que me envergonhasse na frente dele, tirar algo de toda essa humilhação. Duas semanas e poderei partir um homem ao meio com meu assoalho pélvico.

— Sabe, eu já vi você sem camiseta antes. Na pintura. — Ele acenou com a cabeça para a parede.

— OK, isso não é a mesma coisa. Isso é um desenho e ele tomou liberdades.

— Não, ele não fez. Francamente, ele não te fez justiça. — Ele olhou para mim. — Pelo menos não do lado que eu vi. — Ele sorriu e terminou de esvaziar o saco.

Eu tive que esconder meu sorriso na minha mão.

— Então, o que você sente vontade de comer? — ele perguntou.

— Uh, tudo isso? Mas tem certeza de que não precisa voltar?

Ele tirou a tampa de uma xícara de manteiga desenhada para viagem. — Acho que a arrecadação de fundos pode continuar sem mim.

— Você está apenas tentando me fazer sentir melhor por ter que ir embora para ter certeza de que eu não morreria presa a uma luminária de teto?

Ele riu.

Eu franzi as sobrancelhas. — Como você chegou aqui tão rápido? — Eu examinei todas as coisas que ele trouxe. — Eu te liguei e você entrou, tipo, em dez minutos. Como você preparou tudo isso e roubou uma guarnição e ainda conseguiu me resgatar em menos de uma hora?

Ele limpou a garganta e falou com a comida que estava servindo. — Já estava a caminho.

Eu puxei meu rosto para trás. — Você estava voltando para casa quando eu liguei para você? Seu negócio começou às seis e meia. São sete e quinze. Você apareceu com uma sacola e começou a pilhar? Você não estava pensando em ficar?

— Eu acho que não.

Eu o observei abrindo mais recipientes. — Por quê? 

Ele não me respondeu por um longo momento. — Achei que você teve um dia difícil e talvez quisesse assistir TV com alguém.

Eu pisquei para ele.

Esses ingressos custavam US$ 200 cada. Eu verifiquei. Eu queria um para que pudesse ir com ele - não que ele tivesse me convidado. Mas eu teria descaradamente derrubado o lugar se a coisa não estivesse esgotada.

Houve leilão silencioso e sorteio, música ao vivo e dança. O evento durava até meia-noite. Ele alugou um smoking. E ele apenas... saiu? Para assistir TV comigo?

Ou ele realmente odiava sair com Marcus ou ele realmente gostava de “The Office”.

Ou hey, talvez ele tenha uma queda enorme por mim, não aguenta ficar longe de mim, teve que voltar para mim o mais rápido possível.

Ha ha.

— Quer ver minha surpresa? — ele perguntou.

— Não é isso?

Ele sorriu e se levantou. Eu o observei puxar a cortina de volta na minha porta de vidro deslizante.

Minhas mãos voaram para minha boca.

Lá, na pequena mesa de bistrô coberta de neve na minha varanda, estava uma escultura de gelo de um cisne.

— Veio direto do buffet de sobremesas. — Ele levantou a mão. — Não se preocupe, eu não roubei. Eu doei algumas centenas de dólares por ele. Eles ficaram mais do que felizes em me deixar ficar com ele.

Eu balancei minha cabeça. — Você carregou isso até aqui? — eu respirei.

— Estará aí até a primavera. Sempre que o vir, quero que se lembre de que coloquei aquele cubo de gelo pingando no meu cupê para você.

Meu coração disparou. Estendi a mão para ele inutilmente como braços tentando se esticar através de um oceano.

Ele era perfeito. Ele era perfeito em todos os sentidos.

Tudo que eu sempre quis foi viver. Envelhecer e ter mais tempo. E agora eu tinha outra coisa que queria tanto quanto isso.

Eu o queria.

E nenhum dos dois provavelmente jamais seria meu.

CAPÍTULO 14

CAPÍTULO 14

ESTAS PESSOAS ESTÃO JANTANDO EM UMA LIXEIRA E VOCÊ NUNCA VAI ACREDITA POR QUÊ!

Vanessa

Entramos na garagem de papai. Eram 6:30 da noite de sábado. Tínhamos deixado Grace com a Lady Yoga. Eu não queria que ela respirasse o bolor negro e os ácaros que Adrian e eu tínhamos planejado suportar pelas próximas duas horas.

Adrian estacionou o carro e olhou para a casa. — Estamos realmente jantando lá? — ele perguntou severamente.

Eu olhei para ele. — Eu pensei que você disse que estava disposto a levar uma das heps comigo?

Ele bufou.

Tirei meu Carmex do sutiã. — Eu não confio no papai para cozinhar comida que não vai nos matar, mas eu confio na Sonja — falei, aplicando o protetor labial e colocando a tampa de volta antes de guardá-lo na minha camisa. — Acho que vai ficar tudo bem.

Eu olhei para trás pelo para-brisa. As luzes de Natal estavam acesas. Eu gostaria de dizer que este era o papai sendo festivo, mas na verdade era o papai sendo festivo quatro anos atrás e elas nunca saíram. Por apenas um mês do ano, a casa de papai não irritava os vizinhos.

— O que seu pai faz para viver? — ele perguntou.

Eu balancei minha cabeça. — Agora? Nada. Na verdade, ele costumava ser um contador. Ele é muito inteligente. Então ele descobriu que podia vender todas as coisas aleatórias que gostava de colecionar, então ele largou seu emprego para vender coisas no eBay e no Craigslist em tempo integral. Papai não é muito hábil, porém, e a maior parte do que ele tentava vender era lixo, então ele nunca ganhava o suficiente. Foi quando toda a desordem foi de mal a pior, porque tudo se tornou algo que poderia ser ‘consertado e vendido’. — Eu coloquei meus dedos entre aspas. — Ele trazia qualquer coisa para casa. Uma banheira na calçada. Bagagem quebrada, patins de gelo velhos de alguém.

— Bicicletas.

Eu zombei. — Sããão muitas bicicletas.

Suspirei. — Eu sei que dou a ele um monte de merda, mas acho que ele fez o melhor que pôde. — Eu pausei. — Não foi fácil viver as coisas que ele passou. Acho que tragédias suficientes podem desvendar qualquer um.

Adrian se virou para mim. — Eu acho que depende de quem você é. Você sabe, você passou por todas as mesmas coisas que ele e você não se desvencilhou.

Eu sorri suavemente para ele. — Sim. Bem, eu acho que essas coisas tendem a piorar quanto mais você envelhece. Vamos apenas esperar que eu viva o suficiente para que isso realmente me acerte. Transforme-me naquela tia excêntrica que embrulha coisas de sua casa para dar de presente no Natal.

Ele riu.

Eu o cutuquei. — Ei, quando vou conhecer sua família maluca? — perguntei. — Não parece justo que a minha receba toda a atenção.

— Minha família inteira está em Nebraska agora. Minha mãe se mudou para lá com o marido e minha avó em outubro. Richard e minha mãe me convidaram para o Natal, mas eu não vou.

— Por quê?

Ele balançou sua cabeça. — Não me sinto confortável. Eu não gosto de Richard.

— Oh, sim? Por que não? Ele é um idiota?

Ele riu um pouco da minha piada. Então ele parou por um momento antes de soltar um longo suspiro. — Richard é meu pai.

Meu queixo caiu. — O quê? Tipo... o pai que fugiu e deixou a família? Esse pai?

Ele assentiu. — Aquele pai. Eles voltaram há um ano. Eles estão casados novamente.

Eu pisquei para ele. — Oh, meu Deus — eu respirei.

Ele zombou. — Sim.

— Quero dizer... por quê? Qual foi o motivo dele para sair em primeiro lugar?

Ele balançou a cabeça para o para-brisa. — Ele teve um caso com uma mulher com quem trabalhava. Ele nos deixou por ela. Não durou.

Recostei-me no assento. — Uau.

— Sim. Mamãe estava uma bagunça. Por anos. Dentro e fora da depressão. Eu tive que fazer tudo por ela. Pagar as contas, limpar a casa. Eu não poderia nem mesmo ir para a faculdade fora do estado. Eu não poderia deixá-la.

Eu balancei minha cabeça. — Ele pagou pensão alimentícia?

Ele assentiu. — Ele o fez. Eu vou dar isso a ele. Auxílio e pensão alimentícia paga - continuou pagando mesmo quando não precisava. Tentou manter um relacionamento comigo, mas eu não tinha nenhum interesse nisso.

Eu soprei ar pelos lábios contraídos. — Sim, eu posso ver isso. — Eu olhei para ele. — Mas é meio romântico. Que eles circularam de volta um para o outro.

Ele olhou para mim.

— O quê? — Sua mandíbula se contraiu. — Você parece a mamãe.

Dei de ombros. — Bem, é verdade. Pessoas estragam tudo. E parece que ele percebeu isso. Talvez eles fossem almas gêmeas e nenhum deles jamais encontrou a mesma felicidade com outra pessoa.

— Eu não acredito em almas gêmeas — ele disse, seu tom cortante.

Eu zombei. — Bem, papai não acredita em datas de validade, mas isso não significa que elas não existam.

Ele soltou uma risada seca.

— Sua mãe está feliz? — perguntei.

Ele olhou para o para-brisa e assentiu com relutância. — Sim. Eu acho que ela está.

Eu encolhi os ombros novamente. — Bom. Você deveria perdoá-lo.

Sua cabeça voltou para mim. — O quê? 

— Por que não? Quer dizer, você não precisa gostar dele. Você não precisa confiar nele, esquecer o que ele fez ou segui-lo no Facebook. Mas ele está na vida da sua mãe agora e manter essa vingança só vai machucar ela e sua avó. Quer dizer, você nem vai vê-las no Natal? Por quê? Porque ele está lá? Foda-se ele. Vá ver sua família.

Ele piscou para mim.

Eu balancei minha cabeça. — Uau. Alguém neste carro nunca teve que ignorar seu tio bêbado e misógino no Dia de Ação de Graças, e isso realmente mostra. — Eu girei em meu assento para olhar para ele de frente. — Adrian. O ódio é exaustivo. A vida é curta demais para odiar. Deixa para lá. E enquanto você está nisso, pode ser útil tentar vê-lo como uma pessoa completa, que não é toda preto ou branco. Você sabe, ele pode ser seu pai que ama você e sua mãe, e alguém que fez algo realmente ruim para machucar vocês uma vez. Ele pode ser ambos.

Observei algum tipo de luta interna se mover em seu rosto. — Então apenas... o quê? Aparecer no Natal?

— Sim. Por que não? Irei com você se quiser. Se for uma merda, vamos embora.

Ele franziu a testa. — Você irá?

Dei de ombros. — Claro.

Ele acenou com a cabeça para a casa. — E quanto ao seu pai? Ele não ficará sozinho no Natal se você não estiver aqui?

Eu acenei para ele. — Deixe Brent entrar. Eu vou vê-lo na véspera de Natal. Vou levá-lo ao Denny's ou algo assim para o café da manhã. Ele ficará emocionado. Podemos sair depois disso e ir para Nebraska para o jantar.

— Você não se importaria de passar o Natal comigo?

— Eu ia passar com você de qualquer maneira.

O canto de seu lábio se contraiu.

Ele olhou para mim por um longo momento. — OK. — Ele assentiu. — Tudo bem. Eu vou, vou tentar.

Havia algo instantaneamente mais suave em seu rosto. Como se bem no fundo, ele quisesse permissão para deixar isso ir, mas ele não podia dar a si mesmo.

Adrian não mudava de marcha muito rapidamente, eu percebi. Isso era parte do que o tornou grande. Sua devoção às pessoas de quem gostava era inabalável. Isso o tornava estável e confiável. Mas também o tornava inflexível e propenso a se agarrar a coisas que não eram boas para ele por muito mais tempo do que deveria.

— Sabe, talvez você deva falar com alguém — eu disse. — Um bom terapeuta pode ajudá-lo a trabalhar com algumas dessas coisas.

Ele balançou sua cabeça. — Mamãe fez terapia por anos e nunca pareceu melhorar nada.

— Como você sabe que nunca fez nada melhor? Talvez sem isso ela teria sido um milhão de vezes pior.

Ele não respondeu.

— De qualquer forma, isso vai ser divertido — eu disse. — Devíamos escolher um audiolivro para ouvir na viagem. Parar no posto de gasolina e comprar, tipo, um milhão de lanches.

Ele sorriu para mim.

Na verdade, estava animada para ir para Nebraska. Eu estava aqui esperando que a casa da mãe dele tivesse apenas uma cama de hóspedes e que tivéssemos que dividir.

Em seguida, os cantos dos meus lábios caíram um pouco.

Ele nem sempre seria solteiro. E quando ele não estivesse, eu não iria com ele a lugar nenhum. Provavelmente nunca. Ele teria uma namorada para isso.

E se ele começasse a namorar de novo?

Esse pensamento me matou. E se ele se tornasse um prostituto completo em uma espiral de morte tardia induzida por Rachel na separação? Eu estaria lá no meu apartamento pequeno o ouvindo com outras mulheres através da parede?

O pensamento partiu um pouco meu coração. Era tão idiota, mas me senti traída só de pensar nisso. Parecia trapaça.

Eu não conseguia imaginá-lo sendo de outra pessoa. Eu sabia que tecnicamente ele não era meu. Mas na prática ele era. Não de todas as maneiras que importavam. Não de maneiras suficientes para ser o suficiente. Mas ele era meu.

Pelo menos por enquanto.

— O que há de errado? — ele perguntou, parecendo um pouco preocupado. — Seu rosto ficou sério.

— Se eu ainda estiver viva e você estiver solteiro no meu trigésimo aniversário, quer se casar comigo?

Ele riu. — O quê?

— Você vai entrar em um pacto de casamento comigo? Daqui a um ano, você e eu nos casaremos se você for solteiro e eu ainda estiver viva. Podemos ser um daqueles casais do Pinterest que usam flanelas combinando e vão a um canteiro de abóboras para tirar aquela foto de noivado onde ambos pulamos ao mesmo tempo.

Ele parecia divertido. — Em primeiro lugar, você estará viva. Em segundo lugar, nós dois sabemos que você não pula.

Eu torci meus lábios. — Certo. Bom ponto. E você não possui uma flanela. Que tal aquela em que são apenas as nossas pernas e um quadro-negro que diz ‘ela disse sim’? Só poderíamos mudar para ‘ele teve pena de mim’?

Ele riu. — E você tem certeza de que sou o homem certo para este trabalho?

— Totalmente. Não estou explicando minha família maluca para alguém novo. É muito trabalhoso.

Ele riu novamente. — Você não quer se casar por amor?

Sim. É por isso que eu lhe propus.

Respirei fundo e mudei de assunto. — Ei, desculpe pelo seu escritório ontem.

Ele olhou para mim com aqueles lindos olhos verdes, e me lembrei de como ele juntou minhas mãos nas dele e meu coração deu uma cambalhota.

Adrian nunca me tocou. Quer dizer, é claro que não, éramos apenas amigos. Mas isso me acalmou como um sussurro suave para minha alma gritando.

Eu entendi por que Grace o preferia. Seus braços eram seguros e reconfortantes. E eu odiava que a única vez em que pude estar neles foi quando eu estava quebrando minhas próprias regras e lamentando meu próprio destino.

— Você quer falar sobre isso? — ele perguntou.

Parei por um momento e olhei pela janela para o gramado coberto de neve.

— Você sabe quando você pergunta a alguém o que faria se o sol estivesse vindo para a Terra e tivesse só 24 horas de vida? E todo mundo sempre diz que estaria com a família, comeria sua comida favorita, iria para algum lugar que sempre quis ir? Ninguém nunca disse que passaria o último dia enrolado na cama chorando - porque não o faria. Isso não é o que ninguém quer fazer com suas horas finais. — Eu olhei de volta para ele. — Quero dizer, sim, você choraria. E você ficaria com medo porque você iria morrer. E você se pegaria olhando para o céu durante o dia, sabendo o que estaria por vir, porque isso é apenas a natureza humana. Mas, na maior parte, você apenas aproveitaria o tempo que lhe restaria. Especialmente porque não haveria nada que pudesse fazer a respeito. Não haveria escapatória, nenhum lugar para se esconder. Então, por que se preocupar? Ficar obcecado com o fim não tem sentido. — Eu segurei seu olhar. — Se você passa a vida pensando na pior coisa possível, quando finalmente acontece, você viveu duas vezes. Não quero viver as piores coisas duas vezes. Tento muito não pensar nas coisas ruins. Mas de vez em quando sou humana e olho para cima. — Eu o estudei em silêncio. — Ontem foi apenas um daqueles dias em que olhei para o sol.

Ele olhou para mim, algo gentil em seu rosto. — Você é uma mulher notável, Vanessa Price, sabia disso? — ele disse calmamente.

Eu sorri um pouco. — Nós provavelmente deveríamos entrar — eu disse. — Papai está esperando. — Peguei minha bolsa. — Lembre-se, é mais fácil se você respirar pela boca.

Adrian me deu um sorriso tranquilizador e saiu do carro.

Ficamos na varanda da frente enquanto bati e a porta se abriu alguns segundos depois.

Papai sorriu para nós com uma Sonja sorridente bem atrás dele. — Bem-vindo à minha humilde morada — disse papai com um floreio. — Por favor, entrem.

Ele saiu da porta e meu queixo caiu.

A primeira coisa que me atingiu foi a luz. A casa de papai estava sempre escura. Isso me lembrava do Upside Down in “Stranger Things”, tudo assustador e cinza. Mas a entrada estava acesa. Calorosa. E quando entrei, vi por quê.

A casa estava impecável. O mais limpo que eu já vi. Eu olhei ao redor da sala de estar da entrada em choque total. — Pai... — eu respirei.

As pilhas haviam sumido. Todo o lixo e desordem se foram. Eu podia ver o carpete - e estava limpo. Novo, na verdade. Acho que ele até pintou. A TV de tela plana que estava encostada na parede foi instalada. Alguém havia emoldurado e pendurado um quadro que Melanie fizera na escola e que costumava ser colado na parede com um percevejo. Havia um cercadinho de aparência nova ao lado do sofá com um cobertor de bebê de crochê cuidadosamente dobrado e estendido ao lado. E o cheiro - não havia nenhum. De qualquer maneira, não ruim. A casa cheirava a molho de tomate fervendo.

Eu segurei o braço de Adrian e agarrei como se minhas pernas fossem falhar.

Papai ficou balançando nos calcanhares, sorrindo para a casa.

Sonja sorriu para mim. — Conversamos muito sobre metas. E você quer saber qual é o objetivo número um do seu pai, Vanessa?

Olhei para papai, tão emocionada que fiquei sem fôlego.

Ele acenou com a cabeça para o cercadinho. — Eu quero que Grace tenha festas do pijama na casa de seu avô.

Comecei a rir. E então, com a mesma rapidez, comecei a chorar.

Acho que nunca realmente acreditei que minha família fosse capaz de ficar bem. Em qualquer sentido. É o que mais me apavorava em estar doente, o que me impedia de estar em paz com a morte. Mas talvez papai pudesse mudar. E se ele pudesse mudar, talvez Annabel e Brent também pudessem. E se eles estivessem bem, Grace ficaria bem. Então eu poderia ir. Eu poderia me concentrar em mim e no tempo que me restava, se fosse isso que estivesse acontecendo, e a ELA levaria uma coisa a menos. Isso levaria minha vida, mas talvez não levasse minha família comigo quando eu fosse.

Adrian se inclinou e sussurrou em meu ouvido. — Eu pensei que você disse que este lugar era uma merda...

Eu ri e chorei, e ele me deu um abraço de lado.

Papai pendurou minha bolsa. — Fiz goulash para o jantar, como nos velhos tempos.

Pisquei para meu pai em meio às lágrimas, ali em sua casa limpa. E então eu limpei o espaço entre nós e o abracei.

Não éramos realmente uma família afetuosa. Eu não vi o abraço chegando e nem ele. Mas nós dois estávamos felizes por estar nisso e por um segundo, eu era uma garotinha de novo.

Eu me afastei dele, enxugando meus olhos quando Brent veio pelo corredor com Joel, segurando um martini. — Oh, meu Deus. Oh, meu Deus. — Brent gesticulou dramaticamente para a casa. — Quero dizer, eu vi no exterior caminhões basculantes, mas eu pensei que eles estavam trazendo coisas.

Eu ri.

Brent levantou a mão. — Pai, você deveria estar muito orgulhoso de si mesmo.

Papai sorriu, parecendo um pouco com os olhos turvos. — Tenho uma surpresa especial. Para a sala de estar, chop-chop. — Ele bateu palmas.

Ele nos conduziu até o sofá e quando vi para onde ele estava nos conduzindo, engasguei.

Na mesa de centro estavam nossos álbuns de fotos de família. Aqueles que papai disse que não conseguia encontrar. Aqueles que eu estava preocupada de estarem perdidos como tesouro, para nunca mais serem vistos novamente.

— Você os encontrou? — eu respirei, pegando um.

— Eu encontrei — papai disse com orgulho. — Com a ajuda desta adorável senhora, é claro.

Sonja sorriu, sentando-se em uma cadeira que costumava estar cheia de jogos de tabuleiro. — Foi ele quem fez o trabalho. Fiquei muito impressionado com ele.

Papai praticamente brilhava.

Papai sempre era cem vezes mais orgulhoso de si mesmo do que deveria. As ilusões de grandeza abundavam. Mas desta vez ele merecia estar orgulhoso.

Sentei-me no sofá e abri um álbum de fotos com reverência. Este era o único com fotos da mamãe. Meus olhos começaram a lacrimejar novamente enquanto eu folheava as páginas. Mamãe sentada em uma cadeira de gramado, e eu e Mel brincando em uma piscina infantil na grama. Dia das Bruxas, mamãe vestida como uma garota motoqueira, sorrindo com uma lanterna de abóbora. Aniversários com os bolos de sorvete Baskin-Robbins que ela sempre gostou de comprar para nós. A casa também estava limpa naquela época.

Havia fotos de papai, vinte e cinco anos mais jovem. Ele tinha costeletas e olhos claros.

Ele não estava quebrado ainda.

Eu me perguntei quanto tempo o efeito cascata durava depois que alguém morria. Talvez até que todos que o conheciam estivessem mortos também? Ou era algo que durava geração após geração porque o dano era passado, tocando cada nova pessoa e mudando-as, mesmo que sem saber por quê?

Algo me disse que era esse.

Grace nunca conheceria sua tia Melanie, mas a perda dela iria arruiná-la da mesma forma - porque essa perda arruinou sua mãe.

Annabel usou drogas para entorpecer a memória do que testemunhou nas mãos da ELA. Ela não podia fazer o que eu fiz - viver uma vida boa apesar disso. Ela precisava de algo para aliviar a dor e a devastação que ela suportou. E então sua perda agora era a perda de Grace também. Grace passaria por ela por toda a sua vida, a menos que Annabel ficasse limpa – ou a menos que eu tirasse Grace dela. Fazer com que ela fosse adotada por outra família que não compartilhava dessa tragédia.

Eu sacudi isso.

Não adiantava pensar nisso. Eu passei bastante tempo pensando em coisas que não poderia mudar hoje. Eu não queria olhar para o sol novamente.

Adrian se sentou ao meu lado, tão perto que sua coxa pressionou a minha. Ele olhou para o álbum. — Ela se parece com você — disse ele.

Eu concordei. — Sim. Parece — eu disse calmamente.

E assim como eu, sua doença era invisível - mas estava lá, à espreita dentro dela, pronta para lançar sua armadilha.

Mamãe era dançarina. Ela ensinou em uma academia. Perder sua capacidade de fazer a única coisa que ela mais amava, um dia de definhamento de músculos de cada vez, teria sido extremamente cruel. Foi um lembrete de que algumas coisas são piores do que a morte - perder as coisas pelas quais vale a pena viver é pior do que a morte.

Viajar era o que eu amava.

Nunca guardei nada para o longo prazo. Eu não fui para a faculdade. Eu não podia pagar naquela época, de qualquer maneira, e por que desperdiçar minha vida sentada em uma sala trabalhando em um diploma quando morreria antes de usá-lo?

Não cuidei do colesterol ou dos exercícios. Não me preocupei sobre onde estaria em dez anos. Fiz planos de longo prazo para minha família, não para mim. Mas eu planejei isso.

Quando comecei minha jornada de viajar pelo mundo, pesquisei todas as melhores cidades do mundo para usuários de cadeiras de rodas. E em todas as minhas viagens, não visitei nenhuma. Barcelona, Viena, Cingapura, Sydney, Berlim - essas eram minhas coisas pelas quais ansiar. Para continuar vivendo uma vida digna de ser vivida e tendo novas aventuras pelo maior tempo possível. Eu espremeria cada gota de felicidade do meu tempo nesta Terra. Eu apreciaria cada segundo.

Especialmente agora que os segundos provavelmente estavam se esgotando.

O jantar estava incrível. Pela primeira vez em mais tempo do que eu conseguia me lembrar, não me senti preocupada, irritada ou ressentida com meu pai. Eu apenas o apreciava. Eu pude ouvi-lo contar suas histórias engraçadas e rir e lembrar o quão charmoso ele poderia ser. E o melhor de tudo foi que Adrian também viu. Eu poderia dizer. Papai dizia algo espirituoso e Adrian olhava para mim e eu via em seus olhos. Era como levar alguém de sua infância a um lugar mágico e fazê-los ver a mesma maravilha que você viu uma vez, embora não tivesse o mesmo poder sobre eles. E eu não conseguia explicar o quão precioso isso era para mim.

Eu queria ter orgulho de papai. E não havia ninguém no mundo que eu quisesse sentir assim na frente mais do que Adrian.

Ele era tão normal e com os pés no chão e tinha todas as suas merdas juntas, e eu era como um incêndio de cinco alarmes após o outro. Detritos em um ciclone de caos. Eu sabia que ele gostava de estar comigo porque eu era divertida - e realmente tentei ser divertida na frente dele. Mas quanto mais tempo ele passava comigo, mais ele via. E a maior parte do que viu foi apenas triste. Compartilhar e celebrar alguma normalidade parecia um presente.

Depois do jantar, Adrian ficou ombro a ombro comigo, ajudando com os pratos. Papai e Sonja haviam cozinhado, então limpamos. Eles estavam na sala de estar com Joel e Brent - que não fizeram nada para ganhar o direito de relaxar, mas isso era típico.

Adrian olhou para mim. — Você deve estar realmente orgulhosa do que ele fez aqui— ele disse calmamente.

Eu concordei. — Eu estou.

Não era a casa inteira. Meu antigo quarto ainda abrigava meia dúzia de bicicletas que papai insistira que ele mantivesse e vendesse. E o andar de cima ainda não havia sido tocado. Mas o progresso foi além de encorajador.

Sonja havia nos explicado que o processo de limpar a casa era maior do que apenas se livrar das coisas. Estava ajudando papai a entender por que ele sentia que precisava adquiri-los em primeiro lugar. Seu plano de ataque não era apenas para limpar. Cabia a ele reaprender comportamentos e encontrar outras maneiras de lidar com o estresse que causava a compulsão. E um dos aspectos centrais disso foi ele encontrar um emprego diferente. Um que não exigia que ele colecionasse coisas para viver. Ela não precisava me dizer que era uma ladeira escorregadia, eu via com meus próprios olhos. Papai estava procurando trabalho de contabilidade novamente. Ele teria uma entrevista na segunda-feira.

Sequei um prato e coloquei no balcão. — Sabe, isso não teria acontecido se você não tivesse recomendado Sonja.

Ela tinha sido claramente o catalisador para essa mudança de vida em papai. Mas Adrian era a razão de Sonja estar aqui.

Ele me fez sentir como se eu tivesse um parceiro. Como se eu não precisasse ser a única a sempre descobrir as coisas e saber o que fazer - e eu sempre tive que ser aquela a descobrir as coisas e saber o que fazer. Mesmo com Grace, ele pegou a carga. Era como se ela pertencesse a nós dois agora. Nós estávamos lá para ela, e tudo aconteceu tão naturalmente e sem esforço.

Eu quis dizer o que disse ontem em seu escritório: eu tinha muitos amigos. Mas eles não me conheciam como Adrian. Ninguém o fez. Drake conhecia as histórias que eu contei a ele. Sempre fui honesta com ele e conversamos sobre tudo. Mas era diferente de vivê-las ao meu lado como Adrian fazia. Contar a alguém sobre a casa de papai era diferente de ir comigo para resgatá-lo quando preso por um armário.

Havia algo eternamente cativante sobre uma pessoa que podia ver o que Adrian tinha visto e não correr ou julgar você. Isso me fez sentir segura e estável. Como se eu estivesse flutuando no vento e tivesse encontrado uma árvore forte e de raízes profundas para pousar e buscar refúgio. Eu senti que poderia estar em qualquer nível de fodido ou louco e ele ainda estaria lá, me segurando.

Terminamos os pratos e nos dirigimos para a sala de estar. Adrian pediu licença e foi ao banheiro. No segundo em que ficamos sozinhos, papai começou a me atacar. — Então, como vai o advogado? — Ele balançou as sobrancelhas espessas.

Claro. Era só questão de tempo.

Eu balancei minha cabeça. — Somos apenas amigos, pai — eu disse baixinho.

Ele soltou uma risada. — Você está brincando comigo, certo? — Ele se inclinou para frente conspiratoriamente. — O homem está obcecado. Olhe para ele — ele sussurrou.

Sonja sorriu para sua xícara de café e Joel assentiu.

— Ele não consegue tirar os olhos de você — sussurrou Brent. — Tem sido como assistir a uma partida de tênis a noite toda - a cabeça dele indo para um lado para outro, vendo você andar por aí.

Eu zombei. — Ele não está me observando.

Papai balançou a cabeça. — Você teria que ser cego para não ver. Por favor, diga-me que não criei uma filha tão obtusa.

Eu estreitei meus olhos para ele, mas não tive a chance de responder porque Adrian voltou pelo corredor.

Papai sorriu teatralmente. — Nós provavelmente deveríamos encerrar as atividades desta noite. Tenho certeza de que este jovem cavalheiro tem uma noite romântica planejada.

Revirei os olhos e compartilhei um olhar com Adrian. Ele apenas sorriu.

— Nós provavelmente devemos ir. Eu não quero deixar Grace por mais tempo do que o necessário — falei, puxando meu celular vibrante do bolso. Não reconheci o número, mas era local, então deslizei para atender a ligação. — Olá?

Fiquei sentada ouvindo o que estava sendo dito do outro lado da linha.

Meu coração afundou.

Era um policial ligando de um hospital.

Minha irmã estava em cirurgia.

Ela foi baleada.

CAPÍTULO 15

CAPÍTULO 15

O MÉDICO SAI E TODOS FICAM ATÔNITOS!

Adrian

Estávamos na sala de espera do Hospital Royaume Northwestern. Eram 22:00 e já aguardávamos aqui há duas horas.

A informação era instável. Aparentemente, Annabel estava invadindo, escalando em uma janela, e o residente da propriedade atirou nela. A bala atingiu seu ombro e o ferimento não era fatal. Ela estava em cirurgia para fechar a ferida e então Vanessa, Brent e Gerald poderiam vê-la.

Além do despejo de informações rápido que Vanessa tinha obtido do policial que ligou para ela, ninguém tinha saído para falar conosco. Pelo que eu sabia, nenhuma acusação havia sido apresentada - ainda. Além do B e E, eles encontraram Annabel com vários frascos de narcóticos em sua posse. Nenhum estava em seu nome. Ninguém sabia onde ela os havia conseguido, mas se ela estava invadindo esta casa, ela poderia ter invadido outras.

Gerald e Sonja estavam conversando baixinho. Brent e Joel estavam em seus telefones. Vanessa estava enrolada ao meu lado, sentada em uma cadeira com a cabeça no meu ombro. Eu tinha um braço em volta dela e minha jaqueta estendida sobre ela. Eu tive que lutar contra a vontade de beijar o topo de sua cabeça.

Tinha que lutar contra a vontade de fazer muitas coisas.

Eu gostaria de dizer que preferia estar em casa, na minha cama, mas se Vanessa não estaria lá comigo, eu estava perfeitamente feliz em me sentar nesta cadeira e segurá-la aqui em vez disso.

Ela veio para mim e não seu pai.

Ela se retirou para os meus braços como se eu fosse o único porto seguro no mundo - e eu queria ser isso. Percebi hoje que sempre queria estar lá para recebê-la. Eu queria que todas as oportunidades fossem úteis para ela. Eu ansiava por isso. Esperava por isso. Observá-la para ver quando ela poderia precisar que eu a pegasse. Ver seus lindos olhos procurando em uma sala e se concentrando em mim, um sinal para arrancá-la de seu tornado rodopiante e mantê-la quieta.

Fiquei feliz em ver que Gerald estava se recompondo. Eu estava feliz pelo bem de Vanessa. Mas a única coisa que percebi esta noite foi que, mesmo que ele não o fizesse, não havia loucura que ela ou sua família pudessem lançar sobre mim para me fazer mudar de ideia sobre ela.

As portas se abriram e o médico saiu. Assim que o viu, Vanessa levantou-se rapidamente e a família o cercou.

O médico foi breve. — Eu sou o Dr. Rasmussen. Ela está em recuperação. Ela está estável — ele disse, seu tom neutro. — Não acho que precisaremos mantê-la por mais de um dia.

Vanessa parecia aliviada. — Podemos vê-la?

Ele olhou para Vanessa como se a pergunta o irritasse. — Não, você não pode. Ela está presa.

O rosto de Vanessa caiu. — O quê? — ela respirou.

Gerald empalideceu ao meu lado. — Presa? Com base em quê?

O médico o ignorou. — Sem visitantes, ela será liberada no sistema carcerário do Condado de Hennepin — disse ele, nem mesmo tentando esconder sua desaprovação.

Minha mandíbula flexionou. Eu não gostei de seu tom - e eu sabia exatamente porque ele o tinha.

Para ele, Annabel era uma criminosa e viciada em drogas. E nenhuma das coisas era problema dele. Ela era irmã de Vanessa e mãe de Grace, e era melhor ele orar a Deus para que seus preconceitos não se traduzissem em mal-cuidado, porque eu arrastaria seu traseiro por um processo por negligência como ele nunca tinha visto.

— Eu sou o advogado dela — eu disse, minha voz cortada. — Ela tem o direito pela Sexta Emenda a um advogado. Vou precisar falar com ela. — Eu olhei para ele calmamente. — E eu sinceramente espero que, quando o fizer, descubra que ela está recebendo nada além de cuidados médicos exemplares.

Observei seus olhos se estreitarem.

Eu já tinha visto tudo. Todo tipo de crueldade sutil submetida a pacientes criminosos. Fazê-los esperar por analgésicos, usar a maior agulha possível para tirar sangue para que doa mais, tratá-los e matá-los - dar alta mais cedo e em detrimento do paciente apenas para tirá-los do chão. Eu sabia todas as merdas que eles faziam.

E agora ele sabia que eu sabia.

— Tudo bem — o médico falou rigidamente. — Mostre sua identidade no posto de enfermagem. Dê a ela mais vinte minutos para sair da anestesia ou ela não será muito conversadora — acrescentou. E então ele foi embora.

Vanessa olhou para mim. Ela estava começando a chorar.

Eu coloquei minhas mãos em seus ombros. — Ei, não faça isso.

Seu lábio inferior tremeu. — Isto é minha culpa. Desliguei o telefone dela. Ela provavelmente estava com frio e com fome. Ela voltou para sua antiga casa para escalar uma janela porque estava com cinco negativos do lado de fora e ela não conseguia nem me ligar para pedir ajuda, e agora ela está indo para a prisão com um ferimento a bala.

Brent pigarreou. — Na verdade, isso é minha culpa. — Ele sugou o ar por entre os dentes. — Ela meio que ficou comigo e com Joel depois que você disse que ela não podia ficar na casa do papai. Eu a chutei esta manhã depois que minha pulseira Tiffany desapareceu.

Vanessa piscou para ele. — Ela esteve com você esse tempo todo?

— Ela me ligou depois que bateu o carro. — Ele fez uma careta.

O queixo de Vanessa caiu. — Por que você não me contou?!

— Você sabe como você consegue! E de qualquer maneira, eu dei a ela limites muito firmes e os apliquei quando ela estragou tudo - e você sabe o quê? Não. — Ele cruzou os braços. — Isso não é minha culpa. Não é sua culpa, nem do papai. Ela é uma bagunça e isso é por conta dela. Talvez sua bunda idiota precise ir para a prisão.

— Brent! — Vanessa empalideceu. — Ela precisa de ajuda! Não ser encarcerada!

Eu levantei minha mão. — E ela vai conseguir ajuda. Ela não vai para a prisão. Vou me certificar disso.

Vanessa olhou para mim com uma fungada. — Como?

— A casa que ela estava invadindo - você disse que ela morou lá uma vez? Era a antiga casa dela?

Ela acenou com a cabeça.

— Eles a despejaram? Ou ela simplesmente foi embora?

Vanessa balançou a cabeça. — Acho que ela acabou de sair.

— Há quanto tempo?

Ela enxugou os olhos. — Três? Talvez quatro semanas?

— OK. Então ela ainda é residente da propriedade e tinha o direito legal de estar no local. Ela não estava invadindo - na verdade, arrisco dizer que o atirador tem mais com que se preocupar do que ela. Ela será a única retirando as acusações.

— Mas e as pílulas? Ela tinha todos aqueles comprimidos roubados com ela. Eles não vão dizer que ela estava vendendo ou algo assim? Digamos que ela fosse traficante?

— Se algo mais persistir, tenho um favor que posso pedir. Vou fazer com que a promotoria concorde com um programa de tratamento antes de tudo. Vou mandar indiciá-la ao lado da cama. Ela nunca vai pisar em uma delegacia de polícia, eu prometo a você. Ela está no melhor lugar para ela agora. Ela está segura e vai buscar ajuda. Eu vou cuidar disso. Você não precisa se preocupar com isso.

Eu vi o estresse sumir de sua bela expressão. O alívio.

Ela confiou em mim. Ela acreditou em mim quando eu disse que faria as coisas ficarem bem - e eu faria.

Eu era bom no meu trabalho. Mas ver que ela sabia que eu era capaz do que disse que faria me deixou mais orgulhoso de minha graduação em direito do que qualquer processo judicial que eu já ganhei, ou qualquer artigo já escrito sobre isso. A opinião dela sobre mim significava mais para mim do que qualquer coisa. E seu conselho também.

Eu nunca, em um milhão de anos, teria concordado com o Natal na casa da mamãe e de Richard se não fosse porque Vanessa disse que eu deveria. Eu confiava nela implicitamente. Especialmente quando se tratava de coisas que me fariam feliz. Eu estava começando a perceber que não conseguia nem pensar fora de minhas próprias visões de mundo limitadas para saber o que eram essas coisas.

Eu estava imóvel. Eu não gostava de mudança. Não gostava de me adaptar. Era mais fácil decidir odiar algo ou alguém e ficar com isso, porque a outra opção seria me expor ao desconhecido ou me abrir para ser magoado. E ela estava certa. Por que odiar Richard? Qual era o objetivo? Isso estava deixando todos infelizes. Incluindo eu. E eu não acho que jamais teria chegado a essa conclusão se ela não tivesse me levado lá.

Ela olhou para mim com os olhos úmidos e eu coloquei a mão em sua bochecha lisa e enxuguei uma lágrima de seu rosto com o polegar. — Vou falar com Annabel, segure isso para que possamos te levar para casa.

Gerald parecia satisfeito consigo mesmo. — Eu disse que era bom ter um advogado na família.

— Pai! — Vanessa olhou para ele.

— É ridículo — disse ele, sem se incomodar. — Tentando prender uma garota inocente de dezenove anos, baleada por escalar uma janela de sua própria casa. Este governo não tem nada melhor a fazer do que mexer com os cidadãos que pagam impostos simplesmente vivendo suas vidas. Vou escrever uma carta ao governador com palavras fortes e dizer onde ele pode enfiá-la.

Brent suspirou dramaticamente. — Claro. Boa ideia. Bem ao lado de cortar sua própria franja. Bem, estarei no estacionamento fumando bitucas de cigarro se alguém precisar de mim. — Ele ergueu sua mochila, agarrou Joel pela mão e saiu.

Vanessa olhou para mim, exasperada, e sorri para ela.

Eu gostava de Brent. E falhas e excentricidades à parte, Gerald estava começando a crescer em mim também.

Ele amava sua família. Ele amava suas filhas e amava Grace, e eu achava muito difícil não gostar dele, não importava o quão fora de si suas opiniões fossem - no jantar, ele anunciou que o pouso na lua era uma farsa.

Dei um aperto no braço de Vanessa e me dirigi para o posto de enfermagem.

Esta era a segunda vez que encontrava Annabel, e mesmo depois de meia hora entendendo seu lado grogue da história, eu ainda não a tinha conhecido. Ela estava saindo da anestesia e estava drogada - por suas próprias mãos ou pelo hospital. De qualquer forma, acho que ela mal registrou o encontro. Fiquei feliz por Vanessa não ter conseguido vê-la. Isso a teria chateado. Sua irmã foi algemada à cama.

Falei com a enfermeira-chefe e informei que a paciente tinha alta tolerância aos narcóticos, o que deve ser levado em consideração no manejo da dor. Também deixei bem claro que esperava que ela ficasse confortável e que eu estaria monitorando de perto seus cuidados.

Depois que terminei, levei Vanessa para casa. Gerald e Sonja tinham seu próprio carro e partiram com Joel e Brent quando nós o fizemos. Vanessa parecia exausta. Pegamos Grace da Lady Yoga, eu a carreguei até a casa de Vanessa e vim com a premissa de que ajudaria a colocar o bebê para dormir durante a noite, mas a verdade é que eu não queria deixá-la.

Eu odiava as paredes entre nós. As físicas e aquelas que você não podia ver.

Eu queria pedir a Vanessa para passar a noite na minha casa – o que era ridículo porque eu não tinha um quarto de hóspedes. Mas eu queria perguntar a ela. E eu sabia que se eu pedisse, ela o faria. Ela sempre foi distração e diversão. Ela provavelmente gritaria sobre a festa do pijama e aceitaria meu convite e me faria pintar minhas unhas e fazer máscaras de lama - e eu nem me importaria. Eu faria isso. Eu a colocaria no meu quarto com Grace e ficaria no sofá...

Mas era uma má ideia para mim.

Esta não era uma mulher de quem eu era apenas amigo - mesmo que ela fosse apenas minha amiga. Tudo com Vanessa significava algo. E cada vez que ela me dava mais de si mesma, eu achava difícil retribuir. Se eu tivesse que acordar amanhã de manhã e vê-la lá, todos os dias que eu não poderia seriam mais vazios do que antes.

É por isso que não poderia pedir a ela que fosse. Isso apenas tornaria as coisas mais difíceis para mim, borraria as linhas. Linhas que ela colocou lá por um motivo. Linhas que ela deixou claro que não queria mudar.

Vanessa foi ao banheiro vestir o pijama enquanto eu trocava a fralda de Grace. Quando ela saiu, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo e lavou o rosto. Ela usava uma camisa marrom da Vance Refrigeration e uma calça de pijama de bolinhas, e cheirava a pasta de dente e algum tipo de sabonete ou loção florida.

Parecia que eu deveria me trocar também. Preparando-me para ir para a cama com ela. A sensação era tão casual e natural que quase tive que me lembrar que não morava aqui - mesmo que parecesse que sim.

Eu me perguntei como seria estar com ela no meio da noite. Dormir ao lado dela, mesmo que nunca nos tocássemos. Acordar com Grace para deixar Vanessa dormir, ouvi-la respirando suavemente, ser capaz de vê-la ao abrir meus olhos e colocar um cobertor em volta dela. Saber que ela e Grace estariam seguras e protegidas porque eu nunca deixaria nada acontecer a elas...

Essas horas tardias eram proibidas para mim. Elas eram tão proibidas quanto beijá-la. E eu as queria. Eu queria o privilégio delas.

Eu estava começando a sentir um desespero crescente. Como se eu soubesse na minha alma que deveríamos ser mais do que isso e eu não soubesse como a fazer saber disso também.

O sentimento estava começando a me consumir. E só ia piorar, porque todos os dias que eu passava com ela já piorava.

Deitei Grace em seu berço, Vanessa veio ao meu lado e suspirou baixinho. — Sabe, a maioria das pessoas que vê um desastre de trem um quilômetro à frente tem o bom senso de descer do trem — disse ela, cansada. — Você não. Agora você tem uma Price como cliente.

— Eu não me importo de ajudar — eu disse, me endireitando e me virando para ela.

Ela olhou para mim. — Eu gostaria que houvesse algo que eu pudesse fazer para agradecer por tudo o que você fez por mim.

— Eu gosto de fazer coisas para você.

Seu rosto ficou um pouco suave. — Porque você é um consertador. É a sua maneira de estar no controle. Mas você sabe, nem tudo pode ser consertado. Você nem sempre pode tornar tudo melhor, Adrian.

Como não respondi, ela mudou de assunto. — Como ela estava? Quando você a viu. Annabel estava bem?

Eu cruzei meus braços. — Desorientada. Um pouco assustada, talvez. Mas ela vai ficar bem.

Ela balançou a cabeça. — Ela vai? E se essa não for a chamada de alerta que esperamos que seja? E se levar um tiro não for realmente seu fundo do poço?

— Não há nada que você possa fazer para a levar a isso. Basta cuidar de Grace e se concentrar em você.

Ela mordeu o lábio e parou por um longo momento. — Eu vi a advogada de adoção ontem de manhã.

Eu sorri. — Oh, sim? O que ela disse?

Ela desviou o olhar de mim. — Ele disse que se eu conseguir que Annabel assine seus direitos, eu poderia colocar Grace com uma família nos próximos meses.

Essa notícia me atingiu como uma bala no peito.

— O quê? — eu respirei. — Eu pensei que você a adotaria.

Ela balançou a cabeça e se virou para mim. — Adrian, posso não estar por aqui em um ano. — Seu queixo estremeceu novamente. — Eu não posso ser a mamãe dela. — Ela se engasgou com a última palavra.

Eu olhei para Grace e senti uma dor em meu coração, e eu não soube identificar o sentimento.

Quando meus olhos voltaram para Vanessa, eles estavam angustiados. — Adrian, eu tenho que dar a ela a melhor chance de estabilidade. Espero que Annabel fique limpa. Espero que ela fique limpa. Mas se ela não puder... minha vida não conduz à maternidade. Principalmente a maternidade solteira. Eu tenho que fazer o que é melhor para ela.

Nunca pensei sobre o que ser mãe podia significar para a carreira de Vanessa. Ela teria que voltar para a estrada eventualmente. Eu sabia que o que ela estava fazendo não era sustentável, e não era realista arrastar um bebê por todo o mundo enquanto fazia vídeos. Já era difícil levar o bebê para uma loja. Eu não conseguia imaginar colocar Grace em voos internacionais e tentar mantê-la na rotina enquanto Vanessa viajava. Mas desistir dela?

Eu arrastei a mão pela minha boca.

O que eu poderia dizer? Eu não era membro da família. Eu não era o pai de Grace. Eu nem era o namorado de Vanessa. Eu era apenas o vizinho - um cara que ela conheceu algumas semanas atrás, que às vezes era babá. Isso não era da minha conta.

Então, por que parecia que algo estava sendo tirado de mim sem minha permissão?

Ela enxugou as lágrimas em seu rosto e eu vi a mudança chegando. O esforço de redirecionar e pensar ou fazer algo que não a entristecia.

Desviando o olhar do sol.

— Ei — falou. — O que você acha de uma festa do pijama?

Eu puxei minhas sobrancelhas para baixo. — O quê?

— Aqui. Esta noite. Meu sofá vira uma bicama. Poderia ser divertido. Poderíamos ficar acordados até tarde assistindo “The Office” e fazer máscaras de lama.

Quase tive que rir da ironia.

Eu balancei minha cabeça. — Eu queria poder. Mas isso realmente não seria apropriado.

Seu rosto caiu. — Oh. Certo. — Ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Entendo.

Ficamos ali por um momento, um peso estranho entre nós. Permanecia como o vapor de uma ducha.

Eu não queria ir para casa. Mas estar em seu apartamento com as luzes apagadas, ela com os pés descalços e sem sutiã e me pedindo para passar a noite, era um terreno perigoso.

Eu estava bem ciente do potencial de me machucar aqui. Eu sabia que estava me apaixonando por uma mulher que não queria ser perseguida. E continuando a me colocar em situações íntimas que me faziam desejar que ela não fosse boa para mim. Mas, ao mesmo tempo, não queria ir embora. Eu não queria perder nada. Ela me fez nunca querer fechar os olhos ao seu redor. Eu nem queria piscar. Percebi isso no meu escritório e naquela escada ontem, o perfume dela dançando ao meu redor como vaga-lumes piscando no verão. Eu percebi isso rindo com ela após o mau funcionamento de seu robe e sentado lá ao lado dela na casa de seu pai, onde eu pude senti-la como uma fogueira, ela estava tão quente.

Ela olhou para mim com aqueles grandes olhos castanhos vulneráveis e eu pensei novamente em beijá-la. Uma parte de mim queria dizer foda-se e apenas fazer, assumir o risco, quebrar as regras, esquecer as consequências, a possibilidade de perdê-la e apenas me inclinar.

Eu deixei meu olhar cair em sua boca. Seus lábios pareciam macios e quentes. Eu podia me imaginar passando minhas mãos por sua blusa, em volta de sua cintura, puxando-a para mim. Eu queria colocar meu nariz em seu pescoço, passar os dedos em seu cabelo, provar sua boca. Eu queria que ela me tocasse.

Eu a encarei por apenas um segundo antes de olhar para qualquer lugar, menos para ela.

Ela não tinha ideia do poder que tinha sobre mim - e acho que nem eu tinha percebido até esta noite. Era quase cômico, Gerald declarando que eles tinham um advogado na família - porque eles tinham. Eu faria qualquer coisa que ela precisasse. Ela me envolveu em seu dedo mindinho sem nem mesmo tentar.

Eu tive clientes indo para a prisão por fazerem algo estúpido a mando de alguma mulher e eu sempre balancei minha cabeça em sua credulidade. Mas agora eu entendi. Tive a sensação de que Vanessa poderia me ligar e pedir para ajudá-la a mover um corpo e eu apareceria cinco minutos depois com luvas de borracha e alvejante.

Eu limpei minha garganta. — Eu devo ir.

Eu agarrei o meu casaco e me coloquei fora antes que eu dissesse, ou pior, fizesse, algo estúpido.

À meia-noite, estava deitado em minha própria cama, a trinta centímetros de onde ela provavelmente estava deitada na dela. Era oficialmente seu aniversário. Enviei a ela uma mensagem que eu tinha preparado o dia todo. Uma foto de uma torta de caramelo salgado Nadia Cakes que comprei para ela com uma vela e uma mensagem que dizia: Ei, garota, você está acordada? 

Eu a ouvi rir através da parede.

Ela me mandou uma mensagem: Foda-se, estou acordada. Venha aqui. 

Sentei-me e encarei o gesso e o tijolo entre nós. Eu queria ir. Eu queria que ela realmente quisesse. E não para uma festa do pijama também.

Eu respondi com um emoji rindo. Então me virei e passei a próxima hora me revirando, sentindo sua falta, tentando adormecer na cama errada.

CAPÍTULO 16

CAPÍTULO 16

APARECEI NA MINHA FESTA DE ANIVERSÁRIO E VOCÊ NUNCA VAI ADIVINHAR QUEM ESTAVA LÁ!

Vanessa

Passei a manhã do meu aniversário com papai e Brent. Outra reunião do Nar-Anon e depois sair para comer. Uma reunião não era realmente minha ideia de um bom tempo, mas eu não estava acima de usar meu aniversário como uma alavanca para fazê-los ir. Adrian cuidou Grace.

Ele queria vir conosco.

Primeiro ele se ofereceu para me preparar o café da manhã. Então, quando eu disse a ele para onde estava indo, ele me perguntou se eu queria que ele me levasse. Eu disse não. Havia tantas besteiras que eu poderia, em sã consciência, permitir que ele aguentasse. Papai duas vezes em menos de 12 horas, uma reunião do Nar-Anon e Perkins provavelmente seria o fim dessa amizade.

Eu voltei por volta das 11h, mas Adrian me disse que ficaria com Grace para que eu pudesse ter algum tempo sozinha. Ele sempre cuidou de Grace enquanto eu tomava banho, mas nunca parei. Eu não queria aproveitar. Algumas horas sozinhas era provavelmente o melhor presente de aniversário que eu já ganhei. Eu estava tão excitada. Eu ia tomar o banho de espuma mais longo do mundo.

Além disso, voltei para casa e vi flores em meu apartamento. Ele também tinha limpado. Havia linhas de vácuo no tapete. Ele arrumou minha cama e lavou todos os pratos. Ele até limpou o banheiro.

Eu não posso te dizer a força necessária para me impedir de correr até seu apartamento e arrancar suas roupas.

Ontem à noite eu pedi a ele para ficar aqui - eu não estava planejando nada escandaloso, mas se ele tivesse iniciado algo escandaloso, eu não diria não. Em vez disso, ele recusou educadamente antes de fugir de volta para seu lugar o mais rápido possível. Então ele me mandou uma mensagem à meia-noite com a foto de um bolo e eu disse a ele para vir. Eu não estava brincando.

Ele me enviou um emoji risonho.

Era deprimente pra caralho. Eu estava me apaixonando por um homem totalmente desinteressado, porque é claro que estava.

Tomei meu banho e tirei uma soneca longa. Então me preparei e encontrei Adrian em seu apartamento às 6:00. Ele convocou Becky para cuidar de Harry Puppins e Grace em sua casa enquanto ele me levava para passear no meu aniversário esta noite. Ele me garantiu que Becky era perfeitamente capaz e tinha muita experiência como babá. Eu acho que ela teria me assegurado também, mas ela ainda não conseguia falar perto de mim.

Adrian nos levou até a Summit Avenue, um bairro nobre de St. Paul. A rua estava salpicada de mansões históricas, as residências dos magnatas das ferrovias e barões da madeira de 1800. Paramos em uma casa enorme, construída em 1881 de acordo com a placa de referência histórica na frente.

— Onde nós estamos? — perguntei, olhando pelo para-brisa enquanto ele puxava o carro para a garagem.

Ele estava sorrindo. — Eu não vou estragar tudo.

A porta estava aberta e Adrian entrou. Vozes desconhecidas chegaram ao saguão de uma sala adjacente. A casa cheirava como se algo incrível estivesse sendo preparado.

Adrian colocou meu bolo de aniversário no aparador e me ajudou a tirar o casaco e pendurá-lo. — Olá — ele chamou, tirando o casaco. — Estamos aqui.

A primeira pessoa a aparecer era a última pessoa que eu esperava. Era Malcolm. E ele estava filmando.

— Feliz aniversário, Vanessa! — ele disse por trás de suas lentes.

Eu ri. — Oh, meu Deus. O que está acontecendo aqui?

— Espero que você não se importe por eu ter ligado para ele — disse Adrian. — Eu sei que você está tendo problemas para obter conteúdo para o seu canal, e achei que esta noite poderia ser um vídeo digno. Eu tenho permissão de todos aqui. Você não precisa usar a filmagem, a menos que queira. Você decide.

Um segundo depois, entendi por que ele pensou que eu poderia querer isso.

Uma mulher veio pelo corredor para nos cumprimentar.

Era Sloan Monroe.

Eu realmente gritei.

— Oi! — Ela me deu um abraço caloroso. — Feliz aniversário! É tão bom conhecê-la.

Ela se virou para meu companheiro. — Adrian, é bom ver você de novo.

Ele a beijou na bochecha.

Eu tinha visto as fotos dela. As capas das revistas e a foto em preto e branco na capa do Sloan In-Between, o álbum que seu marido dedicou a ela. Mas Sloan era ainda mais bonita pessoalmente. Ela tinha longos cabelos loiros e um braço de tatuagens coloridas. Ela usou algum tipo de sombra cintilante que fez seus olhos castanhos saltarem. Eu não tive a chance de perguntar a ela o que era porque o resto dos convidados estavam afunilando atrás dela. O primo de Adrian, Josh, sua esposa, Kristen, e o marido de Sloan, Jason, também conhecido como o famoso músico vencedor do Grammy, Jaxon Waters.

Eu estava respirando em minhas mãos. — Eu não posso acreditar que você fez isso — eu sussurrei.

Adrian sorriu para mim. — Sloan está fazendo o jantar para você. Sua receita de ossobuco de seu livro de receitas. Todos eles vieram de Ely apenas para você. Eu tenho a casa para esta noite. Um cliente me devia um favor.

Eu olhei para ele e as lágrimas encheram meus olhos.

Este pode ser meu último aniversário. Na verdade, se a história da família era uma indicação, provavelmente era.

E ele foi e tornou-o o melhor da minha vida.

Três horas depois, jantamos e comemos bolo, e eu estava sentada na sala de estar em frente a uma enorme e crepitante lareira a lenha com Kristen e Sloan. Os caras estavam parados perto do bar conversando. Mandei Malcolm para casa depois que cantaram parabéns para mim. Apreciei que Adrian tivesse pensado em tê-lo aqui, mas eu não estaria compartilhando o vídeo.

Adrian me disse uma vez, depois que eu tive que tirar uma foto com alguém no Trader Joe, alguns dias atrás, que ele não sabia como eu lidava com toda a falta de anonimato. Lidava com isso porque tornou possível minha luta contra ELA. Mas Adrian não tinha essa pele para o jogo.

Meu seguimento não era pouca coisa. Se eu compartilhasse aquele vídeo, ele ficaria famoso instantaneamente. Ele nunca mais seria anônimo. Uma coisa era falar sobre um homem chamado Jesus's Abs, mas outra totalmente diferente era colocar um rosto nele. Ele seria reconhecido em público, os telespectadores iriam caçá-lo online, eles poderiam até aparecer em seu trabalho. Todos os outros aqui provavelmente estavam acostumados com isso. Sloan e Jason com certeza, e Josh e Kristen por associação. Mas Adrian ainda tinha privacidade. Quando expliquei isso a ele, ele disse que ainda concordava sobre compartilhar o vídeo, mas eu poderia dizer que preferia que não. Então foi um não. Mas adorei o fato de Malcolm ter conseguido a filmagem. Dessa forma, eu sempre poderia me lembrar desse dia.

Eu amava os amigos de Adrian. Eu amei que eles vieram aqui simplesmente porque ele pediu. Eu amei que eles eram tão bons e firmes, e saíram completamente de seu caminho para tornar o dia de hoje especial para mim. Meio que me deixou com ciúme por eles serem tão normais e ele ter que lidar com o show de merda que era o meu pelotão.

Eu estava um pouco bêbada. Jason estava fazendo martinis.

Sloan comeu a azeitona de sua bebida. — Deus, faz tanto tempo que eu não tenho um desses. Ainda estou amamentando.

— Um menino ou uma menina? — perguntei.

Ela sorriu. — Menina. Emma. Ela já fez um ano.

Eu olhei para Kristen. — E vocês têm, tipo, o quê? Quatro?

— Sim. Oliver tem cinco anos. Kimmie e Sarah têm dez e doze anos, e o bebê de um.

Coloquei uma perna embaixo de mim. — Uau, quem está cuidando de todos eles?

Kristen bufou. — A mãe de Jason. A mulher é uma santa. — Ela colocou sua bebida na mesa de café e se inclinou. — OK, você tem que me dizer. Como é o pênis? É grande?

Sloan gemeu e recostou-se na cadeira. — Oh, Deus, a coisa do pênis de novo.

Eu olhei para trás e para frente entre elas. — O quê? Qual é a coisa do pênis?

Sloan balançou a cabeça para sua melhor amiga. — Eles são apenas amigos. Ela não viu isso. Deixe-a em paz.

Eu levantei a mão. — Uh, não, espere, estou aqui para isso. Qual é a coisa do pênis?

— Ela está aqui para isso, Sloan. Fica fora disso. — Kristen sorriu, sentando-se na ponta do sofá.

Sloan revirou os olhos para ela.

— Josh tem um pênis enorme e tenho a teoria de que é hereditário — disse Kristen.

Meus olhos dispararam para Adrian do outro lado da sala. — Sério? — sussurrei.

Kristen acenou com a cabeça. — Sim. — Então ela abriu um espaço entre as mãos para me mostrar e Sloan começou a engasgar com a bebida.

Sloan balançou a cabeça para sua melhor amiga, tossindo. — Isso não é apropriado.

Kristen piscou para ela. — Esta é uma pesquisa importante, Sloan.

Eu balancei a cabeça rapidamente. — Eu concordo, mais estudos são necessários.

Kristen riu e Sloan pareceu ligeiramente horrorizada. Tive a sensação de que Sloan era um dos hobbies de Kristen. Ela parecia muito boa nisso.

Recostei-me no sofá. — Eu adoraria explorar a possibilidade do pênis mágico de Adrian. Mas, infelizmente, ele não gosta de mim.

Kristen e Sloan trocaram um olhar.

Eu olhei de uma para outra. — O quê?

Kristen nivelou seus olhos em mim. — Eu não sei o que ele diz a você, mas aquele cara foi chicoteado.

Sloan estava me dando um aceno lento de olhos arregalados.

Eu franzi minha testa. — O quê? Não.

Kristen olhou para mim. — Ele está literalmente olhando para a sua nuca agora. Ele ficou olhando para você a noite toda.

Eu olhei de lado, mas não me virei. — É como se ele estivesse assistindo a uma partida de tênis? — sussurrei. — Tipo, a cabeça dele vai para um lado e para outro me vendo andar por aí?

Sloan acenou com a cabeça. — É exatamente como se ele estivesse assistindo a uma partida de tênis. Isso é realmente preciso, na verdade.

— Ele falou sobre você por trinta minutos direto ao telefone com Josh, quando ligou para nos pedir que viéssemos — disse Kristen. — Josh desligou e ficou todo ‘Paaaaamn, nunca o vi assim’.

Meu coração disparou um pouco. E então lembrou que não tinha razão para isso.

Soltei um suspiro. — Eu realmente não acho que ele esteja interessado.

Sloan juntou as sobrancelhas. — Por quê?

Morte eminente?

— Meu estilo de vida não é favorável a relacionamentos — eu disse.

Kristen acenou com a cabeça. — Oh, sim, a coisa da fama. Essa merda é uma merda. Você tenta namorar e acaba com um cara obcecado por fiapos de secadora.

Sloan acenou com a cabeça. — Foi difícil para Jason também. Ele nem me disse quem era até duas semanas depois que nos conhecemos. Não é fácil.

— Sim, não é bem isso — eu disse. — Apenas algumas coisas sobre as quais prefiro não falar.

Sloan sorriu gentilmente de uma forma que me disse que ela seguia meu canal. — Bem, lembre-se de que o universo não dá a você mais do que você pode suportar.

Kristen zombou. — Sim, ele faz. Ele faz todo o tempo. O universo não dá a mínima, é um idiota total.

CAPÍTULO 17

CAPÍTULO 17

SUA PAIXONITE ALGUMA VEZ VAI NOTAR VOCÊ? FAÇA ESTE TESTE!

Adrian

Observei as mulheres amontoadas na sala de estar. — Do que vocês acham que elas estão falando?

Jason deu um gole em sua bebida. — Bem, parece que Kristen ativou a contração nervosa dos olhos da minha esposa, então vou dizer que é algo inapropriado.

Kristen ergueu as mãos. — É ciência, Sloan!

Vanessa riu e olhou para mim, seus lindos olhos brilhando.

Eu sorri para ela. — O que vocês estão fazendo? — chamei.

Vanessa se virou para sorrir para mim nas costas do sofá. — Convocando o demônio para Eastwick. Não venha aqui.

Josh riu e me entregou um old-fashioned.22

— Só um — eu disse, pegando-o. — Estou dirigindo.

— Estou feliz que você ligou — disse Josh. — Devíamos nos reunir com mais frequência. Vá até Ely conhecer a nova casa. — Ele acenou para as meninas. — Leve Vanessa.

Eu olhei para ela e sorri. Eu gostaria de levá-la. Eu gostaria de levar Vanessa para qualquer lugar. Ela me deixou orgulhoso por conhecê-la. Ela era exatamente o que seu canal no YouTube dizia que ela era - uma borboleta social. Uma mulher que você poderia colocar em qualquer situação e ela encantaria quem estivesse com ela.

Vanessa estava efervescente. Nunca conheci uma pessoa que pudesse descrever dessa forma, mas era verdade. Ela brilhava. A energia saía dela e iluminava tudo e todos ao seu redor.

Não foi até que notei que Jason estava falando com o lado do meu rosto que percebi que estava olhando para ela. — Desculpa, o quê? — perguntei, olhando para ele.

— Eu só estava dizendo que estou feliz por você não ter retirado todas essas barreiras em seu encontro com Sloan ou minha esposa poderia ter se casado com você em vez de mim.

Eu ri. — Eu nunca tive uma chance. Até hoje, nunca tive uma mulher saindo de um encontro tão rápido.

Jason riu. Sua esposa ergueu os olhos ao ouvir o som e ele piscou para ela.

— Há quanto tempo vocês dois namoram? — Jason perguntou.

— Não estamos namorando — falei na direção do meu copo. — Nós somos apenas amigos.

Josh bufou. — Tem certeza?

— Vanessa não está interessada em namorar — eu disse.

Josh riu. — Minha esposa me disse a mesma coisa uma vez. — Ele acenou com a cabeça para o vestíbulo. — Ei, acho que tem um visgo pendurado na porta da frente. — Ele balançou as sobrancelhas.

Eu não queria que Vanessa me beijasse só porque estávamos embaixo do visgo. Eu não queria que ela me beijasse porque era meia-noite no Ano Novo. Eu não queria um caso de uma noite ou ser amigo com benefícios. Eu queria tudo dela. Eu queria do jeito certo.

Eu queria que ela me quisesse de volta.

CAPÍTULO 18

CAPÍTULO 18

COMO PERDER UM CARA COMETENDO ESSE ÚNICO GRANDE ERRO!

Vanessa

Adrian estacionou na garagem embaixo do nosso prédio. Era por volta das 22h e eu ainda estava muito tonta. Eu inclinei minha cabeça no assento para olhar para ele. — Então, sobre o que vocês conversaram no bar?

Ele estacionou o carro. — Creme para assaduras, principalmente. A filha de Jason e Sloan está com uma erupção na pele.

Eu coloquei meu lábio para fora em um beicinho. — Eu sei, pobre bebê Emma.

Ele desligou a ignição. — Sobre o que vocês conversaram?

Eu encolhi os ombros. — Principalmente seu pênis.

Ele empalideceu. — O quê? 

— De Josh também — falei defensivamente. — Mas principalmente o seu.

Ele parecia divertido. — E o que exatamente qualquer uma de vocês tem a dizer sobre meu pênis? Nenhuma de vocês o viu.

Eu joguei minhas mãos. — Eu sei! Foram muitas teorias da conspiração, principalmente. — Eu me soltei e me virei para ele com meus joelhos no assento. — Há um boato de que é enorme. Você não precisa me dizer - pisque uma vez se for verdade, mas não precisa me dizer.

Ele riu e saiu do carro. Eu o observei dar a volta e abrir minha porta. Eu praticamente desabei.

— Tudo bem, vamos lá — disse ele, colocando-me em pé. — Você pode andar?

Dei de ombros. — Se eu tropeçar, vou apenas transformar isso em uma dança sexy.

Ele estava sorrindo. — Estou mantendo Grace por mais algumas horas até que você fique sóbria. Você pode se segurar em mim se eu te carregar?

Eu esfreguei meu nariz. — Sim.

Ele se virou e eu pulei em suas costas.

Ele me carregou para dentro do prédio e subiu as escadas. Em uma corrida.

Três andares acima e ele nem estava sem fôlego. Eu só podia imaginar a resistência que esse homem teria na cama - sério, eu só podia imaginar. Eu nunca estive com alguém com um corpo como o dele.

Eu ria enquanto Adrian me levava nas costas pelo corredor. — Ei, podemos ir para o meu apartamento antes de ir para a sua casa para pegar Grace? Eu quero te mostrar uma coisa.

— Claro. — Ele parou na minha porta e procurou suas chaves enquanto eu me pendurava dele como um macaco.

Eu amava que ele tinha a chave do meu apartamento. Não apenas para que ele pudesse entrar e me salvar do ventilador de teto ou fazer limpezas de aniversário sem aviso prévio, mas porque eu adorava que não houvesse portas fechadas entre nós. De verdade. Não fisicamente ou de outra forma. Ele sabia tudo que havia para saber sobre mim. Ele sabia sobre a minha família de merda - ele até sabia que eu estava preocupada em ficar doente. E aqui estava ele de qualquer maneira.

Quando ele abriu a porta, ele me carregou até o sofá, se virou e me colocou para baixo.

— Tudo bem — falou. — O que você quer me mostrar?

— Sente-se — ordenei, puxando o bolso de sua calça.

Ele sorriu e se sentou ao meu lado, e eu segurei a luminária para desligar a luz. Uma centena de estrelas brilhantes surgiram sobre nós no teto.

— Uau — ele respirou.

— Eu sei, certo? — Eu me virei para ele no escuro. — Você já teve isso quando estava crescendo?

Ele riu um pouco. — Sim. Acho que elas ainda estavam lá no meu antigo quarto na casa da minha mãe até que a venderam.

— Por que os adultos param de fazer coisas assim? — perguntei, inclinando minha cabeça para olhar para o teto. — Por que esquecemos?

— Não é muito sofisticado. Acho que teria algumas explicações a dar se trouxesse uma mulher para casa e este fosse o teto do meu quarto.

— Oh, meu Deus. Eu adoraria se um homem me levasse para casa e este fosse o teto de seu quarto. Eu ficaria muito mais animada para fazer sexo com ele.

Eu podia sentir ele olhando para mim. — Mesmo? Você acha que estão disponíveis na Amazon Prime?

Eu ri. — Só para você saber, não estou fazendo sexo com você só porque vou lá e vejo estrelas que brilham no escuro em seu teto.

— Existe alguma coisa pela qual você vai fazer sexo comigo? Eu gostaria de começar.

Eu ri. Bem, isso era flerte. Não o seu M.O23 usual. Ele nunca disse coisas assim para mim.

Ele estava brincando, é claro.

Eu gostaria que ele não estivesse.

Ele olhou de volta para as estrelas. — Se esta vista tivesse uma trilha sonora, qual você acha que seria? — ele perguntou.

— Não sei, mas acho que provavelmente haveria um solo de saxofone bem épico. Uma pequena pausa de jazz no meio?

Ele riu. — De onde você vem com essas coisas?

Dei de ombros. — Meu monólogo interior é como uma centena de abas abertas. Você deveria ouvir as coisas que eu não digo. — Então, um sorriso malicioso surgiu em meu rosto. — Adrian?

— Sim?

— Posso tocar no seu pacote de seis?

Ele bufou. — O quê?

Acendi a luz e pisquei inocentemente para ele. — Estou falando sério. Nunca toquei em um antes e o seu é muito bom. Está meio que na minha lista de desejos.

Ele riu. — Claro?

Bati palmas com entusiasmo e ele levantou a barra da camisa e se recostou no sofá. Coloquei minhas pernas embaixo de mim e mordi meu lábio, olhando para seu corpo.

Uma trilha de cabelo descia até o topo de sua calça. Eu não sei por que, mas isso era ainda mais quente do que o abdômen.

Prendi a respiração quando comecei a escovar meus dedos sobre seu estômago, traçando ao longo das cristas de seus músculos. Então eu alisei minha palma e passei sobre sua pele quente. Eu praticamente estremeci com o contato.

Nunca me senti tão atraída por alguém. Nunca. E não era apenas físico - era tudo. Eu amava sua firmeza e confiança, sua gentileza com Grace. Ele era generoso, gentil e protetor com as pessoas de quem gostava. Ele era inteligente, engraçado e leal - e me fazia querer fazer coisas com ele.

Eu queria mergulhar minhas mãos em suas calças, escarranchar em seu colo e beijá-lo. Senti-lo ficar duro embaixo de mim, deixá-lo tirar minhas roupas. Eu podia imaginá-lo me empurrando de costas no sofá, deslizando sobre mim. Eu quase podia sentir o peso dele entre minhas pernas...

A ponta do meu dedo mindinho deslizou sob a cintura de sua calça enquanto eu vasculhava sua pele e ele limpou a garganta. — OK, vamos ter que parar com isso aqui ou vamos ter problemas. — Ele se sentou e puxou a camisa sobre o estômago.

Engoli em seco, tentando fingir que estava sem fôlego. — Que tipo de problemas?

— Você sabe que tipo de problemas.

Corei, me sentando ao lado dele, me sentindo um tanto triunfante. Eu não acho que sóbria teria os meios para parecer tão satisfeita comigo mesma por quase dar uma ereção ao meu vizinho, mas bêbada estava emocionada.

— Ei — eu disse, colocando meu cabelo atrás da orelha. — Obrigada por esta noite. Você me deu o dia perfeito hoje. Foi perfeito. Jaxon Waters cantou parabéns para mim. Como você sabia o que eu gostaria?

Ele me estudou em silêncio por um momento. — Porque eu conheço você. Eu sei o que é importante para você — ele disse, segurando meus olhos. — Conteúdo para seu canal, para que você possa continuar arrecadando dinheiro para pesquisas sobre ELA. Boa comida. Experiências únicas na vida.

Eu sorri para ele gentilmente.

— Tenho tanta sorte de conhecê-lo — falei baixinho.

Ele parou por um momento. — Eu me sinto da mesma forma. Como se minha vida fosse um quarto abafado e você fosse a brisa que entrava quando a janela se abria.

Olhamos um para o outro... então ele deslizou uma mão quente sobre a que eu tinha no sofá entre nós. Isso passou por mim como um relâmpago.

Ele estava me tocando!

Adrian quase nunca me tocava - e quando o fazia, não era assim.

Baixei meus olhos para nossas mãos e quando olhei para cima, seu olhar se moveu para meus lábios.

Oh, meu Deus…

Oh, meu Deus, ele queria me beijar!

Imediatamente pensei em quanto ele bebeu. Não muito, certo? Porque eu não conseguia nem envolver meu cérebro em torno da ideia de que ele me queria, de qualquer forma, a menos que houvesse algo atrapalhando sua tomada de decisão. Mas ele fez parecer que ele estava pensando sobre isso.

Quanto tinha eu tinha bebido? Eu estava interpretando mal isso?

Meu coração estava disparado. Seu polegar começou a se mover para frente e para trás no topo da minha mão como um lembrete de que estava ali de propósito. Senti um puxão invisível em direção a ele, como se houvesse uma corda entre nós que ambos estivéssemos puxando.

Eu o encarei por mais um momento. Então me sentei, inclinei-me e o beijei.

Eeeee ele não me beijou de volta.

Acho que teria registrado isso muito mais rápido se não estivesse zumbindo. Sóbria eu teria percebido que não estava indo bem. Mas, como estava bêbada, deixei passar cerca de três segundos a mais do que deveria. Apenas pressionando meus lábios em uma boca que não respondia.

Ele me empurrou suavemente para longe dele. — Vanessa, não…

A humilhação instantânea tomou conta de mim. — Desculpe-me, eu não sei o que me deu.

Ele balançou sua cabeça. — Seu...

Eu acenei para ele. — Você sabe o que? Está bem. Eu também não me beijaria — falei, levantando-me rapidamente.

Ele se levantou, deu um passo em minha direção e estendeu a mão. — Não é isso...

Eu não conseguia nem olhar para ele. Eu estava tão envergonhada. O que diabos eu estava pensando? — Você deveria ir. Vejo você amanhã.

— Vanessa, acho que devemos conversar sobre isso.

Eu ri secamente. — Eu realmente não quero. Eu cometi um erro. Eu estava apenas presa no momento e estou bêbada - isso não significa nada, honestamente. Eu gostaria de não ter feito isso. Sinto muito — falei, olhando-o nos olhos.

Algo brilhou em seu rosto.

— Por favor — pedi — apenas diga a Becky para trazer Grace para casa. Obrigada por hoje e vamos esquecer isso.

— Vanessa...

— Adrian, vá!

Ele esperou um momento, apenas olhando para mim antes de apertar a mandíbula, passar por mim e sair. Fechei a porta atrás dele e deslizei para o chão, instantaneamente sóbria - e desejando não estar.

CAPÍTULO 19

CAPÍTULO 19

10 COISAS QUE CERTAMENTE O FARÃO DIZER WTF

Adrian

Meu telefone estava ensurdecedoramente silencioso desde a noite passada. Nada de Vanessa. Becky e eu tínhamos algumas coisas de trabalho para revisar, então fizemos isso até a meia-noite, enquanto eu dava a Vanessa algum tempo para ficar sóbria. Depois pedi que ela deixasse Grace, já que Vanessa claramente não queria me ver.

Não teria sido certo eu beijá-la. Suspeitei que ela não estava sóbria o suficiente para saber o que estava fazendo. Ela estava bêbada demais para andar, pelo amor de Deus.

Isso não significa nada. Eu gostaria de não ter feito isso.

Ela estava apenas chateada? Ou ela realmente se sentia assim?

Talvez ambos.

Talvez ela estivesse chateada comigo por rejeitá-la e quis dizer isso. Talvez ela só estivesse bêbada e fez algo espontâneo e a coisa toda nunca significou nada.

O pensamento de que me beijar era apenas um erro confuso, induzido pelo álcool, me fez sentir fisicamente doente. E agora eu me preocupava mais do que qualquer coisa, porque em vez de eu foder as coisas e mudar a nossa amizade dizendo-lhe como me sentia, ela tinha feito isso acidentalmente por me beijar por nenhuma outra razão além da bebida.

Meu estômago estava embrulhado. Não consegui dormir a noite passada. Eu queria falar com ela, mas eu nem sabia o que dizer depois do que ela me disse. De manhã, antes de sair para o escritório, mandei uma mensagem para ela.

Eu: Podemos conversar mais tarde?

Ela não respondeu por quase dez minutos. Isso foi oito anos no tempo de Vanessa. Ela sempre respondia imediatamente. Este não era um bom sinal.

Vanessa: Acho que sim.

Eu: Você ainda quer que eu cuide de Grace hoje à noite?

Outra espera de quatro minutos.

Vanessa: Você não precisa.

Eu: Eu quero.

Vanessa: OK. Você quer que eu pegue Harry?

Eu pensei sobre isso. Ela sempre cuidou dele para mim, mas seria estranho se eu a visse e não conversássemos, e eu não tivesse tempo para fazer isso antes do trabalho. Eu não queria ser apressado, especialmente considerando o que precisávamos discutir.

Eu: Vou levá-lo para o trabalho.

Vanessa: OK.

Foi isso. Ela não disse mais nada.

Harry estava mais irritado do que o normal, como se estivéssemos compartilhando nosso humor. Ele mordeu Becky três vezes até o meio-dia. Estranhamente, ele não me mordeu, o que me fez sentir como se estivéssemos no mesmo time pela primeira vez. Ele dormia no meu colo enquanto eu trabalhava na minha mesa e nem sequer rosnou para mim quando o movi para me levantar para usar o banheiro.

Trabalho arrastado. Fiquei checando meu telefone para ver se Vanessa tinha me enviado uma mensagem, o que ela não fez. Saí do trabalho mais cedo para bater na porta de Vanessa trinta minutos antes que ela me pedisse para vir para que eu pudesse falar com ela. Achei que se ela realmente se arrependesse de ter me beijado, o melhor que eu poderia esperar era que superássemos qualquer estranheza e continuássemos amigos. Mas eu adivinhei pelo silêncio dela que as chances disso eram provavelmente baixas.

Senti uma ansiedade torturante com a incerteza disso. Um pânico com a possibilidade de que tudo isso tivesse acabado.

Ouvi sua corrente passar pela fechadura e me preparei para o nosso primeiro encontro desde a noite passada. Mas quando a porta se abriu, não foi Vanessa quem atendeu. Foi... um cara?

Ele ficou na porta segurando Grace. Ele era mais baixo do que eu, mas musculoso. Cabelo loiro desgrenhado, pele bronzeada. Ele estava vestindo uma jaqueta de pele falsa desajeitada que ia até os joelhos. Estava aberto e ele estava sem camisa. Um colar de dente de tubarão pendurado em seu pescoço.

— Ei — ele disse. — Você deve ser a babá. Entre. — Ele falou por cima do ombro: — Ei, borboleta, sua babá está aqui.

Eu estava congelado onde estava. Paralisado e completamente mudo.

— Ela acabou de tomar uma mamadeira — falou, me entregando a bebê. — Eu troquei a fralda dela. Ela deve ficar bem um pouco.

Eu o deixei colocar Grace em meus braços bem ali, ainda parado na porta.

Ela estava enrolada. Não foi obra de Vanessa. O cobertor estava torcido em um nó estranho e intrincado. Ele me viu olhando para ele e acenou com a cabeça para ela. — É um antigo método de embalagem aborígine. Uma curandeira me ensinou.

Um embrulho aborígine...

Quem diabos era esse? O que diabos estava acontecendo?

E então Vanessa apareceu atrás dele e a coisa toda foi de mal a pior.

Ela tirou o ar dos meus pulmões. Sua maquiagem estava pronta e ela usava um vestido cor de vinho e salto alto. Seu cabelo estava solto e enrolado. Ela estava deslumbrante.

Ela estava deslumbrante saindo para um encontro.

— Ei, entre — ela disse distraidamente, brincando com um brinco que estava colocando - ou tentando. Seus dedos estavam atrapalhados. Ela acenou com a cabeça para o cara. — Este é Drake. Drake, Adrian. — Ela largou o pino de diamante e fez um ruído bufante impaciente enquanto se ajoelhava para pegá-lo.

— Aqui, deixe-me ajudá-la — disse Drake, estendendo a mão.

Ela entregou o brinco para ele e ficou imóvel enquanto ele se aproximava para colocá-lo, inclinando a cabeça para o lado.

— Você está bonita, borboleta — disse ele, a voz baixa.

Ela deu a ele um sorriso de lado sedutor. — Obrigada. Você também.

Um ciúme quente e espesso me rasgou. Havia algo familiar na maneira como ele a tocava. Como se ele tivesse feito antes.

Assim que ele terminou com seu brinco, ela girou para pegar uma pequena bolsa.

— Ei, eu sei que devemos conversar, mas podemos fazer isso depois? — ela me disse, colocando o casaco. — Drake e eu precisamos ir. Estaremos no Vermilion.

Eu enruguei minha testa. — Vermilion? Eles não estão abertos às segundas-feiras.

— Ele comprou o restaurante.

Ele comprou o...

— Ei, obrigada por cuidar da Grace — ela disse. — Ela provavelmente vai dormir um pouco. Estarei em casa por volta das oito.

Então ela passou por mim e saiu pela porta com Drake atrás dela e foi embora.

Ele nunca vestiu uma camisa.

MAS. QUE. PORRA.

Quem diabos era Drake? E por que ele a estava levando para o Vermilion? Eu queria levá-la para o Vermilion!

Olhei em volta do apartamento dela, segurando a bebê, sentindo-me chicoteado.

A sala ainda cheirava ao perfume de Vanessa. Havia vestidos em sua cama. Muitos deles. E sapatos espalhados pelo chão. Parecia que ela havia experimentado todo o seu maldito armário. Era um estúdio. Ela os experimentou com ele sentado ali assistindo? Que diabos?

Peguei meu telefone e liguei para Becky. Ela atendeu no primeiro toque. — E aí, chefe? — Ela estourou uma bolha no meu ouvido.

— Você conhece alguém chamado Drake? Vanessa alguma vez falou sobre ele?

A linha ficou silenciosa e pensei ter perdido a ligação. — Por quê? — ela disse ameaçadoramente.

— Vanessa saiu com ele.

— Você a deixou sair com Drake? Oh, meu Deus. Oh. Meu. Deus. — Ela soltou um suspiro trêmulo. — OK, vai ficar tudo bem. Adrian, isso é muito importante. Quando você o viu, ele estava vestindo uma camisa?

— O quê?

— Uma camisa! Ele estava de camisa?!

— Não. Apenas uma jaqueta de pele falsa, aberta na frente...

— Nããão! Oh, Deus! — ela lamentou. — É pior do que eu pensava. Ele está puxando todos os obstáculos! Ela está totalmente indefesa em torno dos músculos peitorais dele. Ele poderia muito bem ter levado um hipnotizador com ele! Você sabia que o peito dele tem um seguro de mais de dois milhões de dólares? Você sabia? Quase tanto quanto seu bíceps. Não tanto quanto seus glúteos.

Ela ofegou por ar. — Eu deveria saber. Eu deveria. Ter. Sabido. Mercúrio está retrógrado. Seu horóscopo de hoje dizia que você estava recebendo uma visita inesperada. Isso é tão fodido. Eu queria que vocês se casassem e tivessem um milhão de bebês, e agora ela provavelmente está a meio caminho de Bali em um catamarã!

— Becky, quem diabos é ele?

Eu podia ouvir sua respiração pesada do outro lado da linha e, pela primeira vez, seu drama estava me irritando.

— Ele é um vlogger de esportes radicais. Ele tem um canal ainda maior que o dela. Quiksilver patrocinou sua última competição de surfe, aquela em que ele foi mordido por um tubarão e seguiu em frente?

— Se você é Jesus's Abs, Drake Lawless é o pênis de Lúcifer. Ele é como o último namorado chefe com quem você tem que lutar em um videogame depois de derrotar todos os ex-namorados. Ele se parece com Patrick Swayze em “Dirty Dancing”, só que com cabelo loiro e tatuagens tribais. E desculpe, mas ele é, tipo, muito mais legal do que você. Quer dizer, odeio dizer isso, mas é verdade. Você nem vai entrar em um avião, e Drake a carregou montanha abaixo na Venezuela, enrolada em um paraquedas. Oh, meu Deus, eles provavelmente vão se casar com um xamã, agora. Como você pôde deixar isso acontecer?!

Eu andei pela minúscula sala de estar de Vanessa. — Ele é o ex dela ou...

— Sim, ele é o ex dela! Como você pode não saber disso? A saga Drake-e-Vanessa foi, tipo, o maior romance no YouTube de todos os tempos. Tinha camisetas e tudo! Eles eram todos loucos um pelo outro e faziam sexo tântrico em, tipo, todas as praias de Barbados. E então ela terminou com ele porque sofreu aquele acidente com o carvão no Tibete e ela disse que ele tinha que parar de fazer acrobacias perigosas, e ele respondeu ‘Não posso! Eu faço isso pelas crianças!’. Porque ele doa todo o seu dinheiro para pesquisas sobre câncer pediátrico. Então ela o deixou e ele ficou tão arrasado que passou dois meses em uma cabana tiki em sua ilha particular fazendo esculturas dela com madeira flutuante. — Ela fez uma pausa. — Ele a mencionou três vezes durante sua palestra no TED. Estávamos todos realmente preocupados com ele.

Eu arrastei a mão pela minha barba.

Vanessa nunca falou sobre ele. Nem uma vez. Eu disse a ela que tinha visto seus vídeos. Talvez ela pensasse que eu já sabia e não se incomodou em mencioná-lo, então ela simplesmente... não o fez?

Eu me senti como um balão estourado. Eu só fiquei lá, olhando para a cozinha dela, ouvindo Becky suspirar e gemer sobre o quão idiota eu era por deixar isso acontecer.

— Eu tenho que ir — murmurei, desligando na cara dela.

Coloquei Grace em seu balanço e me sentei pesadamente no sofá para pesquisar Drake no Google - eu cheguei a digitar as primeiras quatro letras do nome dele antes que o Google sugerisse Drake Lawless e Vanessa Price. As outras sugestões não eram muito reconfortantes. Havia Drake e Vanessa grávida. Casamento secreto de Drake e Vanessa. Drake e Vanessa voltam a ficar juntos...

Eu vasculhei e encontrei o vídeo de como eles se conheceram. Era dele. Ele estava pulando de uma cachoeira na Venezuela e Vanessa estava lá fazendo seu próprio videoblog. Ela torceu o tornozelo e ele a carregou montanha abaixo, como Becky disse.

Aparentemente, Vanessa não estava inicialmente interessada, porque os próximos três vídeos dele eram sobre grandes gestos para chamar a atenção dela. Ele a seguiu até o Brasil e correu do telhado para a varanda do hotel para convidá-la para um encontro. Em seguida, ele a levou para um jardim botânico na Cornualha para ver a flor do cadáver desabrochar - e ele pilotou o avião. Eu estava na metade de sua viagem romântica de motocicleta pelo Peru quando decidi que já tinha visto o suficiente.

Eu sabia que Vanessa tinha outra vida, que sua situação atual não era o que ela normalmente fazia em seus dias. Mas eu não acho que realmente percebi o quão excitante era seu outro mundo, quão exóticos eram seus gostos - tanto para viagens quanto para homens. O cara morava em uma yurt, pelo amor de Deus. E Becky estava certa. Eu nem voava.

Agora, o que fizemos juntos parecia chato e triste em comparação. Sair comigo foi provavelmente algo que ela fez apenas para passar o tempo até que voltasse ao que ela preferia estar fazendo.

E eu pensei que ela havia dito que nunca tocou em um pacote de seis antes. Que porra é essa???

Joguei meu telefone no sofá e me sentei me sentindo completamente surpreendido. E com ciúme. Ridiculamente, com ciúme selvagem.

Por que ela não falou comigo sobre isso? Conversamos sobre tudo - exceto seu canal. Talvez esse fosse outro tópico que ela preferia não sangrar pelo resto de sua vida. Afinal, estava tudo acabado entre eles.

Pelo menos tinha sido assim antes de hoje.

Agora eu meio que me perguntei se ela disse que não namorava porque estava esperando por outra pessoa. Esperando por ele. Talvez ele não aguentasse ficar longe dela e estava abandonando as acrobacias. Talvez fosse ele vindo para contar a ela. Levantando-a do chão.

E agora eu estava sentado aqui, sendo babá para uma mulher por quem estava apaixonado enquanto ela saía com seu ex.

E realmente era isso. Eu estava apaixonado por ela.

A realidade disso me atingiu como um martelo descendo. Uma chamada de atenção instantânea. Uma parada difícil.

Eu estava apaixonado por ela.

Mas é claro que eu estava apaixonado por ela. Quem não estaria?

Ela poderia ter qualquer homem que quisesse. Qualquer homem.

Mulheres como Vanessa eram musas para artistas e músicos. Elas se tornavam pinturas famosas e baladas de amor. Elas dançavam na chuva e fugiam com príncipes que desistiam de seus tronos para tê-las. Eram as sereias sobre as quais os marinheiros escreviam com vozes que podiam atrair um homem para a morte.

Ela era uma bela ave migratória com as asas cortadas. E no segundo que ela pudesse, ela voaria novamente. Fora de St. Paul, longe de mim...

E provavelmente de volta para ele.

CAPÍTULO 20

CAPÍTULO 20

O INVESTIMENTO LUCRATIVO QUE OS ESPECIALISTAS NÃO QUEREM QUE VOCÊ SAIBA!

Vanessa

Uma multidão de fãs se reuniu fora do Vermilion. Alguém deve ter vazado nossa localização.

Por mim mesma, eu era um atrativo. Por si mesmo, Drake era um atrativo enorme. Juntos, éramos uma força magnética no nível da galáxia, desafiando as leis da física. As pessoas provavelmente estavam sentindo a atração e entrando nos ônibus para dirigir de fora do Estado e nem sabiam por quê.

Laird estava preparando sua câmera e Malcolm estava colocando novas baterias no meu microfone.

Drake estava bebendo alguma coisa de banana flip com um ramo de pinheiro na minha frente. — Você está fazendo um ótimo trabalho com Grace — disse ele, tirando o enfeite e colocando-o em um prato. — Mas você realmente deveria usar fraldas de pano. Reduza sua pegada de carbono.

— Eu não tenho máquina de lavar, lembra? — falei. — Eu uso a do Adrian e duvido seriamente que ele queira que eu lave fraldas sujas lá.

Malcolm bufou. — Esse cara deixaria você comer biscoitos na cama dele.

Eu ri secamente. — Oh, sim? Eu o beijei ontem à noite e ele me empurrou para longe dele. Então me explique isso.

— Ele empurrou você para longe dele? — Malcolm perguntou, prendendo o minúsculo microfone na frente do meu vestido.

— Sim. Tipo como você reage quando olha para baixo e vê uma aranha em você? E você fica tipo ‘Oh, meu Deus! Uma aranha!’ e você pula do sofá e faz uma dancinha de loucura e depois sai correndo da sala? Foi assim.

— Vamos lá, não foi — disse Drake com seu sorriso divertido.

— OK, não foi tão dramático. Mas o sentimento era o mesmo — eu zombei. — Por que todo mundo fica me dizendo que esse cara gosta de mim? Tipo, literalmente todo mundo que conheço nas últimas vinte e quatro horas jurou que ele não consegue tirar os olhos de mim. Honestamente, se não fosse por isso, a bebida e aquela coisa super doce ‘você é a brisa’ que ele me disse no meu sofá na noite passada, eu poderia não ter feito papel de idiota total. Eu culpo todos vocês por isso.

Drake sorriu. — Você está nos culpando? Eu nem o tinha conhecido até hoje. Nós nem estávamos lá.

Eu coloquei a mão no meu peito. — Bem, não é minha culpa. Eu também não estava lá. Era Vanessa Bêbada, que é uma pessoa totalmente diferente e não deveria ser responsabilizada por suas ações.

Drake riu.

Suspirei. — Eu o pego me olhando às vezes? Claro. E ele gosta de ficar comigo? Totalmente. Mas pensar que minha bunda fica bem em meus jeans e desfrutar da minha companhia são muito diferentes de querer namorar comigo e minha chance de cinquenta por cento de morrer aos trinta. É oficial — eu murmurei. — Provavelmente nunca mais vou fazer sexo. Meu último encontro sexual provavelmente será com a TSA24.

Malcolm riu.

— Ele parece bom com o bebê — Drake ofereceu.

— Ele é ótimo com o bebê. Você sabe, só não está interessado em mim.

Malcolm ligou meu microfone. — Por que você simplesmente não vai lá e pergunta a ele por que não queria beijar você?

Eu balancei minha cabeça. — Não. Eu preciso começar a colocar limites entre nós. Eu apenas me joguei em um cara que não queria dar uns amassos. Eu me humilhei totalmente. Acho que é hora de sair dessa situação enquanto ainda tenho um pouco de dignidade.

Como se eu tivesse escolha no assunto. Adrian provavelmente estava pronto para voltar aos acenos de cabeça evasivos nos corredores. Ele me mandou uma mensagem dizendo que queria conversar, mas o que havia para dizer? Sempre seria estranho entre nós agora. Ele provavelmente foi cuidar de Grace hoje porque disse que faria e então começaria a dar desculpas e encontrar outra pessoa para sair. Alguma namorada que não o atiraria no sofá depois de muitos martinis.

Drake estendeu o braço sobre a mesa e colocou a mão no meu pulso. — Chega de falar sobre ele.

Eu levantei meus olhos para ele. Uma mulher do lado de fora da janela atrás dele pressionou um seio nu contra o vidro. Apenas cinco graus negativos lá fora. Aplaudi seu esforço. — Faça o que fizer, não se vire — falei.

— Por que eu me viraria quando tenho você para olhar? — Ele sorriu para mim.

E agora estávamos no personagem. Malcolm e Laird já estavam filmando.

Eu arqueei uma sobrancelha. — Sabe, há uma razão para termos terminado, Drake. Foi bom.

Ele se inclinou sobre a mesa e pressionou o topo da minha mão em seus lábios. — Sim. Foi.

Eu dei a ele um olhar longo e demorado. — Eu sinto sua falta — sussurrei.

Ele me encarou por um momento. Então ele se recostou na cadeira e tirou algo do bolso da jaqueta. Quando ele puxou o lindo anel de noivado e o segurou entre nós, eu engasguei. Era uma banda com pérola incrustada.

— Eu mesmo encontrei a pérola — disse ele. — Passei metade da minha vida procurando por ela, assim como fiz para quem vai usá-la.

— Drake... — eu respirei, uma mão no meu peito. Eu nem estava fingindo. Foi bonito. O anel e o sentimento.

Deixamos o momento descansar por alguns segundos.

— Eaae nós conseguimos — disse Malcolm, abaixando a câmera. — Maravilhas de uma tomada, vocês dois.

— Ufa. — Recostei-me na cadeira. — Drake, eu aprecio isso mais do que você imagina.

— O suficiente para entreter um breve discurso de vendas para uma startup na qual estou interessado?

Eu inclinei minha cabeça. — Você precisa que eu invista?

Aquilo era estranho. Drake era um zilionário ou algo assim. Ele quase não precisava do meu dinheiro.

— Eu acho que você pode querer participar desta. — Ele fez um gesto de venha aqui para alguém atrás de mim. Eu me virei na cadeira para ver para quem ele estava chamando.

Brent estava indo até a mesa.

— Não. Você está falando sério, Brent? Você ligou para Drake?

Brent sugou o ar por entre os dentes. — Ele é a única pessoa rica que conheço — disse ele, chegando à mesa com as mãos fechadas na frente da boca.

Eu balancei minha cabeça. — Não. Você não está sugando Drake para um de seus esquemas de enriquecimento rápido.

— Borboleta, não é isso que é — disse Drake. — Ouça-o. Confie em mim.

Eu olhei para trás e para frente entre eles. Drake estava me dando seu sorriso fácil, e Brent parecia um cachorrinho que queria ser aceito de volta em casa.

Eu cruzei meus braços. — Tudo bem. Mas só porque é você pedindo — eu disse a Drake.

Brent sorriu e fez uma pequena dança alegre. — Alguém pode acender as luzes? — Ele girou de volta na direção de onde veio e Laird e Malcolm se sentaram ao nosso lado na mesa.

Joel apareceu e começou a colocar catálogos encadernados de aparência profissional de algum tipo na nossa frente, e Brent ligou um pequeno projetor em um tripé.

Uma apresentação de PowerPoint apareceu na parede.

OK... Até agora, tudo era foi um pouco mais do que eu esperava. Tinha que admitir que já estava um pouco, senão cautelosamente, impressionada.

Brent ocupou seu lugar na frente de nossa mesa e pigarreou. — Roupas femininas não têm bolsos. — Ele deixou isso pairar no ar por um momento. — Estou aqui para falar com vocês sobre um novo produto exclusivo e inovador que foi inspirado por minha irmã Vanessa, sua vida contava com o fato de que nenhuma de suas roupas fofas tinha lugar para colocar seu protetor labial.

Drake olhou por cima do ombro e sorriu para mim.

Brent clicou em uma foto nossa fazendo um boneco de neve há cerca de cinco anos. — Crescendo em Minnesota, minha irmã mais velha, Vanessa, adorava passar o tempo fora de casa. E quem conhece minha irmã sabe que ela é obcecada por Carmex. Você sabe, aqueles pequenos tubos de protetor labial amarelos com as tampas vermelhas? — Ele clicou na imagem de um tubo de Carmex. — Ótimo produto, tem gosto de merda. Desculpe, Vanessa, mas parece.

O público deu uma risadinha e o canto da minha boca se contraiu.

— Além do sabor questionável, o Carmex endurece quando está frio lá fora e não sai do tubo. Então, para combater esse problema enquanto usava suas roupas sem bolso, minha irmã o colocava no sutiã para mantê-lo aquecido. Infelizmente, você podia ver a ponta estreita do tubo através de sua camisa. Não é sexy. — Ele clicou em uma foto minha. Dezoito anos de luvas e um chapéu sorrindo na entrada da garagem, com uma seta vermelha apontando para o meu seio, onde a ponta do meu Carmex se projetava.

— Isso me deu uma ideia — ele continuou. — E se criássemos um protetor labial que não tem gosto de merda? Formulado para suavizar com o calor do corpo. Ele tem um tubo macio que fica bem na sua pele e você não consegue ver através das roupas. Todos os ingredientes naturais, orgânicos e sustentáveis com FPS. E o tubo é biodegradável com uma semente nele, então se você o enterrar, ele se quebra e então cresce uma flor. Presenteável, ecológico, inovador, super millennial. — Ele clicou na foto de um tubo de protetor labial. — Senhoras e senhores, apresento a vocês BoobStick.

Joel estava andando com uma bandeja, colocando protótipos na nossa frente. Peguei um e o girei em meus dedos.

Isso era fofo. Instagramável fofo. Rosa com uma delicada filigrana floral azul-petróleo na frente.

Todo mundo começou a tirar as tampas e experimentar. Coloquei um pouco nos lábios e lambi. Tinha gosto de goiaba. O gosto era bom. Muito bom.

Brent continuou. — À sua frente estão as previsões de vendas e projeções de retorno, uma análise de mercado e planos completos de marketing, manufatura e operacionais. Como podem ver, nossos custos de produção são baixos e achamos que, devido à natureza inovadora do produto, podemos vendê-lo a um preço mais alto do que os itens de cortesia. Nosso site já está ativo e funcional. — Ele clicou em um site de aparência profissional que combinava com a arte do protetor labial.

— Oferecemos sabores diferentes. Lançaremos produtos adicionais nos próximos dezoito meses. Cremes para as mãos, bombas de banho. Oferecemos um DipStick neutro em relação ao gênero em uma corda, perfeito para o cliente ativo que não tem bolsos ou sutiãs. — Ele piscou para Drake. — Nossos alvos são varejistas como Anthropologie, Trader Joe's, Whole Foods. Lançaremos a marca no próximo evento esportivo de Drake como presentes de boas-vindas nos quartos de hóspedes, onde poderemos colocar o produto na frente de uma lista VIP de influenciadores.

Abri o pacote de aparência profissional na minha frente e folheei os gráficos e números. Este não era o M.O de Brent de forma alguma. Ele sempre buscava uma gratificação instantânea quando se tratava de negócios, mas isso? Isso deve ter levado meses. Mais tempo. Todo esse trabalho...

— Isso é incrível — eu respirei, olhando para ele.

Ele abriu um sorriso.

— Não, estou falando sério, Brent. Isto é incrível. Você pensou nisso? Você montou tudo isso sozinho?

Ele sorriu. — Eu o fiz. Você me mandou para a escola de negócios, lembra? Você simplesmente não achou que eu estava prestando atenção.

Eu ri e olhei para o tubo de protetor labial. Eu compraria isso. Era como algo que você veria no caixa da Sephora.

— Tive alguma ajuda com o design gráfico — disse Brent. — Annabel fez isso, na verdade. Você sabe. Antes.

Eu olhei para ele. — Annabel fez isso?

— Tudo ela. O site também. Ela é boa nisso. E eu peguei a ideia para a semente de papai. Lembra daquela vez que um Pet Chia quebrou na sala de estar e simplesmente ele o deixou lá e começou a surgir grama no carpete?

Eu bufei. — Deus, sim.

— Ah, e meu primeiro investidor é alguém que você conhece — disse ele. — Eu espero que você não esteja brava. Pedi a ele que não contasse a você. Adrian me deu um pequeno empréstimo para o material da reunião de argumento de venda.

Meu coração disparou. — Ele deu?

Brent acenou com a cabeça. — Eu falei com ele no hospital no banheiro masculino.

Meu rosto caiu. — Ugh, você está falando sério?

— Ele não estava bravo — disse ele rapidamente. — Ele concordou em me deixar enviar meu plano de negócios. Ele gostou. Ele me enviou o dinheiro no dia seguinte. Além disso, ouvi você falar sobre a coisa da aranha. — Ele sugou o ar por entre os dentes. — Eu sinto muito. Isso é super estranho ele não te beijar de volta. Joel e eu pensamos que ele gostava de você.

Eu zombei. — Não seria a primeira vez esta semana que julguei mal uma situação — murmurei, olhando para o pacote novamente.

Brent deu mais um passo em minha direção. — Vanessa, Adrian acredita nisso. Drake também.

Eu não os culpava. Eu também acreditava nisso.

Eu concordei. — Minha resposta é sim. Vou te dar o quanto você precisar.

Brent gritou e Joel se chocou contra ele. Eles se abraçaram e gritaram, girando ao redor do restaurante.

Drake inclinou a cabeça para mim. — Você não pode dar a ele tudo isso. E quanto a mim? Eu também quero investir.

Eu balancei minha cabeça, assistindo Brent e Joel comemorar. — Estou surpresa que você tenha deixado ele me apresentar. Você poderia apenas tê-lo apoiado e ter tudo para você.

Drake riu bem-humorado. — Eu queria. Eu ofereci. Mas era importante para ele que você fizesse isso.

Eu enruguei minha testa. — Eu? Por quê? Não acho que ele se importe, contanto que receba seu dinheiro.

Drake parecia divertido. — Ele quer sua aprovação, Vanessa. Ele quer que você tenha orgulho dele. Ele quer isso mais do que tudo. Mais do que dinheiro.

Meu sorriso caiu um pouco.

Ele queria?

Brent olhou por cima do ombro para mim. Seu sorriso era enorme.

Talvez ele quisesse a minha aprovação. Não conseguia imaginar que papai significasse muito para ele.

E eu estava orgulhosa dele. Tão orgulhosa. E eu decidi naquele momento que sempre me certificaria de que ele soubesse disso, contanto que eu estivesse por perto para fazer isso.

CAPÍTULO 21

CAPÍTULO 21

O GUIA FINAL PARA ESCAPAR DA ZONA DE AMIGO

Adrian

Quando Vanessa mandou uma mensagem dizendo que estaria de volta em cinco minutos, era uma hora mais tarde do que ela disse que estaria em casa. Eu havia passado por uma sinfonia de emoções nas últimas quatro horas, nenhuma delas boa. Eu caí solidamente no mau humor e não planejava mudar.

Fiquei magoado por Vanessa ter dito que se arrependeu de ter me beijado e que foi um erro. Fiquei chateado por ela não ter me contado sobre Drake. Eu estava com ciúme, frustrado e com medo de perdê-la para esse cara.

A maldita dobra da curandeira...

Grace parecia gostar. Não sei por que isso me irritou mais do que qualquer outra coisa que aconteceu hoje, mas irritou.

Grace cheirava a ele - eu tive que dar um banho nela. Ela cheirava a incenso.

Eu estava na mesa da sala de jantar no meu laptop com uma babá eletrônica ao meu lado tentando ler e-mails quando Vanessa finalmente entrou no meu apartamento. Eu tinha Harry ao lado da mesa em sua cama de cachorro e ele ergueu a cabeça ao som dela entrando e rosnou como se estivesse com raiva dela também.

— Desculpe pelo atraso — ela disse, fechando a porta atrás dela. — Havia uma multidão fora do restaurante. Tive que autografar, tipo, duzentas esponjas. E eu acho que alguém cortou uma mecha do meu cabelo...

Eu não olhei para ela. — Eu troquei a fralda dela cerca de uma hora atrás. Ela estava um pouco irritada. Dei a ela algumas gotas para gases e ela parece bem agora. Ela está no cercadinho do escritório, dormindo.

Então deslizei minha cadeira para fora, levantei-me e fui até o bar.

— Bem, você está de mau humor — disse ela atrás de mim.

Tirei a rolha do bourbon. — Então, seu ex tem alguma maldita camisa ou ele teve queimaduras nos mamilos? — murmurei.

— Drake? Ele deve ter uma camisa. Ele usou uma na capa da People quando conseguiu o Homem Mais Sexy Vivo.

Eu zombei.

Eu a ouvi pousar a bolsa. — O que você tem?

— Por que você nunca falou comigo sobre ele? — indaguei, sem olhar para ela.

Ela riu. — Uh, por que eu iria?

— Ele é obviamente alguém que é importante para você. — Joguei gelo em um copo. — Nós conversamos. Achei que não tínhamos escondido as coisas um do outro.

— Sim, eu pensei isso também. Mas não vi você correndo para me dizer que emprestou dinheiro a Brent.

Eu me virei para olhar para ela e ela estava com os braços cruzados.

— Ele me pediu para não fazer isso — eu disse. — Foi entre mim e ele, e você teve que esperar quarenta e oito horas para descobrir sobre isso. Não é a mesma coisa que esconder um relacionamento inteiro.

— Eu não escondi Drake.

— Bem, você não forneceu exatamente a informação.

Ela revirou os olhos. — Você teria que viver sob uma rocha para não saber sobre Drake. E nunca falei sobre ele porque não valia a pena mencioná-lo.

— Certo. — Voltei à minha bebida, colocando a rolha de volta na garrafa. — Eu pensei que você não estava namorando ninguém.

Ela riu das minhas costas. — Você está falando sério? Você está rabugento porque eu fui a um encontro? Você me quer miserável e sozinha com você em solidariedade? É isso?

Larguei minha bebida, me virei e cruzei os braços. — Você vai voltar com ele?

Ela ergueu as mãos. — E o que isso importa? Não é como se você me quisesse.

Eu a encarei, incrédulo. — Você deixou extremamente claro para mim, desde o primeiro dia, que não tem nenhum interesse em mim além da amizade. — Fiz um gesto entre nós. — Isso é o que você queria. Você queria apenas amigos, você definiu esse limite. Eu respeitei isso. Então você me beijou, declarou que foi um grande erro, e eu sou o cara mau?

Ela colocou a mão no peito. — Eu defini o limite?

— Você vai voltar com ele? — perguntei de novo.

Ela riu. — Não. Prefiro meus homens muito menos gays.

Meus braços caíram. — Ele é gay? Desde quando?

Ela bufou. — Nascimento?

Eu fiquei boquiaberto. — Bem, que diabos foi toda aquela merda online?

— Adrian, há um certo nível de teatro que envolve o que eu faço. Drake e eu saíamos muito porque ele estava namorando meu cinegrafista, Laird. Ele não estava pronto para admitir isso. As pessoas presumiram o que quiseram presumir. Aquele jantar de hoje foi uma colaboração. Ele está anunciando o noivado e publicou um vídeo intitulado ‘Ele propôs!’ com um clipe nosso em um restaurante e ele me mostrando um anel gigante. É clickbait25. Então, quando você reproduz o vídeo inteiro, ele está me propondo casamento. Conseguimos visualizações e novos assinantes. Ele estava me fazendo um favor.

Eu pisquei para ela. — Então você não está saindo com ele.

— Não! Não estou saindo com ninguém. E provavelmente nunca mais irei, nunca mais, se isso faz você se sentir melhor. — Então seu queixo começou a tremer. — E não se preocupe, nunca mais vou tentar beijar você. Nojento, certo? — Sua voz falhou na última palavra.

Eu balancei minha cabeça. — Eu não entendo você. Você quer que eu te beije de volta? Você queria que eu depreciasse nossa amizade com algo que não significava nada para você? Você queria um caso? Isto não é um jogo para mim, Vanessa. Beijar você significa algo para mim.

Ela piscou para mim em meio às lágrimas. — Isso... significa?

— É claro que sim. Como você pode me perguntar isso?

Ela fungou. — Mas... você não me beijou de volta.

— Você estava bêbada — eu disse. — Você estava tão bêbada que tive que levá-la para casa. Eu não beijo mulheres embriagadas. Mesmo se eu quiser. E então você disse que foi um erro, que você... — eu não terminei. Eu não pude.

Parei por um longo momento, afastando-me dela. Arrastei a mão pela minha barba e a olhei nos olhos. — Eu quis te beijar quase todos os dias desde o dia que te conheci.

E aí estava. Fora no universo.

Ela me encarou, sem palavras. Chocada.

Nada seria o mesmo depois disso.

Eu me perguntei quanto dano foi feito, se nós seríamos amigos agora. Podemos ter superado seu passo em falso bêbado. Mas isso não. Meus sentimentos unilaterais seriam demais.

Eu esperei pela decepção que eu sabia que estava por vir. O gentil ‘Não vejo você desse jeito’ ou ‘Sou eu, não você’.

Ela olhou para mim com olhos arregalados de desculpas e lambeu os lábios. — Adrian, eu quis te beijar quase todos os dias desde o dia em que te conheci.

Isso me atingiu como uma tempestade abrindo uma porta. Tudo dentro de mim explodiu em caos. Meu coração disparou enquanto a esperança me rasgava.

Um pequeno sorriso apareceu nos cantos de seus lábios. — E eu não estou bêbada agora...

Eu abri um sorriso e estava limpando a distância entre nós antes que ela respirasse novamente.

CAPÍTULO 22

CAPÍTULO 22

APRENDA O TRUQUE SECRETO NÚMERO UM PARA O ABS PERFEITO!

Vanessa

Ele bateu em mim.

E quero dizer que ele caiu. O impacto me tirou o fôlego emocional e as borboletas mergulharam direto do meu estômago para a minha virilha.

Suas mãos correram em meu cabelo, sua barba arranhou meu rosto e seus lábios pressionaram quente contra minha boca...

Este.

Este foi o beijo que ele não me deu na noite passada. Este foi o beijo que parecia mil beijos construídos e afunilados em um. Ele estava segurando isso por semanas. E eu sabia porque eu também estava.

— Eu não posso acreditar que você foi para o Vermilion sem mim — ele respirou contra minha boca, sorrindo.

— Eu não gostei disso — eu sussurrei.

Ele mordeu meu lábio inferior suavemente. — Mentirosa. — Ele sorriu contra meus lábios e então me devorou novamente.

Oh, meu Deus, ele beijava bem.

Ele arrastou sua boca ao longo da minha mandíbula, no meu pescoço e sobre a pele nua da minha clavícula e engasguei, jogando minha cabeça para trás. Eu ainda estava usando minha jaqueta, e ele a tirou dos meus ombros até que ficou presa nas minhas costas na dobra dos meus cotovelos. Eu a derrubei e ela caiu no chão atrás de mim.

Sua respiração estava irregular. Ele já estava duro. Um tesão estava pressionando através de suas calças na frente do meu vestido.

— Vamos para o seu quarto — eu respirei.

Ele balançou a cabeça e me jogou por cima do ombro. Eu gritei e ele nos virou para a porta de seu quarto.

— Espera, espera! O monitor de bebê! — falei, rindo, batendo em seu ombro.

Ele recuou e me inclinou sobre a mesa para que eu pudesse agarrá-lo, rindo. Então ele me puxou direto para seu quarto.

Eu nunca estive lá antes. Parecia que ele apenas me carregou para seu covil, algum santuário interno que eu nunca fui convidada a explorar.

Cheirava a ele e parecia exatamente como o resto do apartamento. Móveis escuros e uma colcha cinza, limpa e ordenada. Eu queria dar uma olhada, mas tinha atividades mais urgentes para cuidar.

Ele me sentou na beira da cama e ficou entre minhas pernas enquanto me beijava, estendendo a mão pelas minhas costas para abrir meu zíper.

Eu puxei a fivela de seu cinto e ele tirou a camisa. Então ele recuou para tirar suas calças enquanto eu tirava meu vestido. Quando ele tirou sua cueca e seu pênis saltou livre, eu congelei no meio de deslizar um braço para fora do meu sutiã. — Que porra é essa... — eu respirei.

Era fantástico.

De tirar o fôlego.

Aquele momento em um restaurante hibachi em que o chef faz uma loucura com o arroz e você percebe que terá um bom show.

Virei de lado e peguei o telefone em sua mesa de cabeceira.

— O que você está fazendo? — ele perguntou.

— Ligando para Kristen. Eu tenho que dizer a ela que a profecia é verdadeira.

Ele bufou. — Bem, você pode esperar até depois?

Eu me virei para ele. — Mas e se eu precisar de dicas? Melhores práticas? Não estou preparada para isso, Adrian. — Eu o encarei. — Meu Deus, não admira que você tenha esses abdominais. Você está fazendo uma trituração toda vez que se levanta. É como um haltere de vinte e cinco libras pendurado aí.

Ele riu e subiu na cama, deslizando sobre mim. Ele terminou de tirar meu sutiã e começou a beijar seu caminho entre meus seios, descendo pela minha barriga.

O calor irradiava dessa coisa como um sabre de luz. Observei sua cabeça caindo mais para baixo no meu corpo. — Quer dizer, e se eu não conseguir levantá-lo? — eu respirei.

Dedos envolveram o cós da minha calcinha e a arrastaram pelas minhas coxas. — Vou fazer o trabalho pesado — disse ele, jogando minha calcinha por cima do ombro. Ele alcançou a gaveta da mesa de cabeceira e tirou um preservativo. Ele rasgou a embalagem com os dentes. Era um Magnum. Eu estava com medo de que ainda não servisse.

Apoiei-me nos cotovelos para vê-lo colocá-lo. Seus olhos percorreram meu corpo enquanto ele fazia isso, levando-me por completo. Eu podia ver o quanto ele me queria. Ele parecia que estava prestes a me foder na cabeceira da cama e eu estava totalmente aqui para isso.

Eu precisava saborear cada segundo. Pressionar meus lábios em cada superfície que eu estive vergonhosamente cobiçando nas últimas semanas. Eu trataria seu corpo como uma sobremesa decadente no final de uma grande refeição - porque, realmente, era isso que ele era. Ele era o mais grandioso dos finais para uma vida bem vivida. A cereja no topo do bolo.

Ele provavelmente seria o último homem com quem eu dormiria.

E me ocorreu que isso teria sido verdade mesmo se provavelmente não estivesse morrendo.

CAPÍTULO 23

CAPÍTULO 23

VEJA QUAL CELEBRIDADE É A SUA ALMA!

Adrian

Eu nunca fiz sexo assim. Dizer que era divertido era o eufemismo de uma vida. Ela era tão brincalhona na cama quanto fora dela e não tinha nenhum problema em me pedir o que queria. Não podíamos nos cansar um do outro. Acordamos um ao outro no meio da noite. Eu tinha dormido cerca de três horas.

Adorei a linguagem única de seu carinho. Ela escalou e me explorou. Pendurou-se no meu pescoço e beijou meu pomo-de-adão, me abraçou por trás enquanto eu preparava um lanche da meia-noite para nós, ricocheteou em mim e voltou como um bumerangue. Ela sorriu para mim, aninhada em mim, empoleirada no meu colo, salpicando beijos. Eu gostaria de ter sido capaz de desbloquear este nível mais cedo. Eu gostaria de tê-la conhecido anos atrás. Ensino médio. Escola primária. Uma vida anterior. Tudo parecia uma perda de tempo.

Era terça-feira de manhã e eu estava me preparando para entrar no escritório. Eu tinha lidado com a acusação de Annabel no fim de semana. Ela estava recebendo alta do hospital hoje direto para uma clínica de reabilitação em Iowa. Sonja e Gerald a estavam levando.

Ela pediu especificamente que Vanessa não fosse. Ela não queria vê-la. Ela estava com raiva de sua irmã, provavelmente por cortar seus cartões de crédito e telefone. Vanessa parecia magoada, mas ela estava feliz por Annabel estar recebendo ajuda.

Fiquei ao lado da cama, colocando minha gravata, sorrindo para a mulher adormecida enrolada em meu edredom.

Adorava ter Vanessa na minha cama. Eu amava acordar e ser capaz de puxá-la em vez de olhar para uma parede entre nós ou esperar que ela acordasse e me mandasse uma mensagem de volta. Eu amava o cheiro de seu cabelo em meus travesseiros e as coisas que ela dizia quando estava meio dormindo. Eu adorei quando tive que me levantar para pegar Grace e trazê-la para dar-lhe uma mamadeira entre nós na cama, parecendo como uma pequena família.

Os cantos dos meus lábios caíram.

Grace.

O melhor cenário possível era que Annabel ficasse limpa e tivesse sua filha de volta. Então eu ainda poderia vê-la. E com Annabel indo para a reabilitação, as chances disso eram boas.

Era outra coisa que me incomodava. A razão pela qual Vanessa não poderia adotar Grace sozinha.

Ela voltaria ao trabalho em breve.

Na verdade, quanto mais cedo Grace fosse embora, mais cedo Vanessa também iria. E eu não gostava de como seria. Em qualquer nível.

Vanessa costumava viajar tanto que nem mesmo mantinha um lugar aqui. Todas as suas coisas estiveram em uma unidade de armazenamento nos últimos dois anos. Ela alugou um apartamento porque planejava ficar em casa por alguns meses para ajudar a irmã com o bebê. Então ela acabou com Grace e ficou presa aqui. Mas quando isso acabar... como eu – nós – nos encaixamos nisso?

Eu não voava. E mesmo que o fizesse, não poderia deixar o trabalho por semanas a fio para viajar pelo mundo com ela. E ela não poderia ficar aqui e fazer vídeos. Não a longo prazo. Ela já estava se agarrando a qualquer coisa tentando chegar ao conteúdo como estava...

Mas eu estava tentando não olhar para o sol.

Annabel estava a meses de completar seu programa de noventa dias. Depois disso, ela mudaria para uma vida sóbria. Ela não seria capaz de ter Grace ali. Isso significava que Vanessa ainda estava a meses de partir. Nós teríamos algum tempo para descobrir tudo.

Vanessa se mexeu e eu sorri para ela. Ela olhou para mim com sono. — Aonde você está indo? — ela perguntou, esfregando os olhos.

— Eu tenho que ir trabalhar.

Ela fez beicinho com o lábio. — Awwww. Fique comigo.

— Eu não posso. — Eu sorri, dando um nó na minha gravata. — Eu troquei Grace e dei a ela uma mamadeira. Dei a Harry seus remédios e coloquei um pouco de comida úmida na mesa. Satanás foi alimentado.

Ela riu. Ela jogou os cobertores de cima dela e se espreguiçou como um gato.

Ela estava nua.

Minhas mãos congelaram na minha gravata.

Ela olhou para mim por cima do ombro e me deu um sorriso malicioso - e então agarrou sua camiseta, puxou-a pela cabeça e foi ao banheiro escovar os dentes. Quando ela saiu, ela começou a pular para dentro das calças do pijama.

— Aonde você está indo? — perguntei.

Ela encolheu os ombros. — Você está saindo. Eu tenho que ir para casa. — Ela subiu no colchão e ficou de joelhos na beira da minha cama e passou os braços em volta de mim, apertando minha cintura.

— Você não vai para casa. — Eu sorri. — Eu nunca quero que você vá para casa. Na verdade, acho que deveríamos abrir uma porta entre nossos apartamentos. Use o seu como armário.

Ela riu e sorriu para mim com o queixo no meu peito. — Então, posso ficar aqui enquanto você vai trabalhar?

— Vou te dar uma chave.

— Vou bisbilhotar seu armário de remédios.

— Avise-me se algo tiver expirado.

Ela sorriu. — E daí? Isso significa que eu sou sua namorada agora? — Ela mordeu o lábio inferior e balançou as sobrancelhas.

Alisei o cabelo do topo de sua cabeça e olhei para ela seriamente. — Esse título nem parece digno do que é.

E eu quis dizer isso. Isso não aconteceu. Parecia totalmente inadequado.

Ela sorriu para mim. — Ei, já que somos exclusivos agora, podemos parar de usar preservativos se você quiser. Mas nós dois temos que fazer o teste de DST primeiro — ela disse, olhando para mim com severidade.

— OK. — Não era uma má ideia. Sempre usei proteção, mas você nunca poderia estar muito seguro. — Mas e o controle da natalidade?

Ela encolheu os ombros. — Minhas trompas estão amarradas.

Eu empurrei meu rosto para trás. — O quê? Por quê? 

— Porque eu nunca quero engravidar acidentalmente e transmitir meus genes de merda.

Eu bufei. — OK…

Seu sorriso caiu um pouco. — Isso te incomoda?

Eu balancei minha cabeça. — Não. De verdade. Há mais de uma maneira de ter filhos, se você quiser. E eu estou bem de qualquer maneira, se você quiser ou não. É que é um procedimento tão permanente.

— Bem, eu precisava de uma solução permanente. Demorou muito para encontrar um médico para fazer isso. Deus proíba que uma mulher na casa dos vinte anos saiba o que ela quer fazer com suas trompas de falópio. — Ela mordeu meu lábio inferior. — Eu tenho um presente de Natal para você — ela sussurrou contra minha boca.

Eu fiz um ruído de desprezo no fundo da minha garganta e fui beijá-la novamente, mas ela balançou a cabeça e colocou os braços em volta do meu pescoço. — Eu tenho que dar a você agora para que você possa pensar sobre isso.

Eu sorri. — OK. Dê-me agora, então.

Ela mordeu o lábio e sorriu para mim. — Eu nos coloquei em Badger Den.

Eu puxei meu rosto para trás e sorri para ela. — Você fez? Quando?

— Amanhã.

Ahhhhhhh. Porra.

— Eu sei o que você vai dizer e já tenho um plano.

Eu balancei minha cabeça. — Eu não posso voar. Você sabe disso. — E Deus sabe que eu não poderia perder mais nenhum trabalho.

— Eu sei que você acha que não pode voar. Mas me escute — ela disse. — Eu pensei muito nisso. Jantamos no aeroporto esta noite. Chegamos três horas antes do nosso voo. Há um lugar que adoro comer no terminal e podemos ficar bem e chapados e observar os aviões na pista como uma pequena dose de terapia de imersão. É apenas um voo de três horas e comprei passagens de primeira classe. Estaremos em nossos assentos com bebidas em nossas mãos e muito tempo para nos acomodarmos e nos acostumarmos com o avião antes mesmo que ele saia do portão de embarque. Eu baixei a quinta temporada de “The Office” para assistir enquanto estamos no ar e pedi à Lady Yoga para fazer um rolo de óleo essencial de lavanda e eucalipto para sua ansiedade. E então, quando chegarmos lá, estaremos hospedados em um incrível hotel cinco estrelas na praia e jantando no Badger Den. É a motivação final para superar seu medo.

Eu arrastei a mão pela minha boca. — E se eu não conseguir entrar no avião?

Ela encolheu os ombros. — Então você não pode entrar no avião. Tudo o que estou pedindo é que você tente.

Eu soltei um suspiro pelo nariz. Eu acho que eu teria que descobrir essa merda eventualmente. Minha namorada era vlogger de viagens. Precisamos voar para alguns lugares. Se eu não pudesse voar, isso significava que não poderia ir até ela, mesmo quando pudesse fugir por alguns dias. E ela estava certa, Badger Den era uma recompensa incrível - mesmo que fosse por três horas do que eu tinha certeza de que seria um verdadeiro inferno.

— Quem está cuidando da Grace? — perguntei severamente.

Ela sorriu daquela maneira animada e empolgada que ela tinha. — Papai e Sonja. Sonja diz que é bom para ele ver que seus esforços rendem frutos.

— E Harry Puppins?

— Becky. Eu já mandei uma mensagem para ela.

Eu arqueei uma sobrancelha. — Você mandou uma mensagem para minha assistente?

— Eu mando mensagens para todos vocês. Todo o seu povo é meu povo agora, lembra?

Eu bufei.

— Vamos. Por favor? — Ela se mexeu.

Eu demorei outro momento. — Tudo bem. Vamos tentar.

Ela bateu palmas animadamente. — OK, então eu tenho uma dica para você. Um pouco de coaching de vida.

Soltei um suspiro sombrio. — O quê?

— Não pense nisso ainda. Não pense nisso até que aconteça.

Eu esfreguei minha testa. — Sim, tenho a sensação de que isso não será possível.

— Sabe quando você está atrasado, fica todo estressado? Eu não faço isso. Nunca. Se devo estar em algum lugar às duas e sei que não vou chegar lá antes das duas e quinze, não me deixo estressar até as duas. Porque até então, ainda não estou atrasada. Tudo o que estou fazendo é sentir o estresse de uma coisa que nem aconteceu.

— Sim, mas você sabe que está chegando. Você sabe que isso vai acontecer.

— Isso é só olhar para o sol, Adrian. Foda-se o que está vindo. Não se concentre no que vai acontecer. Ou, neste caso, o que pode acontecer. Porque, quem sabe, você pode chegar lá e perceber que construiu tudo isso na sua cabeça. Você pode entrar naquele avião e descobrir que é mais forte do que pensa e é capaz de qualquer coisa. — Ela sorriu para mim. — E você é. Nunca conheci ninguém tão capaz como você.

Ela me beijou suavemente. Então ela pulou da cama e foi ao banheiro. Eu a observei ir e esperei que a porta se fechasse antes de colocar a mão no meu coração acelerado. O fato de eu sentir que não conseguia recuperar o fôlego e ainda nem tínhamos saído do apartamento deveria ter sido uma indicação.

Meu dia não foi bem. Eu não conseguia me concentrar no trabalho. Fiquei pensando na viagem de avião. Era ridículo e eu estava ficando chateado comigo mesmo.

Qual era o problema? Eram três horas. É isso. Eu poderia fazer qualquer coisa por três horas. Fiquei sentado em uma prisão por uma semana entrevistando um cliente que tinha picado seu vizinho com um machado. Não conseguia entrar na porra de um avião?

Tentei tirar isso da minha mente como ela disse. Ela estava certa. Talvez se eu não me permitisse pensar nisso, poderia simplesmente aparecer e arrancar o band-aid. Eu entraria naquele avião e simplesmente faria isso.

Dez horas depois, estávamos no estacionamento do aeroporto. Grace foi entregue. Nossas malas estavam no porta-malas. Fizemos o check-in online e Vanessa espalhou óleos essenciais em meus pontos de pressão e segurou minha mão durante todo o caminho até lá.

Tive um ataque de pânico antes mesmo de sair do carro.

CAPÍTULO 24

CAPÍTULO 24

7 PEQUENAS CIDADES QUE VOCÊ DEVE VISITAR EM SUA VIDA (VOCÊ VAI ADORAR O Nº 1)

Vanessa

Descemos uma pequena rua principal com uma enorme guirlanda de FELIZ NATAL pendurada na entrada. Era véspera de Natal e tínhamos acabado de chegar a Nebraska para passar o feriado com a mãe e o pai de Adrian.

Todos os negócios foram enfeitados para o feriado com luzes e grinaldas de Natal. Nevava suavemente e as pessoas de parkas subiam e desciam as calçadas com sacolas nos braços.

— Esta cidade parece um filme Hallmark — eu disse, acariciando Harry Puppins no meu colo. — Eu me sinto como uma garota da cidade grande que está prestes a aprender o espírito do Natal com um belo solteirão local em um robusto suéter de rena.

Adrian riu. — Espero que não, já que não tenho esse suéter. — Então seu sorriso caiu um pouco. — Sinto muito — disse ele novamente. — Eu gostaria que pudéssemos ter voado até aqui.

O ataque de pânico no aeroporto ocorrera quatro dias antes e ele ainda estava se desculpando por isso. Ele não precisava.

— Está tudo bem — falei novamente. — Eu disse que apreciei você ao menos tentando.

Sua mandíbula flexionou. — Não está bem.

— Quando eu tiver que fazer coisas no exterior, irei sem você — eu disse. — Voltarei o mais rápido que puder.

As linhas em sua testa ficaram mais profundas. Essa sugestão obviamente não estava ajudando.

Eu coloquei a mão em seu braço. — Ou podemos fazer coisas locais para que eu possa ficar com você. Podemos fazer uma série de fim de semana sobre as melhores pousadas em Minnesota. E então, quando você tiver uma folga, faremos cruzeiros e viagens rodoviárias como esta. Alugar um RV e explorar todos os acampamentos legais. Nós vamos descobrir. Não é grande coisa.

Mas eu podia ver no conjunto de seu corpo que era.

Ele estava desapontado consigo mesmo. Este não era um homem acostumado a falhar. Em nada.

— Eu meio que pensei que isso poderia acontecer — eu admiti. — Eu tenho um presente de Natal reserva para você e tudo mais.

Ele olhou para mim com um sorriso fraco.

Acho que, além disso, ele estava estressado por causa deste fim de semana, por ver seu pai novamente. Eu planejei totalmente lubrificar toda essa situação. Eu ia garantir que ele se divertisse, não importava o que acontecesse. Eu o puxaria para armários de vassouras para fazer boquetes, se as circunstâncias exigissem.

Eu meio que esperava que as circunstâncias exigissem.

Dirigimos por mais dois minutos e depois viramos em um caminho arborizado até uma bela casa vitoriana. Adrian parou atrás de uma velha caminhonete batedeira e estacionou o carro. Ele não se moveu para sair.

— É isso? — perguntei, olhando para ele.

Ele ficou sentado lá, olhando para a casa. — Não venho aqui há quase duas décadas, — disse ele calmamente.

— Como está?

— Bom. Parece muito bom. Ele está cuidando disso.

Eu olhei de volta para fora do para-brisa. Parecia o tipo de casa que cheirava a canela por dentro. Havia luzes brancas de Natal nos beirais e uma enorme coroa de flores na porta da frente. Isso me lembrou do interior de um globo de neve de Natal ou algo assim.

— Por que você não esteve aqui? — perguntei.

Ele colocou o cotovelo no parapeito da janela e esfregou a testa. — Eu costumava vir todo verão. Todos nós gostávamos. Todos os primos. Era a casa dos meus avós. Eu parei de vir quando meu pai foi embora.

— Por quê?

Ele balançou a cabeça um pouco, ainda olhando pelo para-brisa. — Não queria correr o risco de vê-lo. E mamãe desmoronou. Eu não podia deixá-la.

Eu zombei. — Sim. Eu sei como é isso. Sendo o único que tem sua merda junta — eu murmurei. Eu olhei de volta para a porta da frente. Era ladeada por pequenos pinheiros iluminados. Muito bom gosto. Todas as janelas estavam iluminadas e quentes. — É uma casa legal.

— Está na família desde que me lembro. Meu tio comprou quando meu avô morreu. Em seguida, ele se aposentou e foi para a Flórida. Vendeu para Richard no início deste ano. — Ele fez uma pausa de alguns batimentos cardíacos. — Estou feliz por mamãe poder morar nela. Ela gosta de casas como esta. Ela sempre amou vir aqui.

Eu estreitei meus olhos. — Aquilo é um limpa-neve na frente da caminhonete dele? — perguntei, apertando os olhos para o velho Ford estacionado na nossa frente entre a casa e a garagem.

— Se você mora aqui, tem que ajudar. Eles não têm muita infraestrutura. Mamãe disse que ele também faz parte do conselho municipal.

— Uau. E aqui está você com apenas um emprego e sem aspirações políticas. Estou meio desapontada com você.

Ele sorriu, mas não fez nenhum movimento para sair do carro. Ficamos sentados, olhando silenciosamente para a casa.

— Eu costumava dizer a todos que odiava vir aqui — ele disse calmamente.

— Por quê?

— Porque eu não podia vir. Era mais fácil fingir que não queria. Eu não queria que mamãe se sentisse mal por eu ficar para cuidar dela. E eu não queria nem admitir para mim mesmo o quanto eu sentia falta desta casa. — Ele fez uma pausa. — Eu acho que se a decisão de não vir era minha, isso se tornava algo do qual tinha controle. Mesmo que não tivesse.

Suspirei. — Mecanismos de enfrentamento. Não é incrível as coisas que fazemos para ficarmos bem? Pelo menos você pode voltar para casa — eu disse. — E ei, talvez seu antigo quarto não esteja cheio de bicicletas enferrujadas.

Ele riu.

Grace fez um barulho do banco de trás e foi a nossa deixa para sair. Ela precisaria de uma troca de fralda e uma mamadeira logo.

Adrian respirou fundo e abriu a porta do carro. No segundo que ele fez, a porta da casa se abriu também e um homem desceu correndo as escadas para nos cumprimentar. Tinha que ser o pai de Adrian porque ele se parecia exatamente com ele. E qualquer preocupação que eu tivesse sobre a estranheza entre os dois foi imediatamente deixada de lado. Seu pai foi direto para um abraço.

Adrian demorou um segundo. Como se velhos reflexos ainda estivessem funcionando. Mas então ele abraçou seu pai de volta e dentro de alguns momentos, os dois homens estavam chorando.

A mãe de Adrian estava no topo da escada assistindo isso com as mãos sobre a boca. Ela também estava chorando.

— Senti sua falta, filho — disse Richard asperamente.

Adrian fez uma pausa. — Também senti sua falta.

Quando entramos em casa, Adrian colocou Grace no assento do carro e abraçou a mãe. Quando ele a soltou, ele se virou para mim, radiante. — Mãe, esta é Vanessa. Vanessa, esta é minha mãe, Robin, e meu pai, Richard.

Richard estava pendurando nossas jaquetas em um cabide quando uma velha com um roupão rosa apareceu no corredor.

— Adrian! Você está em casa! — disse ela, erguendo os braços magros para abraçá-lo.

Adrian beijou sua bochecha e a virou para mim pelos ombros. — Vovó, esta é minha namorada, Vanessa. Vanessa, esta é Audrey.

A pequena mulher iluminou-se como uma árvore de Natal. — Adrian! Uma namorada? — Ela colocou as mãos sobre a boca e olhou para o neto alto, seus olhos verdes quase infantis. — Você vai se casar com ela? — A pergunta era tão inocente e doce.

— Eu prometi que me casaria com ela em seu trigésimo aniversário. — Adrian piscou.

Ela avançou para frente e me abraçou. — Oh, Deus abençoe seu coração. — Ela me soltou e deu um tapinha na minha bochecha. — Ela é uma beleza, um verdadeiro partido. Robin, ele vai se casar! É um milagre de Natal!

Ela voltou para a sala de estar e eu tive que cobrir minha risada com a mão.

Adrian se inclinou e sussurrou: — Acho que ela gosta de você.

— Vamos simplesmente ignorar a coisa do milagre do Natal ou...?

Ele riu. — Eu nunca a apresentei a ninguém antes.

Adrian estava olhando ao redor da entrada. — O lugar parece incrível. Piso de madeira! — Ele riu, olhando para baixo.

Robin sorriu. — Eles estavam maltratados. — Ela estremeceu.

A casa parecia uma foto da Good Housekeeping. E sim, cheirava a canela.

Havia uma linda escadaria de madeira escura fora da entrada com uma guirlanda de pinheiro fresco enrolada em torno dela. A sala de estar tinha uma enorme lareira com um fogo aceso e uma árvore de Natal reluzente decorada como a do saguão de um hotel cinco estrelas.

Cada centímetro da casa parecia meticulosamente restaurado.

— Não posso dizer o quanto estou feliz por você estar aqui — disse Robin.

Richard sorriu. — Pegamos uma garrafa de vinho especial só para você. Fazenda de Boone.

Adrian empalideceu e Richard riu. — Estou brincando.

Richard agarrou nossas malas, sorrindo. — Vamos, deixe-me mostrar seu quarto. Vocês, crianças, podem se situar. Jantamos quando estiverem prontos.

Nosso quarto tinha uma cama de mogno com dossel e banheiro privativo com banheira com pés. Já havia um fogo queimando em nossa lareira, as toras se mexendo. Era muito romântico. Este fim de semana seria épico.

Jantamos e depois bebemos na sala de estar. Robin e Richard foram ótimos, e Adrian passou uma boa hora conversando com seu pai. A avó de Adrian se cansou e foi para a cama cedo. Ela gostou de Harry Puppins e o levou para seu quarto quando saiu. Adrian e eu ficamos conversando com Richard e Robin um pouco mais. À meia-noite cansamos e fomos para a cama.

De volta ao nosso quarto, Adrian colocou Grace em seu cercadinho.

Assim que suas mãos estavam livres, ele abriu o espaço entre nós e me puxou para um beijo. Foi mais apaixonado do que o normal, e eu não esperava por isso.

— Uau — eu disse contra seus lábios.

— Obrigado — ele sussurrou.

— Pelo quê? — falei sem fôlego.

— Por ter vindo. Por me fazer vir. Por me fazer ver as coisas de forma diferente. — Seus olhos se moveram para frente e para trás entre os meus. — Os feriados nunca significaram muito para mim. Mas este sim.

— Por quê? — Eu sorri.

— Porque é o nosso primeiro. Porque tudo com você é melhor. Porque encontrei a pessoa sem a qual não posso viver.

Meus lábios caíram um pouco. — Não diga isso.

— Não diga o quê? — ele sussurrou.

— Que você não pode viver sem mim.

Ele balançou sua cabeça. — Por quê?

— Porque é uma coisa fodida de se dizer. Não quero saber se você não vai querer viver se eu não estiver aqui. Isso não é um elogio. Esse é o meu pior pesadelo, na verdade.

Ele sorriu para mim. — OK. Encontrei a pessoa com quem quero compartilhar tudo. Melhorou?

Eu concordei. — Sim. Melhorou.

Ele sorriu.

Eu balancei a cabeça para ele. — Ei, o que você acha de dar Harry Puppins para sua avó?

Ele puxou o rosto para trás. — Você quer dar nosso cachorro?

Dei de ombros. — Bem, ele não é realmente nosso cachorro. Estamos cuidando dele. E nosso estilo de vida não favorece a posse de cães por um longo prazo, quando você realmente pensa a respeito. Sua avó realmente gosta dele. E você percebeu como ele não a mordeu?

Ele zombou. — Deus, você pode imaginar aquele cachorro com dentes?

— Você pode imaginar aquele cachorro como um dragão?

Adrian soltou uma risada.

— Aposto que sua avó o lembra de seu dono anterior ou algo assim. Poderíamos providenciar isso com o resgate, pagar a taxa de adoção por ela como um presente.

Ele parecia meditar sobre isso. — Acho que você está certa. Ele provavelmente seria mais feliz aqui. Sempre há alguém em casa. Vou sentir falta daquele idiota.

Eu ri. — Nós poderíamos criar outro cachorro se você sentir falta de ter um. Salvar outra vida.

Ele sorriu para mim. — Eu gosto que você seja uma pessoa tão boa. Você me faz querer ser uma pessoa melhor também.

Esfreguei meu nariz no dele. — Você já é uma pessoa melhor.

Seus olhos se moveram para os meus lábios e depois voltaram. — Você está pronta para o seu presente de Natal?

Eu inclinei minha cabeça. — Você não quer esperar até amanhã?

— É meia-noite. É Natal.

— É o seu pau em uma caixa? Porque se for, estou muito animada para abri-lo.

Ele riu. — Não. Embora fique à vontade para abrir esse presente quantas vezes quiser.

Eu bufei.

Ele tirou algo do bolso e colocou na minha mão. Um pacote pequeno e achatado, embrulhado em papel de embrulho para doces.

— É um vale-presente? — perguntei, abrindo o papel.

Era uma lata de Altoids26.

— Eu não queria que você tivesse nenhuma ideia do que estava nele até que você abrisse — ele disse.

Eu sorri e sacudi próximo ao meu ouvido e ele fez um som de chocalho. Então abri a tampa e respirei fundo. Pisquei por um momento, não acreditando no que estava vendo.

Era o anel da mamãe.

Eu coloquei a mão trêmula para tocá-lo como se não fosse real. — Como você…? — eu respirei.

— Comecei a procurar logo depois que você me disse que foi roubado.

Um soluço asfixiante explodiu de minha boca.

— Adrian... isso é... — Eu balancei minha cabeça e olhei para ele com lágrimas nos olhos. — Este é o melhor presente de Natal que alguém já me deu — sussurrei.

Ele sorriu. Então ele tirou o anel da lata, deslizou-o no meu dedo e se curvou para me beijar. Quando ele voltou, eu fiquei lá, olhando para minha mão, piscando para conter as lágrimas.

— Obrigada — eu respirei, olhando para ele.

Seus olhos verdes seguraram os meus. — Eu daria a você o mundo inteiro se pudesse. — Ele me estudou por um momento. — Você planejou tudo isso, não foi?

— O quê? — eu funguei.

— Você sabia que eu iria me apaixonar por você. Que eu não tinha chance.

Eu sorri. — Eu gostaria de receber mais crédito. Mas, para ser honesta, com todos os meus problemas, achei que você nem me quisesse.

Ele balançou sua cabeça. — Você sabia que meus avós viveram toda a sua vida nesta casa? Eles foram o casal mais feliz que já conheci. Minha avó se casou com meu avô um mês depois de eles se conhecerem. Eu nunca entendi isso. Nunca imaginei que algum dia teria tanta certeza sobre alguém tão cedo. Ou nunca. Até você.

Ele colocou suas mãos quentes em minhas bochechas.

— Você é a inundação, Vanessa. Você derrama em mim, lavando tudo que eu costumava pensar que importava e, em seguida, enchendo-me até o topo até que estou afogado em nada além de você.

Meu queixo caiu e eu não conseguia nem respirar. Ninguém nunca disse nada tão bonito para mim. Nunca.

— Adrian...

Ele balançou sua cabeça. — Você não tem que dizer nada. É verdade. E eu nunca tive escolha no assunto.

As lágrimas brotando se soltaram e deslizaram pelo meu rosto.

Eu me senti muito sortuda por ser cuidada por ele. E ser diferente de qualquer outra pessoa que já conheceu.

Ele era diferente para mim também.

Eu estava apaixonada por esse homem. Não havia outra maneira de dizer. Eu estava apaixonada por ele. E ele nem estava tentando me fazer amá-lo. Ele estava apenas sendo quem ele era.

Eu tinha visto muito do mundo. Mas eu nunca veria o suficiente de Adrian. Mesmo se eu tivesse uma vida inteira nesta Terra, me casando e envelhecendo com ele, não seria o suficiente.

Uma tristeza súbita, sem fundo e dolorida me dominou. Dedos invisíveis se estenderam e me sufocaram por dentro.

Eu provavelmente morreria. Em breve.

Essa percepção me atingiu de uma forma que nunca havia acontecido. Em todos os meus anos vivendo com esse desconhecido, nunca senti isso tão profundamente em meus ossos. Nunca tinha sido tão selvagem.

Sempre suspeitei que morreria jovem. Então minha mão começou a se mexer e eu sabia que faria. Eu estava em paz com isso, na maior parte do tempo. Eu vivi uma ótima vida. Eu não me arrependia. Mas agora tudo era diferente.

Eu queria ficar. Eu queria ficar com ele.

E o fato de eu não poder, de não conseguir obter tudo dele que eu queria, era devastador.

Eu não queria deixá-lo.

Como o universo poderia me mostrar quão puro, quão perfeito o amor poderia ser, e então me matar?

Uma onda de tristeza caiu sobre mim. Aquela emoção proibida que nunca deixei entrar. Olhei direto para o sol e ele explodiu, se chocou contra mim e me queimou viva.

Eu comecei a chorar. Soluços torturantes e sufocantes.

Seus braços me envolveram. — O que há de errado?

Eu balancei minha cabeça em seu peito. — Estou com tanto medo de perder você.

— Você não vai — ele sussurrou. — Você nunca vai me perder.

Seria o contrário.

Ele me perderia.

CAPÍTULO 25

CAPÍTULO 25

10 SINAIS DE QUE SEU RELACIONAMENTO PERFEITO É MUITO BOM PARA SER VERDADEIRO

Adrian

Acordei na manhã de Natal, meus braços em volta de seu corpo quente. Ela estava com nada além de uma camiseta larga. Seu cabelo estava puxado sobre um ombro e eu beijei a pele nua de seu pescoço e ela inclinou a cabeça para o lado.

Ela cheirava a baunilha. Ela cheirava a casa.

Eu não conseguia nem entender como vivi sem ela uma vez. Como passei meus dias sem conhecê-la. Eu estava voltado para ela agora do jeito que uma planta de casa se inclina em direção a uma janela ensolarada. Eu me senti o homem mais sortudo do mundo.

O Natal foi um dos melhores que já tive. Tomamos o café da manhã e abrimos os presentes. Comprei uma máquina de café expresso para Richard e mamãe. Uma versão menor e menos vulgar (como Vanessa a chamava) da que ficava em minha própria cozinha. Tínhamos obtido a aprovação do resgate e conversamos com Richard e mamãe sobre Harry. Vovó já o estava segurando quando contamos a ela, e ela estava muito animada.

O anel da mãe de Vanessa foi meu principal presente para ela. No final das contas, eu poderia ter comprado cinco anéis pelo preço que me custou encontrar este, mas não o teria mudado por nada no mundo. A expressão em seu rosto quando ela viu foi impagável.

Também comprei para ela uma camisa do Office com o rosto de Jim e URSOS, BETOMBAS, BATTLESTAR GALACTICA na frente. Ela adorou.

Como Badger Den não deu certo, ela me deu uma garrafa de Château Lafite Rothschild Pauillac 2010. Ela disse que era um Bordeaux com um forte senso de sua própria importância muito parecido com seu pai. Palavras dela, não minhas. Ela também me comprou uma fazenda de formigas, o que foi irônico, já que meu último presente para ela, ainda a caminho de seu apartamento, era um habitat de borboletas.

Depois dos presentes e do almoço, papai se ofereceu para levar Vanessa para pescar no gelo com ele. Optei por ficar para trás e passar algum tempo com mamãe e vovó. Vovó foi tirar uma soneca cerca de trinta minutos depois, e mamãe e eu nos mudamos para a varanda das quatro estações na parte de trás da casa com vista para o lago. Tinha uma pequena lareira e estávamos no sofá. Podíamos ver Richard e Vanessa como duas pequenas manchas escuras na tundra branca e congelada.

— Ela é excepcional — disse mamãe, colocando a xícara de chá na mesinha de centro. — E ela é perfeita para você. Eu nunca gostei de Rachel.

Eu ri. — Você só a encontrou uma vez.

— Ela não conseguia me olhar nos olhos!

Bem, acho que fazia sentido.

— Obrigada por ter vindo — disse mamãe. — Significou muito para mim. — Ela acenou com a cabeça para a lagoa. — E para ele.

Eu olhei pela janela para Vanessa e papai.

Vanessa estava certa. Eu precisava perdoar.

Não percebi o peso que carreguei nas costas todos esses anos até que ele acabou.

Parecia tão inútil agora, o tempo todo em que o odiei. Eu senti que se eu tivesse dado a ele outra chance, eu teria percebido que nunca realmente dei.

Recebi algo de volta hoje que havia perdido há muito tempo. Talvez fosse ele - ou talvez fosse apenas o lugar que eu costumava manter meus sentimentos sobre ele. De qualquer forma, havia espaço dentro de mim para outras coisas agora. Coisas melhores.

E eu estava ansioso por elas.

— Estou feliz que você esteja feliz, mãe. Você tem uma boa vida aqui. Posso ver por que você queria fazer isso.

Ela sorriu. — Eu estou feliz. Eu realmente sou. — Então ela pareceu se lembrar de algo. — Vanessa disse que quer falar comigo sobre entrar em um clube em que ela e Kristen estão?

Comecei a engasgar com meu café. — Não entre. — Eu ri com tosse. — Confie em mim. Você aprenderá mais sobre mim e Josh do que você gostaria de saber.

Mamãe sorriu. Ela cutucou meu braço. — Eu gosto dela. Você sabe, eu acho que o destino o fez conhecer essa garota.

E então eu tive que rir, porque eu acho que foi a primeira vez na minha vida que eu realmente acreditei nisso. Mas que outra explicação poderia haver?

Se eu não tivesse conhecido Rachel, não teria ido ao apartamento de Vanessa naquela manhã. Se Becky tivesse alugado o estúdio quando estava disponível ou se Vanessa tivesse se mudado para um prédio diferente - ou mesmo para uma unidade diferente - não teríamos nos conhecido. Eu nunca teria conhecido ela ou Grace.

Tinha que ser o destino. Estrelas se alinhando. Algum plano mestre.

Eu não estava pronto para que Becky colocasse meu horóscopo em meu e-mail todas as manhãs, mas estava aberto a considerar que tudo isso poderia ser mais do que eu acreditava.

Mamãe acenou com a cabeça para a bebê dormindo em seu balanço. — Tenho que ser honesta, nunca pensei que você fosse assim. — Ela balançou a cabeça. — E estar com alguém como Vanessa, mesmo sabendo que ela pode estar doente? — Ela sorriu para mim. — Você se tornou um bom homem, Adrian. Estou tão orgulhosa de você.

Eu enruguei minha testa para ela. — O que você quer dizer? Ela não está doente.

— Não, eu sei. — Ela me dispensou. — Mas com a ELA sempre sendo uma possibilidade para ela. Deus, Richard e eu devemos ter assistido a metade dos vídeos dela depois que você nos disse que a estava trazendo. Ela é tão corajosa.

Eu a encarei. — O que você está falando? ELA é aleatória.

Ela franziu as sobrancelhas. — Bem, sim, na maioria das vezes. Mas isso acontece em sua família. Ela tem cinquenta por cento de chance de conseguir.

Eu senti a cor sumir do meu rosto. O quê?

— Você viu isso no canal dela? — perguntei, tentando manter meu nível de voz.

— Ela fala sobre isso em quase todos os vídeos que faz. — Ela me dispensou novamente. — Mas você sabia disso.

Pisquei para ela por um longo momento.

— Eu tenho que trocar o bebê — falei, me levantando, tentando manter a calma. Peguei Grace e fui direto para o meu quarto.

Assim que cheguei lá, tranquei a porta e peguei meu laptop. Pesquisei Vanessa Price Primeiro Vídeo no Google. Quando vi o que procurava, datado de três anos atrás, eu o abri, meu coração batendo forte nos ouvidos.

Uma Vanessa mais jovem apareceu na tela. — Oi — disse ela, acenando para a câmera. — Meu nome é Vanessa Price.

Ela ergueu um copo com algo escuro espirrando nele.

— Minha irmã morreu ontem. Apenas me servi de um copo de Sambuca e decidi que era muito nojento para beber puro, então coloquei um pouco de suco de uva nele, o que só conseguiu piorar as coisas. E eu me sentei lá olhando para isso e me perguntei: ‘Vanessa, você realmente quer ser o tipo de pessoa que lida com perdas bebendo coquetéis de merda?’ E eu decidi que não. Não quero amenizar a morte trágica e prematura de minha irmã com bebidas alcoólicas nojentas porque, primeiro, ela não iria querer isso. E em segundo lugar, eu também não quero isso. Veja, eu também posso estar morrendo. E morrer muda as coisas. Tratarei de tudo isso em um minuto.

— Se eu sei que meus dias podem estar contados, quero saborear cada dia. Quero aproveitar cada coisa que como e bebo, e todas as pessoas que encontro, e cada segundo nesta Terra. Quero rir. Eu quero explorar. Eu quero viver minha vida, o que resta da minha vida, como uma borboleta no vento e ir aonde o mundo me levar. Eu definitivamente não quero ficar sentada no meu trabalho beco sem saída e esperar a próxima parcela do velho cara assustador de Monett, Missouri, que me conheceu em um grupo de apoio on-line uma vez e agora me envia cartas de amor escritas à mão em letra cursiva. — Ela se inclinou para a câmera. — Deixe-me apenas dizer a você, como alguém que pode ter um problema de saúde fatal, ainda não há nada mais assustador do que uma carta manuscrita em cursiva. Especialmente quando é acompanhado por um saco Ziploc de seu charque caseiro ligeiramente úmido por algum motivo. Confie em mim.

— Então, eu troquei meu saldo da previdência, todos os U$ 1.023 dele. Ah, e por falar nisso, Patrick, eu me demito. Desculpe você teve que descobrir assim. E eu vou embora hoje. Agora. Logo depois de carregar este vídeo. Na verdade, não. Logo depois de fazer uma liquidação, vender meu cabelo e penhorar minhas joias. Então eu vou embora. Talvez amanhã.

— Provavelmente ninguém vai assistir isso. Eu nem sei para quem estou fazendo isso. Mas acho que se isso levar a pelo menos um dólar doado para pesquisa ou uma pessoa decidindo viver sua vida melhor, então acho que valeu a pena, certo? Agora, sobre minha irmã.

— Minha irmã morreu de uma rara doença fatal chamada esclerose lateral amiotrófica. ELA. Você provavelmente sabe disso porque, alguns anos atrás, todos estavam fazendo aquele Desafio do Balde de Gelo e jogando água gelada em si mesmos para apoiar a pesquisa da ELA.

— Eu sei sobre essa doença porque ela faz parte da minha memória mais antiga. É a maldição da minha família. Minha família tem o que é chamado de ELA familiar, o que significa que é hereditário. A tensão da qual minha família sofre começa mais cedo e mata mais rápido do que o tipo esporádico, e os tratamentos limitados disponíveis só estenderão sua vida por cerca de três meses. O gene mutado específico que causa isso em minha família ainda não foi identificado. O que significa que não posso nem testar. — Ela fez uma pausa. — Posso ter uma bomba-relógio em meu DNA.

— Minha avó tinha. Minha tia tinha. Minha mãe teve, embora ela tenha morrido em um acidente de carro antes de ELA tirar sua vida. Minha irmã Melanie tinha. E há cinquenta por cento de chance de eu ter também...

O que ela disse depois disso, eu não sei, porque meus ouvidos começaram a zumbir.

Eu estava andando de um lado para o outro, mas agora precisava me sentar. Eu tinha que sentar ou meus joelhos iriam ceder.

Uma chance de 50 por cento?

Quer dizer, eu sabia sobre Melanie, mas não sabia sobre o resto delas. Ela nunca me disse, eu não sabia, não estava nos vídeos de Drake ou... ela provavelmente pensou que eu sabia porque...

A mão dela…

Comecei a ofegar.

A mão dela...

Ela havia me contado. Ela me disse e eu não ouvi, porra. Eu não a ouvi, porra.

As informações voltaram voando para mim em remendos, cada pedaço grudando até se juntar em algum obituário negro e macabro.

Fraqueza das mãos.

Seus motivos para não namorar.

Suas trompas estavam amarradas, ela dizendo que não poderia adotar Grace porque ela não estaria aqui em um ano...

Eu não conseguia respirar.

Foi uma bola de demolição em meu universo. A destruição de tudo. Um lindo vitral em mil pedaços a meus pés.

Ela pode estar morrendo. O amor da minha vida pode estar morrendo.

E eu teria que assistir.

CAPÍTULO 26

CAPÍTULO 26

SEUS PIORES PESADELOS CLASSIFICADOS!

Vanessa

Depois de pescar no gelo, subi correndo os degraus e entrei em nosso quarto. Adrian estava parado em frente à lareira de frente para a porta quando entrei.

— Ei — falei, tirando meu gorro. — Deus, eu amo sua família. Seu pai é como um homem da montanha ou algo assim. Você sabe que ele...

— Você está doente?

Eu desfiz meu lenço. — O quê?

— Doente — ele disse novamente. — Você está doente? Você tem ELA?

Eu enruguei minha testa. — Eu não sei... — Eu o encarei, confusa. — Por que você está me perguntando isso?

— Eu não sabia... — ele respirou.

Eu pisquei para ele. — Você não sabia o quê?

Ele balançou a cabeça e percebi o quão pálido ele parecia. — Eu não sabia que era hereditário.

Eu senti meu rosto cair. — O que você quer dizer com não sabia que era hereditário? — indaguei com cuidado.

Ele soltou um suspiro trêmulo. — Eu não assisti todos os seus vídeos. Eu só... assisti aquele em que você falou sobre me encontrar e depois pimentas fantasmas...

— Pimentas fantasmas? Esse nem mesmo é meu canal. Esse é o canal de Willow Shea. Foi uma colaboração. — Meu estômago embrulhou. — Adrian, o que você está dizendo? Você está dizendo... você realmente não sabia sobre isso?

— Eu não sabia — disse ele novamente.

E então ele começou a ofegar.

Eu corri até ele. — Adrian!

Ele estava dobrado com as mãos nos joelhos, ofegando por ar.

— Você está tendo um ataque de pânico. Sente-se. Sente-se. —Meu coração batia forte nos ouvidos.

Levei um momento para fazê-lo se mover, mas finalmente o levei para a beira da cama.

Eu me agachei na frente dele. — Diminua sua respiração. Você está hiperventilando. Respire pelo nariz. Inspire pelo nariz, expire pelos lábios franzidos.

Ele respirou fundo algumas vezes.

— Você precisa ir ao médico — ele murmurou.

— O quê?

— Vá ao médico. Eu irei com você. Precisamos saber se é isso.

— Eu... Adrian, você não entra simplesmente no consultório médico e sai com um diagnóstico de ELA. Não há teste para isso.

Ele me olhou nos olhos, respirando com dificuldade pelo nariz. — Tem que haver um teste para isso. As pessoas são diagnosticadas com isso.

— É diagnosticada excluindo outras doenças e monitorando sua deterioração. São meses e meses de testes para descartar outras coisas. Pode demorar um ano para obter um diagnóstico.

— Então vá fazer isso.

Eu zombei. — Não.

Ele olhou para mim.

— Não. Eu não vou. HIV, leucemia de células T humanas, poliomielite, vírus do Nilo Ocidental, esclerose múltipla, neuropatia motora multifocal, doença de Kennedy - todos eles mimetizam a ELA. Vou ser testada por tudo isso, cutucada e furada no hospital por meses e para quê? Eu tenho ou não. E se eu a tiver, é fatal. Não há nada que eles possam fazer sobre isso.

Ele piscou para mim. — Mas... e se não for isso? E se for outra coisa?

Dei de ombros. — Então não vai progredir e não será um problema. Se ainda estiver por aí em seis meses, mas nada mais mudou, terei minha mão examinada novamente. Mas o contendor mais provável era o túnel do carpo, e eles já descartaram isso.

Ele me olhou como se eu tivesse enlouquecido. — Como você pode viver assim? — ele disse incrédulo.

Eu balancei minha cabeça. — Que escolha eu tenho, Adrian? Que escolha eu tenho a não ser viver assim? Eu sempre vivi assim.

Sua respiração estava irregular. Ele parecia que ia ficar doente. Eu senti que ia vomitar também.

Eu me sentei ao lado dele. — Olha, vamos apenas nos acalmar. OK? — Eu esfreguei suas costas. — Podemos conversar sobre isso quando você estiver mais calmo.

— Não. Falamos sobre isso agora. — Ele estava tão sem fôlego que levou um minuto para dizer a próxima coisa. — Se você não tem um diagnóstico, como eles podem te dar os medicamentos certos?

Eu senti meu coração se despedaçar.

Ele não sabia de nada. Nada disso. Nenhuma das coisas que eu pensei que soubesse.

Como isso aconteceu? Como algo tão grande escorregou pelas rachaduras?

— Adrian — eu disse gentilmente. — Não tomarei nenhum medicamento.

Ele congelou para olhar para mim. — O quê? — ele respirou. — O que você quer dizer?

— Não estou procurando tratamento.

— O que você... você precisa de medicamentos, há estudos clínicos.

— Para que eu possa passar o resto da minha curta vida fazendo punção na coluna e lidando com efeitos colaterais piores do que a doença? Em troca de talvez alguns meses extras de expectativa de vida? E isso se eles não me derem um placebo. E tratamentos? — eu zombei. — Você sabe quantos medicamentos existem para tratar o que eu posso ter? Você sabe o que eles fazem? Eles me dão três meses, Adrian. É isso. Três meses extras. Melanie os pegou. Ela tinha dores de cabeça e vômitos e estava tão tonta e cansada que mal conseguia manter os olhos abertos. Ela foi conectada a uma intravenosa todos os dias, eles tinham que monitorar constantemente seu sangue e sua função hepática. Eu não quero viver assim. Estarei amarrada a qualquer hospital que esteja me tratando, não poderei viajar...

A expressão em seu rosto só poderia ser descrita como horror.

— Mas... e se houver uma descoberta? — ele disse. — E se estiver acontecendo agora? E se eles encontrarem uma cura e você não estiver no teste? Vanessa, você tem que fazer um tratamento.

Eu balancei minha cabeça. — Não. Eu não vou. Praticamente farei fisioterapia e fonoaudiologia para poder viajar. E quando eu precisar de ajuda para respirar, comer e me mover, vou dar esses passos. Farei o que for preciso para ficar confortável e independente pelo maior tempo possível. Mas não vou tomar os medicamentos e não vou entrar no estudo. Se eu tiver isso, já é tarde demais. A tensão da minha família progride rápido demais. Nenhuma das pesquisas promissoras que estão fazendo nesses testes reverte os danos da doença. Isso apenas retarda a deterioração. Quando eu tivesse um diagnóstico e um teste, não haveria como consertar o que já tinha feito para mim - e depois? Eu posso ser uma cobaia? É isso? É o resto do meu tempo aqui?

Ele não respondeu. Ele apenas olhou para mim, respirando pesadamente pelo nariz.

Lambi meus lábios. — Adrian, eu quero viver minha melhor vida. Quero viajar e ter aventuras e beber todo o vinho enquanto ainda posso, rir e me divertir o quanto puder. Não quero dar a esta doença mais um minuto. E você também não deveria.

Ele se levantou e minha mão caiu de seu ombro. Ele começou a andar. — Não. — Ele balançou sua cabeça. — Não, você não pode. Você tem que aguentar o máximo possível. Você não sabe o que pode acontecer. Você não sabe quais desenvolvimentos eles podem apresentar.

Soltei um longo suspiro. — Não há estudos clínicos sobre o qual não tenha lido ou estudo que não acompanhei. Não vai haver um milagre. Pelo menos não a tempo para mim. Se eu tiver isso, estou morrendo. E tudo que estou pedindo é que você entenda como quero continuar a viver. Acredite em mim. Esta não é uma decisão repentina. Eu sei o que quero. E não vou mudar de ideia.

Ele balançou a cabeça para mim, com lágrimas nos olhos. — Não. Eu não vou deixar você fazer isso.

Eu pisquei para ele. — Não vai me deixar fazer o quê?

— Eu não vou deixar você desistir.

— Eu não vou desistir. Estou apenas escolhendo viver e morrer em meus próprios termos.

Ele fechou o espaço entre nós e colocou as mãos em meus braços. — Somos um casal. Nós decidimos as coisas juntos, Vanessa. Você tem que lutar contra isso. Deixe-me ajudá-la a lutar contra isso. Encontraremos os melhores médicos do mundo, iremos a qualquer lugar. Vou voar... — Ele se engasgou com a última palavra e meu coração se partiu de novo.

— Você não pode consertar isso — eu sussurrei. — Eu sei que é difícil para você não ser capaz de controlar isso. Mas Adrian, por favor. Eu preciso da sua ajuda.

Seus olhos angustiados procuraram os meus. Então ele tirou as mãos dos meus braços. Ele se virou e passou a mão pelo cabelo.

— Não. Eu não vou apoiar isso. — Ele balançou a cabeça e olhou para mim. — Eu não vou deixar você abandonar a esperança. E se houver um avanço? E se você pudesse viver mais vinte anos?

— E se eu não puder? — Eu rebati. — E se eu só tiver mais um ano antes de não conseguir engolir ou respirar sem equipamento? Mais um ano antes de morrer. Eu quero continuar vivendo minha vida, Adrian. Não estou perdendo um tempo precioso conectada a IVs, presa em hospitais perseguindo arco-íris.

Ficamos ali olhando um para o outro, respirando com dificuldade.

— Estou fazendo isso com ou sem você — falei, com lágrimas nos olhos. — Por favor, não me obrigue a fazer isso sem.

Ficamos parados em um impasse de silêncio. Eu vi seu coração se partindo. Ele rachou e rasgou seu rosto. Uma árvore forte e de raízes profundas, atingida por um raio, partiu-se bem ao meio. Ele parecia instantaneamente desgastado. Eu nunca o tinha visto tão cansado. Como se algum tipo de vitalidade tivesse deixado seu corpo desde a última vez que o vi.

— Eu só quero que nada disso aconteça — ele sussurrou.

Limpei uma lágrima da minha bochecha. — OK. Então vamos esquecer que está acontecendo. Vamos fazer algo divertido. Vamos alugar motos de neve ou tubos. Vamos ficar acordados até tarde tentando algum movimento acrobático de sexo no banheiro. Machucados que não queremos explicar aos paramédicos.

Isso me rendeu um pequeno sorriso, mas não durou. — Eu preciso ter uma palavra a dizer sobre isso, Vanessa.

Eu pisquei para ele. — Uma palavra a dizer na minha vida?

— Não é só a sua vida. Isso não afeta apenas você.

Eu cerrei minha mandíbula.

Seus olhos me imploraram. — Por favor. As pessoas lutam contra isso. Eles tentam tudo o que é possível.

Eu concordei. — Sim. Muitos optam por experimentar de tudo. É a escolha deles. Aquela foi a escolha de Melanie. Essa é a minha. E a única pessoa que deveria estar fazendo isso sou eu.

Ele me olhou tristemente do outro lado da sala. Então ele se sentou na cadeira de damasco e colocou o rosto nas mãos, apertando os dedos no couro cabeludo.

— Eu não serei uma cativa para esta doença, Adrian. Não vou passar minha vida cuidando de seus e se. Já foi tirado o suficiente de mim.

Ele não ergueu os olhos.

Não tinha certeza, mas achei que ele estivesse chorando.

Eu queria dizer a ele que tudo ficaria bem, como ele me disse uma vez. Mas não consegui. Eu não queria dar a ele falsas esperanças.

Então eu percebi, naquele dia em seu escritório quando ele disse isso para mim, ele não quis dizer isso. Como ele pode? Ele não tinha ideia do que estava falando.

Não foi até agora que ele percebeu o quão desesperador tudo realmente era.

CAPÍTULO 27

CAPÍTULO 27

ELES PENSARAM QUE TINHA TUDO, ENTÃO O DESASTRE ACONTECEU!

Adrian

Andamos em círculos sobre isso a noite toda. Eu implorando a ela, ela se mantendo firme. De alguma forma, fingimos nosso caminho durante o jantar e depois voltamos para o nosso quarto e continuamos de onde paramos. Finalmente, adormecemos de pura exaustão.

Eu estive no mesmo tornado que ela o tempo todo. Eu estive no olho, na calma, enquanto ele crescia ao meu redor sem que eu soubesse, e agora fui sugado pelo vórtice, girando na escuridão uivante, buscando algo para me segurar, e não havia nada. Ela não me daria nada em que me agarrar. Nada para me dar esperança.

Ontem voltamos para casa. Mal conversamos durante as seis horas inteiras.

Não estávamos brigando. Não estávamos com raiva um do outro. Estávamos apenas em desacordo e não havia nada a dizer.

Quando passamos por um outdoor da Maior Loja de Doces de Minnesota, ela acenou com uma bandeira branca e me perguntou se eu queria ir. Eu não quis. Eu só queria voltar para casa. Eu não estava pronto para nenhuma aventura ou viagens secundárias. Eu queria estar de volta ao nosso espaço, onde não precisava fingir que estava bem porque estávamos em público - porque eu não estava bem. De jeito nenhum.

Não sabia como aceitar a situação.

Eu entendi o raciocínio de Vanessa, mas ainda não conseguia suportá-lo.

Ela não sabia se teria a mesma reação às drogas que Melanie teve. E se ela as tolerasse sem efeitos colaterais? Ela não saberia a menos que as testasse. Três meses não era muito, mas era alguma coisa. Era melhor do que nada. Como ela poderia jogar fora três meses de vida sem nem tentar?

E se o próximo ensaio clínico trouxesse a cura? Ou detivesse a doença em seu caminho? Ou revertesse completamente? E se aquele julgamento estivesse acontecendo agora e ela não estivesse lá para participar dele?

Isso era inaceitável para mim. Insondável.

Como ela poderia simplesmente desistir?

Ondas de ansiedade e pânico passaram por mim por dois dias. Eu nunca estive tão cansado. Era um cansaço emocional que se instalou em meus ossos. Eu me sentia desesperado. Impotente. Eu queria salvá-la, fazer alguma coisa, mas minhas mãos estavam amarradas porque ela não quis me dar nada. Nem uma coisa.

Se ela tivesse concordado em falar com alguém sobre sua mão, pelo menos eu poderia me ocupar em procurar especialistas, marcando consultas para ela. Haveria um plano de ação, algo estaria acontecendo. Mas não havia nada a fazer. Ela queria que eu simplesmente esquecesse disso. Para me sentar aqui e ir para lojas de doces com ela, e fingir que todo o meu universo não tinha acabado de implodir.

Quando meu despertador tocou na segunda-feira de manhã para o trabalho, eu já estava acordado, lendo estudos de caso da ELA e lendo periódicos médicos em meu escritório. Eu estive acordado por horas. Havia uma energia maníaca nisso, uma necessidade frenética de me educar, de ser capaz de apresentar todos os ângulos a ela, contrariar todos os pontos.

Eu argumentava para viver. Convenci júris de doze pessoas de que os culpados eram inocentes. E não consegui convencer uma mulher a tomar medicamentos que prolongam a vida ou concordar com um estudo clínico para se salvar. Nunca houve nada mais importante e nunca me senti tão incompetente. Eu senti como se estivesse à beira de um colapso mental, como se estivesse vivendo em um pesadelo do qual não conseguia acordar, correndo até a exaustão porque se eu parasse de me mover, isso me derrubaria tanto que eu nunca conseguiria me erguer.

Nada jamais seria tão bom novamente...

Desse ponto em diante, eu sempre estaria vivendo na fase posterior desta doença. Mesmo que por algum milagre essa coisa com a mão dela não fosse ELA, ela ainda poderia ficar doente a qualquer momento, e se ela ficasse, ela não lutaria. Nós nunca estaríamos livres disso. E se ela não concordasse em lutar contra isso, então nunca teríamos esperança.

Eu queria voltar a ser completamente ignorante. Eu queria esquecer.

Arrastei-me até o banheiro e tomei um banho para ir trabalhar e depois fiquei ao lado da cama, dando um nó na gravata, olhando para ela dormindo como eu tinha feito na semana passada.

Tanta coisa aconteceu em sete dias.

Na semana passada, toda a minha vida tinha sido perfeita. Nosso futuro era brilhante e sem fim e não havia nada além de possibilidades. Eu tinha tudo. Eu a tinha. E eu pensei que sempre a teria.

E esta semana ela pode estar morrendo.

Ela me perguntou se era minha namorada, e eu disse que essa palavra não fazia justiça a ela. Ainda não mudou.

Eu a queria comigo para o resto da minha vida, não apenas o resto da sua. Eu não queria acordar outro dia sem ela ao meu lado. E olhando para ela deitada ali, sabendo que em um ano ela poderia estar...

Minha garganta ficou apertada e aquela onda de impotência caiu sobre mim novamente, aquela respiração superficial e espessa que veio como um ataque de pânico vibrou nas bordas.

Meus momentos mais felizes podem ser medidos em meses, não em anos. E eu sabia que deveria estar apreciando cada segundo com ela, mas não conseguia parar de olhar para o sol. Eu não podia. Estava caindo em direção à Terra, e eu estava com raiva porque ela não tentaria impedi-lo.

Eu me virei e me sentei na beira da cama e coloquei meu rosto em minhas mãos.

Eu não percebi que ela estava acordada até que ela falou atrás de mim. — Você está bem? — ela sussurrou.

Passei a mão pela barba e olhei para a frente com ar cansado. Eu não respondi a ela.

— Adrian, você não terá que cuidar de mim, se é com isso que você está preocupado. Terei enfermeiras e auxiliares para isso.

Eu balancei minha cabeça. — Eu não me importo se eu tenho que cuidar de você, Vanessa. Isso não é nem porra... — Eu não consegui terminar.

Não importava para mim se eu tivesse que passar o resto da minha vida a serviço dela. Eu não dava a mínima. Eu só a queria aqui.

Eu coloquei meu rosto de volta em minhas mãos.

— Você se arrepende de mim? — ela disse na escuridão.

Eu me virei e olhei para seus profundos olhos castanhos olhando para mim. — O quê?

— Você gostaria de nunca ter me conhecido?

Eu balancei minha cabeça para ela, minha voz grossa. — Como você pode me perguntar isso?

— Eu não tive a intenção de enganar você. Eu não queria que você tivesse sentimentos por mim sob falsos pretextos e tivesse o tapete puxado debaixo de você. Pensei que você soubesse…

Sua voz falhou. Ela colocou um braço sobre o rosto e começou a chorar.

Subi na cama de terno e gravata e a puxei para mim. Eu a envolvi em meu corpo e a segurei como se ela pudesse desaparecer.

Ela engasgou com as lágrimas e eu a beijei.

Estava desesperado. Frenético. Como se esse beijo pudesse de alguma forma fazê-la mudar de ideia, me dar mais tempo ou apenas me fazer esquecer, porra. E ela deve ter querido isso também porque ela me beijou de volta.

Eu queria dominar meus sentidos. Eu queria dominar os dela. Eu queria gritar que a amava, implorar para que ela me desse algo, alguma coisa a dizer sobre o que iria acontecer. Eu faria um trato com o diabo, venderia minha alma, se isso pudesse salvá-la. Mas nada que eu pudesse fazer iria curar seus genes quebrados. Nada poderia desfazê-lo ou atrasar o relógio. O tempo era a única coisa que nos daria as respostas e era nosso inimigo.

Seus beijos ficaram mais urgentes. Ela pegou meu zíper e eu puxei sua calcinha. Suas mãos se atrapalharam para desfazer minha camisa, mas seus dedos não conseguiram. Sentei-me e a abri, botões chovendo sobre ela e quicando na cabeceira da cama. Tirei meu cinto e ela agarrou minha gravata e me puxou de volta para cima dela, empurrando minhas calças para baixo, envolvendo suas pernas em volta da minha cintura.

O sexo foi frenético. Cru. Senti as lágrimas escorrendo dos meus olhos enquanto empurrava dentro dela e ela me puxou como se eu não pudesse chegar fundo o suficiente.

Ela era tudo. Tudo. Eu descobri a única coisa que era ilimitada. Eu encontrei o amor sobre o qual os poetas escreveram.

Só que era uma tragédia.

Ela engasgou debaixo de mim e suas costas arquearam e eu estava bem atrás dela. Então nós apenas ficamos ali, ofegando para o teto, emaranhados um no outro.

— Nunca pense que me arrependo de você — eu sussurrei. — Eu nunca poderia me arrepender de você. Eu trocaria destinos com você se pudesse. Eu daria qualquer coisa.

Eu me movi para olhar para ela. — Por favor, Vanessa. Apenas diga que você vai tentar. Tome os medicamentos, faça os testes clínicos...

Seus olhos ficaram mais tristes do que já estavam. — Adrian, talvez você devesse ver alguém. Um conselheiro de luto. Eu poderia ir com você...

Eu fechei meus olhos com força. — Isso não vai ajudar.

Nada iria ajudar.

— Vai. Eles podem ajudá-lo a lidar com o que está sentindo.

Eu balancei minha cabeça.

— Só não sei como fazer isso — sussurrei.

Ela olhou para mim, linda, seu cabelo no meu travesseiro como uma auréola. — Ninguém sabe como fazer isso, Adrian. Você precisa de ajuda para superar isso. Por favor.

Eu balancei minha cabeça novamente. — Eu não posso fazer o que você faz — falei, minha voz grossa. — Eu não posso agir como se nada disso estivesse acontecendo. Não posso fingir que estou feliz.

— Não finjo ser feliz. Eu apenas me recuso a ficar triste.

Se ela soubesse o quanto eu a amava, ela saberia que isso nunca seria possível. Meu desespero estava se multiplicando como o câncer. Isso estava me consumindo e me comendo por inteiro. Colocou sombras em tudo. Ele grudou nas janelas e nas lâmpadas. Ele bloqueou as aberturas, sugou o ar para fora da sala.

E eu não sabia como perdoá-la por não fazer nenhum esforço para ficar.

Fiquei ali segurando-a até que ela adormecesse novamente. Então fui trabalhar sem acordá-la. Eu estava atrasado, mas não dei a mínima. Becky estava explodindo meu telefone, provavelmente se perguntando onde eu estava.

Eu nem sabia como iria passar o dia. Tudo que eu sabia era que esperava ansiosamente pela distração. Eu queria pensar em outra coisa, mesmo que apenas um pouco.

Quando as portas do elevador se abriram no andar do meu escritório, Becky se lançou sobre mim do nada. — Adrian...

— Seja o que for, pode esperar até mais tarde? — perguntei cansado. — Não posso agora.

— Não! — ela sussurrou, correndo ao meu lado. — Marcus está, tipo, super puto.

Empurrei as portas de vidro do nosso escritório. — Puto com o quê?

— Os policiais não fizeram um teste de sobriedade em Bueller até três horas após sua prisão e...

Ela não conseguiu terminar. A voz de Marcus explodiu em todo o escritório. — Que bom que você finalmente se juntou a nós.

Parei e olhei para ele com olhos turvos sobre as mesas. Ele parecia furioso. Suas bochechas estavam vermelhas e ele tinha um brilho de suor na testa. Registrei quase distraidamente que ele parecia a versão humana de um ataque cardíaco.

Assim como provavelmente eu parecia a versão humana de um coração partido.

Eu continuei andando. Eu o ignorei, os olhos de todos em mim, fiz meu caminho para o meu escritório e fechei a porta com Becky do lado de fora. Se ele queria me dar uma bronca, tudo bem. Mas ele poderia fazer isso na privacidade do meu escritório, não na frente de nossa equipe.

Marcus veio correndo atrás de mim. — O golpe do bafômetro no caso Bueller foi inválido. Você teria visto isso se tivesse se preocupado em assistir a filmagem da câmera corporal em vez de passá-la para John. Todo esse maldito caso poderia ter sido descartado semanas atrás. Você perdeu a ligação da delegacia quando Keller foi preso novamente, então ele foi interrogado sem advogado, você não recebeu os registros médicos do julgamento de Garcia e agora temos que pedir outra prorrogação. Eu deveria despedir você agora.

Foi quase chocante saber que ainda tinha algo para sentir, mas meu estômago embrulhou.

Ele olhou para mim. — Você teve sua cabeça enfiada em seu traseiro por semanas. Não sei qual é o seu problema, mas não vai ser problema desta empresa.

Eu balancei minha cabeça. — Eu sinto muito. Eu...

— Não se desculpe. Faça a porra do seu trabalho. Ou faça as malas e saia daqui. Estas são as vidas das pessoas.

Ele saiu furioso do escritório e eu senti o silêncio abafado do lado de fora da minha porta, o que significava que todos estavam ouvindo.

Sentei-me pesadamente em minha cadeira.

Becky veio na ponta dos pés alguns momentos depois. Ela fechou a porta suavemente atrás dela e ficou quieta, olhando para mim com pena.

— Então, o que meu horóscopo diz sobre hoje? — perguntei cansado.

— Diz que vai ser uma merda.

Eu ri secamente e a encarei com o que eu sabia que eram olhos vermelhos e tristes.

— O que você tem?

Eu esfreguei minha testa. — Acabei de descobrir que Vanessa pode ter o gene que carrega a ELA.

Becky parecia confusa. — Você não sabia disso?

— Não. Eu não sabia.

Ela piscou para mim por um segundo. — Como? É, tipo, a pedra angular de tudo que ela faz. Ela fala sobre isso como vinte e quatro por sete.

— Eu sei — falei, cansado.

Ela me estudou. — Bem... isso importa para você?

— É importante para mim que ela possa morrer, sim.

Ela revirou os olhos. — Não, quero dizer, teria mudado as coisas. Você não teria se apaixonado por ela se soubesse?

Eu zombei. Como se eu já tivesse alguma escolha.

— Eu estava acabado no minuto em que coloquei os olhos nela — eu disse.

Eu quis dizer isso. E perdê-la iria me matar. E se ela não estava disposta a lutar, a contagem regressiva para o meu fim já havia começado.

Tudo que eu amava estava se desfazendo. Meu universo estava se desfazendo, um fio de cada vez.

Não conseguia salvar Vanessa. Não conseguia nem mesmo convencê-la a reconsiderar suas opções. Grace iria embora em alguns meses. Eu consegui estragar meu trabalho. Eu perdi o controle. Tudo isso. O tornado estava jogando pedaços da minha vida em todas as direções e a bagunça estava ficando maior a cada minuto, grande demais para limpar.

Um instinto frenético e primitivo de autopreservação agarrou-se dentro de mim. Um desejo de consertar, consertar. Estabilizar algo.

Mas havia apenas uma coisa que eu poderia consertar. Eu poderia recuar o dano que fiz aqui. Pelo menos isso eu poderia colocar de volta em ordem. Isso estava sob meu controle.

— O que você precisa, chefe? — Becky perguntou como se pudesse sentir minha mudança de decisão.

— Eu preciso que você faça um pedido de descoberta do Departamento de Polícia de Minneapolis. Quero a filmagem da câmera corporal para o caso Bueller.

Sentei-me e abri minha pasta. — Eu preciso que você chame todos aqui. Peça comida para viagem e me traga os arquivos de Keller, Bueller e Garcia. Vamos passar a noite toda.

CAPÍTULO 28

CAPÍTULO 28

FAÇA ESTE TESTE PARA VER SE ELE ESTÁ FANTASMANDO VOCÊ!

Vanessa

Adrian não voltou para casa ontem à noite. Ou na noite anterior ou na noite anterior. Quero dizer, ele voltou - mais ou menos. Ele se arrastou para a cama às 2:00 da manhã. Então ele se levantou e saiu novamente às 6:00. Ele respondia às minhas mensagens com uma palavra.

Às vezes, ele nem respondia.

Eu tinha aparecido com o almoço ontem para surpreendê-lo e o encontrei na sala de conferências com uma dúzia de outras pessoas, já comendo sanduíches. Ele sorriu para mim quase profissionalmente. Como se eu fosse um cliente.

Ele me beijou rapidamente, prometeu comer o que eu levasse para o jantar e se desculpou por precisar voltar ao trabalho. Em seguida, ele me levou para fora com a mão na parte inferior das costas e eu me vi no saguão do lado de fora dos elevadores, me perguntando o que tinha acontecido.

Continuei dizendo a mim mesma que era temporário. Ele foi atacado com um grande caso - ele ficou para trás nas últimas semanas.

Mas outra parte de mim sabia que não era.

Eu senti como se ele estivesse tentando se distanciar de mim. Era como se eu estivesse observando sua vida depois de morrer. Como se ele estivesse trabalhando até os ossos para preencher o vazio, lamentando por mim, e eu nem tinha partido ainda.

Eu entendi por que ele estava lutando com minha decisão. Ele era pragmático, um homem de ação. Quando confrontado com um problema, ele o pesquisava, examinava todos os ângulos e, então, discutia para resolvê-lo - e não estava acostumado a perder.

Ele queria exaurir todas as possibilidades. Levar-me a todos os especialistas, ler sobre todos os estudos de caso e me inscrever em todos os ensaios clínicos. Mas nada disso me salvaria. Nada disso. Quanto mais cedo ele entendesse isso, mais cedo poderíamos voltar a viver nossas vidas - porque agora não estávamos.

Eu sentia falta dele. Como sentia falta dele.

Algo havia quebrado entre nós e eu não sabia como consertar porque não podia dar a ele o que ele queria. Então, passei os dias vagando pelo apartamento dele como um fantasma, esperando que ele voltasse para mim.

Brent tinha se jogado de cabeça na produção do BoobStick, então ele estava ocupado. Papai conseguiu o emprego para o qual foi entrevistado e agora não estava mais em casa, o que significava que eu não poderia levar Grace lá para almoçar. Jantar estava fora de questão porque eu queria estar aqui se Adrian chegasse em uma hora decente. Então, eu estava sozinha. O tempo todo.

Só eu e Grace.

Eu estava deitada na cama com ela ontem, sua mãozinha em volta do meu dedo. Eu me perguntei se ela iria se lembrar de mim quando eu partisse, alguma pequena lembrança internalizada de uma mulher de olhos castanhos que a amou um dia. Senti que queria que ela olhasse meu rosto e o mantivesse em algum lugar seguro dentro dela. Então eu percebi que ela teria que o colocar no mesmo lugar que ela colocou o de Adrian - porque ela o estaria perdendo também.

Sempre pensei em Adrian como um sentinela. Um farol durante uma tempestade. Seguro, aterrado e orientado. Constante. Mas ele estava desmoronando sob o peso disso. E tive a triste percepção de que se Grace fosse nossa e ele me perdesse como papai perdeu a mamãe, Adrian teria desaparecido com Grace também, de volta ao trabalho, para lidar com minha perda.

Papai, mesmo com todos os seus defeitos, nos manteve todos juntos após a morte da mamãe. Nós a perdemos, mas nunca nos perdemos.

Era engraçado pensar que papai era mais forte assim do que Adrian. Papai.

O mecanismo de enfrentamento de papai não tinha sido muito mais saudável. Mas pelo menos ele estava lá.

Eu precisava de algo para fazer, então concluí minha lista de verificação de fim de vida. Hoje fui à casa funerária e fiz os preparativos.

Eu não queria uma urna. Eu não queria fazer parte da bagunça acumulada na casa de papai se ele voltasse para ela, mas rejeitei totalmente gastar US $ 7.000 em um caixão e um cemitério quando esse dinheiro poderia ir para a pesquisa da ELA.

Então comprei uma cremação e optei pela caixa de papelão para meus restos mortais. Eu não confiava que papai iria espalhá-los em algum lugar significativo, mesmo se eu explicasse exatamente onde queria descansar. Provavelmente acabaria na despensa ao lado das latas de hash de carne enlatada vencida e coquetel de frutas. Meu palpite era que Adrian ficaria muito chateado para fazer isso. Então, confiei essa tarefa final a Drake e disse a ele para espalhar minhas cinzas no oceano.

Em vez de uma celebração do fim da vida, coloquei dinheiro no meu agente de viagens para reservar um cruzeiro ao redor do mundo para papai, Annabel, Brent, Joel e Grace. Eles poderiam celebrar minha vida ao celebrar a beleza que a vida tem a oferecer.

E então eu terminei.

Eu planejei tudo. Configurei tudo. A única coisa que faltava era ter certeza de que eu tinha um plano para Grace.

Annabel ainda não atendia minhas ligações no centro de reabilitação. Mas pelo menos ela estava na reabilitação.

Era véspera de Ano Novo e eu tinha reservado um quarto para Adrian e eu em uma pousada em Stillwater para o fim de semana. Quando eu o surpreendi com isso dois dias atrás, ele parecia animado, bem, tão animado quanto poderia estar à 1:15 da manhã após um dia de dezenove horas no escritório.

Eu tinha grandes esperanças para este fim de semana.

Talvez ele precisasse de espaço na última semana para processar o que havia acontecido. Talvez agora o choque inicial tivesse passado e ele estivesse pronto para seguir em frente. Neste fim de semana nós relaxaríamos, dormiríamos um pouco. Passar algum tempo sem a bebê, nos reconectar.

Eu tinha feito reservas para o jantar no Ladeyra, meu bar de vinhos favorito. Meu plano era começarmos o Ano Novo nus com uma garrafa de Dom Pérignon que eu trouxera, na cama king-size de nosso quarto.

Deixei Grace com papai e fiz o check-in às 16:00.

Adrian disse que deixaria o escritório por volta das 17:00 para me encontrar aqui, mas ele ainda não havia me enviado uma mensagem para pedir o endereço. Eu não disse a ele para onde estávamos indo porque não queria que ele pesquisasse no Google. Eu queria que ele ficasse surpreso ao ver este lugar.

Eu tinha reservado para nós a suíte Agatha Christie no Rivertown Inn em Stillwater. Eu tinha ficado em pousadas em todo o mundo, e nenhuma se comparava a esta. Nosso quarto era decorado como um antigo vagão de trem de primeira classe, inspirado no romance “Assassinato no Expresso do Oriente”. Havia um sarcófago King Tut no banheiro ao lado de uma enorme banheira de hidromassagem para dois. Ele tinha uma sauna a vapor privativa e um chuveiro com efeito de chuva. Era opulento e lindo e totalmente a fuga de que precisávamos.

Havia uma frase na parede de que gostei especialmente.

“Eu gosto de viver. Às vezes, tenho ficado terrivelmente, desesperadamente, profundamente infeliz, atormentada pela tristeza, mas apesar de tudo isso, ainda sei com certeza, que apenas estar vivo é uma coisa grandiosa.”

Agatha Christie, 1890–1976

Pareceu muito apropriado.

Às 18:00, Adrian ainda não tinha mandado uma mensagem. Ele também não atendeu minha ligação. Fui à hora do coquetel da pousada sem ele.

Quando voltei para o nosso quarto às 18h45, ele não tinha me ligado de volta. Mas o jantar não era antes das 21:00, e eu sabia que ele tinha um julgamento com júri começando na segunda-feira e ele provavelmente estava tentando encerrar as coisas para que pudesse relaxar neste fim de semana. Resolvi tomar banho enquanto esperava por ele.

Meia hora se passou.

Em seguida, uma hora inteira. Coloquei mais água quente na banheira.

Quando ele finalmente ligou, pude ouvir o vento em seu carro.

— Ei, você está a caminho? — perguntei, colocando meu dedo do pé na torneira pingando. — Você perdeu a hora do coquetel. Há um profissional de golfe hospedado aqui com essa garota. Eles são casados, mas eu não penso um no outro...

— Vanessa, algo aconteceu.

Afastei meu pé da torneira. — O que você quer dizer?

— Estou indo para La Crosse.

Meu estômago despencou.

— Wisconsin? Por quê? 

— Garcia foi preso. Eu tenho que ir até lá.

Eu me sentei na banheira. — O quê? 

— Eu sinto muito. Eu não vou fazer isso esta noite.

A decepção durou apenas um momento antes de se transformar em uma raiva quente e fervente. Algo dentro de mim estalou.

— Se você quer terminar comigo, então apenas termine comigo, porra — falei.

— O quê?

Eu balancei minha cabeça. — Você não consegue nem ficar na mesma sala que eu, não é? Você nem consegue olhar para mim.

— Não é... Vanessa, não tenho escolha. Eu sou seu advogado. Eu tenho que ir até lá.

— A única razão pela qual você tem que ir lá é para não ter que enfrentar uma noite sozinho comigo. Ele tem uma firma inteira de advogados. Você mesmo disse, qualquer um pode ir, não precisa ser você.

Quase pude vê-lo arrastando a mão pela boca, olhando para qualquer lugar, menos para mim.

Eu fechei meus olhos com força. — Não finja que isso não é exatamente o que nós dois sabemos que é, Adrian. Você está fugindo. Mesmo quando você está comigo, você não está aqui. Pare de me fantasiar e chamar isso de trabalho. Por favor. Por favor. Inversão de marcha. Voltar. E pare de fazer isso comigo.

Houve uma longa pausa do outro lado da linha.

— E depois? Eu vejo você se deixar morrer?

E aí estava.

Então eu estava certa.

Meu queixo estremeceu. — Eu não posso te dar o que você está pedindo, Adrian.

— E não posso dar o que você está pedindo. Eu preciso desse trabalho. No momento, é a única coisa que me faz sentir meio são.

— Então, ficar longe de mim vinte horas por dia é o que o torna são?

— Eu não quis dizer isso.

— Sim, você fez. — Eu forcei as lágrimas abaixo. — Entendo. Você ainda está com a dor de cabeça e tentando descobrir, e está fazendo o que faz quando se sente fora de controle - você trabalha. Mas você está perdendo um tempo precioso. — Eu balancei minha cabeça. — É apenas uma ilusão, Adrian. O controle é uma ilusão. Ninguém pode te prometer para sempre. Pessoas morrem inesperadamente todos os dias. Eles têm acidentes de carro, ataques cardíacos e derrames, e se tudo o que você faz é viver sua vida com a fixação em como tudo termina, você está apenas vivendo o fim duas vezes. Ainda temos tempo e todas essas coisas que você acha que vão me salvar, não vão. Pare de persegui-lo e apenas seja feliz. Seja feliz comigo enquanto você pode.

Ele não respondeu, mas o vento ao fundo havia parado, como se ele tivesse parado.

— Este pode ser meu último Ano Novo — eu sussurrei. — Você não entende isso? Você não entende que cada feriado pode ser o meu último? Que todo dia comigo é um presente? Isso não significa algo para você?

— É claro que significa.

— Então trate isso como um presente! Volte para mim. Se não esta noite, tudo bem. Se você tiver que trabalhar, eu entendo. Vá fazer o que você tem que fazer. Mas então esteja neste relacionamento. Sua resposta automática ao descobrir que eu poderia estar morrendo deveria ser passar todos os momentos de vigília comigo, não desaparecer.

Ele ficou quieto por tanto tempo que pensei ter desligado a ligação.

— Eu não posso estar desamparado, Vanessa. — Sua voz estava grossa. — Eu não posso me sentar aqui e assistir você morrer sem saber que fizemos tudo o que podíamos para evitá-lo.

Eu balancei minha cabeça, e as lágrimas que estavam brotando dos meus olhos escorreram pelo meu rosto. — Eu não posso esperar meses para você chegar a um acordo com isso, Adrian. Não tenho meses de sobra. Especialmente se você não vai fazer nada para ajudá-lo a superar isso. Você não vai fazer terapia, não vai entrar para um grupo de apoio, nem vai falar comigo. E não estou disposta a ser infeliz e solitária enquanto você age como se eu já estivesse morta. Eu simplesmente não estou.

Houve uma pausa longa e silenciosa.

— Preciso que você me diga que buscará tratamento — disse ele no silêncio. — Que você vai ser diagnosticada, que vai fazer ensaios clínicos, tomar os medicamentos disponíveis. Eu preciso de respostas. Eu preciso de um plano. — Ele fez uma pausa. — Este é o meu resultado final.

As palavras pairaram entre nós.

— Seu resultado final? — sussurrei. — Sua linha de fundo? Você está me dando um ultimato?

Ele não respondeu.

Eu balancei minha cabeça. — E se eu disser não?

Ele esperou um longo tempo. — Vanessa... eu preciso saber que você vai nos dar mais tempo.

Meu coração se partiu e se desintegrou em mil pedacinhos.

— Foda-se, Adrian. Você nem quer o tempo que tem.

E desliguei na cara dele.

CAPÍTULO 29

CAPÍTULO 29

ESTE ADEUS VAI DEIXA-LO EM LÁGRIMAS

Vanessa

A clínica de reabilitação de Annabel era boa. Deveria ser. Isso estava me custando o suficiente.

Depois que desliguei na cara de Adrian, saí da pousada e dirigi para Iowa.

Passei a véspera de Ano Novo em um motel a dezoito quilômetros de onde Annabel estava hospedada. Verifiquei o horário para os visitantes da reabilitação, coloquei um alarme para a manhã e depois bebi metade da garrafa de champanhe que trouxe de um copo de papel e fui dormir antes da contagem regressiva.

Adrian me ligou de volta quase assim que desliguei na cara dele. Eu desliguei meu telefone. Não havia mais nada a dizer.

Ele me deu um ultimato. Um ultimato sobre como eu viveria o resto da minha vida.

Ele não teria nem me namorado se soubesse que eu poderia estar doente. Era algo que eu tinha medo de pensar. Foi algo que ele negou veementemente. Mas agora eu sabia que tudo isso, todo o seu amor, fora dado na ignorância.

Eu era um clickbait.

Eu fui um engano. Uma promessa atraente de conteúdo digno. Mas quando você realmente olhava, não era nada além de propaganda enganosa. Nem um pouco o que você pensou que seria. Eu vendi a Adrian algo que não existia. Eu não fiz isso de propósito, mas ele foi enganado mesmo assim.

Eu deveria saber que ele era bom demais para ser verdade. Eu deveria ter procurado o motivo pelo qual um homem como aquele estaria disposto a amar alguém como eu. Era porque ele não sabia de nada.

E agora ele sabia.

As implicações eram enormes demais para pensar. Então eu não pensei. Tomei banho, peguei um café de merda no posto de gasolina e fui ver minha irmã.

Annabel não estava me esperando, e eu não sabia se ela me veria. Fiz o check-in na recepção e eles me chamaram.

Quando ela saiu para a área de visitantes e me viu, ela parou por um momento. Então ela apertou os lábios em uma linha e se jogou na cadeira em frente à minha.

— Ei — falei.

Ela cruzou os braços. — Ei.

Ficamos sentadas em um silêncio tenso.

Ela parecia cansada, mas seus olhos estavam claros. Ela usava um moletom desajeitado e calça de moletom cinza. Seu cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo bagunçado. Ela parecia esguia. Muito magra.

— Está comendo? — perguntei.

— A comida aqui é uma merda — ela murmurou.

— Você quer que eu pegue algumas barras de proteína ou algo assim?

Ela deu de ombros e desviou o olhar, pegando um pequeno rasgo no braço de sua poltrona.

— Como está seu ombro? — perguntei.

— Tudo bem, eu acho — ela murmurou. — Eles não vão me dar nada então...

— Bem, não. Você está na reabilitação — eu disse sarcasticamente.

Ela me ignorou.

— Grace está indo bem — eu ofereci.

Ela não respondeu.

— Eu liguei para você — falei. — Muito.

Ela franziu os lábios. — Eu não queria falar com você.

— E por quê?

— Porque você é uma mentirosa.

Eu zombei. — E como é isso exatamente? Porque eu me recusei a financiar incondicionalmente a sua bebedeira?

Ela nivelou os olhos em mim. Olhos azuis afiados. Os olhos de Grace.

— Então, onde está sua cinta? — ela perguntou.

Eu pisquei para ela. — O quê?

Ela olhou para mim. — Sua cinta. Para sua mão.

Eu me mexi na cadeira. Eu nunca a usei na frente dela. Eu nunca a usei na frente de ninguém, exceto Adrian.

— Eu vi quando fui ao seu apartamento. Antes de eu ter o bebê. — Ela ficou lá, me desafiando a negar. — Então, quando você ia nos contar? Você ia, tipo, morrer e nos deixar descobrir depois?

Um flash de dor cintilou em seu rosto. Um microssegundo de vulnerabilidade que ela encobriu com a expressão dura que usava como máscara.

Ela sabia. Todo esse tempo ela sabia.

— Você contou ao papai e ao Brent? — sussurrei.

Ela balançou a cabeça. — Não. Mas eles sabem. Não somos idiotas. Podemos ver quando você não consegue nem abrir uma garrafa de ketchup.

Recostei-me na cadeira.

Então foi por isso que papai piorou. Porque ambos tinham. Não admira que ela tenha saído dos trilhos. Não admira que ela tenha perdido o controle.

A derrota disparou em minha garganta e me sufocou.

O controle da ELA nunca iria abrandar. Ele simplesmente continuou enrolando seus tentáculos em torno de nossos tornozelos e nos puxando para baixo.

E agora tinha Adrian também.

Alguém que chegou perto o suficiente.

Engoli. — Não tenho certeza se é isso — eu disse.

Ela zombou. — Claro.

Ficamos em silêncio novamente.

Ela puxou o tecido rasgado em sua cadeira. — Quase tomei uma garrafa inteira no dia em que descobri — ela disse calmamente. — Fui direto para a clínica. Tinha um roteiro e tudo. Mas não o segui. Fiquei dizendo a mim mesma que Mel ficaria desapontada comigo se eu tomasse enquanto estivesse grávida. Foi a única coisa que me impediu de fazer isso, pensando que Mel poderia me ver.

Inclinei-me para a frente com os cotovelos apoiados nos joelhos. — Annabel, se isso é... o que pode ser, não posso ficar com Grace. Posso ficar com ela enquanto você termina este programa. Mas quando você sair, você tem que levá-la.

Ela olhou para mim e tudo que eu conseguia pensar era o quão jovem ela era. Ela não parecia ter dezenove. Ela parecia uma criança. Ela nem parecia velha o suficiente para dirigir.

— Dê ela para o papai.

Eu a encarei. — Dar ela para o papai?

— Ou Brent e Joel.

— O que... Brent vai pagar a fiança no segundo que ela estourar a fralda! Ele não está pronto para ter um filho. — Eu balancei minha cabeça. — Você tem que cuidar dela, Annabel. Ela é sua.

— Eu não quero. Eu não posso.

Lambi meus lábios. — Sim, você pode. Você pode. Vou te ajudar. Vou te ajudar com dinheiro, você não vai ter que trabalhar...

— Não vou ficar limpa.

Ela disse isso com naturalidade. Não foi uma ameaça. Foi apenas uma declaração.

— Eu não vou. Eu quero, mas se eu tiver que cuidar dela, não vou. É tão difícil. Estou apenas sendo honesta. Eles me dizem aqui para falar a minha verdade e é isso que é. Eu nunca a quis. Eu não quero ser mãe. Eu não posso fazer isso.

— Você sabe que papai não pode fazer isso — eu respirei. — Se algo acontecer comigo, ele vai ficar uma bagunça. Ele já está uma bagunça. Você não pode deixar Grace com ele...

— Então encontre outra pessoa. As pessoas sempre querem bebês. Ela é boa. Alguém vai querer ela.

Lágrimas picaram meus olhos. — Você não pode estar falando sério — eu sussurrei. — Ela é sua filha.

Ela encolheu os ombros novamente. — Pelo menos eu sou honesta.

Ficamos sentadas em silêncio.

Eu a estudei. Seu rosto de bebê com rugas profundas na testa e desgaste além da idade.

Ela estava danificada. Tão, tão danificada.

E por que ela não estaria?

Ela tinha apenas quatorze anos quando Mel adoeceu. Ela era uma criança, vivendo em um monte de lixo, vendo sua irmã mais velha, aquela que tinha sido a única mãe que ela conheceu, murchar e morrer.

E agora ela sabia que eu também poderia estar morrendo.

Quanto eu esperava que ela sofresse? Ela nem tinha idade para beber e já tinha passado por mais tragédias do que a maioria das pessoas com três vezes sua idade.

Sua própria mãe a abandonou. Então Mel morreu e eu a deixei sozinha com sua dor e viajei o mundo enquanto meu pai declinava ainda mais em sua doença mental. Ela engravidou por acidente, seu corpo foi feito refém de um bebê que ela não planejou e não queria e não era emocionalmente capaz de cuidar. Ela era uma viciada. Ela tinha seus próprios demônios para lidar - e pelo menos ela era autoconsciente o suficiente para reconhecer isso.

Eu estava fazendo com ela o que Adrian tinha feito comigo? Insistir que eu sabia o que era melhor para Annabel quando ela era quem tinha que viver com suas escolhas?

Talvez ouvi-la fosse fazer o que era melhor para ela e Grace.

Mesmo que não pareça assim.

— Ok — eu sussurrei. — Vou me certificar de que ela termine com uma boa família.

Pela primeira vez em muito tempo, seu rosto suavizou.

Provavelmente porque, pela primeira vez em muito tempo, decidi ouvi-la.

Duas horas depois, sentei-me no estacionamento do centro de bem-estar, digitando o endereço do meu prédio em meu telefone para navegar para casa.

Annabel me deu um longo abraço antes de eu sair.

Eu vi uma centelha de quem ela poderia ser hoje. Demorou um pouco para retirá-la, mas estava lá. Ela falou sobre o futuro, sobre ir para a faculdade e se formar. Ela queria fazer design gráfico, fazer sites para as pessoas. Eu disse a ela como fiquei impressionada com o que ela fez pelo BoobStick e seus olhos brilharam. Ela me lembrou de Grace quando ela olhou para Adrian, a mesma felicidade pura que eu temia que minha irmã não fosse mais capaz.

Eu disse a ela que era uma ótima ideia. Gostei que ela estivesse olhando para a frente.

Eu sabia que ela poderia ficar limpa. Ela era forte. E ela tinha acesso a todos os recursos de que precisava agora. Acho que a libertou admitir que precisava deixar Grace ir. Acho que também me libertou de certa forma. Esperar nunca foi minha estratégia favorita. Não havia mais e se agora. Eu não precisava me preocupar se o vício de Annabel arruinaria a vida de Grace depois que eu morresse. Não iria, porque Grace também iria embora.

Terminei de digitar o endereço e cliquei na barra de pesquisa...

E então eu simplesmente parei.

Qual era o sentido de voltar a St. Paul? O que havia para mim?

Adrian disse o que disse e eu disse o que quis. Ele me deu um ultimato, e eu dei a ele minha resposta. Tinha acabado. E agora todos tinham o que precisavam. Então, de que adiantava continuar ali?

Annabel estava recebendo ajuda. Grace tinha papai por enquanto, e papai tinha Sonja para apoiá-lo. Eles seriam capazes de cuidar de Grace até que eu a colocasse com uma família. Brent estava no caminho certo.

Adrian tinha seu trabalho e seus resultados financeiros.

E pela primeira vez em muito tempo, tive a perspectiva de que minha família poderia ficar bem. Isso era mais do que eu esperava.

Mas eles ainda estariam bem se eu ficasse por aqui? Se eles tivessem que me assistir declinando lentamente como eles assistiram a Melanie?

Eles não iriam. Porque olhar para mim agora nada mais era do que olhar para o sol.

Eles eram um castelo de cartas frágil perto de uma janela aberta... e eu era a brisa. Eu tinha que ir.

Eu não poderia dizer adeus a Grace...

Eu não poderia voltar. Eu perderia minha coragem.

Isso me deu um soco bem no coração, me fez sentir como se não pudesse respirar.

Minha bebê…

Eu a tinha visto pela última vez e nem sabia disso. Eu beijei seu rosto e aninhei-a e cheirei sua cabeça e não saboreei, não segurei...

Ela era mais minha do que já foi de Annabel. Ela sempre seria minha, mesmo quando ela não se lembrasse de nada sobre mim.

E isso teria que ser bom o suficiente.

Eu tinha que esperar que os pequenos pedaços que ela conseguiu de mim fossem o suficiente para durar uma vida inteira.

Eu ligaria para sua assistente social e para minha advogada e me certificaria de que eles soubessem onde ela estava.

Limpei as lágrimas do meu rosto, olhei para o meu telefone e limpei o endereço da barra de pesquisa. E de repente a estrada à frente era um grande ponto de interrogação.

Eu parti todos aqueles anos atrás para viver minha vida. Para ser uma borboleta ao vento. Eu parti em minha busca sozinha. Nenhum cinegrafista para me acompanhar, me seguir e editar minhas filmagens. Nenhum assistente de produção para reservar quartos de hotel e planejar agendas. Nada além de uma única mala e as roupas do corpo. Eu tinha isso no carro agora. Eu até tinha meu passaporte. Eu embarquei com o objetivo de rir e ver o mundo e viver como se eu tivesse mais um ano. E agora talvez eu realmente tenha.

Eu não estava pronta para desistir do meu amor pelo resto da vida. E eu não ia passar mais um dia olhando para o sol. Eu nunca faria isso de novo. Eu escolhi viver - porque qualquer outra coisa estava apenas esperando para morrer.

Liguei o motor e saí do estacionamento. Quando tivesse que fazer uma curva, iria aonde o vento me levasse.

CAPÍTULO 30

CAPÍTULO 30

O GUIA FINAL PARA SOBREVIVER A UMA DISSOLUÇÃO (ESSA É SUA FALHA)

Adrian

Nada mudou na minha casa. A árvore ainda estava erguida e iluminada, o balanço de Grace ainda estava ao lado do sofá. Até o cobertor de Vanessa estava onde ela o havia deixado, enrolado no sofá, cheirando como ela. Mas tudo estava diferente agora. Como se as luzes tivessem se acendido em uma boate.

Não tinha notícias de Vanessa há dois dias. Desde que ela desligou na minha cara na véspera de Ano Novo.

No segundo que aconteceu, eu sabia que tinha fodido tudo.

Eu virei meu carro, liguei para Lenny e pedi que ele fosse no meu lugar, e dirigi direto para Stillwater. Mas Vanessa não atendia minhas ligações ou mensagens de texto e eu não sabia para onde ir. Pesquisei pousadas na área e dirigi até cada uma, procurando o carro dela, mas não consegui encontrar.

Essa foi a última vez que falei com ela.

Eu a traí. Eu a fiz escolher: eu ou ela mesma.

E ela pagou meu blefe.

Esse ultimato foi um ato de desespero de um homem desanimado e sem sono que estava caindo na loucura com a ideia de perdê-la. Foi manipulador e errado, e eu nunca poderia ter agido sobre isso em um milhão de anos. Eu sabia disso agora mais do que nunca. Eu não era capaz de deixá-la, não importava qual fosse sua posição no final de sua vida.

Tudo em meu universo foi classificado com força de repente. Minhas deficiências foram expostas com a clareza em retrospectiva - eu estava com tanto medo de ser deixado novamente por alguém que amava que não conseguia nem entender o que era certo e errado.

Eu deveria ter feito o que ela disse. Ir ao aconselhamento do luto, juntar-me a um grupo de apoio, encontrar um terapeuta, conversar com alguém. Qualquer coisa diferente do que eu fiz. Qualquer coisa além de desligar e dar a ela um ultimato porque eu não poderia lidar com a escolha que ela fez - e era sua escolha a fazer. Ela era uma testemunha especialista em ELA, dando seu testemunho, e eu me recusei a ouvir porque não era emocionalmente capaz de aceitar isso. Eu estava tão danificado e eu nunca fiz uma merda sobre isso, eu nunca lidei com nada disso, meus problemas de abandono, minha necessidade de controle.

Eu não era diferente de Richard. Só que eu deixei minha família sem sair do lugar.

Eu não acho que as coisas poderiam ficar piores do que já estavam.

Eu estava errado.

Este foi o meu fundo do poço. Este.

Não conseguia comer, não conseguia dormir. Parecia que minha família havia se desintegrado. Como se eu tivesse falhado com elas, e minha esposa tivesse me deixado e levado nossa filha. Eu não sabia o que fazer comigo mesmo. Eu estava com medo de sair. Eu mantive tudo em silêncio para que eu ouvisse sua porta ao lado se ela voltasse para casa, mas ela não o fez.

Eu tinha perdido o tempo que tínhamos.

Ela estava certa. Eu deveria ter apreciado cada segundo com ela.

Eu queria voltar no tempo e falar com ela na viagem de carro de Nebraska de volta para Minnesota. Eu queria levá-la à loja de doces que ela pediu para ver e almoçar com ela naquele dia em que ela veio ao meu escritório e a beijar quando a bola caiu na véspera de Ano Novo. Em vez disso, passei aqueles últimos dias apenas olhando para o sol.

E agora eu estava vivendo a pior coisa possível duas vezes.

Eu esperava que ela só precisasse de algum espaço. Talvez ela só precisasse se acalmar. Então ela voltaria, me daria a chance de me desculpar. Eu estava me agarrando a essa esperança.

Eram quase 2:00. Eu estava na sala de estar com a cabeça entre as mãos quando meu celular tocou. Eu pulei, mas era apenas Becky.

Eu arrastei a mão pela minha boca e deslizei o telefone no meu ouvido. — Ei.

— Adrian, o que você fez?

Sua voz tremia.

Eu me sentei. — O que você está falando?

— Vanessa acabou de enviar um vídeo.

Desliguei na cara dela e corri para o meu laptop para abrir seu canal.

O vídeo começou com Vanessa sentada em um lounge Delta. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Era intitulado Adeus para Sempre.

Meu estômago embrulhou.

— Ei, pessoal. — Ela acenou para a câmera. Mas ela não tinha a luz usual ao redor dos olhos. Ela estava com um moletom e seu cabelo estava em uma trança bagunçada. Ela parecia como eu me sentia. Com o coração partido.

— Eu gostaria de estar aqui para dar uma notícia melhor, mas como você pode ver pelo título deste, este vai ser o meu último vídeo. Não fui honesta com todos vocês e quero ser honesta agora porque acho que vocês merecem isso. — Ela fez uma pausa. — Nos últimos meses, tenho tido o que temo serem os primeiros sintomas de ELA.

— Tenho pensado muito na minha vida e sabendo que só me resta um pouco de tempo, decidi como quero gastá-lo. E isso é privacidade.

— Eu ainda estarei lá no mundo. E farei vídeos do meu tempo final aqui, se é isso que estou encarando. Mas eles não serão liberados até depois da minha morte. Por quê? — Ela encolheu os ombros. — Porque eles vão valer mais quando eu partir, e gostaria de dar um último empurrão à minha instituição de caridade depois de partir. Meu último dedo médio para esta doença - enquanto eu ainda posso levantar um. — Ela deu um sorriso fraco para a câmera.

— Vocês têm sido o vento sob minhas asas. Verdadeiramente. Eu não poderia ter feito nada disso sem vocês. Arrecadamos milhões para pesquisas sobre ELA e fizemos mais pela conscientização do que eu jamais poderia esperar. Vocês me deram um legado do qual posso me orgulhar e um dia tudo isso salvará vidas. Obrigada por isso. Por me dar uma plataforma e por fazer a diferença. — Então ela respirou fundo e seu rosto ficou mais triste do que já estava. — Jesus's Abs - Adrian. — Ela olhou diretamente para mim. — Eu nunca disse obrigada. Nunca te contei muitas coisas. Você me deu muito no último mês. Você foi um amigo e um suporte. Você me fez sentir segura e calma. Você me deu a chance de ter minha própria família por um tempo, e embora soubesse que não era, eu me senti como uma esposa. — Seu queixo estremeceu e meu coração se partiu. — Você é o amor da minha vida - e não porque minha vida provavelmente vai acabar muito mais cedo do que eu esperava. Quero que saiba que não te culpo por não ser capaz de fazer isso. Espero que você encontre alguém que possa lhe dar uma vida inteira de memórias que eu não posso, porque você merece. — Ela apertou os lábios como se estivesse tentando não chorar. — Nunca se esqueça das coisas que eu te ensinei. A vida é muito curta, Adrian. É muito curta. Coma o bolo, tire férias, dance na chuva. E não faça nada que vá quebrar seu coração. Só lamento que, neste caso, essa coisa fui eu.

Ela olhou para mim através da tela por outro momento.

Então o vídeo acabou.

Não tinha passado nem um segundo quando algo bateu na parede adjacente aos nossos apartamentos. Eu pulei e corri para a porta, ofegante, pensando que talvez ela tivesse voltado para pegar suas roupas ou as coisas de Grace. Talvez não fosse tarde demais.

Mas quando abri a porta, um sofá flutuou para fora do apartamento de Vanessa no corredor, carregado por dois homens com camisas azuis.

A voz de Gerald veio de dentro. — Cuidado com eles, são itens de colecionador! E eu estou te observando, então não pense que você vai colocar algo no bolso!

Ele me viu entrar e parou de delegar. — Ah, o advogado! — Ele sorriu para mim.

Olhei ao redor do pequeno estúdio, meu coração batendo forte contra minhas costelas. Uma equipe de pessoas empacotava as coisas em caixas. Alguém com luvas brancas estava puxando o Banksy de Vanessa para baixo e embrulhando-o em papel. Seu colchão estava encostado na parede e um homem estava desmontando sua cama. Alguém estava na cozinha, encaixotando as mamadeiras de Grace. Uma mulher estava em uma escada raspando as estrelas que brilham no escuro do teto.

— O que você está fazendo? — Eu respirei, olhando de volta para Gerald, embora fosse óbvio.

Ele balançou sobre os calcanhares com as mãos nos bolsos daquele jeito não afetado dele. — Movendo os pertences da minha filha, de acordo com o pedido dela. — Ele ergueu a mão. — Não se preocupe. Você terá a unidade de volta em algumas horas. Tudo limpo, como diz o contrato.

Eu encarei a atividade em descrença. Eu não conseguia respirar. Parecia que ela estava sendo apagada. Em uma hora, este lugar seria como se ela nunca tivesse estado aqui.

— Onde ela está? — perguntei, olhando para ele, parado no meio do caos.

Seu sorriso sumiu e, por um momento, ele pareceu quase com pena de mim. — Filho, você sabe que não posso te dizer isso.

Eu olhei para ele desesperadamente. — Você pode. Você tem que me dizer onde encontrá-la. Por favor — eu implorei.

Suas sobrancelhas espessas se arquearam. — Talvez devêssemos ir conversar. Eu diria que seu apartamento provavelmente é mais adequado. Devemos?

Pisquei por mais um momento para a cena impossível em seu estúdio. A vida dela desaparecendo diante dos meus olhos. — Sim.

Quando voltamos para minha casa, ele acenou com a cabeça para o bar no caminho para a mesa da sala de jantar. — Despeje-me um forte, sim? Foi um dia difícil.

Servi um bourbon com as mãos trêmulas e o deslizei para ele antes de me sentar.

Havia uma névoa de descrença sobre tudo isso tão densa que quase não parecia real. Eu olhei para ele sentado lá como se ele fosse uma extensão de um sonho estranho que eu estava tendo.

Ele enfiou o nariz no copo e respirou fundo. Então me deu um aceno de aprovação e deu um gole. — Ahhh, isso é bom. Muito, muito bom. Você tem bom gosto. — Ele ergueu o copo para mim. — Em bourbon e mulheres.

— Você tem que me dizer como encontrá-la. Agora. Eu preciso ir agora — eu disse, muito desesperado por tato.

Ele deu uma risadinha. — Sabe, você me lembra um pouco de mim mesmo quando tinha sua idade. E Vanessa é uma cópia carbono de sua mãe. Mesma energia. Luminosa. — Ele balançou o copo para mim. — Você sabe do que eu estou falando. Elas têm essa luz interior. E teimosia! Meu Deus, elas são sempre. — Ele riu secamente em seu copo. — Minha esposa, Samantha, já estava sintomática há um ano quando sofreu um acidente de carro. Disseram que ela perdeu o controle do volante. Não deveria estar dirigindo, verdade seja dita, mas ninguém jamais poderia dizer a Samantha o que fazer. — Ele sorriu para si mesmo, seus olhos distantes, como se ele estivesse se lembrando. Em seguida, os cantos de seus lábios caíram e ele olhou para mim por baixo de suas sobrancelhas espessas.

— Sabe, ela também não quis fazer os testes. Não consegui envolver meu cérebro em torno disso. Fiquei com raiva - por anos. Como ela pôde nos deixar assim? Por que ela não tentou? Levei muito tempo para perceber que só porque você não reconhece a luta que eles escolheram, não significa que não estão lutando.

Ele se inclinou para frente. — Essa não é nem a parte mais difícil, filho. Amá-la não é a parte difícil. Nem é apenas calar a boca e apoiá-la, mesmo que você não acredite em como ela está fazendo isso. A parte difícil está a caminho e vai durar o resto da sua vida, uma vez que a luz sob a qual você está vivendo se apague e morra. Mesmo que essa coisa acabe sendo nada, você só estará esperando o sapato cair, enlouquecendo. Isso vai te comer de dentro para fora. Se você não consegue lidar com isso agora, acredite em mim, você não foi feito para o que está por vir. — Ele fez uma pausa. — Mas acho que você sabia disso.

Ele me olhou com firmeza. — Você sabia o que estava fazendo quando deu a ela aquele ultimato. Você sabia que não foi feito para isso. Não a persiga. Você tem toda a sua vida pela frente. Pegue o presente que ela lhe deu, volte ao trabalho, ame outra mulher. Siga em frente. Deixe-a ir.

Eu o estudei. Ele não podia ter mais de cinquenta e cinco anos. Mas ele parecia dez anos mais velho. Linhas duras. O desgaste de décadas de luto.

Ele tomou um último gole de sua bebida e se levantou. — Eu tenho a custódia de Grace. Annabel está renunciando a seus direitos. Sinta-se à vontade para passar e dizer olá. — Ele parou na minha porta e olhou para mim por um longo momento. — Você sempre teve minha bênção, Policial de Fancy Hall. Gostava de ter um advogado na família.

E ele saiu sozinho.

CAPÍTULO 31

CAPÍTULO 31

VOCÊ ESTÁ COM O CORAÇÃO PARTIDO? FAÇA ESTE TESTE PARA VER!

Dois meses depois

Vanessa

Provavelmente deveríamos nos apressar se quisermos pegar a luz — disse Laird.

Estávamos parados na praia em um tiki bar vazio. Eu estava encostada na grade de bambu com vista para a água. O sol estava se pondo e uma brisa quente e salgada do oceano soprou meu cabelo para trás sobre meus ombros.

Brent estava na rebentação com as pernas da calça enroladas, observando as ondas.

Eu estava na ilha particular de Drake. Brent estava no país quase tanto quanto eu estava na estrada. Parte da condição de Drake ao apoiar BoobStick era que a produção de protetores labiais ocorresse no continente vizinho para gerar empregos para os moradores locais. Brent e Joel vieram supervisionar o treinamento e fazer o controle de qualidade.

O casamento de Drake e Laird seria amanhã, então Brent pegou um barco para ser meu encontro. Era deprimente pra caralho. Não só o meu par era gay e estava em outro relacionamento, mas ele também era meu irmão. Eu tinha conseguido o trio de emoji chorando para o casamento.

Brent e eu conversamos por telefone alguns dias depois que eu parti. Ele sabia o tempo todo que eu poderia estar doente e respeitou minha vontade de não contar a ninguém sobre isso, então nunca tocou no assunto. Mas o machucou que eu não confiei nele.

Nós ficamos muito mais próximos nos últimos meses. Deixei de ser sua irmã mais velha e comecei a ser sua amiga - e gostei mais assim. Eu precisava de um amigo. E ele precisava que eu soubesse que ele poderia cuidar de si mesmo.

E ele poderia.

Estava acontecendo um assado de porco em frente ao cais. Eu podia ver o brilho das lâmpadas tiki entre as palmeiras e a música pulsava à distância. Era uma multidão interessante ali. Era tão provável que você se sentasse ao lado de um Sherpa no jantar quanto Brad Pitt.

— Você deve voltar — eu disse ao Laird. — Você está perdendo sua própria festa.

Ele sorriu enquanto prendia meu microfone no meu colar. — Eh, eu prefiro estar aqui. Isso é coisa de Drake, não minha. Eu odeio multidões.

Eu sorri. — Bem, estou feliz por ter a companhia - e a ajuda. Vai ser bom ter um vídeo para esta série que não seja feito em modo selfie.

Eu passei os últimos dois meses escondida, tentando não ser reconhecida. Eu mochilei por algumas semanas no Reino Unido. Passei uma semana em Amsterdã em albergues aleatórios.

Então eu meio que perdi meu caminho. Como um brinquedo de corda que acabou, eu simplesmente parei. Eu não conseguia mais seguir em frente.

Não havia nada que eu quisesse ver. Nenhum lugar que quisesse ir. Sempre gostei da Irlanda, então fui para lá pensando que isso me animaria.

Isso não aconteceu.

Aluguei um chalé perto de Dublin e apenas me sentei. Por três semanas inteiras, devorando romances. Não fui dar uma olhada na pitoresca vila próxima, não fiz amigos. A única coisa que me tirou daquela casinha foi o casamento, e provavelmente ficaria parada aqui nesta ilha até morrer, por nenhum outro motivo a não ser simplesmente não poder mais seguir.

Drake não se importava se eu ficasse. Acho que ele não fazia ideia de quantas pessoas viviam em sua ilha. Era uma espécie de entidade viva, respirando, reunindo e perdendo habitantes com a maré. Ontem perguntei a ele quem era o dreadlock que vivia na rede perto dos jardins e ele legitimamente não sabia. Ele disse que achava que sim, e cito: — O cara do lhama, talvez?

Se houvesse um cara do lhama aleatório, poderia ser um vlogger excêntrico que bebeu todo o vinho e morou na cabana perto das bananeiras.

Minha mão não havia melhorado.

Tive dias bons e dias ruins. Nos dias bons, eu sentia meus dedos. Eu poderia segurar as coisas levemente. Nos dias ruins, quase não fazia uso da minha mão.

Não era incomum que a progressão da ELA parasse por um tempo, ou mesmo regredisse um pouco. Mas eventualmente iria progredir. E sempre progrediu. E agora começou a subir pelo meu braço. Eu tinha perdido força no meu bíceps. A mudança era perceptível agora em comparação com o outro lado. Magro.

Atrofiado.

Era assustador olhar no espelho e ver as diferenças. Tão assustador que tirei o espelho de corpo inteiro da minha cabana. Foi ainda pior ver todos os outros notarem. Eu me virar e pegar os olhos de Brent se afastando de mim como se ele não estivesse olhando para ele.

Isso me deixou ainda mais certa de que eu tinha agido bem ao sair quando o fiz. Annabel e papai não poderiam ter lidado com isso.

Era oficial. Havia um pequeno chihuahua antigo e desdentado em Nebraska que provavelmente sobreviveria a mim.

O acupunturista de Drake tentou ajudar. Funcionou um pouco. Os dias bons costumavam ser logo após uma visita. Mas minha apatia, minha falta de ímpeto, entusiasmo e amor pela vida - nada poderia melhorar isso.

Perdi algo quando perdi Adrian.

Levei muito tempo para aceitar isso. Mas eu o fiz. Eu perdi a capacidade de decidir não ficar triste. Isso estava oficialmente fora de minhas mãos.

Existem pessoas que você pode conhecer para o resto da vida e elas nunca entram em seu coração. E há aqueles que já estão dentro dele, antes mesmo de você colocar os olhos neles. Adrian sempre fez parte de mim, percebi. Não importava que eu só o conhecesse por um minuto no dia da minha vida, ou um segundo no dia dele. Ele era eterno para mim, imortalizado em minha alma, antes, depois e para sempre. E esquecê-lo não era mais possível do que mudar meu DNA.

Eu senti falta dele. Às vezes, eu acordava no meio da noite e levava um minuto para perceber que estava sozinha. Que Adrian não estava perto de mim ou apenas do outro lado de uma parede. Às vezes eu via a nuca de alguém e tinha certeza de que era ele. Mas é claro que nunca foi.

Nunca seria.

Eu imaginei que ele se jogou totalmente de volta em seu trabalho. Talvez ele tenha começado a treinar para uma nova maratona.

Talvez ele tenha começado a namorar novamente...

Esperançosamente, todos estavam voltando para suas vidas. Eu não saberia.

Fiquei em silêncio com relação a papai e Annabel. Mudei meu número e cancelei meu e-mail. Era melhor assim, pelo menos por enquanto. Eu era uma muleta para eles - e talvez eles fossem uma muleta para mim também.

Tive que reconhecer que havia alguma co-dependência entre mim e minha família, e todos nós precisávamos aprender a viver de uma maneira diferente. Eles precisavam tomar decisões por conta própria, e eu precisava aceitar estar bem com eles fracassando. Eles nunca seriam independentes se eu continuasse a um telefonema de salvá-los. Era melhor se eles aprendessem a ficar sem mim, que eles praticassem isso agora, antes que eles tivessem que fazer isso com seriedade.

Se papai ou Annabel precisassem me contatar por qualquer coisa que não fosse dinheiro, Brent sabia como me encontrar. Coloquei meu advogado de adoção em contato com Sonja. Eu sabia que entre ela e papai, eles encontrariam uma família perfeita para Grace. Eles não precisavam de mim para micro gerenciá-lo. Papai era um cara inteligente - e muito paranoico para deixá-la ir para alguém que não passou na avaliação.

E Adrian... ele seguiria em frente. Ele ficaria bem em outro relacionamento, um que fosse mais gerenciável e previsível. Eu esperava que ele entendesse. Eu realmente esperava que sim. Eu o amava o suficiente para querer que ele fosse feliz.

Aaaa eu também era mesquinha o suficiente para esperar que o sexo deles não fosse tão bom quanto o nosso, mas estou divagando.

Brent veio da costa olhando para o telefone. — Ei, você sabia que #WheresVanessaPrice é tendência no Twitter?

Eu bufei. — Não me surpreende. Eu fiz uma saída dramática. É bom. Isso significa que os vídeos terão mais visualizações quando finalmente forem postados.

Ele me deu um olhar triste. — Sabe, se quiser, posso ir com você a algum lugar depois do casamento. Poderíamos partir em uma aventura. Talvez algum lugar exótico que tenha aqueles macacos realmente agressivos que roubam sua comida e cagam por toda parte?

Eu ri secamente.

— Estou falando sério, Vanessa. Esse funk em que você está é nojento. Você precisa de algo pelo qual ansiar.

Eu balancei minha cabeça. — Não. Estou me preparando para ser a eremita que mora na ilha de Drake. A americana louca sem sutiã que bebe e sequestra todos os bebês cabritos.

Laird fez uma careta. — Acho que já temos um desses. — Ele ergueu sua câmera. — Preparar?

Brent se sentou em uma banqueta do bar e voltou a olhar para o telefone.

Eu concordei. — Preparar.

Eu coloquei meu sorriso falso primeiro. Então me virei para encarar a câmera. — Olá a todos! Bem, eu consegui! Estou no casamento. Vocês não iriam acreditar nesta lista de convidados. O Weekend apareceu em um jet ski esta manhã e Anthony Hopkins está lá. — Inclinei-me. — Vou ver se consigo fazer com que ele faça a linha de fava de “O Silêncio dos Inocentes” mais tarde. Tem sido um casal incrível de...

— Vanessa! Oh, meu Deus! Chrissy Teigen acabou de mencionar você no Twitter!

Fiz uma pausa no meu monólogo para olhar para Brent. — Mesmo? Para que?

Ser mencionada por uma celebridade não era exatamente algo inédito para mim, mas eu não a conhecia.

Brent estava olhando para o telefone e não respondeu.

— E aí? O que ela disse?

— Oh, meu Deus. Oh, meu Deus, meu Deus, meu Deus.

Ele pulou do banquinho e empurrou o telefone na minha mão. — VEJA!

Eu li o tweet.

Alguém pode, por favor, tirar esse pobre homem de sua miséria e dizer a ele onde encontrar Vanessa Price?

Ela usou #WheresVanessaPrice e retuitou um artigo intitulado - Este homem está procurando pelo mundo seu amor perdido e você não vai acreditar por quê!

Minha alma. Deixou. Meu corpo.

Cliquei no artigo e prendi a respiração, esperando por Deus que não fosse Monett Missouri Guy.

Não era.

Adrian Copeland está em uma busca mundial para encontrar a mulher que fugiu – e é provável que você saiba quem ela é.

Durante semanas, a famosa YouTuber Vanessa Price provocou seus telespectadores com histórias de um belo e misterioso interesse amoroso. Agora sabemos que este homem é um prestigioso advogado de St. Paul que não vai parar até encontrá-la.

Price é conhecida por sua busca apaixonada pela cura da esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como ELA, a doença que inspirou o Desafio do Balde de Gelo de 2014.

Price perdeu sua irmã para a doença e em um vídeo de despedida final recente, Price revelou que ela pode ter os primeiros sintomas da doença. Ela anunciou que estava fechando seu canal popular, Social Butterfly, e em um adeus de partir o coração, aludiu que seu diagnóstico potencial era demais para seu namorado, Adrian, e que ela o estava deixando.

Segundo Copeland, os dois se desentenderam sobre a decisão dela de não procurar tratamento e o casal se separou.

— Cometi um erro horrível e perdi o amor da minha vida — disse Copeland em um vídeo viral que fez três semanas atrás, implorando por informações sobre o paradeiro dela.

Copeland, que está em processo de adoção da sobrinha bebê de Price, disse que lutou contra o medo de voar ao longo da vida e teve que passar um mês em terapia intensiva para superar sua fobia e lidar com os sentimentos sobre o potencial diagnóstico de Price. Desde então, ele segue pistas em todo o mundo, com a bebê a reboque, em sua tentativa de localizar Price, que se escondeu. Não podemos dizer se ela sabe que ele está procurando, mas Copeland deixou uma coisa muito clara:

— Eu nunca vou parar de procurar. E quando eu a encontrar, vou passar o resto da vida deixando-a saber o quanto eu a amo.

— Oh, meu Deus... — eu respirei.

— Como diabos você não sabia sobre isso até agora? — Brent disse ao lado do meu rosto.

Eu olhei para ele com os olhos arregalados. — Estou em um hiato nas redes sociais e, quando não, recebo cerca de dois milhões de notificações por dia! É como um bando de gaivotas gritando comigo constantemente em meia dúzia de redes sociais diferentes! Eu ignoro isso!! Por que ele não te ligou para me procurar? Você sabia onde eu estava!

— Eu o bloqueei em solidariedade! Ele está morto para mim desde o Ano Novo!

— Papai não ligou para você?

— Bem, sim, mas eu não respondi! Quem atende quando papai liga???

Grace. Adrian estava adotando Grace.

Eu ri e chorei enquanto tateava meu vestido em busca de bolsos inexistentes, procurando freneticamente por um telefone que eu não carregava há uma semana. — Meu telefone. Eu preciso do meu telefone!

Brent gesticulou dramaticamente para minha mão. — Você está segurando o meu! Use o meu!

Eu me atrapalhei com a tela de chamada. — Seu número. Eu não sei o número dele! — Digitei seu nome nos contatos de Brent e não apareceu. — Como você não tem o número dele?! Ele é um dos seus investidores!

— Está como Jesus’s Abs! Não! Espere! Está como Fancy Hall Cop27! Digite Fancy Hall Cop!

Peguei o contato e apertei para ligar, andando ao longo do parapeito de bambu.

A chamada não foi conectada.

Eu fiz um barulho estridente gutural e me virei para correr para implorar a Drake por seu telefone via satélite.

Eu iria perder o casamento. Eu ia pegar o Jet Ski do The Weekend e levá-lo direto para o aeroporto mais próximo. Eu não pararia de me mover até que Adrian estivesse na minha frente.

— Vanessa! — Uma voz distante veio de algum lugar distante.

Eu parei na areia, ofegante. — Vocês ouviram isso? — perguntei, olhando para Laird e Brent, que me seguiam. Laird ainda estava filmando.

— Vanessaaa!

Eu me virei. — OK, isso foi definitivamente mais perto. Quem está me chamando?

Laird estava olhando ao redor agora também. Panorâmico da costa com a câmera.

Acho que o vimos ao mesmo tempo, porque a câmera do Laird parou de se mover e focou em um homem correndo pela praia na direção do porco assado. Parecia um convidado do casamento. Ele estava com uma roupa de linho branco, chutando areia a toda velocidade.

— Vanessa!

Eu estreitei meus olhos.

E então coloquei a mão na boca.

Era ele.

Adrian.

Eu só tive um momento para registrar isso antes de sair correndo em direção a ele pela praia e nos chocarmos.

Eu estava instantaneamente inteira.

Ele me pegou como se eu tivesse visto Drake pegar um paraquedas depois de dar um salto BASE. Mão após mão, enfiando tudo na barriga para carregá-lo nos braços. Minhas coxas foram levantadas em torno de sua cintura, meu vestido subiu, mãos sob minha bunda, lábios quentes na minha boca, e eu me perguntei brevemente se eu finalmente morri e este era o paraíso.

Eu me afastei de seu beijo. — Espere. Espere, espere, espere, o que você está fazendo aqui? — eu respirei. — Como? Como você me achou?

Ele se afastou apenas o suficiente para olhar para mim. Ele estava chorando. Ele parecia um homem que chorava todos os dias durante meses. Como se ele tivesse ficado bom nisso e fosse mais fácil chorar agora do que parar.

— Eu sabia que você estaria aqui. Você não perderia o casamento de Drake. Eu sabia que só tinha uma chance de saber exatamente onde você estava. Vanessa, sinto muito. Eu estava errado. Eu estava errado em te dizer o que fazer. Eu não tinha o direito.

Eu balancei minha cabeça. — Você estava apenas sendo honesto sobre o que você precisa.

— Foda-se o que eu preciso. Eu deveria ter mantido você quieta. Era meu trabalho mantê-la quieta. Trabalhei muito para lidar com as coisas dentro de mim que tornavam difícil ser forte por você. Essa foi a minha própria merda, e eu tive que trabalhar nisso e me desculpe.

Eu engoli o nó na minha garganta.

Seus olhos fixos nos meus. — Eu amo você. Eu nunca disse isso e deveria ter dito isso todos os dias, porra. Eu amo você.

Meu queixo tremeu. — Você entrou em um avião...

Ele balançou sua cabeça. — Eu embarquei em dezenas de aviões. Eu larguei meu trabalho. Acordei todos os dias sem ter ideia de para onde estava indo ou o que estava fazendo. Eu nem sabia se você falaria comigo se eu te encontrasse.

— Você adotou Grace? — indaguei, minha voz falhando.

— Fui buscá-la com Gerald no dia em que você o mandou limpar seu apartamento.

— Você... você o fez? — eu respirei.

Um pequeno sorriso brincou nos cantos de seus lábios. — Ele me deu um longo discurso sobre como eu deveria deixar você ir. Então ele fez uma saída dramática e eu nem o deixei descer o corredor antes de ir atrás dele e dizer que nunca desistiria de você e que queria minha filha de volta. Ele disse que queria ver se eu lutaria para manter minha família unida. Devo ter passado no teste.

Eu ri em meio às lágrimas.

Ele sorriu. — Foi a negociação de uma vida. Ele me fez prometer que iria deixá-lo vê-la e apenas dar a ela brinquedos de gênero neutro. Em seguida, ele fez um discurso retórico sobre o patriarcado e as mensagens subliminares nos filmes infantis. Tenho levado seu pai para o Perkins com Grace uma vez por semana desde que você saiu.

Não achei que fosse possível amar Adrian mais, ter mais orgulho dele. Mas eu o fazia.

Ele acenou com a cabeça por cima do ombro. — Ela está aqui, na verdade. Ela está com Drake - que ainda não tem uma camisa, a propósito.

Eu ri e as lágrimas transbordaram.

Seus olhos verdes seguraram os meus e ele enxugou minha bochecha com o polegar. — Por favor — ele sussurrou. — Diga-me que não é tarde demais. Diga que você vai me dar outra chance. Não quero perder mais um minuto. Já perdi bastante tempo.

Eu concordei. — Sim — sussurrei.

— Sim?

Eu ri em meio às lágrimas. — Sim.

Seu sorriso era enorme. Ele irradiou. Ele me beijou de novo e eu derreti nele.

Não havia nada de nostálgico nele, nem em seu cheiro familiar ou na forma de seu corpo, porque a nostalgia poderia sugerir que ele era uma memória. Ele não era. Meu coração nunca o deixou, nunca tinha esquecido nada sobre ele. Tudo começou de onde paramos, como uma conversa em andamento. Da inspiração à expiração longa dos últimos dois meses.

Ele se afastou para olhar para mim. — Vamos fazer deste o melhor momento de nossas vidas. Viver todo dia como se fosse o último.

Eu funguei. — E quando um deles for o meu último? — perguntei, olhando para ele.

— Você é minha alma gêmea. Eu vou te encontrar na próxima vida. Como te encontrei nesta.

EPÍLOGO

EPÍLOGO

ESTAS CELEBRIDADES CAÍRAM DO MAPA, VEJA ONDE ESTÃO AGORA!

Dez meses depois

Adrian

— Vamos. Coloque seu cotovelo em volta do meu pescoço.

Vanessa apertou os lábios em uma linha. Ela odiava isso. — Eu posso fazer isso sozinha.

— Não, você não pode. — Eu a peguei em meus braços. — Você não é forte o suficiente. Você vai cair e se machucar. Além disso, você deixou Drake fazer isso naquela montanha na Venezuela. — Eu sorri, carregando-a para a sala de estar do meu - nosso - apartamento e colocando-a no sofá.

Coloquei seu cobertor em volta dela e beijei sua testa. — Aí. Isso foi tão ruim?

Ela cruzou os braços em desafio. Grace começou a fazer isso também. Eu estava em menor número, duas para um.

Grace ficou aos meus pés, abrindo e fechando seus pequenos punhos. — Dada.

Peguei nossa filha. — Você vê como a mamãe é teimosa? — eu disse, fazendo cócegas em sua barriga, e ela riu, cachinhos loiros balançando.

— Eu não sou teimosa — Vanessa bufou, tentando não me deixar ver seu sorriso.

— Nem me faça começar com você — eu disse, sorrindo. — Você poderia ter feito isso meses atrás e não teria danos aos nervos em sua mão.

O problema não era ELA.

Seis meses depois de eu ir procurá-la na ilha de Drake, Vanessa ainda estava lutando com formigamento nos dedos e fraqueza, mas nunca passou de seu braço. Ela finalmente concordou com algumas visitas ao médico e eles descobriram que um cisto benigno estava pressionando um nervo. Ela tinha acabado de removê-lo esta manhã. Foi um procedimento ambulatorial e ela ainda estava tonta com a anestesia.

Como ela não estava usando a mão, ela perdeu o tônus muscular em seu braço, mas um pouco de fisioterapia e ela conseguiria isso de volta.

Ela recebeu um monte de coisas com este diagnóstico.

Ela estava com trinta agora. Ela sobreviveu oficialmente à sua avó, tia, mãe e irmã mais velha.

Isso não significa que estávamos fora de perigo. Nunca estaríamos fora de perigo. ELA sempre poderia atacar, a qualquer momento. Ela sempre seria uma portadora potencial do gene. Mas a cada dia que passava sem o aparecimento dos sintomas, ficávamos mais esperançosos. E a cada dia que passava tratávamos como um presente.

Amanhã era véspera de Natal. Estávamos em casa para os feriados - entre outras coisas. Ou seja, sua cirurgia, seu aniversário e o maior - nosso casamento.

Nosso apartamento foi decorado para o feriado. A árvore estava erguida. A arte de Vanessa estava pendurada em nossas paredes, além de algumas peças novas que havíamos adquirido em nossas viagens. O teto do nosso quarto tinha estrelas que brilhavam no escuro e nossa gaveta de lixo estava um caos. Meu escritório foi transformado em um berçário - não que estivéssemos aqui com frequência para usá-lo. Com a idade de um ano, Grace visitou mais países do que a maioria das pessoas em sua vida.

Peguei meu laptop e me sentei no sofá ao lado de minha esposa.

Ela olhou para mim enquanto eu anexava um arquivo a um e-mail para Malcolm. — Você tem certeza de que quer fazer isso? — ela perguntou. — Há um monte de coisas particulares lá.

Inclinei-me e a beijei. — Tenho certeza.

Nossa vida inteira estava neste arquivo. Vídeos dos últimos dez meses. Nossa primeira semana emocionante juntos, nos reconectando na ilha de Drake. Nossa viagem à Índia, nosso cruzeiro no Mar Báltico, eu beijando-a na frente da Torre Eiffel. Grace dizendo mamãe pela primeira vez, Grace dizendo papai pela primeira vez. Um surto emocional de Vanessa em um resort no Havaí depois que ela não conseguiu remar com o braço ruim. Eu a acalmei e a mantive imóvel. Subindo montanhas na Colômbia, uma dança lenta em um passeio no Rio de Janeiro, os primeiros passos de Grace. De volta aos Estados Unidos para ver mamãe, vovó e Richard. Ação de Graças com Gerald, Annabel e Brent. Em seguida, minha proposta de casamento surpresa no corredor do nosso prédio no aniversário de um ano do dia em que nos conhecemos. Nossa foto de noivado, nossos pés com um quadro-negro entre nós com ELA DISSE SIM (PARA TAPAS).

Fizemos o último vídeo da série na semana passada. Era nosso casamento, no trigésimo aniversário de Vanessa, uma cerimônia particular no Sunken Garden em Como Park, em St. Paul.

Drake oficializou - ele até colocou uma camisa para a ocasião. Meu primo Josh foi meu padrinho, e Gerald a entregou.

O pai de Vanessa estava bem. Ficou em terapia, manteve seu emprego e manteve a casa limpa. Vanessa estava muito orgulhosa dele.

Brent e Joel estavam noivos. BoobStick era um grande sucesso - como sabíamos que seria. Ajudou a financiar a maior parte de nossas viagens.

Annabel…

Ela saiu da reabilitação mais cedo e teve uma recaída. Ela teve alguns meses difíceis depois disso. Quando ela finalmente voltou ao tratamento, ela estava finalmente pronta para ficar limpa. Ela estava sóbria desde maio e estava indo muito bem, trabalhando para Brent fazendo design gráfico e tendo aulas online. Ela falava pelo Skype com Grace de vez em quando e passava muito tempo com ela desde que voltamos para a cidade.

Decidimos contar a Grace sobre seus pais biológicos assim que ela tivesse idade suficiente para entender, mas Annabel deixou claro que só queria ser tia. Portanto, embora nossa filha viesse a saber a verdade de onde ela veio, Vanessa sempre seria a mãe de Grace.

Annabel foi a madrinha de Vanessa em nosso casamento.

Todo este ano tinha sido nossa lua de mel, mesmo que não estivéssemos oficialmente casados até alguns dias atrás. E agora íamos nos compartilhar com o mundo.

Não houve nenhuma atualização sobre minha esposa ou sua condição desde o nosso vídeo de reunião. Laird tinha conseguido a coisa toda na câmera. Nós o postamos em resposta a #WheresVanessaPrice, que estava em alta no Twitter. Então voltamos para os bastidores.

Houve rumores e avistamentos, mas nada que pudesse tirar o que provavelmente seria um rugido estrondoso para a luta contra ELA com o lançamento desta série. Estaríamos doando todos os lucros para a pesquisa. Se isso nos aproximasse de uma cura, eu ficaria perfeitamente feliz em dar ao mundo nossos momentos mais íntimos.

Desisti de muitas coisas por Vanessa e não me arrependia de nenhuma delas.

Ainda exerço a advocacia, mas concentrei meus esforços exclusivamente na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Foi algo pelo que me apaixonei muito no ano passado.

Eu via o mundo por uma lente diferente agora. Percebia como era difícil conseguir táxis e hotéis com acesso para cadeiras de rodas. Como era raro em alguns lugares encontrar coisas que sempre considerei certas, como calçadas. Quantos restaurantes e lojas de souvenirs não tinham rampas. Em nossa última viagem a Nova York, vi violações flagrantes da Lei dos Americanos com Deficiências com metrôs sem elevadores na maioria de suas estações.

Se Vanessa ficasse doente, eu queria que seu mundo continuasse o maior possível. Eu não queria que houvesse nenhum lugar que ela, ou outras pessoas como ela, não pudessem ir e passaria o resto da minha vida lutando para tornar isso uma realidade. Era gratificante - e finalmente consegui meu equilíbrio.

Continuei com minhas sessões de terapia e estava em um grupo de apoio online para pessoas que viviam com entes queridos terminais. Cuidava do meu bem-estar mental com o mesmo compromisso com que cuidava da minha família - porque não poderia fazer um a menos que fizesse o outro.

Vanessa se aninhou em mim e eu coloquei um braço em volta dela. Grace se inclinou para mim do outro lado, segurando seu urso de pelúcia favorito.

Eu dizia a elas que as amava todos os dias. Nunca tomei o amanhã como certo. Eeeee eu lia os horóscopos que Becky me mandava, sem exceção.

— Você está pronta? — perguntei, passando meu dedo sobre o botão que enviaria o arquivo. — Não podemos recuperá-lo depois que ele se for.

Vanessa sorriu. — Não acho que a ELA saberá o que a atingiu.

Meus lábios se torceram em um sorriso. — Bom.

{Enviar}.

Fim

NOTA DA AUTORA

NOTA DA AUTORA

Embora o personagem de Vanessa seja ficção, comecei este livro admirada com a inspiradora ativista da vida real e YouTuber Claire Wineland.

Claire vivia com fibrose cística, uma doença que ela se recusava a deixar defini-la. Ela usou sua plataforma para inspirar e educar, viajando pelo mundo para falar a outras pessoas sobre sua vida e encorajando aqueles com doenças crônicas a encontrar a realização e a viver com orgulho. Um documentário sobre sua vida, intitulado Claire, pode ser encontrado exclusivamente no YouTube.

Claire faleceu em 2018 aos 21 anos de complicações após um transplante de pulmão. Ela doou seus órgãos para os necessitados.

Ela era uma linda alma.

QUESTÕES DE DISCUSSÃO

QUESTÕES DE DISCUSSÃO

1. Você teria dado seu bebê a um homem estranho às 4 da manhã?

2. Você ajudaria amigos e familiares que sofrem de dependência? Em que ponto ele está habilitado e quando você deve parar?

3. É difícil para você viver o momento e aproveitar a vida ao máximo hoje em vez de economizar e investir para o futuro? Você pode fazer os dois?

4. O que você acha da decisão de Vanessa de não procurar tratamento?

5. Você acredita que os casais em um relacionamento devem tomar decisões sobre o fim da vida e os cuidados médicos juntos? Ou cabe ao moribundo decidir?

6. Você poderia entrar em um relacionamento sabendo que seu parceiro pode ter apenas um ano de vida? É melhor não saber?

7. Se você tivesse a plataforma, para qual problema ou causa você aumentaria a conscientização? O que você pode fazer agora para fazer a diferença hoje?

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

Sopa de Frango e Arroz Selvagem do Adrian

  •                    3½ caixas de caldo de galinha de 340 gramas (ou 112 onças)
  •                    14 onças de mistura de mirepoix (ou 2 cenouras, 1 talo de aipo, 1 cebola branca grande - picada)
  •                    2 xícaras de cogumelos fatiados (opcional)
  •                    Buquê de erva frescas (duas hastes de alecrim, sálvia, tomilho)
  •                    1 libra de frango cozido desfiado
  •                    2 caixas de Rice-A-Roni Long Grain & Wild Rice com temperos
  •                    Sal a gosto

Roux:

  •                    ¾ xícara de manteiga
  •                    1 xícara de farinha
  •                    3 dentes de alho picados
  •                    ¼ xícara de xerez para cozinhar
  •                    1 litro de creme de leite fresco

Instruções:

Coloque caldo, cebola, cenoura, aipo, cogumelos (se usar), ervas (nas hastes), frango, arroz e pacotes de temperos em uma panela grande de caldo e cozinhe até que o arroz esteja cozido e as cenouras estejam macias, aproximadamente 20 minutos. Remova os caules das ervas e todas as folhas de sálvia soltas. Adicione sal a gosto.

Faça o roux:

Em uma panela média, derreta a manteiga em fogo médio. Adicione a farinha e o alho, mexendo sempre até ferver. Ferva por um minuto. Despeje lentamente o xerez e o creme, mexendo sempre até engrossar. Adicione o roux à sopa e sirva.

Nota: Se a sopa for muito grossa, pode ser diluída com mais caldo ou leite.

Rende 12 porções

Tem um sabor extra saboroso em tigelas de pão. Pode ser congelado até três meses para mais tarde.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

Purê de batata da Vanessa

  •                    3 libras de batata russet dividida em quatro partes, com casca
  •                    8 onças de queijo cremoso
  •                    ¼ xícara de manteiga
  •                    4 colheres de sopa de molho cremoso de raiz-forte ou raiz-forte, além de mais para saborear
  •                    Sal a gosto

Instruções:

Leve a água para ferver em uma panela grande. Adicione as batatas. Ferva as batatas até ficarem macias, cerca de 15 a 25 minutos. Ralo.

Use uma batedeira de mão para combinar todos os ingredientes, adicionando a raiz-forte 1 colher de sopa de cada vez até atingir o sabor desejado.

Notas

Notas

[←1]

Banshee pode ser considerada uma fada ou espírito feminino, cujo grito alto pode ser ouvido a quilômetros de distância, podendo até estourar crânios.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←2]

Atualmente é a segunda maior rede de lojas de departamento nos Estados Unidos, foi fundada em 1902.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←5]

BabyBjorn é uma empresa familiar sueca especializada na fabricação e comercialização de produtos para bebês.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←7]

DoorDash é um serviço de delivery estadunidense que atua de forma semelhante ao iFood em diversos países do mundo, mas ainda não chegou ao Brasil.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←8]

ELA - sigla para Esclerose Lateral Amiotrófica, conhecida no Brasil como ELA. Em inglês, a sigla é ALS.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←9]

 Síndrome do túnel do carpo é uma neuropatia resultante da compressão do nervo mediano no canal do carpo, estrutura anatômica que se localiza entre a mão e o antebraço.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←10]

Chipotle Mexican Grill, Inc., muitas vezes conhecido simplesmente como Chipotle, é uma cadeia americana de restaurantes fast casual nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha e França.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←11]

Perkins LLC é uma cadeia americana de restaurantes casuais que serve café da manhã e outras refeições caseiras ao longo do dia. Também tem uma padaria que vende tortas, muffins e outros doces.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←12]

A sigla se refere a marketing multinível, também chamado de marketing de rede ou venda em pirâmide, uma estratégia de marketing controversa para a venda de produtos ou serviços.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←13]

Nar-Anon é uma irmandade mundial para aqueles afetados pela dependência química de outra pessoa.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←15]

Panera é um tipo de construção popular na Espanha. É semelhante ao espigueiro português e ao hórreo espanhol. É utilizada para armazenamento de cereais e difere das referidas por só ter como base de sustentação quatro pilares.

(The Friend Zone Book 3) Life's Too Short

[←24]

Ironicamente ela faz menção aos procedimentos quando revistada nos aeroportos em suas viagens.

TSA – Transportation Security Administration, órgão criado nos EUA depois dos atentados de 11/09/2001 como medida para aumentar a segurança nos aeroportos, implicando na criação de um programa de fiscalização de bagagens e revista minuciosa de passageiros, o qual foi implementado na maioria dos países.

Edition & source credit
Imported from the local HowToMoon EPUB library. Verify the source edition and publication rights before commercial redistribution.

For work background, reading notes, and source credits, see the book introduction.